13.7.18

RIO DA VERGONHA: (DES)PREFEITO BLINDADO, POPULAÇÃO DESRESPEITADA E VEREADORA AMEAÇADA [VÍDEO]

ROGER MCNAUGHT -


Rio de Janeiro – A votação em sessão extraordinária que decidiria a instauração ou não de investigação e possível processo de “impeachment” contra o (des)prefeito Marcelo Crivella terminou, como esperado, em nada. Com dezesseis votos favoráveis à admissibilidade e possível instauração do processo de impeachment e 29 contrários, a sessão foi marcada por ofensas, desrespeito, confusão dentro e fora da Câmara de Vereadores e um gosto amargo de intolerância.

Em discursos inflamados, alguns dos defensores do (des)prefeito ironizaram a opinião pública e acenaram com gestos de deboche e provocação para a galeria onde se encontravam populares. Do lado de fora fanáticos provocavam a todo instante, ofendendo e utilizando um aparelho de som portátil para ampliar o incômodo causado e ao perceberem a aproximação de um carro de som dos manifestantes contrários ao bispo (des)prefeito, tentaram por duas vezes iniciar um tumulto afim de evitar que o carro de som fosse posicionado e utilizado.

Durante as tentativas de tumulto, uma das manifestantes sofreu uma tentativa covarde de intimidação (vídeo) sem que o autor da ação sequer se incomodasse em ser filmado. Já no plenário, a vereadora Rosa Fernandes (MDB-RJ) revelou que recebeu telefonemas com ameaças e energicamente reagiu à tentativa de intimidação, confirmando seu voto a favor da admissibilidade dos pedidos e continuação dos trabalhos.  Ainda dentro do plenário, o vereador David Miranda (PSOL-RJ) afirmou ter sido ofendido por gestos de cunho homofóbico proferidos pelo vereador Otoni de Paula (PSC), sendo que o mesmo negou que seu gesto tivesse caráter preconceituoso. Dentre os defensores do bispo (des)prefeito, o bispo Inaldo Silva (PRB-RJ) tentou caracterizar o procedimento e a postura da oposição como “ódio aos evangélicos”, trazendo o discurso ainda mais para o lado religioso quando na verdade o caso seria administrativo.

Após o fim da sessão, o bispo (des)prefeito publicou em sua página nas redes sociais uma mensagem falando constantemente em “Deus” e em conciliação, porém o clima de instabilidade está longe de se encerrar – uma vez que tanto o Ministério público quanto o Tribunal de Contas do Município também estão trabalhando para averiguar as denúncias recebidas.

De escândalo em escândalo, nos tornamos uma nação desacreditada com uma população desolada. Pobre Rio de Janeiro...