24.8.18

O SUICÍDIO DE GETÚLIO VARGAS

WLADMIR COELHO -

A notícia do suicídio do presidente Vargas resulta em revolta popular / Reprodução.
Temos no dia 7 de setembro  a   referência oficial para as comemorações da independência política do Brasil, contudo duas outras datas devem ser recordadas exatamente por representarem a aspiração de independência política associada a necessária independência econômica.

Em ordem cronológica temos o 21 de abril dedicado ao alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, um homem do povo que ousou defender o rompimento com o modelo colonial.

Imaginem este simples ato (defender a independência política e econômica) e sua relação com o capitalismo nascente sedento de ouro para investimento em maquinário, louco para ampliar as áreas de fornecimento de matéria prima somado a necessária ampliação do mercado para a venda de seus excedentes.

A colônia, sentenciam os defensores do modelo, deve aguardar o momento natural para a sua emancipação fornecendo inicialmente matérias primas ou agrícolas e somente após acumular os recursos necessários iniciar um processo de industrialização e assim romper com sua metrópole.

Qualquer ato que venha prejudicar este caminho “natural” é considerado uma ameaça à civilização e deve ser punido com rigor. No caso do Tiradentes sabemos todos como terminou.

A segunda data é o 24 de agosto quando, em 1954, suicidou o presidente Getúlio Vargas em ato de denuncia a tentativa de um golpe de estado articulado por setores da direita antinacionalista  submissa   ao imperialismo.

Vargas era apontado nas páginas e microfones da chamada imprensa livre como assassino e corrupto sem qualquer oportunidade de defesa. Toda calunia contra ele era transformada em verdade ganhando força nos clubes de senhoras da sociedade, nos salões de bailes, nos camarotes do Jockey e junto aos setores antinacionalistas infiltrados exatamente nas instituições cuja responsabilidade é a defesa da soberania nacional.

Diga-se de passagem, estes mesmos grupos surgem de tempos em tempos organizando marchas autoproclamadas patrióticas associadas a dita defesa da família resultando, este discurso, em aprofundamento da submissão ao imperialismo, retirada de direitos do povo e supressão da democracia.

Criador do processo de industrialização nacional Vargas ousou desenvolver os meios necessários ao rompimento com o modelo econômico de base colonial defendendo fortalecimento do mercado interno considerando para este fim a necessária intervenção do Estado.

A regulamentação das relações trabalhistas, a proteção do capital nacional a criação de um sistema de previdência social caracteriza o modelo varguista. Veja: não temos aqui um Estado assumindo o planejamento da economia ou o controle dos meios de produção associado ao fim da propriedade privada. Vargas apresentava um modelo capitalista para o Brasil e mesmo assim foi odiado pelos setores dominantes. Qual a causa?

A resposta sabemos: o império não tolera ameaças ao seu domínio e as politicas nacionalistas dos países periféricos representam graves fraturas no modelo de dominação internacional. Vargas ao propor o fortalecimento do capital nacional – utilizando para este fim inclusive o poder econômico do Estado – enfrenta diretamente as grandes empresas multinacionais notadamente aquelas do setor petrolífero.

A criação da Petrobras está diretamente associada a crise que resultou no suicídio do presidente Getúlio Vargas considerando o controle – pelo capital nacional neste caso representado pelo Estado – de importante etapa do processo produtivo.

Imagine um país periférico controlando sua produção a partir de políticas econômicas não mais submetidas aos interesses das multinacionais do petróleo e utilizando o poder econômico deste para ampliação do consumo interno. Qual seria o próximo passo deste povo? Quais seriam as contradições decorrentes do modelo varguista e a forma de sua superação?

O império sabe as respostas. Os donos do poder, submissos ao império, sabem as respostas e preventivamente utilizam da ideologia para garantir a continuidade do modelo do qual depende a sobrevivência de seus interesses.

O 24 de agosto deve ser lembrado como data de resistência do povo brasileiro contra a exploração imperialista simbolizado do ato extremo do presidente Getúlio Vargas.