7.9.18

A FACADA CONTRA BOLSONARO VALE NO MÍNIMO 10 PONTOS NO IBOPE

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


A facada que feriu Bolsonaro lhe deve ter valido no mínimo uns dez pontos no Ibope. Se não acontecer, no futuro imediato, outros eventos casuais de campanha que o atingem de forma desfavorável, esse golpe de sorte consumado dramaticamente nos braços do povo lhe garante, no momento, a Presidência da República. Isso é alimentado principalmente pela cobertura acintosa da mídia que, sempre de forma sensacionalista, conseguiu transformar em herói nacional um candidato presidencial medíocre e proto-nazista.

Durante toda a tarde de ontem a mídia cobriu, milímetro a milímetro, o tratamento médico dado a Bolsonaro. Tem sido um exagero. Basta essa atenção especial para criar nele uma auréola de salvador da Pátria ou, mesmo, de santo. O jogo do PT esgotou-se. A idéia de transferência de votos de Lula para Hadad virou fumaça. Seria preciso que Lula morresse, como foi o caso de Getúlio. Antes disso prevaleceram as conseqüências do atentado contra o Major Vaz, que, às vésperas do suicídio de Vargas, estava ofuscando amargamente a imagem dele.

E agora, José? Vocês, a direita oportunista, inventaram um candidato de extrema direita para poder domá-lo como força auxiliar na eleição. No momento, porém, ele é o candidato mais viável. Ameaça ganhar. Está coroado por um atentado à vista de todos. Qual será a alternativa? Com um presidente à beira de um processo, um Congresso sob suspeita de corrupção, um Judiciário sem auto-respeito, uma Procuradoria da República irresponsável, uma Polícia Federal arbitrária, candidatos presidenciais inconfiáveis – o que fazer? Tentarei responder amanhã.

Jair Bolsonaro pediu esse atentado. É um truculento, um portador explícito do ódio. Fala a torto e a direita em matar pessoas, e não raras vezes quantificou quantos deveriam ser assassinados para arranjar o Brasil. As condolências recorrentes de candidatos presidenciais e de autoridades públicas em relação a ele são absolutamente hipócritas. Ou fazem isso com medo dele ou o fazem como iniciativa calculista para eventualmente compartilhar com ele o poder.

Em si mesmo, o atentado não pode ser qualificado de um ataque à democracia. Foi um ato isolado. Talvez o melhor comentário que alguém pode fazer a respeito é lamentar que Bolsonaro não tenha â mão seu revólver ou seu fuzil de estimação para contra-atacar o atacante. Afinal, não é isso que prega? Um revólver em cada mão? E tudo isso não acabaria sendo uma caricatura grotesca de faroeste que acabou mal?

Igualmente grotesca é a cobertura da Globo. Promoveu Bolsonaro a herói nacional, com cobertura completa e flashes de cinco em cinco minutos, mesmo depois de saber que o paciente estava fora de perigo – ou seja, que não merecia mais que os dez minutos que um agente com as cores do nazismo normalmente teria numa televisão responsável. No mesmo compasso, foi considerável o esforço feito para tornar o atentado um crime político, vinculando seu ator ao Psol.