10.9.18

AS PROBABILIDADES QUE APONTAM O RISCO DE MORTE DE BOLSONARO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Jânio de Freitas, o mais acurado jornalista político do país, argumenta que o atentado salvou a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência. Sem contraditar Jânio, argumento que o atentado acabará por matar Bolsonaro: ele não aguentará passar pelo período de convalescença, essencial para sua recuperação física plena, sem fazer algum tipo de extravagância – por exemplo, desobedecer os médicos e sair pelo país afora fazendo exaustivas campanhas eleitorais em cima de caminhão.

A forma como alguns milhares de cultores de Bolsonaro saíram para as ruas a fim de comemorar a sobrevivência do “líder” tem sido instigadora de novos riscos e novas exibições públicas. O candidato assumido da extrema direita brasileira não se furtará a atender os fãs. Ninguém conseguirá dissuadi-lo de se expor em comícios abertos. Mesmo porque a família participa de seus êxtases ideológicos radicais e não terá a prudência necessária para mantê-lo resguardado da confusão pública, logo agora que estaria na iminência da Presidência.

Engana-se quem acha que estou torcendo para a morte de Bolsonaro. Prefiro mil vezes vê-lo exaurindo em pontos percentuais nas pesquisas de opinião, coisa que Jânio percebeu, do que vê-lo transformado em mártir da política brasileira. O quadro eleitoral já está suficientemente embaralhado para que lhe sejam superpostos mais elementos de caos. Contudo, sou analista político. E para atender ao leitor, sou forçado a recorrer também a psicologia para tentar ver Bolsonaro por dentro.

Acaso você não viu o entusiasmo com que Bolsonaro, deitado na cama, fez o gesto de empunhar para a câmara uma metralhadora ou fuzil? Para alguém que acabou de sair de um atentado, isso não seria sinal de pura demência? E há coisa mais demente do que a forma como a Grande Mídia aceitou como natural essa imitação canhestra de uma arma que apela para a morte? Desculpe-me, mas talvez eu seja o louco. Eu e Jânio, que também considera a possibilidade de morte de Bolsonaro em consequência dos ferimentos de faca.

Mas la nave va. Temos eleições à frente e devemos nos preparar para elas, independentemente do destino pessoal de Bolsonaro. O risco de extrema direita que ele representava se expressa agora no general Mourão e no economista Paulo Guedes. O Globo fez uma sinalização na direção deles mas parece que recuou assustado. Isso seria demais. De qualquer forma, não sendo um transferidor (parcial) de votos como Lula, Bolsonaro não deve representar ameaça grave através de um terceiro.

O ponto essencial é como nos livrar do risco de extrema direita com ou sem Bolsonaro. A questão é até mais profunda: como regenerar as instituições da República após o seu derretimento total. Criamos o Movimento para Democratização do Congresso como uma resposta para isso. O resgate da nação e da sociedade passa pela conquista de uma maioria nacionalista no Congresso, capaz de relançar a economia e liquidar com o desemprego em prazo curto, para atender as demandas do povo.

Esse Movimento tem um site na internet, frentepelasoberania.com.br. Ali estão expostas todas as principais votações no período Temer. Não precisamos de xingar a mãe de ninguém para apontar os vendilhões da Pátria: os votos pró e contra Temer dizem tudo. Por outro lado, criamos um Decálogo de Princípios que estão sendo assinados pelos candidatos que vamos apoiar. Também está no site. Com isso, esperamos contribuir para a construção de um Congresso decente, capaz de defender com sinceridade as causas do povo e da Nação.