14.9.18

MUITA IDEIA ATRAPALHA

JOÃO FRANZIN -


Numa certa fase da vida a gente tende a ter muitas ideias. Parece força, mas é fraqueza.

Para Brecht, não existe ideia boa, só ideia viável. Segundo a termodinâmica, pra se organizar um sistema, injeta-se energia nele. Pra desorganizá-lo, muita energia. É a entropia.

Dizem que, quando no Brasil, Einstein teve companhia de um funcionário do Itamarati. Ele fazia muitas anotações numa caderneta. O cientista quis saber por que e a resposta: - Anoto sempre que tenho uma boa ideia. O senhor não faz assim? Einstein: - Não. Até hoje só tive uma (a relatividade).

Faz tempo, um prefeito do Interior (médico e do PCB) me ensinou sobre discurso: - O povo só entende uma coisa de cada vez (falou em oligofrenia etc.).

O pastor e o padre, ao pregar, tratam de um versículo só. O sermão gira em torno do  mesmo eixo. É assim há séculos.

Sergião Gomes (da Oboré) orienta: quando falar pra muitos, poucas ideias (é o padre); quando falar pra poucos, muitas ideias (é o brainstorming da agência de propaganda).

Aonde quero chegar? À política e à síntese. Por que o povão é Lula? Porque sintetiza: “Lula apoia o pobre, governa para o pobre, é aliado do povo”. Por que outros estão com Bolsonaro? A síntese coxinha responde: “Porque ele vai acabar com os petralhas, vai botar ordem na casa e o Brasil não será uma Venezuela”.

Nessa eleição presidencial, candidato que não fizer a síntese, ou seja, não fixar um conceito ou passar uma ideia palpável, vai ser figurante. Eleição é definição. Não tem nada a ver com disputa de ideias.

Já falei demais e termino em João Gilberto, que, há uns 60 anos, compôs “Bim-bom”. Diz a letra “É só isso o meu baião/E não tem mais nada, não/O meu coração pediu assim/ Só bim-bom; bim-bim; bom-bom”. A gravação tem 1 minuto e 16 segundos.

João Franzin é jornalista e diretor da Agência de Comunicação Sindical