4.9.18

MUSEU NACIONAL - 200 ANOS DE HISTÓRIA TRAGADA PELA GANÂNCIA DOS VENDILHÕES DA PÁTRIA

ANDRÉ MOREAU -


O maior patrimônio histórico do Brasil, composto por mais de vinte milhões de peças raras, o Museu Nacional sonhado por Dom João VI, da Quinta da Boa Vista, foi tragado no incêndio criminoso deflagrado às 19:30 horas (2), que só foi contido 13 horas depois (3), no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Revolta saber que a verba investida no Museu Nacional administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, os R$ 268,4 mil, serviriam para manter a administração do judiciário, por cerca de 2 minutos em 2017. No ano passado, a Justiça brasileira custou aos bolsos dos contribuintes R$ 90,8 bilhões, segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A tragédia foi anunciada em 2015 - ano no qual a Presidenta, hoje candidata ao Senado, Dilma Rousseff, foi impedida de governar em função das pautas bombas. Os investimentos no Museu Nacional caíram de R$ 1,04 milhão em 2013 para apenas R$ 397,4 mil em 2015.

Chama a atenção a narrativa discricionária do Jornal Nacional, visando desviar a atenção do público para a responsabilidade dos dirigentes do Grupo Globo, para o que vem ocorrendo no País, depois do golpe de Estado. A começar por questionamentos hipócritas como, por exemplo, a variação da queda nos investimentos em prol do Museu Nacional, tratados como gastos, que oscilaram em 2016 R$ 480 mil e R$ 445 mil em 2017. E para piorar, tenta induzir a perícia ao questionar que, “pode ter sido em função da queda de um balão” ou “o mais provável é que foi devido a um curto circuito”.

Por que não perguntar se não foi para encobrir a venda de peças raras para milionários estrangeiros ou, para fazer uma reserva de caixa?

Afinal diante de uma catástrofe tão grande todas as interrogações, são pertinentes, por mais absurdas que possam parecer.

Os pesquisadores brasileiro sabem que a tragédia anunciada é oriunda do desmonte do Estado, enquanto o Povo somente desconfia e que se deve questionar o seguinte:

Por que não havia nenhum hidrante próximo ao Museu Nacional, abastecido?

Por que não haviam câmeras de segurança ligadas para proteger o patrimônio público e que pudessem ajudar a explicar como tudo começou?

O desmonte em curso que ameaça outras instituições públicas importantes, decorre mais precisamente no período de divisão do “botin,” após a “PEC da Morte” proposta pelo aposentado do Banco de Boston, ex-ministro da Fazenda e candidato à presidência, Henrique Meirelles, ter sido aprovada pelos parlamentares vendilhões do Congresso Nacional - a famigerada Emenda 95.

Em nota oficial o diretor do Museu Nacional (3), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ), o paleontólogo Alexander Kellner, disse que esperava todo apoio do governo federal diante do incêndio do mais antigo Museu do país, que em junho comemorou 200 anos, mas em declaração anterior, na coletiva à imprensa, em tom conativo e emocionado, Kellner disse que não adiantava apontar culpados que o importante agora era pensar em restaurar o que havia sido destruído.

Causa perplexidade ter que ouvir tal opinião de um cientista ao tratar de um dos acervos históricos mais preciosos da humanidade. Fica parecendo, pela lógica, que o Sr. Kellner estaria preservando o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles e o ilegítimo, Michel Temer, que por sinal se pronunciaram a respeito, de forma tosca e simplória após a declaração aos jornalistas do Reitor da UFRJ, Roberto Leher, assinalando que com a verba recebida do governo federal era impossível preservar o Museu Nacional.

Diante do caus instalado no Brasil, da miséria abafada com violência nas periferias, me vem a mente uma frase do Jornalista e Escritor José Louzeiro: “Incêndio não se apaga com gasolina”.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de Imprensa, jornalabi.blogspot.com - arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI nas eleições de 2016/2019.