7.9.18

TRISTEZA NÃO TEM FIM [VÍDEO]

ANDRÉ BARROS -


A alma do carioca incendiou no primeiro domingo de setembro de 2018. Quem nunca foi visitar o Museu Nacional quando era criança? Escolas públicas e privadas sempre promoveram passeios ao histórico museu da Quinta da Boa Vista. Uma visita obrigatória que virou passado em chamas. Era a mesma coisa que perguntar se você já foi à praia, ao Maracanã ou ao Sambódromo. Mesmo poluída a praia, destruído o estádio, ou fora do ritmo o samba, ao menos, esses ainda existem, ao contrário da nossa memória, totalmente apagada.

Literalmente, destruíram a nossa história. Dois hidrantes sem água, nenhuma brigada de incêndio e apenas 54 mil reais do governo Temer neste ano incendiaram a mais antiga instituição científica do Brasil. Em poucas horas, foi o fim de duzentos anos do museu e suas coleções milenares. Após a Copa do Mundo e as Olimpíadas que prometiam uma cidade ainda mais maravilhosa, o fogo queimou qualquer legado, tudo virou cinza.

Novos museus foram construídos,  uma ciclovia que não resistiu a uma ressaca e o elefante branco da Vila Olímpica, enquanto a quadrilha que recebeu milhões de reais mensais para auxiliar capitalistas a limpar os cofres de nosso Estado sumiu: o governador Sérgio Cabral, seu partido, o MDB, e aliados, 60 de 70 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, 6 de 7 Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado e o então Procurador-Geral de Justiça.

É assim o assalto dentro da lei. O governador não pode assinar um cheque transferindo tudo que o Estado tem no Tesouro para sua conta. Numa democracia, o assalto é dentro do Império da Lei. Se antes os monarcas tinham o poder absoluto para determinar o que fazer com tudo que se arrecadava com os impostos, numa democracia, isso é decidido na lei. Por isso, o governador precisa de uma ampla maioria de legisladores para assaltar os cofres públicos, uma ampla maioria daqueles que deveriam fiscalizar e julgar suas contas, seus asseclas e um procurador que deveria denunciá-lo. Essa quadrilha recebeu milhões para permitir o assalto de bilhões de empresas que combinaram preços e quem ganharia as licitações de obras de bilhões do nosso Estado.

Fizeram museus bilionários e destinaram 54 mil reais ao museu mais importante de ciência, história, antropologia, da América Latina, assim, todo o nosso legado terminou em chamas! Ficou o museu do Amanhã, sem passado, presente e futuro, e ainda querem Paes!

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*André Barros é advogado da Marcha da Maconha, colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA SINDICAL, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros e 3º suplente de Deputado Estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro.