11.10.18

TÁ OSSO NAS REDES, VOU PRA RUA CONQUISTAR VOTOS, É A TAREFA QUE SE IMPÕE

LUIZ ANTONIO SIMAS -



Amizades, trabalho parte do dia na rua, convivendo com gente de tudo quanto é tipo em aulas, palestras, botequins, etc. Preciso da rede social para divulgar meu trabalho. É com ele - no colégio, no jornal, em palestras remuneradas, com venda de livros, etc. - que pago minhas contas. Mas tá osso ficar nas redes.

Vou passar uma impressão sobre o que tenho visto na rua, cotidianamente.

Encontro toda hora pessoas que não são fascistas, não votam inicialmente no Haddad, mas podem perfeitamente votar com a gente, na frente progressista contra o horror. Eu adoro, por exemplo, quando encontro alguém que diz que tá neutro e pretende anular o voto. Tento conversar. É a chance de vir com a gente. E aí leio na rede que o sujeito que tá neutro é fascista. Maluquice, O neutro é o voto a ser conquistado até as eleições.

O Bolso deve ter, sei lá, 20% de eleitores organicamente fascistas ou próximos disso (o debate conceitual sobre fascismo não me interessa aqui); e isso não muda. Com essa turma não tem diálogo. Mas tem uma galera que votou nele com outras pegadas. Eu cruzei com eleitor do Lula que foi de Bolsonaro porque o Lula não tá concorrendo. Encontrei desempregado dizendo que o cara é maluco e perigoso, mas pode gerar emprego mais rápido. Encontrei, no condomínio em que moro na Vila Isabel, funcionário que votou no Bolsonaro por causa de pedido do pastor sem a menor convicção e admitindo mesmo mudar o voto.

Se a gente já grita que esse camarada é fascista, danou-se.

Acho que a hora é a de conquistar eleitores entre os indecisos e entre eleitores pouco convictos do Bolsonaro no primeiro turno. Ou é isso ou é a derrota.

Sair dizendo que o cara desempregado e a adolescente que entra na onda do pastor por causa da família é fascista feito aqueles trogloditas que arrebentaram a placa da Marielle ou o assassino de Mestre Moa não me parece boa estratégia.

Escrevi algo na rede, faz tempo, que me parece bom para lembrar agora. Parte da esquerda passou anos chamando todo pensamento contraditório de fascista. Desse jeito ficaria difícil alertar para o fascismo quando o monstro - ou algum primo dele - estivesse de fato batendo na nossa porta.

O monstro está na sala. Identificar quem abraça o mostro porque sabe que é o monstro e quer o monstro; e quem pode simplesmente vir pro nosso lado - em um amplo arco de alianças pela democracia - ao perceber a dimensão do horror, é urgente.

A tarefa prioritária é conquistar votos e é isso que estou tentando fazer. Eu sou um historiador das práticas cotidianas. Em todo o meu trabalho falo disso. E praticar o cotidiano é urgente. Não aqui, (um lugar bom pra desabafar, e é preciso desabafar, mas com pouquíssima eficácia) porque seria só pregar para convertidos.

Vamos lutar agora, cotidianamente e em longo prazo. É a tarefa que se impõe aos nossos tempos duros.

Vou pra rua, conviver com gente. De noite eu volto.

Abraços e estamos juntos!

Fonte: Facebook