26.12.18

AS ELITES BRASILEIRAS PREPARAM A SEGUNDA FACADA EM BOLSONARO, AOS MOLDES DO IMPEACHMENT DE COLLOR!

EMANUEL CANCELLA -


As elites brasileiras só elegeram Collor e Bolsonaro para barrar Lula e o petismo, já que nem Collor e nem Bolsonaro são os candidatos prediletos de nossa burguesia.

Tanto que Collor sofreu um impeachment, cuja principal protagonista foi sua criadora e apoiadora: a Globo.

Essa elite brasileira, que inclui principalmente a mídia e a Justiça, não é de brincadeira.

Tanto que Lula foi preso, sem qualquer prova, num claro intuito de impedir sua candidatura que, segundo o Ibope, seria vitoriosa em primeiro turno (7). É bom lembrar também que conseguiram afastar Dilma do governo, através de um impeachment, sem nunca provarem absolutamente nada contra ela.

Entretanto, seu vice, o golpista Michel Temer, já foi denunciado 3 vezes por corrupção, e, de forma muito suspeita, vai completar seu tempo como presidente. Só agora, ao final do governo, Temer faz elogios a Dilma. Em entrevista, Temer diz que Dilma é uma "senhora correta e honesta" (5,6).

Com Bolsonaro, as brigas com a elite midiática começaram já durante a campanha. Bolsonaro chegou a ameaçar cortar pela metade a verba para a Globo e a jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello,  mesmo ameaçada, denunciou a campanha fraudulenta via fake news de Bolsonaro (1,2).

O vice de Collor, que assumiu a Presidência no seu impedimento, foi Itamar Franco. Itamar, salvo engano, comportou-se o tempo todo como aliado de Collor e nunca durante o governo Collor se pronunciou publicamente contra ele.

Já o vice de Bolsonaro, General Hamilton Mourão, quase toda semana tem uma crítica pública a Bolsonaro (4).

Bolsonaro também já começa mal com o vice.

Mourão diz que é preciso explicar a transação de R$ 1,2 milhão envolvendo o motorista de Flávio Bolsonaro (3).

Mourão também diverge de Bolsonaro na mudança da embaixada brasileira em Israel(4). Eu particularmente concordo com essas críticas de Mourão, mas feitas publicamente e por seu vice mais parecem críticas da oposição.

Collor, quando caiu em desgraça e buscando apoio popular, aproximou-se de Brizola que era governador do Rio de Janeiro e um dos principais líderes da oposição. Brizola condicionou seu apoio politico à construção de Cieps e, se não me engano, à conclusão da linha vermelha. Brizola mostrou-se um líder que colocava os interesses legítimos da sociedade acima dos interesses pessoais e partidários.

Quanto a Bolsonaro, ou ele busca um viés que o aproxime dos interesses dos trabalhadores, aparando também as arestas com os movimentos sociais, ou ele vai rumo à segunda facada. E o algoz não vai ser a esquerda, será a mesma elite que os elegeu e que defenestrou Collor!

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