9.12.18

BRASIL, UM PAÍS CADA VEZ MAIS POBRE

ALCYR CAVALCANTI -

Há mais de duas décadas, a miséria aumenta nos governos de mais diferentes matizes. Houve uma pequena diminuição durante o primeiro governo Lula, que começou em 2013. Mas com o passar dos anos e o início da "Era Temer" a miséria absoluta se estende a todo país,  concentrada nos grandes centros urbanos. No período de apenas um ano mais de dois milhões se juntaram ao "exército da fome",de pessoas que vivem com migalhas para sobreviver, e que muitas vezes não resistem à falta de alimentos, ao frio e às chuvas, morrem bem antes do tempo. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE são preocupantes, o número de pessoas que vivem na indigência saltou de 13 milhões para mais de 15 milhões, quase 8% da população do país.


Muitas pessoas sobrevivem com menos de R$6 por dia, em muitos lugares o preço de uma xícara de café expresso. O desemprego e o sub emprego aumentaram apesar da propalada 'Reforma Trabalhista"que ao contrário de proteger os trabalhadores aumentou a enorme diferença entre os grandes salários e os que sobrevivem com o minguado salário mínimo. Demissões em massa atinge todos os setores. A queda de verbas  do Programa Bolsa Família que caiu de maneira significativa também pode agravar a linha da miséria. O número de pessoas sem trabalho fixo e que vivem de pequenos bicos cresceu e já chega a quase 45%. Ambulantes que vendem produtos para sobreviver, muitas vezes estimulam sem saber o roubo de cargas, ou mesmo o contrabando, muitas vezes de mercadorias pirateadas. Enquanto isso uma casta privilegiada consegue um aumento "dentro da lei" de mais de 16% sob a retórica pedante do sugestivo nome de reposição salarial. Para o economista Marcelo Neri a redução do Bolsa Família, é irrelevante dentro do cenário atual, ele ocupa somente 0,5% do Produto Interno Bruto-PIB, nada comparado aos milhões de US dólares desviados pelos sucessivos governos que levaram o Estado do Rio de Janeiro ao estado de calamidade em que hoje nos encontramos.

Governos se sucedem, mas a inflexível política econômica totalmente dependente dos ditames do Fundo Monetário-FMI e dos banqueiros transnacionais afunda cada vez mais o país. Nossas reservas diminuem, nossas riquezas evaporam ao sabor da volatilidade cambial, da dependência dos "magos" da OPEP e das flutuações dos preços do petróleo. Enquanto isso nossas riquezas, nossas instituições vão sendo oferecidas e vendidas a preços irrisórios para cobrir rombos derivados de péssimas administrações e da ganância de "representantes do povo", que não representam nem a eles mesmos.  A miséria aumenta, a legião de despossuídos assusta, mas para outros é uma situação fruto da indolência da maioria do "povo brasileiro".  Alheios á tudo isso os "economistas" de plantão continuam a ditar ordens, fomentar a desordem, e sobretudo levar o descrédito a todas as instituições, condição que pode levar a uma situação funesta em que não haverá nem vencedores, nem vencidos. Todos sairão derrotados.