21.12.18

CENTRAIS SINDICAIS REPUDIAM AS AMEAÇAS DE CORTES NOS RECURSOS DO SISTEMA S

REDAÇÃO -


O movimento sindical repudiou a fala do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu “meter a faca no Sistema S”, cortando os recursos destinados à manutenção dos serviços prestados aos trabalhadores por entidades como Sesi, Senac e Senai. A reação veio por meio de Nota, com o título “Sistema S faz bem ao Brasil”, assinada por sindicalistas que integram os conselhos gestores e entidades do sistema, como representantes da CUT, Força Sindical, UGT e Nova Central.

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Segundo informações do Sesi e Senac, a redução no repasse de recursos para as duas instituições deixaria mais de um milhão de estudantes sem opção de cursos de formação profissional e 18,4 milhões de funcionários das entidades perderiam o emprego.

De acordo com o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, a facada de Guedes teria “efeitos devastadores”. Ele afirmou que o Senai, que atende 2,3 milhões de alunos, precisaria fechar 162 das 541 escolas com eventuais cortes. O Sesi, que tem 1,2 milhão de alunos na educação básica, precisaria fechar 155 escolas.

Leia a íntegra da Nota das Centrais:

Sistema S faz bem ao Brasil

O movimento sindical repudia a ameaça de “meter a faca no Sistema S”, feita por Paulo Guedes, indicado por Jair Bolsonaro para dirigir a Pasta da Economia. Sua fala, na Firjan, no Rio, dia 17, foi explícita: “Tem que meter a faca no Sistema S também”. Segundo o jornal Folha de São Paulo, ele chegou a falar em até 50% de corte.

Criado no governo de Getúlio Vargas e instituído no governo Dutra, o chamado Sistema S, constituído por Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Social do Comércio (Sesc); Serviço Social da Indústria (Sesi); Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop); e Serviço Social do Transporte (Sest)/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) – promove ações voltadas à educação, formação profissional, assistência social, esportes, cultura, turismo social, consultoria, pesquisa e assistência a empreendedores em todo o País. As alíquotas chegam a 2,5% da folha. Não há recursos públicos.

O Artigo 1º, referente ao Sesi, resume os compromissos do Sistema: “O Serviço Social da Indústria tem por escopo estudar, planejar e executar medidas que contribuam para o bem- estar dos trabalhadores, concorrendo para a melhoria do padrão de vida no País, para o aperfeiçoamento moral e cívico e o desenvolvimento da solidariedade entre as classes”.

Parágrafo 1º: “O Serviço terá em vista especialmente providências no sentido da defesa dos salários reais do trabalhador (melhoria da habitação, nutrição e higiene), a assistência em relação a problemas domésticos, as pesquisas socioeconômicas e atividades educativas e culturais, visando à valorização do homem e aos incentivos à atividade produtora”.

Poucas organizações funcionam em nosso País tão bem quanto o Sistema S. Que o governo queira aperfeiçoar mecanismos de fiscalização, tudo bem. Mas intervir, mandar cortar e “dar facada” não beneficiaria a população e não cabem num regime democrático.

Consideramos importante, para o desenvolvimento econômico e social do país, valorizar cada vez mais o processo de gestão tripartite (Governo, empresário e trabalhadores), conforme orientação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e, principalmente, num momento em que a disputa comercial é cada vez mais acirrada, manter e investir na qualificação profissional dos trabalhadores.

São Paulo, 19 de dezembro de 2018

José Pereira dos Santos
Representante da Força Sindical no Conselho do Senai

Osvaldo Mafra
Representante da Força Sindicai no Conselho do Senai

Valeir Ertle
Representante da CUT no Conselho Fiscal do Sesc

José Roberto Nogueira
Representante da CUT no Conselho do Senai

Paulo Chitolino
Representante da CUT no Conselho do Senai

José Aguinaldo Pereira
Representante da UGT no Conselho do Senai

Aprigio Guimarães
Representante da Nova Central no Conselho do Senai

Fonte: Agência Sindical