17.12.18

GRAVEMENTE ENFERMO BRASIL RECEBE O PRÊMIO FÓSSIL DO DIA NA POLÔNIA

ANDRÉ MOREAU -


A onda de mineração clandestina que vem se alastrando pelo território brasileiro, pode ajudar a entender a origem da contaminação que deixou o Brasil enfermo. O fato nos remete à narrativa do perigo vermelho promovido por propagandas e notícias disseminadas pelo IPÊS – Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (1962), que depois do golpe de Estado de 1º de abril de 1964, passou a promover a ideia de que para passar da pobreza para o estágio da riqueza, bastava o cidadão acertar na loteria ou apertar o cinto, abrindo mão de direitos e esperar o bolo crescer, enquanto o país era assaltado.

A vacina deveria ser elaborada pelo Poder Judiciário, mas ao contrário disso, assim como no passado recente, os senhores togados andam mais atarefados com decisões que atendam propostas de campanha feitas pelo presidente eleito, dentre as quais, as dos auto intitulados “Chicago Boys,” que pretendem acabar com o instituto do Direito Adquirido, visando impedir os trabalhadores de se aposentarem, mesmo aqueles que para alcançarem tal direito, tenham que contribuir apenas por mais um ano.

A floresta Amazônica perdeu 7,9 mil quilômetros quadrados de cobertura vegetal entre agosto de 2017 e junho deste ano - área cinco vezes maior do que a da cidade de São Paulo, de acordo com dados divulgados por membros do Ministério do Meio Ambiente, no final de novembro.

O estudo divulgado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), elaborado por organizações de seis países da América Latina, revela que 2,5 mil áreas de mineração não regulamentadas, cerca de um quinto delas, estão localizadas em território brasileiro, constituem o que é denominado de “epidemia de garimpos ilegais”.

A exploração de ouro é a principal atividade dos garimpeiros que atuam na região, gerando grande contaminação por mercúrio, usado para limpar o metal. Referindo-se às propostas de afrouxar a legislação ambiental, feitas pelo presidente eleito, antes mesmo de assumir o poder, Adriana Ramos do ISA (BR), alerta para o fato de que “(...) A pauta da bancada ruralista virou programa de governo,” dentre as quais, a possibilidade de arrendamento das terras indígenas para mineração e ou, visando favorecer o plantio de cana de açúcar, atividade repudiada até mesmo por integrantes do próprio setor açucareiro que associam tal produção de etanol nativo, a devastação da floresta Amazônica.

Caso o desmatamento aumente na floresta Amazônica, visando beneficiar os ruralista com o agronegócio que depende do uso dos pesticidas e de muitas chuvas, certamente haverá um aumento de doenças e mortes dos pobres, em função do extermínio dos predadores naturais dos mosquitos, dentre outras pragas e produtos químicos usados na manipulação do clima, nocivos a vida no planeta. Por essas e outras razões, o Brasil recebeu na Conferência das Nações Unidas, realizada em Katowice, Polônia, a honraria não oficial denominada, “Fóssil do dia”.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de Imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI nas eleições de 2016-2019 jornalabi.blogspot.com