5.12.18

PARA QUE SINDICATO? POR QUE COMUNICAÇÃO?

Por CLOMAR PORTO -

O título deste breve artigo também poderia ser: "Até quando o movimento sindical vai seguir subestimando a importância da comunicação?" Ou, "Até quando o movimento sindical continuará apostando em estratégias de comunicação superadas há mais de 20 ou 30 anos?"


Há muito tempo, temos tentado chamar a atenção sobre o anacronismo que caracteriza a comunicação praticada pelas entidades sindicais. São, em geral, modelos totalmente superados, que pouco ou quase nada conseguem frente à complexa disputa simbólica que há na sociedade e, sobretudo, nas relações entre capital e trabalho.

O movimento sindical brasileiro, com raríssimas e honrosas exceções (sim! existem excelentes trabalhos de comunicação no movimento sindical, mas são pouquíssimos!), não compreende a dimensão estratégica da comunicação nas disputas sociais. Na maioria dos sindicatos, a comunicação é tratada de forma secundária e meramente instrumental - é velha, na sua gestão e execução. 

Tampouco se percebe vontade política nas entidades para contribuir, de forma decisiva, na construção ou no fomento de canais alternativos de comunicação para a sociedade; ou de participação ativa na luta e nos movimentos pela democratização do sistema de comunicação altamente excludente e antidemocrático existente no país. 

Os dirigentes sindicais precisam saber que não sabem - Os dirigentes sindicais ainda acreditam que a transmissão do DISCURSO DURO e a "sua verdade" são suficientes para conquistar “os corações e as mentes” da classe trabalhadora, menosprezam, assim, a FORMA e os CANAIS adequados à mensagem.

Muitos dirigentes sindicais (nem todos, mas quase todos) não valorizam a inteligência, nem os profissionais da área, e desconhecem completamente as habilidades complementares que formam o "modus-operandi" da comunicação e suas especificidades (jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas). Não raro, acreditam saber mais que aqueles que se formaram para trabalhar na área. Além disso, negligenciam aspectos centrais que caracterizariam uma política de comunicação avançada, moderna e capaz de superar o atraso existente no meio sindical.

Cito aqui alguns destes aspectos, absolutamente decisivos para uma política de comunicação que queira realmente fazer a diferença em uma entidade sindical, mas que raríssimas possuem.


* Clomar Porto é jornalista e especialista em gestão estratégica da comunicação.