23.12.18

PM INTEGRANTE DO MOVIMENTO POLICIAIS ANTIFASCISMO É EXECUTADO

ADERSON BUSSINGER -

A notícia da covarde execução do Soldado PM do Rio Grande do Norte, João Maria Figueiredo, militante pela democratização das polícias, fundador e atuante no movimento "Policiais antifascismo", nos enche de tristeza, indignação e, concomitantemente, consiste também em mais um aviso: doravante tenderá a aumentar a prática odiosa de execuções políticas, como no passado vitimou Chico Mendes, a freira católica irmã Dorothy no Pará, a vereadora do PSOL Marielle Franco, seu motorista Anderson, os dois líderes do MST assassinados na Paraíba, e agora o soldado João Maria, um dos líderes e dirigentes do movimento policiais antifascismo.

Quem será o próximo(s)? Não podemos deixar que isto siga se repetindo!

O soldado João Maria Figueiredo da Silva é o 26º agente de segurança morto no estado do Rio Grande do Norte em 2018 (Reprodução)
Faz-se necessário que todos aqueles que reivindicam a democracia e os direitos humanos neste país e no mundo comecem, desde já, a se conscientizar - e denunciar! - sobre o que está porvir no Brasil, caso esta escalada de violência política não seja contida. Pois como o desdobramento destas práticas de eliminação física de opositores, a extrema-direita poderá transformar nosso país em uma futura Colômbia! E o que houve na Colômbia? Este país ostenta um elevadíssimo índice de execuções políticas de sindicalistas, militantes de esquerda, Padres e Freiras progressistas, ativistas das mais variadas causas sociais sob o pretexto de “combater a esquerda”, “combater o tráfico”, “combater a guerrilha”, enfim, estes discursos foram usados como motivo e justificativa midiática para se perseguir e assassinar quem luta por direitos sociais, em um processo semelhante ao que teve lugar também no Peru, sob o governo eleito de Fujimori, este pária hoje finalmente está condenado judicialmente por inúmeros crimes contra a vida (e corrupção)!


Embora aqui no Brasil não temos o pretexto de “combater a guerrilha da Farc”, (agora anistiada), temos a política de “guerra as drogas” assassinando milhares de jovens negros nas favelas, e também um crescente movimento anti-esquerdas, na forma do “antipetismo” que vem a ser um “filho” do anticomunismo de outrora, (sob outras vestes) e que pode, sim, se converter em um movimento neofascista de proporções inimagináveis, e também incontroláveis para os próprios setores da direita que o promove com claros objetivos financeiros.

A morte do PM João Maria foi, sim, mais uma execução política que atinge todos nós que lutamos por direitos humanos e por uma polícia que não seja instrumento de nenhum fascismo!

E finalizo este texto indicando este vídeo que contém uma exposição de João Maria no último Fórum Social:


*Aderson Bussinger, Advogado Sindical, Conselheiro da OAB-RJ. Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais/UFF, colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA SINDICAL, Diretor do Centro de Documentação e Pesquisa da OAB-RJ, membro Efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ. Membro Efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros-IAB, integrante do PSOL e da corrente Resistência.