5.12.18

UMA NOITE COM LUIZ CARLOS DA VILA E UMA ALTA PATENTE DO JORNALISMO (OU O DIA EM QUE QUASE FUI PRESO POR UMA CAUSA NOBRE)

LUIZ ANTONIO SIMAS -


Vou contar uma passagem minha com Luiz Carlos da Vila - a quem admirei desde sempre, conheci superficialmente, e hoje tenho, com Diogo Cunha, a alegria de biografar - e um importante jornalista carioca, homem de imprensa de alta patente. O cabra é meu amigo de fé até hoje.

Depois de uns chopes no Capela, fomos os três ao Democráticos, onde rolava um samba de responsabilidade. A casa estava repleta de amigos.

Entramos, pegamos uma mesa e, de cara, o homem de imprensa disse algo do tipo:

- Luiz Carlos, pede o que você quiser.

Eu perguntei discretamente:

- Tu vai bancar o Luiz Carlos?

Ele respondeu indignado.

- Claro que não. A casa. Nenhum lugar do mundo pode cobrar conta do Luiz Carlos da Vila. É o Luiz Carlos, pô.

E a noite rendeu. Luiz Carlos deu canja, tomamos uísque, cachaça, pedimos linguiça, pastel, tremoços, e uma quantidade bíblica de cervejas.

Subitamente, Luiz Carlos manda:

- Gente, Feliz Natal.

E vai embora.

O homem de imprensa me olha e diz:

- Vamos?

Só que na hora da retirada aparece um garçom com a conta. Uma pequena fortuna.

O bravo jornalista pega a conta e, com a maior calma, devolve:

- Avisa que é a mesa do Luiz Carlos da Vila e traz a saideira.

Cinco minutos depois se aproxima um coroa português, cuspindo capivaras, grosso pra dedéu, e diz:

- Vou chamar a polícia!

Resumo da ópera: ameaças de prisão, discursos indignados sobre o alcance civilizatório de Luiz Carlos da Vila e do Cacique de Ramos, a canja do poeta, o hino do Botafogo bradado contra a tirania.

No fim de tudo, o meu querido homem de imprensa faz um acordo com a casa. Deixou todos os documentos com a promessa de voltar e acertar tudo no dia seguinte.

Nunca perguntei a ele se o dia seguinte foi lá mesmo, no Democráticos, ou no Félix Pacheco, dando entrada na nova identidade. (via Facebook)