15.1.19

ANISTIA INTERNACIONAL: DEMORA NA INVESTIGAÇÃO DO CASO MARIELLE É INACEITÁVEL

REDAÇÃO -

A Anistia Internacional emitiu uma nota nesta segunda-feira (14), data que marca 10 meses do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Franco. Segundo a organização, a demora nas investigações "tem enormes impactos negativos" e é um episódio "inaceitável".


"O ano de 2018 terminou sem que o estado do Rio de Janeiro, sob intervenção federal na área de segurança pública, tenha conseguido solucionar o caso. A nova gestão do governo do estado tem o dever de assumir esta responsabilidade e não deixar o caso sem solução", afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional.

Ainda de acordo com Werneck, a demora nas investigações "tem enormes impactos negativos, pois gera uma espiral de medo e silêncio entre ativistas, defensores de direitos humanos, jovens, mulheres negras, comunidade LGBT e todas as pessoas e grupos que, de alguma forma, ela representava."

Ainda nesta segunda-feira, o governador Wilson Witzel (PSL) disse que o crime poderá ter uma "resposta parcial".

"Existe uma linha de investigação do Ministério Público e outra da polícia. As duas podem estar irmanadas. Mas eu já disse ao delegado [Giniton Lages, titular da Delegacia de Homicídios da Capital] que, se fosse o caso, a polícia adianta o que está sendo investigado para uma eventual prisão e o MP faz o dele em paralelo. A sociedade espera resposta, ainda que parcial, ainda que não seja completa", disse o governador, segundo o UOL.

A Anistia Internacional criticou Witzel por ter participado de ato em que uma placa em homenagem a Marielle foi rasgada, durante o período eleitoral. "Esse episódio foi um ataque direto à memória de Marielle Franco, à sua família, aos parlamentares do Rio de Janeiro e às pessoas ela representava ou que com ela se identificam".

Reportagem do jornal O Dia indicou que a Polícia Civil tem provas de que o assassinato de Marielle foi cometido por servidores públicos da área de segurança. Segundo a publicação, os criminosos podem ainda ter ligação com as forças públicas de segurança ou terem alguma passagem pelo setor.

O ministro da segurança pública da gestão do ex-presidente Michel Temer (MDB), Raul Jungmann, afirmou que o crime contou com "agentes públicos, milícias e políticos". A provável participação de paramilitares também já foi admitida pelo então secretário de Segurança Pública do Rio, general Richard Nunes.

Segundo Jurema Werneck, da Anistia Brasil, a demora nas investigações é "inaceitável".

Fonte: Sputnik Brasil