17.1.19

GOLPISTAS PERSEGUIRAM, AFASTARAM, CASSARAM, PRENDERAM E TORTURARAM MILITARES

DANIEL MAZOLA -

O advogado José Bezerra da Silva representa o militar João Martins de Oliveira e exige reparação na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

João Martins de Oliveira e José Bezerra da Silva (fotos: Daniel Mazola)
Centenas de cabos, sargentos, marinheiros e praças que participavam (ou não) de associações profissionais e defendiam as Reformas de Base foram presos nas primeiras horas do golpe de 1964. A repressão aos democratas e legalistas, da base ao topo da hierarquia, fez dos militares o grupo mais numeroso de cidadãos perseguidos pelos golpistas de 1º de abril.

Conversei com um dos perseguidos pelo regime, o Cabo da Aeronáutica (patente S1) João Martins de Oliveira, hoje com 72 anos. Desde 2004 o advogado José Bezerra da Silva representa João Martins exigindo sua reparação na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Emocionalmente abalado, João Martins foi lembrando-se dos fatos, disse que quando tinha apenas 17 anos de idade, em abril de 1964, seu pai pediu que ele se apresenta-se ao Brigadeiro Hugo da Cunha Machado para ingressar na Aeronáutica, a época o militar era presidente da Sociedade Brasileira de Direito Aeronáutico, local de muitos encontros políticos, Leonel Brizola e Darcy Ribeiro eram vistos com frequência por lá.

Em dezembro de 1964, passei a servir no Ministério da Aeronáutica a serviço do Brigadeiro Hugo da Cunha Machado. Quando certo dia dei falta do Brigadeiro no Ministério, fui até a Sociedade Brasileira de Direito Aeronáutico para procurá-lo. Disseram que havia viajado, mas ninguém sabia para onde, daí em diante minha vida se transformou num inferno. Sem motivo algum me deram 15 dias de cadeia no III Comar, após cumprir passei a tirar serviço lá mesmo. Em 15 de junho fui expulso das forças armadas, sem motivo. Então em 1966 pedi para dar baixa do serviço militar e não deram, e para piorar me deram mais 70 dias de prisão. Tiraram minha farda, rasgaram minha roupa, sofri muitas humilhações”, explicou João Martins de Oliveira.

Ele relatou que esse período foi de muito desespero, além de ser torturado, passava fome e humilhações de todo tipo na prisão do III Comar. “Foram 3 anos de agonia, tortura e sofrimento. Apanhei muito, durante uma ocasião levei 5 tiros de revolver 38 e sobrevivi. Até hoje não tenho nenhum comprovante da minha passagem pela Aeronáutica. Com 21 anos de idade me jogaram na rua, quem assinou minha expulsão foi o tenente-torturador João Borges de Cardoso. Nunca tive coragem de dizer aos meus pais que me expulsaram da Aeronáutica, eles faleceram e nunca souberam, era muita humilhação”, destacou.

As marcas da violência estão por todo o corpo de João Martins de Oliveira
Todas essas tragédias e outras mais podem ser conferidas no relatório da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (clique aqui para pesquisar você mesmo). Quem de fato conhece a História do Brasil e apoia a ação de torturadores e assassinos que se escondem detrás da falácia de que estavam “salvando o Brasil de uma ditadura comunista” ou é cúmplice ou tão psicopata quanto foi Brilhante Ustra, Fleury e outros capetas.

Justiça para João Martins de Oliveira!