21.2.19

INDIGNAÇÃO

Por PETERSON BARROSO SIMÃO -


A população de um modo geral tem sofrido cada vez mais pelas dificuldades que lhe são impostas por todos os flancos.

A paciência e o equilíbrio das pessoas acabam por ser substituídas pelo nervosismo e desgaste físico e mental muitas vezes desnecessários. Não bastasse a crise econômica e social ainda temos que conviver com aqueles que detêm o poder de forma incoerente, impondo ao cidadão obstáculos pequenos e grandes.

Hoje pagava em Niterói o IPTU de um sítio de minha propriedade no Município de Teresópolis, no valor em torno de R$6.000,00, em cota única. Primeiramente tentei fazê-lo por meio do aplicativo do Bradesco, não obtendo êxito. Reexaminando o boleto, observei que só poderia ser pago no Banco Itaú, Lotérica, Santander e Caixa. Então, dirigi-me às 10h da manhã ao banco de Itaipu e, após a costumeira fila, consegui falar com o bancário do caixa. Infelizmente disse ele que não poderia fazer o pagamento, embora o meu dinheiro estivesse ali depositado. Que somente poderia ser pago no caixa eletrônico ou então na Lotérica. Disse-lhe que no caixa eletrônico não seria possível porque meu limite para pagamento era de R$2.000,00. Ele bancário sem qualquer outra informação e sem tecer nenhuma atenção ao consumidor disse que não era possível. Ato contínuo, saquei em dinheiro o valor total do débito, saindo do banco e dirigindo-me à Lotérica 2km distante. Lá chegando, ao apresentar o dinheiro com o boleto, ela informou que não poderia fazer o pagamento, pois ultrapassava de R$4.000,00. Em seguida, dirigi-me ao Santander mais 2km distante novamente. Entrei no banco, a fila era imensa e por isso retornei. Ao final de 4 horas consegui fazer o pagamento na agência da Caixa Econômica em Icaraí.

Toda essa dificuldade foi gerada pela insensatez da Secretaria Municipal de Fazenda do Município de Teresópolis, que impõe regras ao contribuinte que precisa lutar para cumprir com sua obrigação. O banco, por sua vez, jamais deveria negar o pagamento de um boleto se realizado em dinheiro. A limitação da Lotérica a torna ineficiente.

Depois que perdi parte da manhã e da tarde, sem almoço e suado, consegui chegar ao meu trabalho.

Fiquei pensando se nessas idas e vindas com dinheiro em espécie, se poderia ocorrer a chamada “saidinha de banco”, tal como já ocorreu anos atrás com um advogado e delegado aposentado na calçada de um banco em Itaipu onde eu fiz a peregrinação. A resposta certamente seria sim. Continuando a reflexão, se vítima de um latrocínio, como já havia ocorrido, o que se passaria na cabeça das pessoas que erroneamente levam o cidadão a se prejudicar para fazer um pagamento. Se o pior tivesse acontecido comigo, como aconteceu com meu amigo, ele vítima fatal, provavelmente o senhor secretário do Município de Teresópolis se soubesse do fato pela imprensa, apenas diria: “coitado”. O banqueiro sequer diria algo, pois estaria usufruindo do exorbitante lucro no exterior e a notícia não chegaria até lá.

A todos aqueles que dificultam indevidamente a vida do cidadão de bem, eu desejo que a consciência deles fique bem pesada e tumultuada, pois a perversidade deve ser substituída sempre pela expressão bem servir.

Sou um homem trabalhador e idoso não aceitando absurdos que causam indignação, pois não queira receber, apenas pagar.

Narro este fato no intuito de que um dia os serviços sejam aperfeiçoados em favor da sociedade já cansada e esgotada.

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Peterson Barroso Simão é Desembargador da 3ª Câmara Cível do TRRJ.