13.2.19

SINDICATO COBRA DE MINISTÉRIO FISCALIZAR CONDIÇÕES DOS JOGADORES

REDAÇÃO -

O micro reflete o macro, com as perversões sociais, econômicas e culturais do País. Assim, o Brasil acordou sexta (8) com a notícia da morte de dez garotos incendiados no Ninho do Urubu, Centro de Treinamento do Flamengo, RJ. Os atletas da base do clube foram mortos pelo fogo enquanto dormiam. Outros três ficaram feridos.


Mas o desastre que fulminou os sonhos de jovens talentosos espelha o drama que a maioria dos atletas brasileiros enfrentam. É o que aponta o presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, o ex-goleiro do Palmeiras, Rinaldo José Martorelli.

“Nosso Sindicato sempre denunciou as péssimas condições a que são submetidos, e continua denunciando. Porém, o Ministério do Trabalho nunca tinha fiscais suficientes pra apurar as denúncias de irregularidades e más condições de trabalho”, conta o dirigente.

Em entrevista exclusiva à Agência Sindical, Martorelli afirma que os jogadores das equipes profissionais da terceira divisão passam por graves privações, morando em alojamentos muito piores do que no CT do Flamengo.

Outra agravante é a questão cultural, que precisa ser mudada. "A imagem das pessoas é que o jogador de futebol é um brincalhão, não um trabalhador. Existem muitas diferenças. Enquanto alguns ganham milhões, outros moram em conteiners", critica Rinaldo Martorelli.

Ele continua: "Nos momentos de negociação dos contratos, o jogador acaba aceitando as condições que os clubes impõem porque, acima de tudo, quer ser bem-sucedido. Faz isso com a concordância das famílias, que também sonham com o sucesso dos jovens”.

Fiscalização - Martorelli informa que o Sindicato dos Atletas já enviou carta ao ministro Osmar Terra, da Pasta da Cidadania - que incorporou os ministérios do Desenvolvimento Social, Cultura e Esportes -, cobrando fiscalização rigorosa nas condições dos jogadores.

O dirigente relata que, mesmo com muitas dificuldades, a entidade atua pra garantir boas condições de trabalho aos atletas. Ele informa, por exemplo, que abriu duas ADIs (Ação Direta de Inconstitucionalidade) sobre a cláusula penal relativa à rescisão do contrato de trabalho prevista na Lei Pelé.

Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), a cláusula prevista no Artigo 28 da lei para os casos de descumprimento, rompimento ou rescisão unilateral de contrato penaliza apenas o atleta profissional, que deve pagar indenização ao clube do qual quer se desligar.

"Esse entendimento afronta os princípios constitucionais de proteção ao trabalho e de aplicação da norma mais favorável. O trabalhador deve ter a liberdade de escolher o melhor empregador. Portanto, não pode ser obrigado a trabalhar insatisfeito, por não ter dinheiro para indenizar o empregador", destaca o dirigente.

Fonte: Agência Sindical