23.2.19

TRAIÇÃO

MIRANDA SÁ -

“Assim como há uma Rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, Rua Traidores da Pátria” (Nelson Rodrigues)


Quando o machismo e o sexísmo se juntam, atrapalham qualquer pesquisa sobre “traição”, que é confundida com adultério… Para a palavra traição o doutor Google traz, entre dez referências, nove sobre deslealdade conjugal e/ou entre amantes.

Este verbete que dicionarizado é um substantivo feminino de etimologia latina “traditione (la)” – entrega -, e tem uma vasta sinonímia a qual se acrescentam outras dezenas para o verbo “Trair”, e para “Traidor”, aquele (a) que trai.

A traição pelo adultério é por demais estudado na Psicologia e explorado na literatura. Psicólogos apontam uma imensa diversidade de fatores que levam à infidelidade, desde questões culturais até por vingança contra o parceiro (a) traidor (a).

Homero e Shakespeare trouxeram nas suas obras Ilíada e Otelo, referências ao adultério, e o nosso Machado de Assis deixou-nos o caso antológico de Bentinho e Capitu no romance “Dom Casmurro”. Jorge Amado politizou a traição levando-a para a quadrilha dos Capitães de Areia, que tinham por princípio a expulsão do bando de quem o traísse.

No cinema, foi alvo de muita polêmica em 1948, o filme “O Traidor”, baseado em livro homônimo de Humphrey Slater. A fita nada acrescentou à arte cinematográfica e a discussão prendeu-se à atuação do ator Robert Taylor, que fez o papel de um oficial britânico espionando para URSS. Diziam que atuou como espião para se livrar de perseguição do macarthismo.

A expressão mais odienta da traição é justamente a deslealdade para com a Pátria, como ocorreu com o traidor da Inconfidência Mineira, Joaquim Silvério dos Reis, que entregou os seus companheiros conjurados em troca do perdão de suas dívidas pela Coroa.

Na lei militar, traição é o crime de deslealdade de um cidadão à sua Pátria. Em tempo de guerra, se uma pessoa que coopera com o inimigo (colaboracionismo), é considerado um traidor e condenado à morte.

Durante as guerras, são sempre descobertos atos de espionagem típicos de traição, e ficou na Primeira Grande Guerra o exemplo bombástico da dançarina holandesa Mata Hari, celebre pela sua sensualidade e descoberta como agente dupla para alemães e franceses, sendo fuzilada por traição.

Também famosa é a expressão “quinta coluna”, referindo-se a traidor da Pátria: Surgiu na Guerra Civil Espanhola, no ataque de Franco à Madri com quatro colunas as quais o seu lugar tenente, general Queipo de Llano, acrescentou a quinta, pois encontraria na cidade apoio encoberto de um grupo de inimigos da República.

No Brasil dos nossos dias, a traição nacional é transparente. Partidos “de esquerda” apoiam abertamente, em notas oficiais, a ditadura sanguinária de Maduro, da Venezuela, ficando contra o governo brasileiro. E o chefe do PT, criminoso e preso Lula da Silva, recebeu dinheiro do ditador líbio Muamar Khadaffi para campanha eleitoral, segundo denúncia do ex-ministro António Palocci.

Este comportamento é crime previsto pela Constituição, que é rasgada por juízes nomeados para preserva-la, atentando contra a harmonia dos poderes republicanos. Agora mesmo usurpam a função de legislar do Congresso, cometendo uma traição à República.

…E temos também uma quinta-coluna atuando contra a necessária, fundamental e urgente reforma da Previdência. Conspiradores contra o futuro do País juntam-se a corporativistas, pelegos sindicais e agitadores da extrema esquerda psolista, para sabotar as propostas que garantirão as futuras aposentadorias. É o “quanto pior melhor” atravessando a Rua dos Traidores da Pátria…