15.3.19

É IMPERATIVO DETER A BARBÁRIE

JEFERSON MIOLA -


No final dos anos 1990, governos estaduais progressistas como do Olívio Dutra, do PT no Rio Grande do Sul, e do Garotinho do PDT, no Rio, testaram inventos humanistas para implementar uma perspectiva democrática de segurança pública.

No Rio, Luis Eduardo Soares estava à frente desse esforço, e no RS, José Paulo Bisol.

Ambos testavam políticas públicas revolucionárias, que, todavia, esbarraram no mesmo obstáculo: a banda podre das polícias e suas conexões com a política e o sistema econômico.

As milícias fazem parte daquilo que Luis Eduardo Soares chama da “economia política” do crime.

A reportagem “Metástase” [ler aqui], de autoria do Allan de Abreu, na Revista Piauí desse março de 2019, que merece todos os prêmios de excelência do jornalismo, reporta a evolução daquele processo que evoluiu para pior: para o domínio das milícias e de forças para-estatais armadas.

A leitura dessa reportagem é essencial para se entender a conexão entre o sacrifício da Marielle e o esquema de poder que quer se impor no país.

A sensação que fica é que a barbárie está vencendo. A prova dramática disso é a eleição do Bolsonaro e do Witzel.

É um verdadeiro horror.

Essa realidade exigirá um enorme esforço de reconstrução de um ideal civilizatório no Brasil.

Do contrário, a barbárie imporá seus critérios como projeto societário anti-civilizacional.

É imperativo derrotar a barbárie.