14.3.19

EXTERMÍNIO NA ESCOLA RAUL BRASIL REFLETE O DESMONTE DA POLÍTICA DE BEM ESTAR SOCIAL NO BRASIL

ANDRÉ MOREAU -



O velório coletivo realizado por parentes das crianças mortas na Escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo (13), reduz o trauma agudo que atinge principalmente alunos e familiares, mas além da compaixão, é preciso usar os meios de Comunicação independentes, para esclarecer o que levou Luiz Henrique de Castro, 25, e Guilherme Taucci Monteiro, 17, a praticarem tal extermínio. 


Os questionamentos devem ser feitos sem qualquer tipo de preconceito ideológico, a partir de estudos sobre a realidade social em Suzano, incluindo os respectivos comportamentos psíquicos de cidadãos de segunda e primeira classes, através dos quais se poderá comprovar como nos estudos do Centro Integrado de Educação Pública que a falta de perspectivas sociais, originam tais distúrbios emocionais. 

A falta de estabilidade emocional que vai se acumulando ao longo do desenvolvimento da personalidade dos jovens, impossibilita o controle das emoções, que também é da competência das autoridades públicas. Funciona como uma janela aberta a qualquer tipo de influência agressiva, por onde podem entrar estímulos que gerem a empatia positiva e/ou, o ódio. 

Os autores do massacre eram marginalizados, ex-alunos excluídos de qualquer tipo de perspectivas sociais e econômicas por parte do Estado. Jovens que não aprenderam a controlar os seus sentimentos. A mãe do mais novo, de acordo com os noticiários dos meios de radiodifusão de massas, é viciada em crack ou seja, uma mãe sem a menor condição de prover ao filho condições de equilíbrio social: alimentação; moradia; educação, saúde, cultura e lazer. 

A questão de classe é determinante para quem quer entender a tragédia que envolve Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro. Por que eles resolveram reproduzir atrocidades na Escola Raul Brasil, praticados por personagens execradas pela história recente? 

Se esses jovens tivessem estudado teatro, aprendido técnicas da “Memória Emotiva” do mestre Stanislavsky, como projetou o professor Darcy Ribeiro e foi colocado em prática pelo Governador Leonel Brizola, nos CIEPs - Centro Integrado de Educação Pública que ofereciam aos alunos além das matérias curriculares, cultura, ao contrário das ameaças a nível nacional nessa quadra da história, talvez os jovens Luiz e Guilherme, tivessem se negado a promover a matança na Escola Raul Brasil. 

Afinal, por que será que estamos importando para o Brasil, na velocidade do avanço da tecnologia informática, mas de forma inconsciente, a cultura de ódio dos Estados Unidos da América, país que é recordista em matéria de catástrofes em escolas?

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André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de Imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI nas eleições de 2016-2019 jornalabi.blogspot.com