1.3.19

MEU NOME É JOHNNY

JOÃO CLAUDIO PITILLO -


No último dia 23 o autoproclamado presidente da Venezuela Juan Guaidó cruzou a fronteira em direção à Colômbia para encenar o papel de líder da suposta “ação humanitária”. Ação essa que tentaria entrar na Venezuela a força para livrar o povo da carestia. Segundo Guaidó, a população venezuelana vive uma crise humanitária e o governo Maduro é o responsável pela mesma. Ao se proclamar presidente em janeiro deste ano, Guaidó recebeu o apoio instantâneo do governo estadunidense e do Grupo de Lima, com que vem discutindo maneiras de intervir na Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro.

A conspiração internacional foi sendo construída sob a ideia de que Maduro é um ditador, um líder incompetente e sanguinário, que se sustenta no poder subjugando a população. Uma das teses de Guaidó é que Maduro estaria isolado e por isso sem capacidade de reverter a crise financeira que assola a Venezuela. Contudo, dos mais de 200 países que compõem a ONU, pouco mais de 50 reconheceram Guaidó, que também não consegue mostrar respaldo interno, principalmente entre os militares venezuelanos.

Como Guaidó é um produto da Casa Branca, seu papel é apenas figurativo, não existe protagonismo algum em suas atitudes. Assim foi a sua postura na cidade de Cúcuta na Colômbia, região de fronteira com a Venezuela onde os estadunidenses organizaram uma operação militar/midiática de tentativa de invasão do território venezuelano. A ideia era estabelecer uma cabeça de ponte, para se constituir uma espécie de “Venezuela Free”. Isto é, um pedaço de terra para Guaidó governar. Sua população seria os refugiados venezuelanos que vivem na referida cidade colombiana e mais os paramilitares contratados para criar as terríveis guarímbas.

Para viabilizar a parte militar, os estadunidenses enviaram para região uma série de operativos de forças especiais para criarem um ambiente de instabilidade militar e social, que pudesse chamar a atenção da mídia corporativa, com isso fabricar imagens a partir de “falsos positivos” e então distribui-las com uma edição apelativa e sensacionalista. Para a montagem da farsa foram convocados paramilitares colombianos, mercenários venezuelanos e toda a espécie de adesistas que estivessem dispostos a obter alguma vantagem com a invasão da Venezuela. Todo esse agrupamento obedecia diretamente a Casa Branca.

A partir de informações dos serviços de Inteligência de Cuba e Rússia, o governo venezuelano montou uma operação de contenção nas fronteiras da Colômbia e do Brasil. O objetivo era impedir que esse “cavalo de Tróia”, denominado “ajuda humanitária” adentrasse o território venezuelano e que nele constituíssem um governo fantoche. Pronto para virar presidente estava Guaidó, devidamente maquiado, ensaiado e com um figurino despojado, posava para fotografias pendurado nos caminhos da suposta “ajuda”. De onde fazia gestos de “avante”, com o punho cerrado, dando a entender para as câmeras que iria liderar o avanço.

Nesse dia 23 teve de tudo, show de música, discursos, ameaças e todo o tipo de promessa mirabolante contra o presidente Maduro. Ao lado de Guaidó, estava o presidente da OEA e os presidentes do Paraguai, Chile e Colômbia, além, dos representantes do Pentágono, Casa Branca e Wall Street, esses já contabilizando o petróleo. O cenário era tão acintoso, que a Cruz Vermelha proibiu que usassem a sua marca, além de afirmar que nada tinha com esse tipo de “ajuda”. Na mesma linha, a ONU solicitou que não denominassem de “ajuda humanitária” algo essencialmente político e por fim, movimentos sociais colombianos questionaram tal ação por não estar atendendo a própria cidade de Cúcuta, onde a taxa de desemprego é elevada.

Por mais que a mídia corporativa tenha tentado capturar alguma imagem icônica, para servir de justificativas às acusações feitas ao governo venezuelano, todo o tumulto ficou restrito ao lado colombiano e brasileiro, onde mercenários e desesperados tentaram fabricar um incidente internacional. Com uma ação firme de contenção e sem vítimas fatais, as forças de segurança venezuelanas frustraram a invasão mercenária e impediram Guaidó de se tornar presidente de uma Venezuela com capital em Washington.

Ao perder a Batalha de Cúcuta, Guaidó perdeu também parte da serventia, já que não conseguiu mobilizar o povo venezuelano em prol da sua aventura. No domingo dia 24, ainda sob o feito da derrota, Guaidó se portava como um “papagaio de pirata”, repetindo a cantilena de Trump, “de que todas as opções, até a militar, eram possíveis”. Triste e humilhado, Guaidó recorreu à impressa corporativa para tentar reverter a derrota, afirmando que Maduro ordenara um massacre contra os venezuelano na fronteira. Guaidó tentou resgatar o seu protagonismo na segunda-feira dia 25 na reunião do Grupo de Lima, onde por mais de uma vez, exigiu que o Grupo radicalizasse e encampasse a opção militar. Coisa que foi rechaçada por todos, deixando Guaidó a mercê dos Falcões do Pentágono.

Derrotado e desmoralizado, Guaidó assistiu a sua péssima interpretação ser questionada, sem povo e sem exército, Guaidó não pôde tomar a presidência da Venezuela de Nicolás Maduro. Sem o apoio do Grupo de Lima, Gauidó perdeu sua identidade latino-americana e passou ser visto como mais um gringo. O Palácio Miraflores ficou mais distante de Guaidó, como também o apoio de Trump. Para se manter ativo, Guaidó marcou de encontrar o presidente brasileiro Bolsonaro no dia 28. O encontro com Bolsonaro é a prova que as coisas não vão bem para Guaidó, afinal de contas, que tem Trump não precisa de Bolsonaro. Guaidó tenta envolver o Brasil mais ativamente em sua empreitada, para tanto, conta com a ajuda de dois grandes estrategistas, o lunático ministro Ernesto Araújo e o deputado pornô Alexandre Frota.

Para Guaidó restou o carnaval brasileiro, onde poderá se fantasiar de presidente e desfrutar dos prazeres da festa de Momo, depois o seu destino deverá ser Miami, a capital mundial dos “gusanos”, onde poderá visitar o museu de Playa Giron e perceber que os gringos nunca se esquecem de suas derrotas. Em Miami Guaidó não precisará mais representar, poderá ser de fato o Johnny, como é caridosamente chamado por mister Trump.

Mas para regressar à Venezuela Johnny Guaidó precisará da IV Frota Estadunidense e necessariamente combinar com os russos. Já que os venezuelanos já lhe disseram não.

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João Claudio Platenik Pitillo, Doutorando em História Social pela UNIRIO, Pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da UERJ e Especialista em Segunda Guerra Mundial.