5.3.19

O REINO DO FAZ DE CONTA CRITICA O REINO DO SIMULACRO

ALCYR CAVALCANTI -

O carioca é massacrado durante os 365 dias do ano e durante o "Reino do Faz de Conta" sob as ordens de Momo soberano pode soltar suas feras e botar a boca no trombone, onde o "bispo"ausente foi criticado até nos desfiles e o supremo mandatário recém empossado foi xingado do Oiapoque ao Chuí.


Desorientado debaixo das ordens de desorientados o Carnaval funciona como um escape das agruras do dia a dia. Em uma cidade que tudo falta mas  em compensação transborda a violência, a corrupção, o descaso absoluto pela saúde da população onde hospitais são a ante sala do serviço fúnebre. Chega de  embuste da falta de planejamento e um enorme desprezo pela população,o jeito então é cair na gandaia. A Folia não se resume mais ao Tríduo de Momo, mas se estende por dez dias. Mesmo assim ou talvez por causa disso o prefeito odeie Carnaval.

Chuvas fortes, raios e trovoadas quase botam tudo a perder. Blocos foram impedidos de desfilar seja por decreto municipal, seja pela força da natureza aliada à falta de compromisso dos representantes do povo, mas que não representam nem eles mesmos. O apogeu da festa era o desfile das escolas de samba, agora transformados em um espetáculo aos moldes de Hollywood em função de um monopólio das imagens que implacavelmente deixa de transmitir as primeiras escolas a desfilar, em função de novelas e de um insuportável Big Brother, um festival de baixarias. Para completar a TV hegemônica faz propaganda enganosa ao colocar o início da  transmissão para 21,15h e para confundir anunciar que só depois de um desgastado "Grande Irmão" cuja principal característica é vender a privacidade por um punhado de dólares.

Nos primeiros dias de carnaval, um temporal que insistia em desabar sempre no início da noite fez atrasar o desfile no Sambódromo, mas na segunda feira deu uma trégua contrariando as previsões dos "especialistas em mapa do tempo", que quebraram a cara para a alegria dos foliões.

A primeira escola a desfilar na Passarela do Samba no segundo dia Grupo Especial foi a São Clemente escola do Morro de Santa Marta que com seu samba enredo " E o Samba sambou" disparou sua crítica para todos os lados, dirigentes, prefeitura e até a imprensa foram os alvos prediletos.

Para a diretoria da São Clemente o Carnaval está virando um grande espetáculo apoiado pela mídia e pelos efeitos especiais. O passista, os componentes das comunidades ficam de lado em lugar de sambeiros, popozudas e candidatas a quinze minutos de fama. A Paraíso do Tuiuti fez duras críticas  à politicagem rasteira que impera no país através de seu enredo "O Salvador da Pátria" e inclusive criticou duramente o presidente Bolsonaro.


Mas contra tudo e contra todos os cariocas  fizeram a festa, seja nas escolas e samba, seja nos blocos  o povo insiste em vir às ruas festejar, como faz o folião solitário no Metro que na falta de atendimento em vez de soro tem uma latinha da boa cerveja, em uma crítica jocosa ao péssimo serviço prestado nos hospitais.  O espírito do carioca faz seu carnaval com a maior dignidade, apesar da incúria dos poderes mal constituídos que insistem em transformar uma festa sem dono em uma pretensa alegria mal controlada, dirigida por pessoas que no fundo detestam carnaval.