10.3.19

POESIA - O MACHÃO

MARCELO MÁRIO DE MELO -


Há muito macho rude raso e violento
correndo solto por aí pelas esquinas
pensando ser o soberano no pedaço
e as mulheres tratando como meninas.

Comportamento de um galo no terreiro
com arrogância de quem é dono da praça
macaco-homem pós-moderno troglodita
vê as mulheres como objetos de caça.

O mundo muda e o machão não se apercebe
que o modelo vai ficando superado
e se apresenta com retoque no discurso
surfando em onda de machismo reciclado.

Caricatura de pai e super-herói
que manipula cordas de cavalheirismo
ignorando os fios da delicadeza
universais que vão além do sexismo.

Que outro modelo masculino se desenhe
quebrando firme do machismo as suas quinas.
Mais plumas pétalas e toques de cristal
são necessários nas posturas masculinas.

---
Marcelo Mário de Melo é poeta, escritor, jornalista, intelectual pernambucano, ativista político. Nasceu em Caruaru, foi para o Recife com nove anos de idade. Integrou-se ao PCB aos 17 anos, foi fundador do PCBR em 1968, atuou na clandestinidade, teve a prisão preventiva decretada em 1970, foi preso político em Pernambuco de março de 1971 a abril de 1979. Filiou-se ao PT em 1980, desfiliou-se em 1990 e reintegrou-se em 1994, sem ter se ligado a nenhum outro partido no intervalo, “o que equivale a um segundo casamento com a mesma mulher”, como ele mesmo costuma dizer. Escreve principalmente poemas, histórias infantis, mini-contos e textos de humor.