2.3.19

PRIVATIZAÇÃO DO PARQUE NACIONAL PAU BRASIL ELEVA GRAU DOS CHOQUES DE DESINFORMAÇÃO

ANDRÉ MOREAU -


O exemplo do "modus operandi" de sufocar a opinião com a propaganda, mais recente, ocorreu no protesto de trabalhadores contra a privatização do Parque Nacional do Pau Brasil na Bahia, a 35 Km de Porto Seguro, uma região de 190 quilômetros quadrados, o equivalente a noventa vezes o principado de Mônaco, entregue de bandeja à Hope Recursos Humanos S/A. Membros de sindicatos, movimentos sociais como o dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do Partido da Causa Operária (PCO), tiveram que caminhar seis quilômetros porque o acesso ao Parque foi bloqueado por agentes da segurança pública.

As únicas imagens produzidas são de autoria de assessores do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, não identificados nos filmes, do interior da viatura oficial e de diferentes pontos da reserva ambiental. Registraram o cansaço dos trabalhadores que, logo que chegaram, foram rodeados por pessoas transportando galões azuis.

As imagens lembram o método de tocaia usado por fotógrafos profissionais no registro da movimentação de animais, sem que eles percebam e confirmam o relato dos trabalhadores: Salles correu para o interior da viatura, na qual havia um dos seus funcionários filmando a movimentação desde a chegada dos trabalhadores, com a intenção de provocar os manifestantes com mais um choque de desinformação, já que o correto a ser feito, principalmente por parte de uma autoridade pública, seria enfrentar a situação usando o diálogo.

As imagens registram alguns trabalhadores batendo com as mãos sobre a viatura onde Salles estava até que se ouve o ruído de vidro sendo quebrado, um ruído que se confunde aos capitados no momento da manifestação, mas não há imagens do para-brisa no momento da suposta pedrada, nem descrevendo quem teria esticado uma bandeira do PCO, com tanto cuidado, sobre o capô da citada viatura, posteriormente fotografada e postada na "grande rede".

Em notas divulgadas pela Assessoria de Comunicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Bahia e por membros do PCO de São Paulo, a ação foi repudiada como uma "tentativa de criminalização". Membros do PCO informaram que a bandeira foi furtada por um agente de segurança pública. O ministro Salles registrou queixa (1) junto a Polícia Federal, para investigar o fato que, não por acaso, passou em brancas nuvens na maioria dos jornais impressos e foi distorcido na maioria dos noticiários da "grande rede".

O fato da opinião pública, em grande parte, ser responsável por mudanças de sistemas de governo, não é novidade. O estado de inação do Brasil orientado de forma escancarada pela opinião dos meios de Comunicação conservadores, no entanto, é uma característica que chama a atenção de formadores de opinião de todo o planeta: a prática de condicionar a opinião a propaganda, fragmentando noticiários locais de nacionais visando suprimir a liberdade de manifestação, para alienar o público em grande escala territorial colocando parte da classe média contra os trabalhadores organizados, é inédita.

A liberdade de opinião que havia nas redações até a implantação do regime neoliberal, passou a ser freqüentemente achatada pelos senhores das fábricas de jornais e dos meios de Comunicação de massas. Em vez de servir ao público, a denominada "grande imprensa" passou a se servir. Agora utilizando vasto espaço na "grande rede" para atender a modernização das oficinas gráficas, redações, estúdios de rádio, televisão e interesses pessoais a partir do uso da "Doutrina de Choques" de Milton Friedman, para manipular os rumos do país.

---
*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de Imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI nas eleições de 2016-2019 jornalabi.blogspot.com