6.3.19

QUEM NÃO TE CONHECE QUE TE COMPRE

WLADMIR COELHO -

Miriam Leitão e o processo de construção da imagem de inocentes e ingênuos dos políticos militares filiados ao bolsonarismo.


A citada jornalista revela sua condição chacriniana assumindo o bordão “eu vim para confundir e não para explicar” e promove uma grande confusão ao associar os generais bolsonarianos, incluindo o vice, como representantes das Forças Armadas no governo e afirma o risco destes senhores transformarem-se em “bucha de canhão nas querras que interessam apenas ao bolsonarismo”.

Primeiro é preciso esclarecer o seguinte: os militares ocupantes de cargos públicos no governo federal optaram  por uma carreira política e defenderam conscientemente uma plataforma eleitoral fundamentada nos seguintes aspectos: discurso moralista de base fundamentalista religioso, defesa do neoliberalismo, apoio incondicional ao imperialismo estadunidense, retirada dos direitos dos trabalhadores, fim das politicas sociais incluindo a destruição das universidades públicas, pesquisa e redução do acesso ao ensino básico.

Com uma plataforma destas é evidente a contradição dos generais bolsonaristas com o discurso do patriotismo, nacionalismo e mesmo com a função elementar das Forças Armadas de defesa da SOBERANIA NACIONAL.

A jornalista Leitão tenta confundir os brasileiros ao criar a imagem dos políticos militares presentes no governo como inocentes senhores envolvidos em uma trama de bolsonaristas. Isso não é verdade.

Na realidade os grandes meios de comunicação reclamam da estabilidade necessária ao governo para aprovarem o fim da aposentadoria, a entrega da Petrobras, os cortes na educação, o fim das políticas sociais, a privatização do SUS dentre outras ações nefastas cujo objetivo é oferecer mais dinheiro aos banqueiros internacionais.

O capitão Bolsonaro, ao que tudo indica, não possui as condições mínimas de liderar o projeto de destruição econômica do Brasil e não deve durar muito no cargo. O vice, o político militar general Mourão, vai recebendo a maquiagem de governante competente ocultando, a dita grande imprensa, a sua condição de aliado de primeiro momento do capitão e defensor dos mesmos fundamentos moralistas, entreguistas, autoritários.

Vamos recordar: para realizar medidas contra os trabalhadores e a economia nacional as forças entreguistas, com apoio decisivo do imperialismo estadunidense, implantaram uma ditadura de 25 anos.

Neste momento aprofundam-se estas medidas através das ditas reformas bolsonarianas estando estas, para terror da imprensa golpista e entreguista, empacadas e submetidas a pressão popular fato verificado nas manifestações durante o carnaval.

O golpe defendido por Miriam Leitão apenas revela a condição de vitória de nosso povo contra um governo de civis e militares entreguistas expondo o pavor das elites diante da derrota próxima.

Este fato, a força popular contra o bolsonarismo, aponta como caminho não a substituição, baseada na hierarquia, de um capitão entreguista por um general de igual ideologia e sim a construção de uma proposta popular e o necessário impedimento de um governo comprovadamente incompetente.

Voltando a questão militar; não é possível confundir os políticos fardados com o posicionamento das Forças Armadas hoje a caminho de novo desgaste cujo caminho para evita-lo constitui unicamente em apoiar um projeto contrário a entrega do patrimônio nacional e defesa da economia brasileira além de evitar a tragédia social embutida na chamada reforma da previdência.