1.4.19

FRAUDES

MIRANDA SÁ -

“Há três espécies de fraudes: fraudes ostensivas, fraudes inocentes e campanhas eleitorais” (Mark Twain)


Visitei outro dia uma feira de produtos orgânicos e me espantei com os altos preços cobrados pelos produtos ali expostos. Notei, porém, que não havia um só certificado da autenticidade de cultivo e colheita, principalmente das verduras. Apesar disto, vi uma expressiva demanda de mulheres.

Um cacoete de antigo secretário de redação deu-me vontade de abrir pautas para a reportagem investigativa, considerando obrigação do jornalismo atestar a veracidade na propaganda e das mercadorias que rolam no comércio e na indústria.

Tal informação seria muito importante de olho na política, pelo exemplo que notifiquei outro dia quando fui comprar papel de impressora no Largo do Machado; lá assisti uma altercação entre um jovem de camisa vermelha do MST, espargindo colônia inglesa, e uma senhora de meia idade, com a cara das professoras do meu tempo ginasiano.

Ela fez uma ironia com o rapaz: – “Você vai fazer reforma agrária no Leblon? ”. Não prestou. O cara investiu raivoso contra a mulher chamando-a aos berros de fascista. Pela atitude ameaçadora, algumas pessoas intervieram para evitar uma agressão física.

Daí refleti sobre a fraude política, que tem sido praticada circulando entre nós pelos revolucionários ressuscitados dos séculos passados. Não esqueço que Fraude é um verbete dicionarizado como substantivo feminino de origem latina, fraus,dis, engano, erro, ação de lograr, iludir, falta, crime, delito.

Em bom português, fraude é ato de má-fé com o intuito de lesar ou ludibriar outrem; e, por extensão, fraude é a falsificação de documentos; impostura nas marcas comerciais e, para o Fisco, contrabando. Na politicagem dos picaretas, é falsa bandeira, traição aos princípios, propaganda enganosa. É o que o pequeno burguês da Zona Sul do Rio faz, travestido de camponês sem-terra.

Este é um dos produtos da grande fraude que é o “socialismo bolivariano”. Vejam bem, podemos admitir que a ilusão utópica do socialismo atraia os moços, porque em teoria é uma sedução; é inadmissível, porém, que uma pessoa normal, saudável física e mentalmente, escolarizada, confunda o socialismo teórico com o narcopopulismo.

Só pode ser uma insanidade o deslumbramento pela oligofrenia egocêntrica de um Chávez, de um Evo Morales e cultuar a personalidade de um Lula da Silva. Ninguém melhor do que G. Gordon Liddy para descrever os que assumem essa ideia:

“Um esquerdista é alguém que se sente devedor da humanidade, e cuja dívida ele propõe pagar com o dinheiro dos outros”. Vê-se assim que a fraude política é um contrabando ideológico.

Agora mesmo, assistimos isto com a reação dos velhos picaretas do Congresso ao projeto AntiCrime do ministro Sérgio Moro, sem justificar nem explicar o motivo do seu engavetamento pela presidência da Câmara dos Deputados.

Assiste-se neste cenário alguns parlamentares alimentando a Imprensa com a exigência de que Bolsonaro assuma uma “articulação política”, isto é, a volta do “toma lá, dá cá”…  Cobrado por Rodrigo Maia, Bolsonaro foi irônico ao perguntar “O que é articulação”?

Foi engraçado, porque até as crianças sabem o que significa em picaretês a palavra “articulação”: reabertura do balcão de varejo das transações sujas, com a moeda de troca dos cargos federais e verbas parlamentares para aprovar projetos.

O Presidente disse mais. Para ele, cabe ao Parlamento apreciar, aperfeiçoar, aprovar ou recusar a proposta da Nova Previdência. E afirmou que não assumirá o que fizeram os outros presidentes contribuindo para a corrupção legislativa. Foi para isso que o povo o elegeu.