12.4.19

PORTO ALEGRE A R$ 1,99

JEFERSON MIOLA -


O prefeito Marchezan Júnior abriu a temporada Porto Alegre a R$ 1,99, promoção de entrega de patrimônio e serviços públicos para a iniciativa privada.

Desde o início do mandato o prefeito tenta fechar a FASC, extinguir a Carris, vender a PROCEMPA e privatizar o DMAE.

Tentou várias vezes, mas não conseguiu, porque enfrentou forte resistência dos funcionários municipais e da população. E, também, não conseguiu porque não tinha maioria na Câmara de Vereadores.

Marchezan Júnior então foi repaginado, convencido a abandonar o figurino encrenqueiro e foi às compras. Arrematou vereadores distribuindo CCs a rodo – foram 99 distribuídos somente em fevereiro e março – e transformou o MDB em sublegenda do PSDB.

Com isso, o prefeito conseguiu constituir a atual maioria legislativa que lhe permite alterar inclusive a Lei Orgânica do Município, que exige votos de 2/3 dos vereadores.

Agora, com os vereadores na mão, Marchezan Júnior decidiu acelerar a política de mercantilização e privatização de serviços, equipamentos e espaços públicos de Porto Alegre.

Ontem, 10/4, a maioria de vereadores arrematada por ele no festival de CCs, aprovou a privatização de parques e praças públicas por meio da concessão para a iniciativa privada por 35 anos. Para usufruir esses espaços, os frequentadores poderão passar a pagar ingressos.

Essa medida privará centenas de milhares de porto-alegrenses que diariamente, mas em especial nos finais de semana, frequentam e usufruem os parques, as praças e equipamentos públicos municipais como lazer, cultura, entretenimento e convivência humana.

Neste mesmo dia 10 de abril o Diretor do Hospital de Pronto Socorro [HPS] anunciou o propósito de transferir a particulares a gestão deste hospital de excelência no atendimento em situações de urgências e emergências de alta gravidade e risco de morte.

O Diretor do HPS assume que fecharam leitos e não repuseram mais de 300 profissionais do HPS que foram aposentados. Mas, ao invés de apresentar um plano competente de gestão e interromper o descalabro do hospital, o Diretor simplesmente propõe transferir a gestão do HPS para entidades privadas.

Os primórdios da criação do HPS remontam ao ano de 1898 do século 19.

Desde aquela época até hoje, o HPS foi sucessivamente aperfeiçoado, qualificado e equipado por diferentes governos de distintos matizes ideológicos para atender eficientemente a população da capital gaúcha e do interior do Rio Grande.

O investimento que a cidade fez ao longo desse período através dos sucessivos governos transformou o HPS em referência para a América Latina.

Nestes 118 anos desde 1898, nenhum dos governantes da cidade propôs o desatino de privatizar o HPS, que é um patrimônio que salva e preserva a vida do povo gaúcho.

Porto Alegre não está à venda.

O prefeito Marchezan Júnior e os vereadores arrematados com CCs não têm o direito de sacrificar os bens culturais e históricos da cidade nesta promoção que converte Porto Alegre num bazar de R$ 1,99.

É preciso reagir, resistir e desobedecer a essas medidas que condenam Porto Alegre a ser pensada e estruturada como se fosse um enorme shopping center para negócios empresariais e particulares, em prejuízo dos interesses comuns e de toda a cidade.