6.4.19

PRESIDENTE MEXICANO COBRA RESPONSABILIDADE DOS COLONIZADORES E DOS EUA

ANDRÉ MOREAU -


A ferida aberta no seio dos povos originários do México durante a colonização por agentes da coroa espanhola, voltou a ganhar repercussão na mídia com a cobrança dirigida pelo presidente, Andrés Manuel López Obrador (foto), para que o Papa Francisco e o Rei da Espanha, Felipe VI, pedissem desculpas aos descendentes por esse que foi um dos maiores crimes da humanidade.

A didática medida de Obrador, surpreendeu o atual representante do império espanhol, Felipe VI, que perplexo com o enfrentamento do mandatário mexicano, preferiu se posicionar com indiferença, omitindo os crimes de glotocídio - marginalização da língua usada para operar suicídios em massa -, praticados contra indígenas. Felipe tentou ainda fazer parecer benéfica a imposição da cultura estrangeira, em detrimento da nativa, falando que a maioria dos descendentes indígenas havia sido batizada com nomes espanhóis.

O Papa Francisco também optou por não falar sobre as pregações religiosa usadas para usurpar a cultura nativa. Lembrou apenas que já havia pedido perdão, mas em tom de preocupação com as conseqüências da repercussão do massacre que nessa quadra da história será sistematizado incluindo a atuação do governo mexicano de López Obrador.

A decisão, não por acaso, continua a ser tratada como tabu por editores dos meios de Comunicação mais preocupados com a contratação de propagandas, já que ajuda a despertar os povos do Continente sobre as conseqüências das colonizações promovidas em nome de um suposto Deus, mas que na pratica objetivaram assaltar as almas dos nativos, visando explorar as riquezas do vasto território abençoado.

A medida do presidente Andrés Manuel López Obrador se inscreve como um chamamento humanitário aos estudiosos de diferentes áreas, para que se debrucem sobre o necessário reexame dessa nefasta realidade que gera reflexos até hoje.

Nesses tempos de aceleradas ações separatistas como, por exemplo, a idéia do presidente Donald Trump de fechar a fronteira entre os Estados Unidos da América do norte e o México, o presidente Obrador disse que “Não convém a ninguém o fechamento da fronteira, não é o mais recomendável”. Trump se manifestou por Twitter na manhã de quarta-feira (3), instando o Congresso de seu país a se reunir imediatamente para eliminar alguns “buracos” na fronteira e reafirmou que os EUA atravessam uma “emergência nacional” decorrente da imigração ilegal.

Nunca é demais lembrar que é preciso rever as técnicas usadas nas “conquistas” do passado, para entender o atual cenário político mundial, o motivo das fronteiras terrestres e midiáticas, bem como do que está por trás das guerrilhas executadas por mercenários.

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Fonte: O Fluminense/André Moreau é jornalista, diretor do IDEA na UFF, Programa de TV do Canal Universitário de Niterói