27.5.19

LAVA JATO FAVORECEU MERCADO BILIONÁRIO DE MULTAS NOS EUA

JEFERSON MIOLA -


A Lava Jato criou um mercado bilionário de arrecadação de multas de empresas brasileiras. Este mercado, porém, não foi criado no Brasil, mas para os EUA.

Reportagem do jornal Valor revelou que entre 2016 e 2018, 30% das multas aplicadas pelos Estados Unidos a empresas estrangeiras com base na Lei [norte-americana] de Práticas de Corrupção no Exterior, penalizaram empresas brasileiras.

A reportagem apurou que neste período as companhias brasileiras desembolsaram U$ 7,3 bilhões, ou cerca de 30 bilhões de reais. De acordo com representante de escritório de advocacia especializado na indústria de multas pró-EUA, “a forte concentração de pagamentos por empresas brasileiras nesses últimos três anos é reflexo da Operação Lava-Jato”.

Os advogados que atuam nesta indústria revelam-se otimistas com a expansão deste mercado específico. Eles “acreditam que nos próximos anos haverá ainda muitos escândalos e revelações de crimes corporativos relacionados ao pagamento de propinas para agentes públicos aqui no país”.

Esta notícia guarda coerência com a confirmação feita pelo Procurador dos EUA, Daniel Kahn, do Departamento de Justiça dos EUA [ler aqui], de que a Lava Jato atua em regime de cooperação com autoridades e funcionários estadunidenses, em conduta que caracteriza crime de lesa-pátria.

Na entrevista concedida ao Estadão [ler aqui], o Procurador Kahn antecipou a possibilidade de novas investigações e, conseqüentemente, de incremento dos negócios bilionários movimentados em torno das oportunidades criadas pelo Partido da Lava Jato: “Posso dizer que ainda temos um relacionamento extraordinário com os promotores brasileiros e estamos trabalhando em vários casos em vários países e regiões. Não acho que seria surpreendente se aparecer outro caso envolvendo o Brasil”.

O suposto combate à corrupção, como se observa, na verdade criou um fantástico mercado que beneficia a indústria de multas judiciais, advogados, políticos e, sobretudo, integrantes de corporações que buscam construir um projeto próprio de poder. Este é o caso de procuradores, policiais, juízes e ministros [como Sérgio Moro] do Partido da Lava Jato.

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