25.5.19

O MEDO

MIRANDA SÁ -

“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não” (Gandhi)


Advogado formado com louvor em Harvard, Franklin Delano Roosevelt, o presidente dos Estados Unidos que tirou o País da grande crise de 1929, revidou o traiçoeiro bombardeio japonês a Pearl Arbour e declarou guerra ao Eixo, foi reeleito por quatro mandatos consecutivos. Era um ‘fraseur’; entre os pensamentos deixados, destaca-se: – “Nada é mais temível do que o medo”.

Não tenho certeza, mas o dr. Google garante que é de Charles Chaplin outra frase antológica que prega a libertação deste sentimento, ao dizer que:  – “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”. Nada mais do que verdade, pois há pessoas que têm até medo de viver…

O verbete “Medo”, dicionarizado, tem uma dupla classe gramatical: é adjetivo e substantivo masculino; a sua origem é latina, “metus.us”-  sentimento de ansiedade sem razão fundamentada; receio. Trata-se de um estado emocional e inquietude provocados por estar diante de um perigo, ou na imaginação dele; mal-estar diante de alguma relação desagradável.

No Deserto do Saara circula uma antiquíssima estória que é transmitida de pais para filhos, como lição para fortalecer o espírito e enfrentar as agruras da vida: Conta o encontro de uma caravana que ia para Bagdá com a Peste.

– “Porque está com tanta pressa para chegar à Cidade dos Califas? ”, perguntou o chefe dos cameleiros.

– “Vou em busca de cinco mil vidas”, respondeu a Peste.

De volta, um novo encontro de ambos:  – “Mentiste”, disse corajosamente o caravaneiro; – “em vez de cinco mil vidas, levaste 50.000”.

– “Não é verdade”, afirmou a Peste: – “ Cinco mil, nem uma vida a mais”; as outras foram por conta do medo”…

A experiência milenar do filósofo grego Aristóteles levou-o a ensinar nas suas aulas peripatéticas, que não se deve alimentar o medo por se tratar de uma emoção tóxica, que faz muito mal à saúde física e mental.

O aluno mais dedicado de Aristóteles e divulgador das suas ideias nunca publicadas foi Platão, que surfando no ensinamento do Mestre, completou-o, dizendo que: –  “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”.

Aí temos uma magnífica aula para nós expositores e debatedores de ideias pelas redes sociais. É muito triste aqueles que temem a clareza da verdade e se prendem ao medo de enfrentar o clamor das minorias organizadas ou de individualidades arrogantes.

O segredo está em ignorar ameaças e enfrentar hostilidades. José Maria Eça de Queiroz, um dos ícones da cultura lusitana, romancista e pensador português do século XIX, nos legou um pensamento que transcrevo para a reflexão:

– “Não tenha medo de pensar diferente dos outros, tenha medo de pensar igual e descobrir que os outros estão errados! ”.