10.6.19

ESQUEMA DIVULGADO NO SITE THE INTERCEPT IMPLODE OPERAÇÃO LAVA JATO E FORTALECE A LUTA CONTRA AÇÕES NEOCOLONIAIS NO BRASIL

ANDRÉ MOREAU -



O jornalista, Glenn Greenwald, revelou ao mundo detalhes sobre o esquema político tramado nos bastidores da Justiça de Curitiba, através de reportagem sobre as conversas entre o procurador do Ministério Público Federal, chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e o juiz Sergio Moro, dentre outros, visando incriminar o ex-presidente Lula, além de promover a mudança do sistema de governo, reduzindo as chances dos candidatos do Partido dos Trabalhadores (PT), se firmarem no cenário político, a partir de manipulações realizadas às vésperas das eleições de 2018.

"(...) os procuradores da força-tarefa em Curitiba, liderados por Deltan Dallagnol, discutiram formas de inviabilizar uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski porque, em suas palavras, ela "pode eleger o Haddad" ou permitir a "volta do PT" ao poder" (The Intercept).

A divulgação dos diálogos na reportagem do site The Intercept, ao contrário dos mais afoitos que tentam invisibilizá-la nos meios de massa e impressos, não poderá ser ocultada. Cópias das gravações foram guardadas em um cofre no exterior, bem como distribuídas entre profissionais ligados a Greenwald, antes de serem publicadas. O assunto já é manchete dos principais jornais do mundo e assim que foi publicado (9/6), passou a ser visto como um dos casos de maior repercussão nas redes sociais.

Cumpre destacar os critérios éticos adotados pelo jornalista, Glenn Greenwald, que suprimiu trechos das conversas relacionadas a vida pessoal dos envolvidos

"O mais relevante: a Lava Jato foi a saga investigativa que levou à prisão o ex-presidente Lula no último ano. Uma vez sentenciado por Sergio Moro, sua condenação foi rapidamente confirmada em segunda instância, o tornando inelegível no momento em que todas as pesquisas mostravam que Lula – que terminou o segundo mandato, em 2010, com 87% de aprovação – liderava a corrida eleitoral de 2018. Sua exclusão da eleição, baseada na decisão de Moro, foi uma peça-chave para abrir um caminho para a vitória de Bolsonaro. A importância dessa reportagem aumentou ainda mais depois da nomeação de Moro ao ministério da Justiça" (The Intercept).

Além de tratar do processo fraudado contra o ex-presidente Lula e as articulações visando impedir que a jornalista Mônica Bergamo entrevistasse Lula no cárcere, antes das eleições, as conversas podem remeter outros profissionais mais atentos do direito, ao "Modus Operandi" do impeachment, sem mérito, da presidenta Dilma Rousseff, tramado como preparação para a prisão do ex-presidente Lula e colocar a legitimidade da eleição do candidato Jair Bolsonaro, que não por acaso tem o ex-juiz, Sérgio Moro como um dos seus principais ministros, em questão.

Os diálogos esclarecem o que de fato ocorreu na Justiça Federal de Curitiba. E poderão remeter especialistas de diversas áreas a questionarem o papel dos ministros no Supremo Tribunal Federal (STF), após a implantação da "Teoria do Domínio do Fato" no ordenamento jurídico, em uma sessão na qual a função precípua do STF, de guardião da Constituição - artigos 101 a 103 -, foi ignorada permitindo a prisão dos petistas, José Dirceu, José Genuíno e João Vaccari Neto, sem provas. Cumpre ressaltar que o fato atribuído pela defesa do ex-presidente Lula, a uma modalidade de golpe denominada Lawfare, abalou o prestígio do PT junto a opinião pública e da própria Justiça, no Brasil e no exterior.

Os primeiros diálogos divulgados no site The Intercept, podem ser consultados, nos links em anexo:





"Deltan Dallagnol duvidava das provas contra Lula e de propina da Petrobrás horas antes da denúncia do triplex – Uma reportagem de 2010 trouxe alívio aos procuradores para levar adiante a acusação – e o PowerPoint – contra o ex-presidente".

"Procuradores da Lava Jato tratam em segredo para impedir entrevista de Lula antes das eleições por medo de que ajudasse a eleger o Haddad".

"Como pode que o Intercept está publicando chats privados sobre a Lava Jato e Sérgio Moro – Série de reportagens mostra comportamento antiético e transgressão que o Brasil e o mundo tem o direito de conhecer".

"Liberdade de imprensa, não pode ser confundida com liberdade de empresa," dizia o jornalista e escritor, Mário Augusto Jakobskind, no Conselho da ABI - Associação Brasileira de Imprensa

A ex-presidenta Dilma Rousseff, disse que, "O STF não pode se omitir diante da fraude de Moro e Dallagnol, para condenar Lula. Trata-se da maior fraude política de todos os tempos," no entanto existem outras questões sobre o contexto que precisam ser tratadas para a compreensão e defesa de todos. A começar pelo papel do concessionário das Organizações Globo que ao contrário do "respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família" previstos no parágrafo IV do Art 221, da Constituição de 1988, acirraram a satanização contra a presidenta Dilma Rosseff e o ex-presidente Lula, a partir de 2013, em um consórcio que reuniu a BAND, o SBT e a RECORD, dentre outros veículos de massa, visando induzir incautos a acreditarem que com a mudança do sistema de governo, o que foi conseguido em 2016 com o golpe que derrubou a legitima presidenta do País, todos os problemas econômicos seriam superados. O fato compromete a legitimidade da concessão do citado canal aberto, bem como dos demais associados ao esquema.

Em matéria não assinada, portanto covarde, publicada em O Globo (10), intitulada "Site diz que Moro e Deltan combinavam operações" a editoria da sessão "Pais" condicionou o texto espremido em torno de um anúncio que ocupa a maior parte da página, as justificativas da força tarefa de Curitiba, para rebater a reportagem do Intercept, "(...) eles afirmam que foram alvos de ‘hackeamento’ ilegal e negam irregularidade". E para piorar o quadro, publica a seguinte fala atribuída ao ministro Sérgio Moro, "(..) a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo".

Se o caso em epígrafe tivesse ocorrido em um país no qual a Constituição é respeitada pela Justiça, os processos da Lava Jato contra o ex-presidente Lula seriam anulados. E os responsáveis pelos danos causados ao estado democrático de direito: o citado concessionário; procuradores; juízes e; alguns ministros do STF, seriam devidamente investigados, processados e no mínimo afastados dos cargos que exercem, com direito a presunção de inocência, ao contrário de Lula, sem que para isso as emissoras de rádio e televisão tivessem que sair do ar.

De acordo com estimativas do INEPP - Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a Operação Lava Jato gerou cerca de R$ 142,6 bilhões de prejuízo para a economia brasileira.

Ainda segundo o INEPP, até o final de 2019, poderia ser a responsável por um impacto negativo de mais de três pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB).

Se o Povo não for para as praças públicas exigir a restauração da democracia (14), bem como dos direitos usurpados diariamente nos três poderes, que mudanças se pode esperar?

Como bem destacou o ex-presidente do Equador Rafael Correa em seu programa de TV "Conversando com Correa" exibido na canal "Rússia Today" (RT), as ações visam atingir os mesmos objetivos da operação Condor, mas impostas através de ações jurídicas, sem provas. As evidências podem ser verificadas na rapidez com que se alastrou por países da América Latina, derrubando presidentes progressistas, sem precedentes na história.

Uma pergunta que não quer calar: num País no qual a Justiça se presta a esse papel, a vaga do STF prometida para o ministro Sérgio Moro, vai para o saco? - como propôs o Acadêmico, Fernando Morais, no canal NOCAUTE no YouTube (9)


*André Moreau, é jornalista, diretor do IDEA, programa de TV – Unitevê, Canal Universitário da Universidade Federal Fluminense (UFF) e Coordenador da Chapa Villa-Lobos na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) blogjornalabi.blogspot.com