16.6.19

POPULAÇÃO INDICA QUE PARALISAÇÃO É O PRIMEIRO PASSO RUMO À GREVE GERAL

ANDRÉ MOREAU -


Com palavras de ordem "Bolsonaro é inimigo da Educação," milhares de estudantes, professores e trabalhadores de outros setores ocuparam as ruas e praças do País (14), mostrando organização e maturidade apesar da teoria equivocada de alguns setores descrentes em função de tantas decepções ou por interesses desconhecidos que pregaram a idéia de que o "dia de greve geral é dia de ficar em casa." É preciso corrigir esse lamentável equívoco, lembrando aos sindicalistas e parlamentares que na Argentina, por exemplo, foram realizadas em três anos do governo conduzido pelo Sr. Mauricio Macri, cinco paralisações expressivas, bem diferentes das que ocorreram na última sexta-feira e mesmo assim Macri conseguiu aprovar junto ao parlamento a "reforma" do sistema de aposentadoria, tão ou mais cruel do que a "reforma" que tentam aprovar no Brasil, apesar dos ajustes conseguidos pela oposição.

Fora as teorias que o Povo não entende, diante do massacre que vem suportando no dia a dia nas periferias, a palavra de ordem "Fora Bolsonaro" vem ganhando força, mas cumpre destacar que as mobilizações contra os desmontes da Previdência e do ensino público, promovidas de forma isolada, não unificam a luta. E que a paralisação ganhou força, graças principalmente a participação dos estudantes, professores, sindicalistas, membros dos movimentos sociais como, por exemplo, o MST, a FIST, as pastorais da Igreja, além é claro das denúncias feitas no The Intercept Brasil, pelo jornalista Glenn Greenwald, que vem revelando ao mundo as orientações de Washington recebidas pelos investigadores da lava jato envolvendo o Sr Deltan Dallagnol em articulações através do Ministério Público Federal com o ex-juiz Sergio Moro, visando agilizar a prisão do ex-presidente Lula, sem provas, apontando para uma operação de mudança do sistema de governo.

Ou seja, o aumento da mobilização popular foi espontâneo graças a todos esses fatores, apesar de ter sido brutalmente reprimido no Rio, em Niterói e São Paulo. Cabe agora a resposta dos líderes dos partidos de oposição ao chamamento das ruas, criando condições materiais para a promoção de uma greve geral, de uma ou duas semanas e não a paralisação de um dia que de acordo com o exemplo argentino, será incapaz de conter o esquema acelerado que já está levando os mais envolvidos, ao desespero.

O retrocesso é muito maior, por isso é preciso uma palavra de ordem que unifique como, por exemplo, a proposta pelos membros do PCO - Partido da Causa Operária que graças ao empenho nas boas lutas, vem fazendo o PCO crescer como massa de pão, apesar das perseguições. A palavra de ordem "Fora Bolsonaro" foi estampada em uma faixa de quatrocentos metros na Av, Paulista que não pôde ser ocultada pela cobertura aérea realizada pela equipe das Organizações Globo. "Fora Bolsonaro" é uma esperança dos estudantes mais pobres que vem sendo atingidos diariamente pela redução de direitos, o aumento da repressão nas periferias, dentre outros retrocessos.

Por isso "Fora Bolsonaro" está na boca do Povo e a realização da greve geral é mais importante do que a perspectiva eleitoral vista por boa parte do Povo como algo que não serve mais.

As perguntas que não querem calar são as seguintes: a) os ilustres ministros do STF pretendem manter Lula preso, até quando? e; b) o golpe denominado impeachment, sem mérito, vai continuar em vigor até quando?

* André Moreau, é jornalista, diretor do IDEA (UFF) e Coordenador da Chapa Villa-Lobos ABI - Associação Brasileira de Imprensa, impedida de concorrer em 2016-2019.