30.6.19

TAPETE

MIRANDA SÁ -

“A natureza criou o tapete sem fim que recobre a Terra. Dentro da pelagem deste tapete vivem todos os animais respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem”. (Monteiro Lobato)


A nostalgia dos contos fantásticos levou-me a recordar o tapete voador do filme Ladrão de Bagdá, fita inglesa de 1924 que lançou ao estrelato Douglas Fairbanks. Este não vi, mas assisti o seu remake produzido por Alexander Korda em 1940. Ambas com roteiro adaptado das Mil e Uma Noites.

Korda encantou a criançada da minha época, trazendo um personagem encantador, Sabu Dastargir, que se destacou no elenco com John Justin, June Duprez, Conrad Veidt, Miles Malleson e Rex Ingram. Sabu era um ladrãozinho das ruas que ajudou com várias estripulias o namorado da filha do Califa de Bagdá.

Tivemos neste filme as primeiras iniciativas dos chamados “efeitos especiais” que viriam se consagrar nos filmes de ficção científica. Trouxe uma caverna que se abria gritando-se uma senha, um cavalo mecânico trotando no espaço e o tapete mágico com capacidade de voar, transportando uma ou mais pessoas.

O Tapete é um utensílio comum a todas as casas, pobres e ricas. Começa com um capacho na porta, depois nas cozinhas, nos banheiros, nos quartos, e dão um ar decorativo na sala. Os mais caros são um produto de esmerada tecelagem, importados do Irã, Azerbaijão, da Índia e da Mongólia.

Temos, também os de fazenda encorpada, tecida ou bordada, de palha ou materiais industrializados, borracha e linóleo. O seu uso é antiquíssimo; foi encontrado no túmulo de um príncipe cita, em 1949, nas Montanhas Altai, na Sibéria, que um teste de carbono-14 indicou ter sido elaborado no século V a.C.

Como verbete dicionarizado, é um substantivo masculino de origem latina (tăpes,ētis) e (tapēte,is e tapētum,i). Seus sinônimos alcatifa e alfombra vêm do árabe, e o mais moderno é carpete.

Povos de várias nações do mundo estão entregues à pobreza, mas seus governantes pisam em tapetes caríssimos; no Brasil, alguns togados do STF e diversos congressistas caminham sobre carpetes que silenciam seus passos, talvez para realçar os estrepitosos discursos em favor dos seus próprios interesses.

Vejam bem. No caso do Supremo, com dezenas de processos para julgar, os meritíssimos sempre arranjam tempo para apreciar um sem número de pedidos do condenado Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, e não sei quantos processos a responder pelo comportamento indigno frente à presidência da República.

Do outro lado, os parlamentares da atual legislatura de grande renovação, mas mantendo continuados os velhos costumes da prática corporativa em defesa de proveitos pecuniários e políticos. Para isso assumem até posições contra os anseios nacionais de reformas. Legislam em benefício próprio.

A pouco assistimos a criminosa articulação para soltar o chefe da Orcrim política no Congresso e no STF. A trama foi abertamente criada pelo togado Gilmar Mendes de tal maneira escancarada que os fanáticos lulopetistas prepararam com antecedência manifestações de apoio em Brasília e esperando a soltura do Pelegão em Curitiba.

Para alegria dos defensores da Justiça boa e perfeita, a pressão popular nas redes sociais impediu o golpe traiçoeiro, batendo de frente com os conspiradores.

Ficou claro que os brasileiros de cor-de-pele e gênero diversos, acima dos partidos e das ideologias, querem dar um fim na impunidade dos criminosos de colarinho branco e varrer para todo e sempre a corrupção institucionalizada pelos governos lulopetistas.

Sobrevoando Brasília num tapete voador, veremos, todavia, a contínua ação dos picaretas engavetando o fim do foro privilegiado, as reformas aprovadas eleitoralmente com Bolsonaro, os pedidos de impeachment de juízes suspeitos e o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro.