5.7.19

FUX ENTREGA MORO: MAGISTRADO PRECISA TER ‘VERGONHA NA CARA E PRUDÊNCIA NA LÍNGUA’; GUARDIAN: CRESCEM APELOS PARA QUE BOLSONARO DEMITA MINISTRO DEPOIS DE RELATO ‘DEVASTADOR’ SOBRE VAZAMENTOS

REDAÇÃO -

Reportagem de Gustavo Schmitt no Globo informa que ao falar para uma plateia de investidores em São Paulo, nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux afirmou que os magistrados precisam conter os ânimos e ter “vergonha na cara e prudência na lingua”. Em seu discurso, Fux comentava críticas sobre um possível protagonismo excessivo do Supremo na sociedade brasileira. “Se impõe que o magistrado tenha vergonha na cara e prudência na língua”, disse o ministro no evento organizado pela corretora XP Investimentos, num centro de convenções da capital paulista.

De acordo com a publicação, Fux não fez referência a nenhuma pessoa especificamente. Mais cedo, nesta sexta-feira, a revista “Veja” divulgou reportagem com novos diálogos atribuídos ao ministro da Justiça Sergio Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Operação Lava-Jato. A publicação indica que o ex-juiz teria alertado o Ministério Publico Federal (MPF) sobre a inclusão de uma prova em ação penal relativa à operação.Em outro trecho, Moro teria recomendado, segundo a revista, que os procuradores não fechassem acordo de delação com o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As mensagens são de julho de 2017.

Em reportagem anterior sobre o tema, o site The Intercept publicou uma fala de Moro, que teria sido enviada a Dallagnol, com uma citação a Fux relativa a uma eventual garantia de apoio dele à Lava-Jato. Ao comentar sobre a frase do ministro da Justiça (“In Fux we trust”/”Em Fux nós confiamos”, em referência aos dizeres grafados nas notas de dólares americanos), o magistrado do Supremo disse que nutria profundo respeito por Moro e não iria “imiscuir na dependência dele”, completa o Jornal O Globo.

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jornal britânico The Guardian detonou Moro em um novo artigo de Tom Philips


O ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, está encarando uma nova pressão para renunciar depois que a principal revista conservadora do país divulgou mais detalhes de um escândalo sobre seu papel em uma enorme investigação anticorrupção que ajudou a reformular o panorama político da América do Sul.

O presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro, e seus partidários tentaram se retratar diante da enorme quantidade de revelações sobre a conduta de Moro na Operação Lava Jato como parte de um ataque à esquerda. Os vazamentos foram coordenados pelo site investigativo Intercept e seu co-fundador Glenn Greenwald.

No início de junho, o Intercept começou a publicar uma série de denúncias baseadas no que chamou de “um grande tesouro” de mensagens vazadas entre agentes da lei brasileiros. (…)

Fonte: DCM