8.7.19

HOJE, HÁ 52 ANOS, MORRIA O EX-"PRESIDENTE" CASTELO BRANCO

HELIO FERNANDES -


Este repórter era DESTERRADO para Fernando de Noronha. Cassado, preso, desterrado, desarmado, escrevi um livro, proibido pelos generais que tinham medo de um simples repórter. Pelo menos leiam o prefacio, jamais publicado.

Foi o próprio repórter e autor que classificou o seu desterro como a " violência do século no Brasil". Desde 1922, nenhum cidadão era desterrado, a Constituição proibia.Todas as Constituições de todas as épocas, proibiam o desterro, confinamento ou que nome possa ter.

E é ainda o próprio autor, no capitulo em que analisa os artigos que escreveu sobre a morte do "presidente" Castelo, que afirma:"Meus artigos  sobre o "presidente" não foram frios ou passionais. Foram lúcidos e coerentes . Tendo escrito diariamente quando ele estava no poder ditatorial, seria covardia ou omissão, não participar do ato final.

Não pretendia constituir um ajuste de contas com o passado e sim uma advertência ou alerta para o futuro. O "presidente" Castelo era um homem publico,portanto sujeito ao julgamento implacável da Historia. E que melhor que jornalistas para formarem o dossiê que ha de propiciar ao  futuro historiador, o material indispensável para esse julgamento? Os mortos particulares podem e devem ser julgados no altar de cada família. Mas os mortos da vida pública, esses não podem se subtrair ao julgamento publico. Não se pertencem nem á sua família, caíram no domínio publico.

Quando ingressaram na vida publica, não só admitiram o inicio do julgamento sobre as suas realizações ou omissões, como implicitamente aceitaram o resultado desse julgamento. E o julgamento de um homem público, não começa com a sua morte.  È anterior a ela, se inicia no exato instante em que começa seu   dialogo com a opinião publica.

A opinião contraria deste repórter sobre o "governo" Castelo Branco,evidentemente não é uma sentença irrecorrível. Como também não são os elogios que recebeu como ditador.

Elogios e restrições formam o acervo da Historia, que formarão seu julgamento, esse sim, IRRECORRÍVEL.