25.6.15

CRIANÇAS ABANDONADAS EM 30 ANOS SEM CIEPs

SERGIO CALDIERI -


Como dizia Darcy Ribeiro há 30 anos: “Ou construímos escolas ou no futuro teremos um exército de trombadinhas assaltando nas ruas”. Não deu outra. Desde 1984, nos 510 CIEPs teriam estudados cerca de 20 milhões de crianças em turno integral, que era o objetivo. Mas foram destruídos pelo Moreira Franco, Marcello Alencar e o sistema Globo (jornal, rádios e TV).

Se Darcy Ribeiro não fosse derrotado pelo Moreira Franco (PDS, ex-Arena da ditadura), teria construído mais 500 CIEPs. Mais 20 milhões de crianças estudando. Culpa delles

Lembro que em 24 de abril de 2002, o jornalão O Globo publicou que sete mil crianças estavam trabalhando de olheiros do tráfico nas 337 favelas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ganhavam 600 reais por semana. Foi justamente neste dia, durante o programa Batendo Boca, na Rádio Nacional, do apresentador José Carlos Cataldi, que perguntei: mas estas crianças não deveriam estar estudando nos CIEPs? E ainda acrescentei: “Cobrem do Moreira Franco, Marcelo Alencar e do sistema Globo”. 

NO “FEICEBUQUE” 

No último dia 23/5, a jornalista Régis Farr fez o seguinte comentário no Feicebuque: 

“Como jornalista de educação, fui “n” vezes a vários CIEPs, uma inclusive com a recomendação expressa da chefia de reportagem para mostrar como o Brizola “já tinha abandonado o projeto inicial e as crianças comiam mal e não tinham atividades depois das aulas”. O que vi rodando pelos CIEPs da cidade, devidamente acompanhada por um fotógrafo, foi exatamente o oposto. O almoço nos deixou com água na boca, havia atividades desportivas e ensino orientado. Mais ainda: em alguns CIEPs havia alunos-residentes (8 meninos dos socialmente mais problemáticos), abrigados em espaço construído como apartamento, com um “pai” bombeiro e sua esposa como “mãe”.

Era um projeto realmente de educação integral, para a cidadania. Foi só o Marcelo Alencar entrar para terminar com o inovador e audacioso sistema educacional e transformar os CIEPs em escolas de terceira categoria, em dois turnos, pois era isso que o pobre merecia, de acordo com o pensamento retrógrado dessa turma. À guisa de esclarecimento: eu não era brizolista à época. E de curiosidade: escrevi uma matéria sobre o que vi nos CIEPs visitados na ocasião. Logicamente não foi publicada e fiquei por um tempo na geladeira. Eu trabalhava no JB, onde o antibrizolismo era menos acintoso. Se isto tivesse acontecido no Globo, eu teria sido despedida na hora. De fato, o jornalista Pinheiro Jr., que foi responsável da editoria de cidade de O Globo, me contou que todos os dias, o chefão Evandro Carlos de Andrade cobrava uma matéria contra o governo do Leonel Brizola. Se não tinha, era para se virar, pois era ordem do Roberto Marinho”.