EMANUEL CANCELLA



OS CORRUPTOS DE ESTIMAÇÃO DA LAVA JATO: PEDRO PARENTE, NA PETROBRÁS, E DANIEL LIMA, NA PETROS

Você sendo roubado no posto e eles de Black Tie (13).


O tucano Pedro Lalau Parente, mesmo sendo réu desde 2001, na Petrobrás, conseguiu presidir a Empresa de 31 de maio de 2016 a 1º de junho de 2018.

E, na presidência, Pedro Lalau “vendeu” o campo gigante de Carcará, do pré-sal, ao preço de um refrigerante o barril (5). E ainda entregou a petroquímica de Suape ao preço de 5 dias de faturamento (6).

E mais: a direção da Petrobrás, na gestão de Pedro Lalau, pagou R$ 2 BI ao banco JP Morgan, de um empréstimo que só venceria em 2022, e Pedro Lalau é sócio do banco (2).

E a Lava Jato, com sua omissão, não só apoiou Pedro Lalau em todas essas barbáries, como ainda deu salvo conduto para ele ir presidir a BRF (3).

Outro protegido da Lava Jato, o presidente da Petros, Daniel Lima, está levando os petroleiros ao desespero. Muitos aposentados velhinhos têm morrido por falência múltipla das finanças porque os petroleiros, ativos e aposentados, estão agora pagando por um rombo que não fizeram, com 13% de seu salário e por 18 anos.

Na verdade até agora quem deu um rombo de R$ 1 BI em fundos de pensão das estatais foi o ministro Paulo Guedes, entre eles o da Petros.

Aliás, o histórico de Guedes em arrebentar aposentados é extenso. Ele participou da reforma da previdência do Chile, o que está levando o país a ser recordista de suicídio de aposentados (7,8). E Guedes está trazendo para o Brasil esse modelo de Previdência do Chile.

Paulo Guedes é ex-banqueiro, pois foi dono do banco Pactual, nunca vai precisar de dinheiro de aposentadoria (9)!

A Lava Jato prendeu 20 pessoas, entre eles dois ex-presidentes da Petros, envolvidas com superfaturamento na construção do prédio, sede da Petrobrás na Bahia, construído com dinheiro da Petros.

Veja o que disse a procuradora, Laura Tessler, da Lava Jato:

“É cruel, porque quem é prejudicado são os trabalhadores da Petrobrás, é quem depositou toda esperança de uma velhice tranquila (na Petros) e viu seus valores geridos de forma fraudulenta.”

Veja o que disse o PT sobre as prisões na Bahia:

“Em nota, o PT disse que a Lava Jato faz acusações sem provas ao partido e tenta criminalizar doações eleitorais feitas dentro da lei. O combate à corrupção exige seriedade de investigadores e juízes. Não pode continuar funcionando como espetáculo de mídia e perseguição política”, afirmou (10).

Temos que convocar a procuradora da Lava Jato, Laura Tessler, para fazer o presidente da Petros, Daniel Lima, cumprir a liminar que suspende os descontos e ainda manda devolver o que já foi cobrado, para que tenhamos, como ela disse, uma velhice tranquila. Veja a decisão da juíza (11).

A juíza, que já tinha dado 10 dias para aplicação da liminar, no dia 05/02/19, deu 24 horas para Daniel Lima suspender os descontos, hoje é dia 20/02/19 e nada. Veja o que diz Daniel Lima:

“A previsão é de que o crédito dessa folha extra seja feito neste mês de fevereiro”(12). E o contra cheque de 25 de fevereiro já está disponível na página eletrônica da Petros sem acatamento da liminar (12).

Na verdade, Daniel Lima está procrastinando as decisões da Justiça, para ver se derruba a liminar. Isso é crime!

A Lava Jato, que prendeu os petistas sem provas, finge que não vê as provas em relação a Pedro Lalau Parente, Paulo Guedes e Daniel Lima!

Fonte:
13http://politicadesmistificada.blogspot.com/2018/09/um-apagao-do-psdb-sobre-farsa-jato-de.html





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A CULPA É DO PT!



Na onda antipetista que elegeu Bolsonaro, o que chama atenção é a incompetência do Partido dos trabalhadores em enaltecer seus feitos. Até as galinhas cacarejam para propagar seu feito que é colocar o ovo.

A malha social que o PT constituiu é elogiada por grande parte do mundo. Mas a esquerda dizia que o PT estava distribuindo migalhas aos pobres. E dizem também que os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro como no governo do PT.

Ambas afirmativas são verdadeiras: Os banqueiros ganham mais quando a economia cresce e foi o que aconteceu nos governos petistas.

Que os gastos sociais dos governos do PT sejam migalhas em relação aos ganhos do banqueiros é verdade, mas até na Rússia, na China e Índia os banqueiros ganham e com certeza proporcionalmente ao tamanho do PIB.

No governo de Lula, por exemplo, foi desenvolvida pelos petroleiros da Petrobrás, tecnologia inédita no mundo, que permitiu a descoberta do pré-sal. Entretanto isso foi totalmente omitido pela mídia, principalmente a Globo. A Petrobrás teve que pagar rios de dinheiro para o pré-sal ser notícia uma vez no jornal O Globo. E por esse feito, o descobrimento do pré-sal, a Petrobrás ganhou pela 3ª vez o prêmio OCT, considerado o “Oscar” da indústria do petróleo e foi manchete na mídia do mundo inteiro (2).

Por outro lado, de graça, a Globo, principalmente no Jornal Nacional, passou mais de 3 anos, diariamente de forma criminosa, falando mal da Petrobrás, vazando delação premiada da Lava Jato. Isso só para os governos do PT.

Entretanto, veja nos governo tucanos:

- FHC, mesmo denunciado por corrupção até junto com o filho FHC, saiu ileso, não houve sequer investigação, muito menos prisão ou vazamento de delação (3).

- o tucano Aécio Neves, recordista em delação na Lava Jato, nunca foi importunado pela Operação e, como deboche, ainda cobrou arrependimento de Lula (4).

A Globo chegou ao absurdo de lançar, em editorial, em dezembro de 2015: “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” (1).

Há uma mistura de ódio e entreguismo, pois não podemos esquecer que a Globo, no governo de FHC, na década de 90, fez campanha frustrada pela privatização da Petrobrás, comparando a Petrobrás a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

Para o pleno emprego de Lula, até no Google, há pouca menção, tal a incompetência de comunicação do PT. Poucos governantes, no mundo, atingiram esse feito de Lula (5). O mesmo pode se dizer do Brasil ter alcançado a marca de 6ª economia no mundo, passando a Inglaterra (6).

Na ditadura militar, tinha um programa semanal na Globo, em horário nobre, ‘Amaral Neto, o repórter’ cuja a principal finalidade era enaltecer os feitos da ditadura militar. E o PT, em quatro governos, nunca fez isso.

A falta de comunicação do PT, que não enaltecesse, mas mostrando a importância da malha social que ele implantou no país, vai custar caro ao povo brasileiro, pois estão acabando com tudo, já que a direita está cancelando esses programas.

O PT não entendeu aquilo que até as galinhas sabem: Botou o ovo tem que cacarejar!

Fonte:



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CARLOS CHAGAS (arquivo)

SÓ DECLARANDO GUERRA A DONALD TRUMP


O presidente Michel Temer reúne amanhã os governadores estaduais. Prevê-se que nenhum falte, dada a miséria em se encontram seus Estados. Todos vem atrás de dinheiro, imaginando rolar suas dívidas com a União, obter mais empréstimos e poder ao menos assegurar o pagamento do próprio funcionalismo.

Impossível que tragam sugestões capazes de ajudar o governo federal a sair do sufoco. Saber quem está pior, se os governadores ou o presidente da República, dá no mesmo. Andam todos à espera de um milagre.

Fez sucesso, muitos anos atrás, um filme intitulado de “O Rato que Ruge”, com o inigualável e saudoso Peter Sellers, acumulando três papéis: a rainha de um pequeno país europeu, o primeiro-ministro e um capitão da guarda. Reunidos, eles concluíram haver uma só saída para o país: declarar guerra aos Estados Unidos, iniciá-la e logo depois perder. Ou todos os países que haviam perdido guerras para os americanos, como o Japão e a Alemanha, não se encontravam no melhor dos mundos, ricos e prósperos?

Assim fizeram, embarcando seu limitado exército num cargueiro de quinta categoria, com arcos, flechas e escudos. Invadiram Nova York, cuja população nem se deu conta da invasão. Aconteceu, porém, um inusitado: os invasores entram na residência de um cientista nuclear que acabara de descobrir a fórmula de uma bomba atômica de bolso. O resto da trama fica por conta do leitor encontrar uma cópia do filme e deliciar-se com o espetáculo.

Porque se conta essa história que seria cômica se não fosse trágica? Afinal, sexta-feira assume um novo presidente dos Estados Unidos. Que tal Michel Temer e os governadores declararem guerra ao governo Donald Trump? O triste seria se nós ganhássemos...



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“Acordei de madrugada, com o coração cheio de boas lembranças de meu pai”



Por HELENA CHAGAS -




O que dizer de tanto carinho, homenagens, elogios? Seu Carlos Chagas, o jornalista, lá do céu deve estar dizendo: uai, gente, não precisava tanto... Modéstia de quem, mineiramente, não gostava de mostrar a própria grandeza. Mas tenho certeza de que adorou. Principalmente porque tudo isso fez com que eu, mamãe, Claudia, netos e bisnetos nos sentíssemos abraçados e confortados. Porque eu tenho certeza de que, até nessa hora, ele está pensando na gente. E eu acordei de madrugada com o coração cheio de boas lembranças do meu pai.

Quando eu era bebê, meu pai me enrolava no lençol, como uma mumiazinha, e me prendia no berço com clipes de papel para eu não me descobrir à noite – o que, obviamente, não adiantava nada. Ele me levou à praia aos seis meses de idade, e de lá saiu com um pacote à milanesa debaixo do braço, deixando menos areia em Copacabana porque eu havia engolido um bocado. Ele me obrigou, literalmente, a gostar de jujuba. Aí eu já devia ter mais ou menos um ano e meio, era supergeniosa e berrava enquanto ele colocava as balas na minha boca e eu tentava cuspir. Até que comecei a sentir o açúcar. Amo jujuba até hoje.

Meu pai foi o ídolo de crianças das mais diversas gerações, das filhas, afilhados, sobrinhos, filhos dos amigos, amigos das filhas, dos netos e dos bisnetos. Conversava e brincava como um igual, se encarapitava no alto das árvores, subia no telhado, levava aqueles bandos de meninos para praias desertas, ainda no Rio, e ao Zoológico de Brasília, onde ele deveria ter recebido um título de sócio, de tanto que ia. O vovô é uma criança velha, definiu um dia o neto Cacá, quando tinha lá seus sete anos. Ele contava histórias muito bem. Do universo, do mundo, do Brasil. Às vezes eu chegava na escola e achava que a professora estava repetindo o que meu pai tinha inventado.

Ele me deu todos os livros que eu pude ler, e os que eu não pude também. Acho que nunca vi meu pai sem um livro por perto, e ele cercou-se deles de tal forma que as estantes foram se estendendo pela casa toda, transbordando da biblioteca para quartos, corredores, qualquer espaço possível. Como contou minha irmã de coração, Carol Brígido, em seu lindo texto sobre o padrinho, papai tinha estantes com filas duplas de livros. Olho em volta, aqui em casa, e, entre pilhas de livros, vejo que quem sai aos seus não degenera.

Meu pai passou a primeira noite da primeira neta em casa andando com ela, aos berros, pelo corredor. E ele não ligou a mínima para o fato de, cronologicamente, a neta ter chegado antes do casamento. Quando, sem graça, aos dezenove, contei a ele que estava grávida, a reação foi uma sonora gargalhada de quem tinha desde sempre o sonho de ser avô – e que avô. Quando finalmente resolvi casar, e estávamos só nós dois em casa, antes de sair para a igreja já lotada de parentes e amigos, papai virou para mim e perguntou: “Tem certeza de que você quer mesmo ir? Não tem nenhum problema desistir. Você fica aqui, eu vou lá na igreja agora e aviso a todo mundo que você mudou de ideia...”. É claro que casei, e ele ganhou um genro que acabou por amar como a um filho.

Quando resolvi ser jornalista, tinha muito medo de ser apontada como “peixinho”, filhinha de papai que não conquistara seu espaço por merecimento. Então, resolvi que nunca trabalharia com ele, nunca aceitaria qualquer notícia que ele me passasse ou que obtivesse por fontes que encontrava na casa dele e nem falaria com ele sobre o meu trabalho. Ele entrou no meu jogo e, nas conversas em família, não falávamos de trabalho. Ignorávamos o assunto. Comecei, com certa mágoa – olha a loucura - a achar que ele não estava nem aí mesmo para meu destino jornalístico. Até que um dia entrei em seu escritório e achei um texto meu, publicado no Jornal de Brasília uns dias antes, todo rabiscado - “copidescado”, como se dizia antigamente - com erros e palavras mal empregadas sublinhados. Não sei o que ele ia fazer com aquilo se eu não tivesse achado.

Brigamos e discutimos muitas vezes, em família, por causa de política. Na minha casa, todo mundo dizia o que queria e professava o credo que lhe aprouvesse. Geralmente ficávamos eu e Claudia contra ele. Mamãe, a psicóloga, mediando e botando panos quentes. Mas aprendi com ele que essas divergências não têm, ao fim e ao cabo, a menor importância na ordem geral das coisas e da vida. Entendemos - e acho que não só nós, mas também suas legiões de alunos – a importância do respeito e da tolerância a posições contrárias.

Aprendi com meu pai a nunca perder um amigo por discordar ou pensar diferente. Lembro um domingo em que o Zé Aparecido, então governador do DF e grande amigo dos meus pais, chegou lá em casa esbaforido depois de ser vaiado por uma manifestação de estudantes. Na qual, quando olhou bem, reconheceu minha irmã Claudia. Papai achou a maior graça.

Seu Carlos Chagas, o jornalista, fazia e escrevia o que queria, fiel a seus princípios. Não hesitava em fazer artigos ácidos e críticas duras a personagens de A a Z do espectro político quando achava que devia. Nem mesmo quando no alvo estavam governos em que trabalhavam amigos ou suas próprias filhas. Tive que resolver isso na minha cabeça: o pai era muito mais importante que o emprego, então dane-se. Quando ministra da Secom de Dilma, botava para correr os chatos que vinham me mostrar artigos críticos do meu pai ao governo de cuja comunicação eu cuidava. Democracia começa em casa, e meu amor pelo meu pai é maior do que tudo isso, respondia eu. Minha então chefe sempre entendeu e nunca reclamou.

Num momento difícil nessa profissão às vezes maldita, às vezes bendita, resolvi que não ia mais ser jornalista. Estava me sentindo injustiçada, sofrendo muito, tinha errado na escolha, melhor seria ter feito Direito e ser advogada, ia parar de trabalhar, largar tudo... Ele me olhou com aquela cara de quem não estava levando a sério aquelas bobagens: “Isso é a sua vida...”. Às vezes, meu pai sabia mais de mim do que eu mesma.

Ontem, minha neta Heloísa, de quatro anos, virou para a mãe e disse que nunca mais vai desenhar. É o luto dela, que passava horas sentada no colo do Vovô Carlos (bisavô), na escrivaninha de trabalho dele, os dois desenhando juntos. Sábado passado foi a última vez.

É claro que a Heloísa vai voltar a desenhar, porque a vida continua. E essa foi mais uma das lições do Carlos Chagas: boa ou ruim, a vida continua, temos que resistir e seguir em frente. Tudo tem seu jeito, dizia ele, porque a única coisa que não tem remédio mesmo é a morte. Pois é, né, pai...
* Enviado para o e-mail da Redação






_____________CARLOS CHAGAS
O último artigo!

NEM TODOS VOLTARÃO


Dos 28 ministros do presidente Temer, 18 são parlamentares. Estão todos demitidos, obrigados a reassumir seus mandatos de deputado ou senador. A obrigação deles não é apenas votar as reformas previdenciária e trabalhista, de acordo com os projetos do governo: devem garantir os votos de suas bancadas, comportando-se como líderes. Ainda não há data fixa para as votações, coisa que prenuncia tempo razoável para voltarem a ser ministros. Por enquanto a pergunta não diz respeito a quando voltarão a seus ministérios, mas se todos voltarão. Porque muita gente sustenta não existir melhor oportunidade para o presidente reformular sua equipe. Aprovadas as reformas, por que não buscar na sociedade civil as melhores expressões de cada setor? Senão desfeita, a base parlamentar do governo terá cumprido seus compromissos.

Duvida-se de que até Michel Temer vacilará se lhe pedirem para referir de bate-pronto o nome de todos os seus ministros, bem como os partidos a que pertencem e as metas de cada ministério.

Abre-se agora, para o governo, a etapa da eficiência administrativa, capaz de estender-se até o fim do ano. Depois, num terceiro tempo, será hora de cuidar da sucessão presidencial. Temer não será candidato, ainda que disponha da prerrogativa de disputar um novo mandato. A premissa será de que o PMDB está no páreo, mesmo carente de candidatos. Poderá ser Henrique Meirelles, se a retomada do crescimento econômico obtiver sucesso. Por que não Roberto Requião, mais do que uma rima?

Em suma, a prioridade são as reformas, mas depois delas garantidas, como parece, o governo cuidará de suas estruturas. Sendo ano que vem um ano eleitoral, nem todos os ministros ficarão aborrecidos se não retornarem.





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SÉRGIO MORO: APENAS UM DETALHE



“Onde foi que eu errei?” - deve estar se perguntando o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agora que foi condenado a quinze anos e quatro meses de prisão. Receber propinas da Petrobras e muitas empreiteiras não terá sido motivo, tais e tamanhos tem sido os assaltos aos cofres públicos por ele e sua quadrilha, praticados ao longo das últimas décadas. Distribuição de percentuais aos deputados que votaram nele para presidente da Câmara, também não. Afinal, não precisou oferecer: a maioria agiu como quem cobrava dívidas antigas. Aceitar um de múltiplos pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff? Já estava tudo acertado para a defenestração da então presidente da República.

Sobra, então, um tiro que acabou saindo pela culatra: Eduardo Cunha foi para as profundezas por ter tentado dar um passo maior do que suas pernas. Sua estratégia era conhecida de todos e ele não percebeu onde sua ambição poderia levá-lo. No caso, perdeu tudo porque pretendia subir mais um degrau na escada que o levaria de imediato ao poder maior. Precipitou-se. Como presidente da Câmara, ocupava posição privilegiada para chegar ao palácio do Planalto. Não escondia de ninguém que se Dilma fosse cassada, havendo ou não motivos para isso, Michel Temer não assumiria. Faltavam votos para o vice-presidente tornar-se presidente, enquanto Eduardo Cunha tinha tudo arrumadinho: Michel Temer também seria garfado. Ou não estava garantida a eleição indireta do presidente da Câmara, tendo em vista os favores e as benesses por ele concedidos à quadrilha que acabava de compor?

Esqueceu-se Eduardo Cunha de que Michel Temer também tinha suas malandragens. Era o primeiro da fila, na hipótese de Dilma ser posta para fora, ainda que lhe faltasse apoio para assumir. Na mesma hora começaram as defecções na maioria que o presidente da Câmara tinha certeza de possuir. Logo armou-se a teia de aranha para capturar o grupo dos amigos do Cunha e entregar a Temer a cadeira presidencial. Isso porque ele ofereceu mais, ainda que trabalhando na moita. Cunha logo perdeu a metade mais um dos deputados, ou seja, estava garantida a eleição do vice, na base do “quem dá mais”, muito acima da Constituição.

A posse de Temer serviu para comprovar a loteria que o favoreceu. Bastou verificar o loteamento do ministério e do governo, que permanecem até hoje. Cunha tinha sua ascensão garantida. Perdeu na jogada final. Para completá-la, a Câmara foi reunindo acusações e armando o sacrifício, para que não surgissem duvidas. Em suma, o grande estrategista foi mergulhando cada vez mais fundo, perdeu a presidência da República, a cadeira de deputado e a própria liberdade, por açodamento. Sérgio Moro tem sido apenas um detalhe, na degola de Eduardo Cunha...




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MATANÇA ATÉ QUANDO?




Impossível mudar os costumes, que vem da pré-história, acoplados à necessidade sempre justificada pela sobrevivência do ser humano. Tem sido assim e assim continuará, espera-se que não até o fim do mundo.

No entanto… No entanto, não haverá um único cidadão que deixe de horrorizar-se quando vê despedaçadas e dependuradas carcaças e partes de animais,  expostas ao consumo geral, mesmo sabendo que pouco depois irão para a mesa na forma de bifes suculentos ou de costelas apetitosas. Menos ainda se livrará do horror quem  assiste a degola desses milhões de seres ditos inferiores, mas quem sabe plenos de consciência quando deles se aproxima o golpe  final? Basta atentar para como se comportam na fila do abate: os berros são lamentos impossíveis de ser esquecidos.

Choca a imagem das peças de boi nos ganchos dos frigoríficos, sangrando e logo esfaqueadas à espera de novos capítulos da ronda dessa matança permanente. São vidas abatidas em nome da vida dos que irão degluti-los.

Poderia ser diferente? Por enquanto, nem pensar. Raramente fazemos questão de assistir esse festival macabro, exceção dos encarregados dele. A ninguém será dado imaginar a humanidade sem comer carne de animais. Ainda bem que só de animais, pois em tempos imemoriais comia-se também o ser humano. É claro que o sacrifício serve para minorar as agruras dos homens famintos, a começar pelas crianças, mas nem por isso deixa de se constituir em indiscriminada matança.

A crise que assola nossa produção de carne, pelo jeito a maior do planeta, desperta a atenção de quantos são agredidos pelas imagens dos últimos dias. Haveria alternativa, além de desligar a televisão? Ou de cobrir as vitrinas dos açougues? Por enquanto, não. Mas um dia, quem sabe, a Humanidade encontrará sucedâneos para dispensar essa degola, ainda hoje capaz de chocar o ser humano.

Além de tudo, acresce que se ganha muito dinheiro com tal atividade. E até dinheiro podre, da corrupção. Que tal condenar os culpados ao trabalho social da prestação de serviços nos frigoríficos?