EMANUEL CANCELLA




NEM A DITADURA MILITAR RESOLVEU O PROBLEMA DO BRASIL, QUE DIRÁ A INTERVENÇÃO MILITAR!

EMANUEL CANCELLA -

O que o Rio e o Brasil precisam é do estado social: buscar saúde e educação para todos; geração de emprego para os milhões de desempregados; preparação eficaz para nossas polícias, inclusive remunerando em dia e adequadamente, e muito mais.


A igreja primeiramente chegou a apoiar a ditadura militar, inclusive organizando a passeata de 200 mil pessoas (A marcha da família com deus pela liberdade) (1). Depois a Igreja católica foi o maior foco de luta contra os ditadores militares.

A classe media também apoiava a ditadura, mas quando ela passou a perseguiu, prender, torturar e matar seus filhos ela se insurgiu. O exemplo clássico heroico e doloroso é de Zuzu Angel, como descrito nos textos abaixo:

“Ela não pôde segurar o filho morto nos braços, enxugar o suor e o sangue de seus poros e dar o beijo da despedida. Não jogou flores sobre o caixão, nem teve uma sepultura para visitar quando a saudade doeu fundo na alma. Até o fim de seus dias, a mineira de Curvelo Zuleika Angel Jones (1921-1976), que entrou para a história e o mundo da moda como Zuzu Angel, foi guerreira e lutou com todas as forças de mãe para encontrar o corpo de Stuart Edgar Angel Jones, assassinado aos 26 anos, em maio de 1971, pelos órgãos de repressão, no auge da ditadura militar” (2).

“Na madrugada de 14 de abril de 1976, a estilista Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, morreu quando seu carro caiu da Estrada da Gávea, na saída do Túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro” (4). “Ex-delegado do Dops diz que morte de Zuzu Angel foi planejada pela ditadura (3)”

Nos EUA e na Europa não existe golpe militar, mas os EUA vivem patrocinando golpes no mundo.

Os próprios militares, como um todo, não devem ter boas lembranças da ditadura militar, pois eles foram vitimas das perseguições, prisões, torturas e morte (10).

Em nosso continente, as ditaduras militares, sempre financiadas pelos EUA, assassinaram também cidadãos estadunidenses: o filme O Desaparecido (Missing), de Costa Gravas, mostra o desaparecimento de um jovem,Charles Horman, escritor e jornalista que foi trabalhar no Chile em 1973. Charles traduzia artigos do Whashinton Post e do New York Times para uma publicação considerada subversiva.

Seu pai, Ed, veio ao chile em busca do filho que estava desaparecido e descobre que seu filho fora assassinado pela ditadura de Augusto Pinochet que, através de um golpe, aos moldes do Brasil, derrubou o governo democrático de salvador Allende (5).

A cena que me marcou no filme, e me emociona até hoje, é o pai, dentro do Estado Nacional de Futebol, através de um microfone. chamando pelo filho, no meio daquela multidão de jovens presos. Mal sabia o pai que o filho já estava morto e enterrado, e numa parede, naquele mesmo estádio.

Voltemos a 2018, com a pesquisa do Planalto: 83% dos cariocas aprovam a intervenção militar (6) Com certeza que muita gente está apoiando, mas lógico que existe um grande exagero nessa pesquisa do Planalto, e também, olhando para as outras intervenções, como da Maré, esse apoio vai ser por pouco tempo.

Aliás, o vampirão neoliberal coloca as forças armadas numa furada. Como em outras intervenções, o desgaste das forças armadas vai se enorme. Uma coisa é chamar as forças armadas para ajudar na segurança de grandes eventos internacionais como Eco-92; outra coisa é fazer policiamento em comunidade substituindo as polícias treinadas e os bombeiros.

O triste é que a maioria dos soldados que compõem essas forças de intervenção são pobres e vão combater os pobres.

Na verdade o vampirão neoliberal aplica a agenda “Bolsonaro”, já vemos nas redes sociais vídeos como o que pregava o deputado Sivuca:  “Bandido Bom é Bandido Morto.

Já tivemos aqui um boom no Rio das chamadas “Milícias” que o tempo mostrou que de nada difere dos bandidos, ou são até piores, pois muitos dessas milícias eram formadas por policias, bombeiros, que pregam o “Sabe com quem está falando?”

O que o Rio e o Brasil precisam é do estado social: buscar saúde e educação para todos; geração de emprego para os milhões de desempregados; preparação eficaz para nossas polícias, inclusive remunerando em dia e adequadamente, e muito mais.

O estado tem dinheiro já que pode pagar auxílio educação imoral e ilegal a juízes e procuradores, inclusive essa turma nunca sofreu atraso em seus supersálarios.

Vampiro Neoliberal vai gastar bilhões com intervenção que ele já pensa em levar a outros estados.

Por que não investir no estado social?

Grande parte dessa misancene do vampirão neoliberal é para barrar a candidatura Lula. Pois no governo Lula, o país viveu o pleno emprego; o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU e cerca de 36 milhões de brasileiros saíram da zona da miséria (7,8,9). E a esquerda falava, e é verdade, que o PT dava migalha ao povo, realmente se comparada com o que ganham os banqueiros, juízes e procuradores.

Pois é, o povo quer de volta Lula e a migalha! O povo sabe que Temer é o culpado da crise atual: pois apoiou a pauta bomba para derrubar a Dilma, e é responsável pela PEC da Morte  e as reformas trabalhistas e previdenciárias.

Agora a sociedade tem que fazer uma reflexão sobre golpe militar de 1964: A sociedade investe nos militares, como nos governos do PT, com submarinos nucleares, caças suecos, armamentos de primeira geração, cursos de formação no país e no exterior, principalmente nos EUA. Como conceber que esses militares ameacem ou ousem virarem as armas contra a sociedade civil?
Fonte:
10https://www.vice.com/pt_br/article/pa3kkk/os-soldados-brasileiros-torturados-durante-a-ditadura-militar


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O GOLPE PATROCINADO PELA GLOBO SERÁ REAPRESENTADO PELA PARAÍSO DO TUIUTI, NO SÁBADO, NA SAPUCAÍ!


Parabéns à Paraíso do Tuiuti que perdeu por apenas um décimo da campeã, Beija Flor. Foi a disputa do enredo entre o golpe, apresentado pelo Paraíso do Tuiuti, e o combate à corrupção, fazendo menção à Lava Jato, apresentado pela Beija Flor.

Muito boa a encenação da beija Flor da festa dos guardanapos em Paris, patrocinada pelo governador Sérgio Cabral, que está preso. Marcelo Bretas, juiz da Lava Jato, que prendeu Sérgio Cabral, apareceu até  treinando tiro de fuzil e foi chamado de juiz “fuzileiro”.

Mas apesar de posarem de bons moços, os cabeças da Lava Jato, juiz Sergio Moro, Marcelo Bretas e o procurador Deltan Dallagnol estão envolvidos no recebimento imoral e ilegal do auxílio-moradia.

Moro mora num tríplex de luxo, de mais de 400 m², em Curitiba, a 3 km do trabalho e recebe o auxílio moradia; Bretas, que trabalha no Rio de Janeiro, e mora na zona sul do Rio num apartamento de luxo de 500 m², recebe dois auxílios- moradias, um dele e outro da esposa, que é juíza.

E Dallagnol tem apartamento próprio no Paraná onde trabalha e também recebe auxilio moradia. Com um agravante, Dallagnol ainda comprou duas unidades de apartamento do programa Minha Casa Minha Vida, subsidiadas pelo governo por serem voltadas para pessoas de baixa renda. E Dallagnol comprou não é para morar é para ganhar dinheiro.

Com relação a Cabral e os corruptos da Petrobrás, foi pego de volta o dinheiro da corrupção, entretanto os cabeças da lava Jato não querem abrir mão, muito menos devolver aos cofres públicos o imoral auxílio moradia que recebem irregularmente!

O combate à corrupção, patrocinado pela Lava Jato, é o grande responsável pelos mais 12 milhões de desempregados no país. A lava Jato fez muito bem prendendo os empresários corruptos, mas paralisou as grandes obras no país, punindo os trabalhadores que ficaram sem seus empregos. A Lava Jato acabou com a indústria nacional e a indústria naval (6,7).

E pasmem, enquanto milhões de trabalhadores perderam seus empregos no combate à corrupção, os principais bandidos, presos pela lava Jato, estão estranhamente em suas casas, em prisão domiciliar, verdadeiros clubes de lazer construídos com dinheiro da corrupção. Entre eles Sérgio machado, Alberto Youssef, Fernando Baiano, etc (8,9).

Mas supimpa foi a Paraíso do Tuiuti mostrando as cenas do golpe;  um vampiro com a faixa presidencial; mãos gigantes manipulando figurantes com a camisa da seleção brasileira, que batiam panelas. Teve também, na avenida, os patos da Fiesp e as carteiras profissionais rasgadas.

A Globo, que patrocinou o golpe de 2016, e monopoliza os desfiles na Sapucaí foi pega de surpresa pela Paraíso do Tuiuti: os comentaristas Fátima Bernardes e Escobar  não sabiam o que dizer.

Lógico que o enredo da Beija Flor tem um dedo da Globo ou será que foi por acaso o enredo fazendo apologia ao combate à corrupção e menção à Petrobrás.

O enredo fala dos maus governantes e faz menção a Sergio Cabral, mas a Globo censurou, nas entrevistas, o vampiro neoliberal que representava MiShel Temer que, para os brasileiros, é o pior governante.

A Petrobrás, citada de forma negativa pelo enredo da Beija-Flor, foi criada nas ruas na década de 50, no maior movimento cívico que este país conheceu, que é “O Petróleo é Nosso! E quando o petróleo era só um sonho. Nenhuma das pessoas que participou da campanha trabalhava na Petrobrás, até porque a empresa ainda nem existia.

Na década de 90, a Globo, aliada ao governo FHC, fez campanha na tentativa frustrada de privatizar a empresa e comparava a Petrobrás a um paquiderme e chamava os petroleiros de marajás. Como resposta, os petroleiros e a Petrobrás desenvolveram tecnologia inédita no mundo que permitiu, em 2006, a descoberta do pré-sal, tornando o petróleo uma realidade no Brasil.

 A Petrobrás fez a maior capitalização do planeta em 2010 e ganhou, pela terceira vez, o prêmio OCT conhecido como o “Oscar” da indústria do petróleo, pela descoberta do pré-sal (5,6).

Mas a Globo, em dezembro de 2016, lançou um editorial, “O pré-sal pode ser patrimônio inútil” (3).

O pré-sal já é uma referência internacional na produção de petróleo e no Brasil já responde pela metade da produção nacional (4).

E o combate à corrupção da Lava Jato na Petrobrás funcionou só na gestão do PT. Hoje a Petrobrás está sendo entregue pelo tucano Pedro Parente, que dá continuidade à tentativa da privatização, iniciada pelo tucano FHC. Aliás, Parente foi ministro do “Apagão” de FHC.

E nem adiantou a denúncia formalizada ao MPF apontando a omissão da Lava Jato, em relação à gestão criminosa de FHC e de Pedro Parente na Petrobrás,  em 24 de novembro de 2016. Veja a denúncia na íntegra (2).

Enquanto isso a Globo, golpista, corrupta e sonegadora nem sequer é investigada no Brasil (13,14). Agora foi um tribunal americano que denunciou a Globo por corrupção na Fifa  e a PGR mandou o MPF do Rio investigar (10,11).

A nossa Justiça, dada a folha corrida, está mancomunada com a Globo.

No golpe, cuja principal patrocinadora foi a Globo, usaram o engodo do  combate à corrupção para derrubar até a Dilma, uma presidente contra a qual nada se provou, e colocaram no poder um governo altamente corrupto. E agora, usando do mesmo engodo, querem barrar a candidatura de Lula contra quem nenhuma prova existe nem foi apresentada.

Mas o desfile da Paraíso do Tuiuti mostrou ao Brasil e ao Mundo o que o Congresso Nacional, a Justiça, PGR, STF e a mídia, principalmente a Globo, negam: o golpe no Brasil!

Sábado tem o desfile das campeãs  na Sapucaí, agora anunciado para o Brasil e o mundo! Parabéns à Beija Flor e principalmente à Paraíso do Tuiuti!

Fonte:


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MORO, BRETAS E DALLAGNOL TINHAM QUE TOMAR VERGONHA NA CARA E DEVOLVER O IMORAL AUXÍLIO-MORADIA!


Essa história do imoral auxílio-moradia, recebido pelo juiz Sergio Moro, Marcelo Bretas e o procurador Deltan Dallagnol, os três da Lava Jato, foi uma ducha fria em parte da sociedade que ainda acreditava na seriedade desses senhores. Um amigo de bar antes chamava Moro de “Meu herói”.

Até parte da esquerda acreditava na Lava Jato: membros do PSTU, da direção de meu sindicato, Sindipetro-RJ, chegou a tirar a faixa que a direção havia colocado no Cenpes, Centro de Pesquisa da Petrobrás, que dizia: “Sergio Moro, juiz da Globo e do PSDB”.

Ninguém podia sequer criticar Moro.

Meu livro, A Outra Face de Sergio Moro, cuja a renda é toda para os demitidos da indústria naval, foi rejeitado pela gigante Amazon, e as outras duas distribuidoras, Saraiva e Travessa, consultadas há meses e nenhuma resposta sobre a venda do livro.

O juiz Moro pediu e o MPF me intimou, por duas vezes, em um ano, acusando-me por possíveis crimes contra a honra do servidor público. A primeira intimação foi  provavelmente para impedir o lançamento do livro, mas o livro saiu. (3,4).

Enquanto o povo aplaude Moro, a Lava Jato apoia integralmente o tucano Pedro lalau Parente, nomeado pelo golpista MiShel Temer, que continua entregando aos gringos nossa Petrobrás e massacrando a categoria petroleira.

- Lalau acabou com aumento real nos salários dos petroleiros e com a participação nos lucros prevista na lei 10.101/2000.

- Os aposentados e pensionistas além de perderem o Beneficio Farmácia, vão pagar 13% de seus salários, a partir de março do corrente ano. Esse pagamento é por culpa de um rombo financeiro na Petros, cuja responsabilidade é dos gestores, não sendo justo que aposentados e pensionistas paguem.

Prejudica a categoria, mas por outro lado Lalau faz acordo ilegal e imoral com a justiça americana, pagando R$ 10 BI a acionistas americanos (5).

Chamo de Pedro Lalau por que este senhor é réu desde 2001 na venda ilegal de ativos, já dando rombo de R$ 5 BI a Petrobrás (2).

E Pedro Lalau conta com apoio integral da Lava Jato, que se omite mesmo diante de denúncia formalizada no MPF, desde 24 de novembro de 2016, apontando a gestão criminosa de FHC e Pedro Lalau na Petrobrás. Veja denúncia na íntegra (1).

Eu confesso que nunca acreditei na seriedade do Moro e da Lava Jato, e desde 2014 escrevo sobre isso. Desacreditei desde o dia em que a Globo premiou o juiz, pois me lembrei de Leonel Brizola: “Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor! (6,7)”.

Mas, em nome daqueles que acreditaram na seriedade da Lava Jato: Moro, Bretas e Dallagnol tinham que tomar vergonha na cara e devolver o imoral auxílio-moradia aos cofres públicos!
Fonte:
7http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/03/juiz-da-lava-jato-ganha-premio-de-personalidade-do-ano-do-globo.html


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CARLOS CHAGAS (arquivo)

SÓ DECLARANDO GUERRA A DONALD TRUMP


O presidente Michel Temer reúne amanhã os governadores estaduais. Prevê-se que nenhum falte, dada a miséria em se encontram seus Estados. Todos vem atrás de dinheiro, imaginando rolar suas dívidas com a União, obter mais empréstimos e poder ao menos assegurar o pagamento do próprio funcionalismo.

Impossível que tragam sugestões capazes de ajudar o governo federal a sair do sufoco. Saber quem está pior, se os governadores ou o presidente da República, dá no mesmo. Andam todos à espera de um milagre.

Fez sucesso, muitos anos atrás, um filme intitulado de “O Rato que Ruge”, com o inigualável e saudoso Peter Sellers, acumulando três papéis: a rainha de um pequeno país europeu, o primeiro-ministro e um capitão da guarda. Reunidos, eles concluíram haver uma só saída para o país: declarar guerra aos Estados Unidos, iniciá-la e logo depois perder. Ou todos os países que haviam perdido guerras para os americanos, como o Japão e a Alemanha, não se encontravam no melhor dos mundos, ricos e prósperos?

Assim fizeram, embarcando seu limitado exército num cargueiro de quinta categoria, com arcos, flechas e escudos. Invadiram Nova York, cuja população nem se deu conta da invasão. Aconteceu, porém, um inusitado: os invasores entram na residência de um cientista nuclear que acabara de descobrir a fórmula de uma bomba atômica de bolso. O resto da trama fica por conta do leitor encontrar uma cópia do filme e deliciar-se com o espetáculo.

Porque se conta essa história que seria cômica se não fosse trágica? Afinal, sexta-feira assume um novo presidente dos Estados Unidos. Que tal Michel Temer e os governadores declararem guerra ao governo Donald Trump? O triste seria se nós ganhássemos...



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“Acordei de madrugada, com o coração cheio de boas lembranças de meu pai”



Por HELENA CHAGAS -




O que dizer de tanto carinho, homenagens, elogios? Seu Carlos Chagas, o jornalista, lá do céu deve estar dizendo: uai, gente, não precisava tanto... Modéstia de quem, mineiramente, não gostava de mostrar a própria grandeza. Mas tenho certeza de que adorou. Principalmente porque tudo isso fez com que eu, mamãe, Claudia, netos e bisnetos nos sentíssemos abraçados e confortados. Porque eu tenho certeza de que, até nessa hora, ele está pensando na gente. E eu acordei de madrugada com o coração cheio de boas lembranças do meu pai.

Quando eu era bebê, meu pai me enrolava no lençol, como uma mumiazinha, e me prendia no berço com clipes de papel para eu não me descobrir à noite – o que, obviamente, não adiantava nada. Ele me levou à praia aos seis meses de idade, e de lá saiu com um pacote à milanesa debaixo do braço, deixando menos areia em Copacabana porque eu havia engolido um bocado. Ele me obrigou, literalmente, a gostar de jujuba. Aí eu já devia ter mais ou menos um ano e meio, era supergeniosa e berrava enquanto ele colocava as balas na minha boca e eu tentava cuspir. Até que comecei a sentir o açúcar. Amo jujuba até hoje.

Meu pai foi o ídolo de crianças das mais diversas gerações, das filhas, afilhados, sobrinhos, filhos dos amigos, amigos das filhas, dos netos e dos bisnetos. Conversava e brincava como um igual, se encarapitava no alto das árvores, subia no telhado, levava aqueles bandos de meninos para praias desertas, ainda no Rio, e ao Zoológico de Brasília, onde ele deveria ter recebido um título de sócio, de tanto que ia. O vovô é uma criança velha, definiu um dia o neto Cacá, quando tinha lá seus sete anos. Ele contava histórias muito bem. Do universo, do mundo, do Brasil. Às vezes eu chegava na escola e achava que a professora estava repetindo o que meu pai tinha inventado.

Ele me deu todos os livros que eu pude ler, e os que eu não pude também. Acho que nunca vi meu pai sem um livro por perto, e ele cercou-se deles de tal forma que as estantes foram se estendendo pela casa toda, transbordando da biblioteca para quartos, corredores, qualquer espaço possível. Como contou minha irmã de coração, Carol Brígido, em seu lindo texto sobre o padrinho, papai tinha estantes com filas duplas de livros. Olho em volta, aqui em casa, e, entre pilhas de livros, vejo que quem sai aos seus não degenera.

Meu pai passou a primeira noite da primeira neta em casa andando com ela, aos berros, pelo corredor. E ele não ligou a mínima para o fato de, cronologicamente, a neta ter chegado antes do casamento. Quando, sem graça, aos dezenove, contei a ele que estava grávida, a reação foi uma sonora gargalhada de quem tinha desde sempre o sonho de ser avô – e que avô. Quando finalmente resolvi casar, e estávamos só nós dois em casa, antes de sair para a igreja já lotada de parentes e amigos, papai virou para mim e perguntou: “Tem certeza de que você quer mesmo ir? Não tem nenhum problema desistir. Você fica aqui, eu vou lá na igreja agora e aviso a todo mundo que você mudou de ideia...”. É claro que casei, e ele ganhou um genro que acabou por amar como a um filho.

Quando resolvi ser jornalista, tinha muito medo de ser apontada como “peixinho”, filhinha de papai que não conquistara seu espaço por merecimento. Então, resolvi que nunca trabalharia com ele, nunca aceitaria qualquer notícia que ele me passasse ou que obtivesse por fontes que encontrava na casa dele e nem falaria com ele sobre o meu trabalho. Ele entrou no meu jogo e, nas conversas em família, não falávamos de trabalho. Ignorávamos o assunto. Comecei, com certa mágoa – olha a loucura - a achar que ele não estava nem aí mesmo para meu destino jornalístico. Até que um dia entrei em seu escritório e achei um texto meu, publicado no Jornal de Brasília uns dias antes, todo rabiscado - “copidescado”, como se dizia antigamente - com erros e palavras mal empregadas sublinhados. Não sei o que ele ia fazer com aquilo se eu não tivesse achado.

Brigamos e discutimos muitas vezes, em família, por causa de política. Na minha casa, todo mundo dizia o que queria e professava o credo que lhe aprouvesse. Geralmente ficávamos eu e Claudia contra ele. Mamãe, a psicóloga, mediando e botando panos quentes. Mas aprendi com ele que essas divergências não têm, ao fim e ao cabo, a menor importância na ordem geral das coisas e da vida. Entendemos - e acho que não só nós, mas também suas legiões de alunos – a importância do respeito e da tolerância a posições contrárias.

Aprendi com meu pai a nunca perder um amigo por discordar ou pensar diferente. Lembro um domingo em que o Zé Aparecido, então governador do DF e grande amigo dos meus pais, chegou lá em casa esbaforido depois de ser vaiado por uma manifestação de estudantes. Na qual, quando olhou bem, reconheceu minha irmã Claudia. Papai achou a maior graça.

Seu Carlos Chagas, o jornalista, fazia e escrevia o que queria, fiel a seus princípios. Não hesitava em fazer artigos ácidos e críticas duras a personagens de A a Z do espectro político quando achava que devia. Nem mesmo quando no alvo estavam governos em que trabalhavam amigos ou suas próprias filhas. Tive que resolver isso na minha cabeça: o pai era muito mais importante que o emprego, então dane-se. Quando ministra da Secom de Dilma, botava para correr os chatos que vinham me mostrar artigos críticos do meu pai ao governo de cuja comunicação eu cuidava. Democracia começa em casa, e meu amor pelo meu pai é maior do que tudo isso, respondia eu. Minha então chefe sempre entendeu e nunca reclamou.

Num momento difícil nessa profissão às vezes maldita, às vezes bendita, resolvi que não ia mais ser jornalista. Estava me sentindo injustiçada, sofrendo muito, tinha errado na escolha, melhor seria ter feito Direito e ser advogada, ia parar de trabalhar, largar tudo... Ele me olhou com aquela cara de quem não estava levando a sério aquelas bobagens: “Isso é a sua vida...”. Às vezes, meu pai sabia mais de mim do que eu mesma.

Ontem, minha neta Heloísa, de quatro anos, virou para a mãe e disse que nunca mais vai desenhar. É o luto dela, que passava horas sentada no colo do Vovô Carlos (bisavô), na escrivaninha de trabalho dele, os dois desenhando juntos. Sábado passado foi a última vez.

É claro que a Heloísa vai voltar a desenhar, porque a vida continua. E essa foi mais uma das lições do Carlos Chagas: boa ou ruim, a vida continua, temos que resistir e seguir em frente. Tudo tem seu jeito, dizia ele, porque a única coisa que não tem remédio mesmo é a morte. Pois é, né, pai...
* Enviado para o e-mail da Redação






_____________CARLOS CHAGAS
O último artigo!

NEM TODOS VOLTARÃO


Dos 28 ministros do presidente Temer, 18 são parlamentares. Estão todos demitidos, obrigados a reassumir seus mandatos de deputado ou senador. A obrigação deles não é apenas votar as reformas previdenciária e trabalhista, de acordo com os projetos do governo: devem garantir os votos de suas bancadas, comportando-se como líderes. Ainda não há data fixa para as votações, coisa que prenuncia tempo razoável para voltarem a ser ministros. Por enquanto a pergunta não diz respeito a quando voltarão a seus ministérios, mas se todos voltarão. Porque muita gente sustenta não existir melhor oportunidade para o presidente reformular sua equipe. Aprovadas as reformas, por que não buscar na sociedade civil as melhores expressões de cada setor? Senão desfeita, a base parlamentar do governo terá cumprido seus compromissos.

Duvida-se de que até Michel Temer vacilará se lhe pedirem para referir de bate-pronto o nome de todos os seus ministros, bem como os partidos a que pertencem e as metas de cada ministério.

Abre-se agora, para o governo, a etapa da eficiência administrativa, capaz de estender-se até o fim do ano. Depois, num terceiro tempo, será hora de cuidar da sucessão presidencial. Temer não será candidato, ainda que disponha da prerrogativa de disputar um novo mandato. A premissa será de que o PMDB está no páreo, mesmo carente de candidatos. Poderá ser Henrique Meirelles, se a retomada do crescimento econômico obtiver sucesso. Por que não Roberto Requião, mais do que uma rima?

Em suma, a prioridade são as reformas, mas depois delas garantidas, como parece, o governo cuidará de suas estruturas. Sendo ano que vem um ano eleitoral, nem todos os ministros ficarão aborrecidos se não retornarem.





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SÉRGIO MORO: APENAS UM DETALHE



“Onde foi que eu errei?” - deve estar se perguntando o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, agora que foi condenado a quinze anos e quatro meses de prisão. Receber propinas da Petrobras e muitas empreiteiras não terá sido motivo, tais e tamanhos tem sido os assaltos aos cofres públicos por ele e sua quadrilha, praticados ao longo das últimas décadas. Distribuição de percentuais aos deputados que votaram nele para presidente da Câmara, também não. Afinal, não precisou oferecer: a maioria agiu como quem cobrava dívidas antigas. Aceitar um de múltiplos pedidos de impeachment contra Dilma Rousseff? Já estava tudo acertado para a defenestração da então presidente da República.

Sobra, então, um tiro que acabou saindo pela culatra: Eduardo Cunha foi para as profundezas por ter tentado dar um passo maior do que suas pernas. Sua estratégia era conhecida de todos e ele não percebeu onde sua ambição poderia levá-lo. No caso, perdeu tudo porque pretendia subir mais um degrau na escada que o levaria de imediato ao poder maior. Precipitou-se. Como presidente da Câmara, ocupava posição privilegiada para chegar ao palácio do Planalto. Não escondia de ninguém que se Dilma fosse cassada, havendo ou não motivos para isso, Michel Temer não assumiria. Faltavam votos para o vice-presidente tornar-se presidente, enquanto Eduardo Cunha tinha tudo arrumadinho: Michel Temer também seria garfado. Ou não estava garantida a eleição indireta do presidente da Câmara, tendo em vista os favores e as benesses por ele concedidos à quadrilha que acabava de compor?

Esqueceu-se Eduardo Cunha de que Michel Temer também tinha suas malandragens. Era o primeiro da fila, na hipótese de Dilma ser posta para fora, ainda que lhe faltasse apoio para assumir. Na mesma hora começaram as defecções na maioria que o presidente da Câmara tinha certeza de possuir. Logo armou-se a teia de aranha para capturar o grupo dos amigos do Cunha e entregar a Temer a cadeira presidencial. Isso porque ele ofereceu mais, ainda que trabalhando na moita. Cunha logo perdeu a metade mais um dos deputados, ou seja, estava garantida a eleição do vice, na base do “quem dá mais”, muito acima da Constituição.

A posse de Temer serviu para comprovar a loteria que o favoreceu. Bastou verificar o loteamento do ministério e do governo, que permanecem até hoje. Cunha tinha sua ascensão garantida. Perdeu na jogada final. Para completá-la, a Câmara foi reunindo acusações e armando o sacrifício, para que não surgissem duvidas. Em suma, o grande estrategista foi mergulhando cada vez mais fundo, perdeu a presidência da República, a cadeira de deputado e a própria liberdade, por açodamento. Sérgio Moro tem sido apenas um detalhe, na degola de Eduardo Cunha...




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MATANÇA ATÉ QUANDO?




Impossível mudar os costumes, que vem da pré-história, acoplados à necessidade sempre justificada pela sobrevivência do ser humano. Tem sido assim e assim continuará, espera-se que não até o fim do mundo.

No entanto… No entanto, não haverá um único cidadão que deixe de horrorizar-se quando vê despedaçadas e dependuradas carcaças e partes de animais,  expostas ao consumo geral, mesmo sabendo que pouco depois irão para a mesa na forma de bifes suculentos ou de costelas apetitosas. Menos ainda se livrará do horror quem  assiste a degola desses milhões de seres ditos inferiores, mas quem sabe plenos de consciência quando deles se aproxima o golpe  final? Basta atentar para como se comportam na fila do abate: os berros são lamentos impossíveis de ser esquecidos.

Choca a imagem das peças de boi nos ganchos dos frigoríficos, sangrando e logo esfaqueadas à espera de novos capítulos da ronda dessa matança permanente. São vidas abatidas em nome da vida dos que irão degluti-los.

Poderia ser diferente? Por enquanto, nem pensar. Raramente fazemos questão de assistir esse festival macabro, exceção dos encarregados dele. A ninguém será dado imaginar a humanidade sem comer carne de animais. Ainda bem que só de animais, pois em tempos imemoriais comia-se também o ser humano. É claro que o sacrifício serve para minorar as agruras dos homens famintos, a começar pelas crianças, mas nem por isso deixa de se constituir em indiscriminada matança.

A crise que assola nossa produção de carne, pelo jeito a maior do planeta, desperta a atenção de quantos são agredidos pelas imagens dos últimos dias. Haveria alternativa, além de desligar a televisão? Ou de cobrir as vitrinas dos açougues? Por enquanto, não. Mas um dia, quem sabe, a Humanidade encontrará sucedâneos para dispensar essa degola, ainda hoje capaz de chocar o ser humano.

Além de tudo, acresce que se ganha muito dinheiro com tal atividade. E até dinheiro podre, da corrupção. Que tal condenar os culpados ao trabalho social da prestação de serviços nos frigoríficos?