HELIO FERNANDES




NENHUMA SEMELHANÇA ENTRE A ELEIÇÃO DE 1989 E DESTE 2018



Quase todo dia, os mais diversos órgãos de comunicação, e jornalistas, pessoalmente, tentam comparar as duas disputas presidenciais. Nada mais disparatado e sem o menor sentido. Não só pelos personagens, mas também pelo clima e a satisfação dos candidatos e dos eleitores. Depois de 29 anos sem nenhuma eleição (desde 1960), a volta do voto direto, com candidatos expressivos.

1 ano antes, a constituinte que discutiu, votou e aprovou a nova Constituição, que o doutor Ulisses logo identificou e consagrou como a "Constituição cidadã". O próprio doutor Ulisses foi candidato, Brizola, Mario Covas. Lula disputava sua primeira eleição presidencial, ia para o segundo turno com um candidato sem historia. Chegava na frente de Brizola por meio ponto, era identificado como "sapo barbudo".

Mas vivíamos em agradável democracia, saiamos de uma ditadura terrível, tremenda, totalmente incompetente e corrupta. As roubalheiras da Petrobras começaram com Shigeaki Ueki, o japonezinho nomeado e protegido do "presidente" Geisel, que deixava roubar e autorizava que pessoas fossem assassinadas. Ha 30 anos, Ueki é a maior fortuna do Texas, sempre com petróleo. Mais rico que os Bush, pai e filho e ex-presidentes, que moram lá.

Só desatentos ou mal intencionados podem tentar a comparação. O clima deste 2018 é tenebroso, rigorosamente antidemocrático. Totalmente militarista. Pré-militarista. Visivelmente um retrocesso, à volta ao regime da intervenção militar, autoritária, torturadora, com ameaças Assustadoras. A Constituição de 1988, segundo afirmações do general Mourão será substituído por uma constituinte, sem povo, sem voto, sem Urna.

“Textual do general, que eu já publiquei sem contestação, vai repetir:” Vou NOMEAR uma constituinte, entre NOTÁVEIS, que eu mesmo Escolherei. Posso alterar qualquer item, e eu mesmo ratificarei essa constituinte". Mas apenas como candidato a vice, como conseguirá essa façanha ou mistificação? Ele mesmo explicou: "Bolsonaro não tem condições de presidir o país, eu assumirei".

E concluindo essa tragédia democrática, por enquanto percorrendo os bastidores do Clube Militar, afirma: "Não haverá segundo turno". De tudo o que tem propagandeado levianamente, isso ele deixa apenas entrever. São duas versões que pairam esperando o dia 7 de outubro. Antes não podem ser confirmadas ou desmentidas.

1- Sua chapa obterá mais de 50 por cento dos votos, a eleição estará encerrada. Praticamente impossível.

2- Não chegarão á maioria absoluta, mas terão grande votação. Mesmo derrotados por qualquer um, usarão da força e ELIMINARÃO o segundo turno.

3- Havendo o segundo turno, a chapa militar contará com o voto da traição, irresponsabilidade, raiva e ressentimento dos derrotados.

4- Teremos então, uma ditadura militar consentida, exatamente o contrário de 1989.



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O TERRORISMO DOS BANQUEIROS. SEM REFORMA AGRÁRIA NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO. QUEM SÃO OS “DONOS” DA TERRA?


Mazola: devoro teus textos magníficos. Muito bem escritos, e melhor ainda, corajosos, lúcidos, chegando à identificação como audaciosos. Mas tenho que discordar quando você escreve, “SÓ Deus muda a República dos banqueiros”. No meu entendimento, tem que ser “NEM Deus muda a República dos banqueiros”. 

Há anos o cidadão espera receber o roubo dos bancos

Em dezembro, antes das férias da justiça, começaram no Supremo, a examinar os prejuízos de centenas de milhares de pessoas. Dizimadas por cinco planos engendrados por economistas incompetentes: Verão, Bresser, Cruzado e o Collor I e Collor II. Disseram: “Os ministros vão se manifestando, depois é só votar”.

A fraude dos banqueiros

Muito tempo antes, ainda na Tribuna impressa, escrevi bastante sobre o assunto. Os banqueiros não perderam nada, tiveram lucros em todos esses planos. E os economistas que planejaram e arruinaram os cidadãos, continuam cada vez mais prestigiados, donos de consultorias arrogantes, parece até que não participaram dessa fraude trilionária, que para eles se acumula como vitória profissional e aumento de contas bancárias.

O terrorismo dos banqueiros

Durante quase 30 anos, esses poderosos e intocáveis donos de bancos, não deixaram ninguém examinar a questão. Espalhavam as maiores fraudes, mantiveram engavetadas as devoluções do dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor. Mas como é preciso uma satisfação à comunidade, o caso chegou ao plenário do Supremo, pelo menos para que os senhores ministros, data vênia, pelo menos discursassem.

“O país vai quebrar”

Esse foi o trovão espalhado pelos donos dessas “arapucas” chamadas de bancos. Começaram a se aproveitar da “Liberdade de Imprensa”, fizeram frases e divulgaram números assustadores. “Se tivermos que pagar, o Brasil vai à falência junto conosco”. Ou: ”Não devemos nada, já perdemos muito”.

Em matéria de números, iam avançando de forma assustadora para o país e o todo. Começaram falando “em prejuízos” de 150 BILHÕES, passaram para 450 BILHÕES.

E alguns, mais audaciosos chegaram a falar que o total que a comunidade devia e deve receber, é de “900 BILHÕES”. Poderiam ir mais longe, eles não precisam prestar contas a ninguém.

O Supremo não pode decepcionar o cidadão

Além do prazo dilacerante que desperdiçaram para não chegar a lugar algum, (reconheço, nenhum dos Ministros de agora, estava no Supremo na hora dos golpes baixos dos bancos e banqueiros). Mas agora estão no mais alto tribunal, têm que decidir a favor da comunidade.

Se votarem a favor dos banqueiros enriquecidos e poderosos, estarão desperdiçando o capital que conquistaram em alguns julgamentos, mesmo polêmicos. Votando a favor desses banqueiros ávidos e tresloucados, serão cúmplices e acumpliciados. Favorecendo esses sanguessugas do dinheiro da comunidade, é MELHOR QUE RENUNCIEM COLETIVAMENTE.

Se não RENUNCIAREM ou se APOSENTAREM SEM VENCIMENTOS, a coletividade do Brasil todo, deve ACAMPAR diante do Supremo. Não deixando que os Ministros ENTREM ou SAIAM. Pacificamente.

Reforma agrária

Todos os camponeses do mundo ocidental, (e não apenas eles) só se desenvolveram depois da reforma agrária. No Brasil essa reforma se esconde atrás do agronegócio, os governos se omitem com medo desses poderosos senhores da terra. Se julgam os salvadores do mundo, apregoam e acreditam que sem eles o pais morreria de fome.

Dona Dilma fez muito bem em receber os líderes do MST, 24 horas depois de uma vasta e importante manifestação. Mais de 30 mil pessoas, sem violência, mas assim mesmo agredidos pela polícia.

Mas não adianta nem resolve utilizar o imponente Palácio do Planalto para uma conversa de botequim. É preciso fazer, realizar, construir. Fortunas incríveis são feitas nas cidades e nos centros urbanos, apenas nas transações com terras.

Os “donos” da terra

Depois da indústria automobilística, os maiores anunciantes são os senhores dos negócios imobiliários. No Rio, estão construindo um campo de golfe para a Olimpíada. Depois, nesse terreno enorme, serão construídos 22 edifícios com 24 andares cada um. Mais fortunas imobiliárias.

Qualquer que seja a concepção ou a convicção sobre a criação do mundo, a terra jamais foi propriedade de alguém. Socialistas ou capitalistas. A terra é de Deus. Seja qual for a religião, a fé ou a crença do cidadão. O maior escândalo do Brasil em todos os tempos se chama NOVACAP. Quilômetros e quilômetros de deserto foram distribuídos, doados, destacados para privilegiados. Cidadãos de todas as origens e procedência, foram para Brasília já na posse e doação daquela terra imensa. E de graça.

PS – Saiu na Folha, do Painel de Vera Magalhães: Lobão elogiava um dirigente do setor elétrico que já ocupou muitos cargos. Mas ressalvou: “Ainda não foi Ministro de Minas e Energia. Se quiser o meu lugar terá que esperar muito tempo”.

PS2 – Como Lobão é senador e seu mandato termina agora, precisa se desincompatibilizar até 5 de abril. Duas hipóteses. 1 – Continuará Ministro não tentará a reeleição. 2 – Está tão desprestigiado, desprezado e tecnicamente desmoralizado, que considera 45 dias, de hoje a 5 de abril, “um tempo muito grande”.

PS3 – Nadal estreou com vitória, no ATP 500. O Brasil não está preparado para organizar competição como essa. A quadra central tem 6 mil e 200 lugares, um terço das outras do mundo. O Jóquei recebeu 20 milhões para montar os jogos.

PS4 – Além da quadra central, outras três, apertadinhas, com capacidade para 400 pessoas cada uma. Sem televisão, reclamação total. São 32 jogadores, 11 da Espanha. Se for campeão, Nadal só vai enfrentar compatriotas.
*Em 20/02/2014.


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A MACONHA NO ALTAR DA PENICILINA, VERDADEIRA REVOLUÇÃO 


Reprimida, combatida, proibida, passou a ser considerada suicida. Entrou para a relação das drogas criminosas, custavam a reconhecer que não era nem mesmo uma droga. Grandes personalidades que chegaram aos postos mais altos nos seus países, confessavam que na adolescência fumavam maconha. Sem maiores conseqüências, não era considerado droga.

O presidente do Uruguai, o psiquiatra Lester Grinspoon

A tentativa de reabilitar ou liberar a maconha, parou em muitos obstáculos, principalmente em estados americanos. Faziam concessões que não concediam nada, permitindo apenas o uso medicinal. Só que agora, o ex-guerrilheiro presidente do Uruguai, ganhou as manchetes do mundo, fazendo aprovar no Congresso, liberdade total, para essa maconha que pode ser plantada e consumida por qualquer um. Voltou a expressão, que foi muito citada no Brasil, há pouco, por causa das biografias: “É proibido proibir”.

O Uruguai é um país pequeno, com três milhões de habitantes, mas veio provar que a Justiça provoca satisfação e reconhecimento, muito maiores do que a injustiça. E o mundo que se prende muito mais a notícias de assassinatos, de corrupção, e tudo isso junto com penitenciárias como a de Dona Roseana, colocou nas manchetes, a liberação dessa maconha. Que um psiquiatra que passou a vida estudando o problema, comparou-a á penicilina.

Agora, quem vai desmentir o pesquisador?

Ainda me lembro, eu era pequeno e o mar bramia, quando houve a revolução da Penicilina. Um estrondo de satisfação, o povo que não tinha direito a coisa alguma, teve aberta a caminhada da descoberta, que servia para curar doenças sem fim.

Foi uma consagração, primeiro perplexidade, depois o direito dos povos se utilizarem das mesmas soluções que salvavam e favoreciam as elites enriquecidas com o dinheiro que sobrava da exploração do esforço do trabalhador. E isso resistiu até hoje.

O psiquiatra e suas lições

Grinspoon, com 86 anos de idade, é reconhecido pelo menos por 60 anos de estudo sobre a maconha. Nunca teve medo da droga, nem mesmo se pudesse atuar sobre ele. Para os que se surpreendiam com tanto tempo de convivência com a maconha, respondia sempre: “Uso maconha, pessoalmente, há mais de 40 anos, se prejudicasse minha memória, é evidente que eu já saberia”. E continuou devassando essa planta tão idiozincrizada e assustadora.

Descrição de apenas alguns dos benefícios

Diz que a maconha tem um extenso e ainda não desvendado uso medicinal. Nem fala na satisfação e no uso recreativo da maconha. Começa por dizer que na “Califórnia, médicos receitam para dor nas costas, com sucesso total”.

A maconha já foi utilizada para aliviar dor de cabeça, disenteria, baixar imediatamente a febre, como solução para a depressão, até para acabar com a enxaqueca. E conclui essa lista: “Sozinho, descobri que a maconha é o tratamento por excelência para a dor de cabeça”. Sem contestação de especialistas consultados.

A transformação do psiquiatra

Seu depoimento pessoal é irrefutável. Confessa: “Até 1967 era comum o uso da maconha em festas”. Eu era o primeiro a dizer: “isso deve fazer mal a saúde”. Mas aí o psiquiatra afirma que começou a questionar suas próprias afirmações e convicções sobre a maconha. E, mergulhou no estudo dessa planta, dedicou toda sua vida a constatar sua aplicação e seus benefícios.

Eu um médico, acreditando em versões

Começou se questionando como profissional, reconheceu que como quase todas as outras pessoas, estava enganando a si mesmo, acreditava no que diziam sem o menor fundamento.

Afirmação importante do psiquiatra e pesquisador: “Um dia fui à biblioteca de Harvard para tentar descobrir a base cientifica da maconha. Li todos os estudos e fiquei satisfeitíssimo de reconhecer, eu e quase todas as outras pessoas sofremos lavagem cerebral”. Impressionante a constatação e a confissão.

“A partir de 1973, 40 anos, comecei a fumar. Não queria ser criticado pelo fato de recomendar mas não utilizar a maconha. Nunca mais parei”.

O médico, psiquiatra, professor e pesquisador, garante: “A maconha tem efeito anti-inflamatório, e ação analgésica. Eu tenho complicações de estômago e diabetes, isso me dá terrível sensação de náuseas. Por isso, quando vou a um restaurante, carrego um pouco da erva para emergência, mastigo um pouco e continuo a comer, sem maiores problemas”.

Maconha-penicilina

Para terminar, a consciência e consistência do grande pesquisador, que mais do que ninguém pesquisou coletivamente a maconha e se serviu dela, pessoalmente. “A maconha tem múltiplos efeitos, que serão aproveitados, depois de dissipados os temores. Em muitas doenças ou males, a maconha será uma descoberta para a humanidade, assim como foi a penicilina”.

Que o mundo e a humanidade, reconheçam essa oitava maravilha médica.
(Em 25/01/14)