INTERNACIONAIS


ATOS TERRORISTAS DA OPOSIÇÃO VENEZUELANA AUMENTAM DÚVIDAS SOBRE MANOBRAS  MILITARES NA AMAZÔNIA

Por MÁRIO A. JAKOBSKIND e ANDRÉ MOREAU -


O governo golpista de Michel Temer está anunciando que o Ministro da Defesa, Raul Jungmann participará no dia 17 de novembro do Fórum de Líderes Globais, na capital dos Estados Unidos (EUA). No evento organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sigla em inglês, Jungmann apresentará a estratégia de defesa do Brasil e os desafios regionais e globais, bem como a atual relação bilateral com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que o fato é anunciado, vem a informação (7) de um ato terrorista na Venezuela contra um dos centros de tratamento de água que comprometeu setenta por cento do abastecimento de água potável nos estados de Aragua e Carabobo.

Antes disso, o governo Temer que tem se revelado subserviente aos interesses de Washington e até de uma forma desavergonhada, deveria explicar aos brasileiros a realização dos exercícios militares em que participam, na Região Amazônica, fronteira com a Venezuela, contingentes dos Estados Unidos, Brasil, Peru e Colômbia.

O governo golpista e ilegítimo deve uma satisfação à opinião pública até porque os exercícios podem estar abrindo um precedente relacionado com a instalação de uma base militar norte-americana, como já se especula, na Região Amazônica, uma área, por sinal, tremendamente cobiçada há muito tempo pelos Estados Unidos em função das riquezas lá existentes.

As dúvidas nesse sentido aumentam ainda mais quando não se divulga a informação segundo a qual as manobras militares na área de Tabatinga foram uma exigência do Comando Sul dos Estados Unidos. E não é à toa que a realização dessas manobras, por sinal pela primeira vez na história brasileira, envolve governos tão ou ainda mais subservientes aos interesses norte-americanos do que o do golpista ocupante do Palácio do Planalto.

Na Colômbia, por exemplo, existem sete bases militares estadunidenses e no Peru o governo de Pedro Pablo Kuczynski tem se submetido sem pestanejar aos interesses econômicos do país governado por Donald Trump, sem esquecer que o citado presidente do Peru é um rico empresário.

E tem ainda mais um agravante, as manobras militares conjuntas que se realizam em Tabatinga, área localizada próxima da fronteira com a Venezuela, país que não reza pela cartilha de Washington e por isso vem sendo ameaçado de intervenção externa.

Isso para não falar de ações terroristas, como a mais recente atentado terrorista que explodiu um dos centros de tratamento de água, comprometeu em setenta por cento, o abastecimento de água potável dirigidas aos estados de Aragua e Carabobo.

Incursões promovidas por mercenários, que provocaram mortes, abrem feridas no seio da sociedade como já se comprovou, mas o fato foi ocultado pela mídia comercial que gira em torno do chamado grupo Diário das Américas, responsabilizando o governo Maduro pelas centenas de mortes com o objetivo de justificar posicionamentos em favor da oposição de direita, por parte de governos como o do golpista Michel Temer. que chega ao ponto de se manifestar constantemente contra um governo eleito como o da República Bolivariana da Venezuela.

Não é preciso ser um especialista em criminalística, diante das imagens divulgadas pela Venezuelana Televisión e reproduzidas neste artigo.

O citado atentado de sabotagem, associa ao crime adolescentes marginalizados ou seja, repete o mesmo “modus operandis” usado pela foragida, ex-procuradora da “fiscalia”, Luiza Ortega Diaz, conhecida entre nós como a “madrinha dos guarimbeiros”.

As imagens registram traços da patologia terrorista que atacam os libertários


Paradoxalmente, o atentado é prejudicial a cidadãos apoiadores da Revolução Bolivariana e opositores. E parece ter sido anunciado como parte dos “obstáculos” ao desenvolvimento da República Bolivariana da Venezuela, por opositores do Presidente Nicolás Maduro, dentre os quais, um dos eleitos como governadores, mas que se recusaram a tomar posse.

A sabotagem ocorreu pouco antes da União Européia anunciar embargo de armas e sanções contra a Venezuela (8).

O Ministro de “Ecosocialismo y Águas”, Ramón Velásquez Araguayán, de acordo com instruções do Presidente Nicolás Maduro, criou imediatamente um plano emergencial visando levar água armazenada em cisternas a setores de saúde, escolas, totalizando trinta e sete cisternas no Estado de Aragua e oito para a região oriental de Carabobo.

Para o General de Brigada do Exército Brasileiro e Presidente da Casa da América Latina, Bolívar Meirelles: “(...) trata-se de uma provocação do grande capital, contra o povo da República Bolivariana da Venezuela que busca a sua liberdade. A Venezuela é timoneira da libertação dos povos da América Latina. Representa o que foi Cuba, hoje um socialismo consolidado. Esse é o jogo da democracia burguesa: institui a violência, inclusive jurídica, visando confundir o povo, como uma espécie de camuflagem do desmonte. Estamos em guerra!”

E, vale observar que seria lamentável que os Estados Unidos contassem com o Brasil, Peru e Colômbia para agir de forma violenta, como já fizeram em outras ocasiões como nos anos 60 na República Dominicana, e posteriormente em Granada e no Panamá. Em todas essas intervenções não faltaram justificativas de Washington, na verdade apenas pretextos para serem defendidos na ocasião pela mídia comercial conservadora do continente latino-americano.

Na República Dominicana, por exemplo, com a colaboração do Brasil sob a presidência de fato de um subserviente, o então ocupante do governo, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, foi determinado que tropas brasileiras, sob o comando do general gorila Meira Matos, ajudassem os norte-americanos a intervir em um país cujo governo não se curvava aos interesses dos Estados Unidos.

Mais tarde, já nos anos 80, tropas norte-americanas invadiram Granada sob o pretexto de que o país estava se submetendo ao regime cubano. Cuba apenas ajudava a construção de um aeroporto na capital invadida de Saint George’s e teve civis como vítimas da incursão norte-americana. O dirigente de Granada, Maurice Bishop, foi derrubado e morto, mas tudo ficou por isso mesmo. Tropas estadunidenses permaneceram por lá durante um ano e só se retiraram depois que um governo dócil a Washington foi instalado.

Já no final da década de 80, mais precisamente em 1989, os EUA atacaram o Panamá, inclusive bombardeando o bairro de San Miguel e provocando grande número de vítimas fatais, não contabilizadas oficialmente. O pretexto era então o fato do líder panamenho, ex-agente da CIA, estar transacionando com o narcotráfico. Pretextos são pretextos, mas só que o narcotráfico continuou depois da invasão que derrubou o governo Noriega, uma figura que imaginava poder agir de forma independente, apesar de ter sido militar de confiança do serviço secreto dos Estados Unidos.

Todos esses fatos históricos ocorridos na América Latina não podem ser deixados de lado, para que possamos entender o que se passa hoje, isso para não falar dos tempos mais remotos, do século passado, quando sucessivos governos estadunidenses intervieram em diversos países também sob os mais diversos pretextos, até mesmo utilizando o contexto conhecido como a política do big stick que significa em português a política do porrete, que tinha por objetivo, como hoje de outra forma, defender os interesses econômicos norte-americanos.

A política do porrete se desenvolvia em tempos em que o Brasil não passava de uma colônia, como nos anos anteriores aos de 1930. Atualmente o governo golpista de Michel Temer está fazendo o Brasil recuar até aqueles tempos sombrios. Hoje vemos que todo cuidado é pouco. O Ministro Jungmann foi designado para incursionar em Washington exatamente com o objetivo de apresentar a estratégia de defesa do Brasil e os desafios regionais e globais, bem como a atual relação bilateral com os Estados Unidos. Jungmann, Temer, passando por Eliseu Padilha e outros que integram o governo golpista, sejam de que partidos forem, não podem merecer a mínima confiança de quem realmente defende os interesses nacionais. Daí a necessidade de não se baixar a guarda, ainda mais quando está em jogo a soberania nacional, como no caso das manobras militares conjuntas com os Estados Unidos, Colômbia e Peru. (via Blog Jornal da ABI)

* Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente da Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV., transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF).
**André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, jornalista e cineasta, Coordenador da Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e diretor do IDEA, Programa de TV., Canal Universitário de Niterói – Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).




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Por THALES EMMANUEL -


Era o ano de 1917. A fome se alastrava na cidade e no campo, mas não para toda gente. Na cidade, as mazelas não atingiam os ricos capitalistas; no campo, a nobreza seguia ostentando o poder sobre as terras e, consequentemente, sobre o trabalho das famílias campesinas, que representavam 80% da população e eram obrigadas, por ordens do czar, a enviar seus filhos para morte no fronte de batalha da Primeira Guerra Mundial.

Czar era o título conferido aos imperadores da Rússia, uma espécie de rei, cujo poder se alicerçava na riqueza de seus amigos latifundiários, industriais e banqueiros, riqueza originada da exploração de milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Se comparado a outros países da Europa capitalista, a Rússia era um reinado atrasado, ainda feudal. Somente em algumas poucas cidades um operariado se formava, sobretudo pela entrada de capitais estrangeiros.

12 anos antes, em 1905, acontecimentos abalaram as estruturas daquela sociedade decadente. Em janeiro, dezenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras marcharam pelas ruas de São Petersburgo em direção ao Palácio de Inverno, residência do czar. Usavam símbolos religiosos. Não queriam guerra. Queriam que o imperador olhasse para eles, que ajudasse a sanar a difícil situação na qual estavam mergulhados. Mas o czar, indiferente à crucificação que pesava sobre a maioria da população, recebeu o povo à bala. O episódio, que ficou conhecido como Domingo Sangrento, foi o estopim para uma revolução popular.

Greves se espalharam rapidamente, soldados se rebelaram contra as ordens que vinham de cima. Nasceram os sovietes, os conselhos de operários, soldados e camponeses, que passaram a organizar, através da democracia direta, parte da produção, da imprensa e de outros setores da vida social. Com os sovietes, a classe trabalhadora descobriu, na prática, que não precisava de patrões.

A crise aperta e Nicolau II, o czar, dá a entender que vai recuar, prometendo reformas democráticas. Uma cilada! Quase nenhuma promessa é cumprida e a repressão ataca com força máxima as organizações da classe trabalhadora. Prisões, mortes e difamações. A maré da luta dos de baixo reflui, como se precisasse ganhar novo fôlego. Alguns conseguem escapar para o exílio. Mais uma importante lição de 1905: é preciso destruir o poder das forças opressoras antes que este destrua o Poder Popular.

Os anos seguem e, em fevereiro de 1917, a luta de classes se acirra mais uma vez. Uma mobilização no Dia Internacional das Mulheres confere novo impulso às forças populares. Ressurgem os sovietes. A memória de 1905 corre viva nas veias do povo! O czar abdica do trono e o poder se divide em dois: de um lado, a duma, uma espécie de congresso nacional, um governo provisório, que reúne membros das classes proprietárias e de organizações de trabalhadores que acreditam na necessidade de uma etapa de desenvolvimento capitalista antes da luta pelo socialismo propriamente dita; de outro, os sovietes, apoiados pelo Partido Bolchevique e pela ala esquerda de algumas daquelas organizações inseridas no governo provisório. Os bolcheviques puxam a palavra de ordem “Todo poder aos sovietes!”, acreditam na capacidade da classe trabalhadora conduzir uma revolução socialista, e acompanham o povo nas ruas com os gritos de “Pão, paz e terra!”

Os meses passam e o governo provisório não atende às reivindicações das ruas. Seu descrédito ante as massas populares cresce ainda mais. Em sentido inverso, a confiança nos bolcheviques aumenta, fazendo com que suas ideias se tornem hegemonia nos sovietes. Em meio à extrema precarização da vida, os de cima não conseguiam mais governar como antes e os de baixo não queriam mais retornar à difícil vida que levavam.

Um setor do governo provisório, comandado pelo general czarista Kornilov, ensaia um golpe contra o próprio governo. Entre o ruim e o pior, os bolcheviques mobilizam os trabalhadores para o combate contra Kornilov, sem gerar ilusões quanto as intenções do governo provisório: “Não o apoiamos, e sim desmascaramos sua debilidade.” Kornilov é derrotado e as massas populares aderem ao bolchevismo definitivamente.

O campesinato se levanta. O Partido Bolchevique defende a entrega imediata das terras aos agricultores e trabalha para que o movimento no campo se una à luta dos operários na cidade. O vínculo com e entre a classe trabalhadora se estreita ainda mais.

É chegado o momento de organizar a insurreição, é preciso destruir o poder que destrói. O socialismo abre passagem, sem pedir licença, e um 2° congresso nacional dos sovietes é convocado. Na madrugada do dia 25 de outubro, segundo o calendário juliano russo, o governo provisório é derrubado e os sovietes, mais os bolcheviques, tomam o poder. Os países capitalistas beligerantes voltam suas armas contra a Rússia revolucionária e se inicia um período de guerra civil que durará até 1921. A classe trabalhadora internacional se solidariza com a classe trabalhadora russa, enquanto as classes ricas destilam seu ódio apoiando e patrocinando ações terroristas e difamando a Revolução de todas as formas possíveis e imagináveis.

1917 marca o início do ciclo de revoluções socialistas, com forte impacto na trajetória social do mundo ainda hoje. O Muro de Berlim caiu em 1989 – mas caiu do lado errado. Hoje, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas não existe mais, mas essa heroica experiência, sem precedentes na história humana, serviu para mostrar que, além de necessária, uma outra forma de organizar a vida é possível de ser construída.

Os soviéticos interviram decisivamente para uma série incontável de conquistas populares. Países da África se libertaram do julgo colonial com seu apoio, o nazifascismo foi derrotado com a resistência e ofensiva de seu povo, as mulheres avançaram de forma nunca antes vista para superação das desigualdades de gênero. Até a banda capitalista do planeta teve que fazer inéditas concessões à classe trabalhadora em seus territórios, com medo desta seguir o repertório vermelho. Para citar alguns exemplos.

Os revolucionários e revolucionárias daquele tempo ousaram vencer, constituindo com isso o mais abominável dos pecados para quem desfruta da vida na parte de cima da pirâmide social. Como toda obra humana, muitos erros e até crimes foram cometidos. Crimes que, na sociedade capitalista, naturaliza-se e se estimula como valor e princípio, diga-se de passagem.

Que os desvios não escapem à uma imprescindível e permanente autocrítica, nem muito menos sirvam de justificativa para abandono do ideal de libertação. Até porque a humanidade, 100 anos depois de hoje, dependerá inteiramente do que fazemos agora com a memória da generosidade soviética de 100 anos atrás.
*Via e-mail por Antônio Romero Simas, São Paulo/Texto originalmente publicado em Informativo Redentorista, Vice-Província de Fortaleza/Thales Emmanuel é militante da Organização Popular (OPA) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).


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A REJEIÇÃO DA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA PELA CHINA

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


A prostituta da liberdade de imprensa no Brasil, que tem se dedicado agora a atacar a suposta falta de credibilidade das redes sociais, não se dignou informar à sociedade brasileira sobre as decisões de extrema relevância adotadas pelo 19º Congresso do Partido Comunista Chinês, que estabeleceu os rumos para a China até 2035 e 2049. Talvez a Rede Globo ache que a segunda economia no mundo, caminhando celeremente para o primeiro lugar, não merece ser acompanhada pelos brasileiros, não obstante sejamos seu primeiro parceiro comercial.

Mesmo se desconsideramos aspectos geopolíticos, que tanto apavoram nossos patrões norte-americanos, a simples questão econômica nos deveria obrigar a dar atenção às tendências de desenvolvimento da China, assim como as decisões de sua direção. Por exemplo, vem aí a Rota  da Seda, o mais ambicioso empreendimento físico a ser realizado no planeta a partir da Ásia. Enquanto a Europa patina e os Estados Unidos oscilam no fundo do poço, China e seus parceiros abrem as mais ambiciosas oportunidades de negócio no planeta.

Acaso isso não interessa ao Brasil? Ou somos tão absurdamente americanófilos que fingimos desconhecer o que está sendo planejado e executado do outro lado do mundo, envolvendo não apenas, em sua liderança, a China mas outro gigante, a Rússia. Entretanto, não há a mais remota possibilidade de retomada efetiva de desenvolvimento para o Brasil fora de uma articulação com a Ásia. Para isso teríamos, na área do financiamento, a conexão BRICS. Mas como mostrou a demissão de Paulo Nogueira Batista do Novo Banco do Desenvolvimento, há um propósito claro deste Governo de sabotar o banco dos BRICS por razões estupidamente ideológicas – ou seja, a aliança sem contrapartida com os Estados Unidos.

Os indicadores estratégicos do 19º Congresso, este que a prostituta da imprensa brasileira sequer mencionou, apontam numa direção bem mais relevante para o desenvolvimento mundial que os indicadores físicos. Primeiro, e mais importante, assinalam um compromisso firme com a economia real. Para quem não conhece os códigos, isso significa uma rejeição cabal do que chamamos de financeirização da economia, isto é, a subjugação da economia física ao capital financeiro especulativo dominante no sistema bancário brasileiro e ocidental.

Não é um objetivo trivial. Especialistas independentes de todo o mundo, e me incluo entre eles, estão antevendo um novo estouro financeiro similar ao de 2008, e por razões idênticas, ou seja, pela completa descolagem entre sistema financeiro especulativo e economia real. A China sabe disso, e a despeito das pressões dos especuladores ocidentais, que a querem ver no baile da financeirização, não se deixará arrastar para ele, seja pelos riscos que uma nova crise colada à ocidental representaria para o país, seja pelos riscos para o mundo.

O outro ponto assinalado pelo 19º Congresso é de compreensão mais sutil. São grandes as pressões ocidentais para que a China libere o câmbio e as taxas de juros, variáveis cruciais no desenvolvimento econômico. O compromisso, nesse caso, é de subordinar câmbio e juros à política monetária, e não o contrário. Ou seja, em lugar de fixar juros e câmbio, usar a política monetária (expansão e contração da moeda) para estabilizá-los. Obviamente, isso não tem nada a ver com imbecilidades brasileiras do tipo “tripé macroeconômico”, que alguns dos próprios próceres neoliberais (Summers, Blanchar) já trataram de desmoralizar.



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UTOPIAS E DISTOPIAS – O MUNDO PÓS 1990

Por PEDRO AUGUSTO PINHO -


Em 9 de novembro de 1989 foi demolido o Muro de Berlim. A imprensa ocidental saudou esta ocorrência como o fim das guerras, o início do mundo da paz.

Também, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, se iniciava o mundo novo, o fim da história, o triunfo do liberalismo, a era do privado, do indivíduo, sobre o público, o social, o Estado Mínimo sobre o Estado Controlador.

Mas, era esta a verdadeira disputa que se instaurara após a II Grande Guerra, lá em 2 de setembro de 1945?

Não é minha compreensão.

Esta guerra (1939-1945), que envolveu um grande número de  nações, mostrou o poder industrial, do desenvolvimento de tecnologias de fabricação, o tipo de desenvolvimento a ser perseguido pelas nações. Um novo modelo colonial a ser adotado. E este era o pano de fundo que destruía, o que parecia ser definitivamente, o velho modelo colonial mercantil-financeiro.

Aquele antigo modelo, que tivera origem na Inglaterra, enriquecera um pequeno número de famílias, no Reino Unido e também fora dele. Apenas recordando alguns dos nomes mais conhecidos, como a real família dos Windsor,e, também na velha Albion, os Rothschild, os Manners, os Cecil, os Wriothesley, a família real holandesa e, naquele país, os Orange e os Van Duyn, enfim, não mais de 40 famílias que, do velho continente, dominavam as finanças e a economia mundial até o início do século XX.

O novo modelo colonial estava fundado na produção industrial, no consumo de massa, e tinha duas vertentes para distribuição dos lucros: a privada, cujo grande exemplo eram os Estados Unidos da América (EUA), e a pública, para o Estado, na URSS.

O velho capitalismo financeiro, que doravante chamarei “banca”, entendeu que havia um espaço, naquela disputa sobre a destinação dos ganhos, para que reassumisse seu poder colonial. E, deste modo, enquanto os EUA e a URSS buscavam maior número de colônias e travavam combates indiretos pelo mundo, a banca ia à cata de alianças que destruíssem, não o comunismo, mas o empoderamento do industrialismo.

A respeito desta ressurreição da banca e de seus novos objetivos já dediquei outros artigos. Passo a narrar a história recente de seu poder mundial. Apenas registro que capitais de origem  industrial, como dos Rockefeller e dos Vanderbilt, nos EUA, passaram a vestir a camisa da banca.

Se o século XX construíra a utopia da sociedade do consumo ou, numa etapa seguinte, a galbraithiana sociedade afluente, de um lado, e da sociedade protetora, socialista, do outro, faltou a esta a crítica de agir também como um império colonial.

Mas a sociedade que se nos descortina no século XXI é distópica, de ilhas de bem estar, no universo de miséria, lutas e mortes. Nem a propósito uma das designações deste mundo financeiro é Clube das Ilhas (Britânica, Manhattan e Honshu, Japão).

Antes de tratar dos temas deste artigo – poder da banca e poder nacional – é necessário mostrar a significativa mudança nas propriedades empresariais.

Ficamos acostumados a ver as grandes corporações industriais por seus produtos, por suas fábricas, por suas patentes. Era evidente, então, sua condução pelos empreendedores, pelos inventores, por “engenheiros”.

De modo acelerado, a partir de 1990, muitas empresas – Royal Dutch Shell, Coca-Cola, Imperial Chemical, Unilever, Nestlé, Rio Tinto Zinc, e seriam páginas a enumerá-las – passaram a ser propriedades de fundos de investimentos. Isto poucas vezes significou mudança de proprietários – as vantagens tributárias obtidas pós Thatcher-Reagan foram o  efetivo incentivo – mas um novo modelo de controle de gestão que tornava mais anônima a efetiva propriedade.

Passam a ser os executivos, mesmo em permanente mudança, os retratos corporativos mais conhecidos.

Isto conduzirá à ficção dos “mais ricos do mundo”, os que deixaram de se esconder, por vaidade ou ignorância, nos fundos de investimentos. Os bilionários Windsor são conhecidos por sua realeza, não por sua riqueza.

Cuidemos, agora, nas palavras do “assassino econômico” John Perkins (“A História Secreta do Império Americano”, Cultrix, SP, 2008) da “verdade sobre a corrupção global” ou de como criar a dívida que escravizará Estados Nacionais.

Em 1997 ocorreu mais uma crise desencadeada pela banca. Esta na Ásia.

Crises são as ações provocadas pelo sistema financeiro para aumentar seus ganhos e dominar os países. Atuam nas crises organismos internacionais – como o FMI, o Banco Mundial (WB), o Banco Central Europeu (BCE) – e agências de espionagem e golpes – Agência de Segurança Nacional (NSA) e Agência Central de Informações (CIA), nos EUA, MI6 (Inteligência Militar Seção 6) , no UK – além das empresas agenciadoras e diretamente interessadas.

Diz Perkins. “Quando cheguei à Indonésia, em 1971, o objetivo da política externa dos EUA era claro: acabar com o comunismo e apoiar o presidente (Suharto)”. “Meu trabalho era criar os estudos econômicos necessários à obtenção de financiamento junto ao WB, ao Banco de Desenvolvimento da Ásia e à Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID)”.

A Indonésia é um arquipélago de mais de 17 mil ilhas, 300 grupos étnicos e, soube-se em 1960, “nadava em petróleo”.
Perkins, nesta época, trabalhava para MAIN, e o “governo Suharto apreciava nossa presteza no fornecimento de relatórios que garantiam empréstimos imensos, os quais beneficiavam as corporações norte-americanas e os governantes indonésios. Eles pouco se importavam que esses empréstimos fossem deixar o país profundamente endividado. Para os bancos, isso era parte do plano. No que se referia a Suharto, ao investir sua fortuna que crescia a cada dia em paraísos fiscais, ele se protegia contra o futuro de uma Indonésia falida”. E, refletindo sobre seu trabalho, acrescenta: “criáramos uma nova classe de elite no Terceiro Mundo, os lacaios da corporatocracia”. E, acrescenta, “segundo o relatório do WB e as séries estatísticas do IFS (International Financial Statistics), a Indonésia sempre ostentou a maior dívida externa (em percentual do PIB) de todos países asiáticos. Durante o período crítico de 1990-1996, esse número ficou sempre perto ou acima dos 60% (em comparação aos 15% da China e 10% de Cingapura)”. O Brasil, hoje, após um ano e meio de governo golpista, atingiu a dívida bruta de 73,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Empresas como a Nike, Adidas, Ralph Lauren, Gap usam a miséria reinante na Ásia para explorar trabalhadores, espancá-los ou matá-los quando protestam; corporações internacionais incentivam privatizações e isenções de impostos para empresas estrangeiras.O Governo Golpista no Brasil buscou alterar a legislação que pune o trabalho em condições análogas ao da escravidão.

Comentando a América Latina (AL), onde também agiu como “assassino econômico”, escreve: “A Guatemala com Arbenz, o Brasil com Goulart, a Bolívia com Estenssoro, o Chile com Allende, o Equador com Roldós, o Panamá com Torrijos – todos os países do hemisfério que fossem abençoados com recursos que nossas corporações cobiçavam e que tinham líderes determinados a usar esses recursos para o bem de seu povo ..... viram esses líderes serem depostos por golpes ou assassinados e substituídos por governos marionetes de Washington”.

As chegadas de Hugo Chávez, na Venezuela, e de Evo Morales, na Bolívia, provocaram uma reviravolta na América do Sul, na entrada do século XXI. Mas a banca, neste momento, estava provocando as guerras no Oriente Médio. O passado de golpes neste subcontinente pode tê-la tranquilizado sobre a reversão fácil daqueles países para seu domínio imperial.

As primaveras árabes, no conjunto geográfico mais rico em petróleo do mundo, pareceu a estratégia adequada para eliminar líderes nacionalistas, derrubar estruturas locais de poder e transformar o Oriente Médio no novo modelo colonial: países sob governo direto das corporações, no modelo da distopia de ilhas corporativas produtoras no mar de miséria. Perkins denomina corporatocracia.

O exemplo da Indonésia se repete em todos os continentes. Afinal a dívida é a verdadeira arma, o grande instrumento de dominação e escravização adotado pela banca.

Talvez o mais infeliz, se houver um menos infeliz continente, tenha sido a África. Transcrevo um diálogo de Perkins com irmãos sudaneses que recusaram ir para os EUA.

“Precisamos lutar pela independência do Sudão”. “Mas o Sudão ficou independente em 1956”. “O Sudão não existe. Somos dois países, e não esse único que britânicos e egípcios criaram. O norte faz parte do Oriente Médio. O sul é a África”. “Mas onde fica o Egito?” “Antes o Egito ficava na Europa, agora fica no colo dos EUA”.

Não sendo novidade, não é, no entanto, do conhecimento geral a ação das corporações e dos organismos internacionais dominando Estados Nacionais, promovendo golpes de estado, assassinatos de líderes nacionais, matando, em verdadeiro genocídio, populações e etnias inteiras. Se há testemunho de turistas ou estes são vítimas, as ações dos “assassinos econômicos”, das corporações e “órgãos de inteligência”, o crime se transforma em ações de fanatismo étnico ou religioso. Foi assim que o MI6 criou a Irmandade Muçulmana.

Nada detém nem há qualquer pudor em matar e destruir vidas e países pelas corporações, hoje majoritariamente de controle anônimo dos fundos de investimentos. Um exemplo francês: a Compagnie Française pour le Developpement des Textiles (CFDT) vende pesticidas, herbicidas, juntamente com arados, fertilizantes e sementes para o Mali, dominando a produção de algodão daquele país. Nem um pouco me surpreenderia sabê-la atuante no recente conflito que apareceu como um caso dos islâmicos contra o Governo Malinês.

O Brasil de hoje, após o golpe de 2016, é um caso a mais da ação da banca. Não são os risíveis membros do executivo, legislativo e judiciário brasileiros que teriam a audácia de entregar nossas riquezas insubstituíveis e, adicionalmente, aumentar a dívida financeira brasileira. Falta-lhes inteligência e coragem. Eles cumprem, e aí estão as trapalhadas permanentes, ordens da corporatocracia.

Mas eles sentem a segurança de ter a proteção das polícias, forças armadas e da espionagem estrangeira atuante.

Tenho conhecimento pessoal de um caso. Durante muitos anos joguei golfe. Embora com medíocre desempenho, foi o único esporte que me interessou praticar. Você fica, por quatro horas, caminhando com outros três parceiros. É inevitável a conversa e, com as parcerias que se formam, um conhecimento maior dos outros jogadores. Um destes, tinha um “curioso trabalho” na representação francesa no Brasil: articular a venda e treinamento, por empresas francesas, de material e tecnologia para a polícia brasileira. Um trabalho que tivera início após os governos militares. Não posso adiantar mais, nem me interessou aprofundá-lo, e creio que, sendo o único parceiro com quem podia falar em seu idioma materno, foi-me dada ao longo de várias partidas esta  inconfidência.

Não há acordo possível com a banca. Os interesses nacionais e deste sistema são opostos e incompatíveis. Se foi possível o Partido dos Trabalhadores conduzir, por treze anos, o executivo brasileiro deveu-se ao pouco aprofundamento nas mudanças e às parcerias com os quem iria trai-lo na primeira oportunidade. Valeu a máxima que as pompas do poder cegam.

O que me parece fundamental, além da didática apresentação da nova realidade, é a consistência e aceitação consciente, pela maioria da população, de um projeto de mudança que não se limite à área econômica, mas atinja toda estrutura de poder: político, militar, psicossocial, midiático, científico, tecnológico e, principalmente, com a construção da cidadania brasileira.
* Via e-mail/Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 




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FALTA DE DIÁLOGO DO GOVERNO DE RAJOY É MARCADO POR AMEAÇAS A EDUCAÇÃO E AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PÚBLICOS DA CATALUNYA

Por ANDRÉ MOREAU -
Rajoy saiu da sessão do parlamento aos 38:44 minutos sendo seguida por sua fiel escudeira.(com informações da RT e da TV3, esta atingida pelo Art. 155).


Rajoy comparece ante el Congreso en vísperas de la votación del artículo 155.


O quadro de manipulações neoliberais é global. Usam jogos de palavras e imagens sobre corrupção e terrorismo que levam até mesmo aqueles que se consideram bem informados, a se afastarem da História, dificultando o entendimento do esquema de dominação em curso.

O que vem sendo operado atualmente pela maioria dos veículos de Comunicação que apoiam estados que vendem “casas” públicas a fundos abutres em detrimento do bem estar social dos povos, é criminoso.

Da Guerra Civil Espanhola para cá, vários foram os conflitos que aprofundaram as feridas abertas entre os povos livres daquelas regiões, não podemos nos esquecer da Biscaia com a criação e atuação do ETA. 

Revendo a História não é difícil rebater a “idéia” de que os defensores da independência da Catalunya, poderiam estar sendo usados por neoliberais.

Cumpre ressaltar que dentre esses “visionários”, figuram aqueles que ditos de esquerda, mas que por disputas eleitorais, se aproveitam de situações como as que levaram a Grécia à situação em que se encontra.

Os camponeses da Catalunya começaram a sentir na pele que eram explorados pelo império, antes do quinhentismo. A História de lutas desse povo foi motivo de inúmeras fraturas, ensinamentos passados através de gerações pela literatura oral, peças de teatro, livros e filmes, até os cidadãos que hoje saem às ruas, mesmo debaixo de chuva, revivendo o espírito de liberdade dos que tombaram na “Guerra Civil Espanhola”, lutando por um estado realmente de direito e bem estar social, com sabedoria.

Tratam-se de cidadãos que nesse primeiro momento se movem levando em conta que é melhor “morrer de pé”, com as mãos para o alto enquanto apanham dos agentes do governo imperialista, “do que viver de joelhos” gerando riqueza para carregar nas costas o império que não para de chicoteá-los.

Na Catalunya o que foi feito pela Polícia da Espanha e pela Guarda Civil de Rajoy e Felipe VI, quando cidadãos pacíficos que no 1º de outubro exerciam o seu direito legitimo ao voto, é inadmissível.

Todos os catalãos sabem porque os que ousaram cantar o Hino Nacional da Catalunya, foram massacrados. As ações remontam ao decreto de 2 de abril de 1700 através do qual o rei Louis XIV proibiu que se falasse o idioma catalão, justamente visando depredar a cultura enquanto desviava o foca das explorações econômicas e outras violações de Direitos Humanos.

Os diferentes graus de lutas, são marcados no diálogo da presidenta do parlamento da Espanha (1:20:15 filme em anexo da RT), com a Deputada por Barcelona – Grupo Socialista, Meritxell Balet Lamaña, sobre os que falam catalão e a língua estabelecida no parlamento.

De lá para cá, a “democracia” do rei Felipe VI, aprofundou as diferenças com o loteamento de prédios públicas, estradas, portos e aeroportos que estavam em boas condições, para fundos abutres que não preservam as respectivas obras e cobram pedágios caros, assim como as entradas nas casas, outrora públicas, etc., dividindo os povos de cidades independentes, objetivando enfraquecê-los.

Antonio González Terol (1:03:30 filme RT em anexo) questionou o Ministro do Fomento do rei Felipe VI (25), Íñigo de La Serna Hernaiz, um tipo José Serra, mas com cabelos, sobre o fato dele ter enchido os céus dos municípios autônomos de drones, dando as costas à elaboração de um marco regulatório. Drones que inclusive transportam comida rápida de lanchonetes, para clientes. Segundo o Ministro Hernaiz, a implantação dos drones no espaço aéreo sem consultar o povo, se deu diante da necessidade de facilitação do “(...) desarollo economico” e da “(...) seguridade”. Os vôos estão sendo ampliados, inclusive sobre grandes conglomerados de pessoas, tendo mais de dois mil e quinhentos operadores, mas o citado ministro só pretende apresentar um plano de desenvolvimento, no primeiro trimestre do ano de 2018.

Em matéria de trabalho, outro tema controverso na Espanha, são os contratos de trabalho, inferiores a uma semana que segundo a Ministra de Emprego e Seguridade Social, são fundamentais para que haja na Espanha mais e melhores trabalhos. Opinião não compartilhada pelos cidadãos que lutam por independência, nem pela deputada do grupo parlamentar socialista que fala (1:08:34 – filme RT em anexo), sobre a vida laboral de Antonio, jovem de trinta anos, para ilustrar a questão. Em um mês, Antonio conseguiu com a mesma empresa, apenas sete contratos de trabalho. Cada um de um dia de duração. A deputada ressalta que dos oitocentos mil contratos de trabalho celebrados em setembro último, mais de meio milhão, eram de duração inferior a uma semana ou seja, 68% . Enfatiza que em 2008, em plena crise econômica mundial, os contratos não eram maiores do que de um dia.

O que se pede na Catalunya hoje, é diálogo, nunca admitido pelo Sr. Rajoy que se ausentou logo no inicio dessa sessão com a sua vice, nem pelos seus ministros e que dirá pelo rei Felipe VI, para que dentre outras questões, os impostos pagos pelo povo da Catalunya - o motor financeiro da Espanha, gerem a riqueza esperada pelo seu povo.

Manifiesto de TV3, Catalunya Ràdio y la ACN (25/10/2107) - Castellano


Manifiesto de TV3, Catalunya Ràdio y la ACN ante la futura intervención de los medios audio visuales - Castellano

Ao contrário de diálogo, a resposta do Estado, como todos que queiram ver essa sessão parlamentar poderão constatar, é ressuscitar com o Art. 155 a figura nefasta do ditador Franco, agora em um grau “ligth”, mas ao estilo Chicago Boys, de Milton Friedman: com parte do Ministério Público, da Polícia Nacional, da Guarda Civil, dos meios de comunicação e do judiciário financiado pelo rei Felipe VI.

Os mecanismos são os mesmos que vemos rasgar a nossa Constituição no Brasil, camuflados pelo combate à corrupção e ao terrorismo que na verdade, se traduzem na guerra de classe amparada por choques do Ministério Publico Federal e do judiciário, redimencionados em narrativas jornalísticas elaboradas por habeis editores dos meios conservadores de comunicação que se assemelham a roteiristas de filmes enlatados.

A diferença é que aqui a trama foi urdida a partir daquela velha doutrina, elogiada de quando em quando pelo presidente Trump, sem falar em Monroe -presidente James Monroe (1817 a 1825), “a América deve servir antes, aos interesses dos EUA”, dando empurrões nos mais pobres para a sub vida do perde/ganha, enquanto a classe média importa o racismo e o neo-fascismo dos EUA.

TV3, Catalunya Ràdio i l'ACN rebutgen intervenció mitjans públics catalans, ART 155 (25/10/2017)


Na Catalunya, o povo que entrega cravos brancos e vermelhos aos repressores, sabe quem são os seus verdadeiros algozes e se não houver diálogo, vai se defender no mesmo linguajar dos imperialistas como foi feito pelos cidadãos de Marinaleda.

* Via e-mail/André Moreau, é jornalista e cineasta, Coordenador da Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e diretor do IDEA, Programa de TV., Canal Universitário de Niterói – Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).



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DIREITA NA VENEZUELA NÃO ACEITA O VEREDICTO DAS URNAS E NO BRASIL FAZEM DE TUDO PARA ENGANAR

MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Mais uma vez a oposição venezuelana com o respaldo do governo estadunidense não aceita o resultado das urnas que deu a vitória aos candidatos do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela). Agora é moda entre grupos de direita não aceitar os resultados das urnas. Nos conglomerados midiáticos que compõem o denominado grupo Diário das Américas o espaço para a oposição venezuelana é total e absoluto em uma demonstração de que o pensamento único é a tônica.

Aconteceu o mesmo no Brasil, em outubro de 2014, quando o então candidato presidencial pelo PSDB, Aécio Neves, foi derrotado nas urnas. Mas tanto os tucanos como os demais apoiadores do atual senador bradavam histericamente ter havido fraude na vitória de Dilma Rousseff. Como os argumentos não colaram, a oposição se juntou ao traidor Michel Temer, do PMDB, e partiram para o esquema do golpe parlamentar com o apoio da mídia comercial conservadora, a mesma que não se conforma com a vitória dos seguidores do Presidente Nicolás Maduro.

É assim que age a direita, seja venezuelana ou brasileira. Não aceita nenhum tipo de resultado das urnas a não ser a vitória e ainda por cima se intitulam democratas. No caso da Venezuela, já se sabia que a direita havia perdido força com as provocações nas ruas. Agora, depois da derrota eleitoral, só lhe resta o apoio internacional que passa pelo governo de Donald Trump e de outros que se dobram vergonhosamente às pressões, como no caso do ilegítimo Michel Temer, que procura se apresentar como democrata, mesmo com as evidências do golpe que o levou a ocupar o governo.

Nos dias atuais as evidências ficam ainda mais claras sobre o que aconteceu no Brasil. Segundo o doleiro Lúcio Funaro, o meliante Eduardo Cunha recebeu dinheiro para pagar os parlamentares apoiadores do impeachment e assim sucessivamente. É o caso de perguntar o que têm a dizer os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)? Michel Temer faz de tudo para não ser obrigado a abandonar o cargo por 180 dias e ser investigado pelo STF. Para tanto diz qualquer coisa, até que está sendo vítima de uma conspiração. Temer omite o fato que só ocupa o cargo atual porque conspirou contra a Presidenta eleita Dilma Rousseff, inclusive com o apoio do Departamento de Estado norte-americano.

Os fatos atuais demonstram que os golpistas brasileiros e a oposição venezuelana adotam os mesmos critérios de ação, ou seja, a mentira e a manipulação da informação que desenvolve diariamente a mídia comercial. No Brasil, os golpistas se desentendem quanto ao fato de seguir ou não apoiando Temer. O esquema Globo que o diga.

Na Venezuela, que conta com o apoio dos golpistas brasileiros, a etapa é outra, isto é, não tiveram força para concretizar a derrubada do governo constitucional e com o recente resultado eleitoral não sabem o que fazer, mas só lhes resta o apoio da direita internacional. Para tanto aparecem na mídia comercial denunciando uma suposta fraude eleitoral, negada por observadores internacionais.

E assim caminham os políticos que se denominam democratas e ao mesmo tempo não aceitam o resultado adverso das urnas. No Brasil, para seguirem adiante no retrocesso são capazes de tudo, inclusive o governo ilegítimo fazer mais e mais concessões para as bancadas que o apoiam, como o setor ruralista. Em mais uma pouca vergonha, como se não bastassem as outras, o governo golpista decide até facilitar a vida de escravocratas.

E pelo andar da carruagem golpista não será nenhuma surpresa se outras medidas extremas de retrocesso social forem adotadas. Como o atual governo ilegítimo tudo é possível para facilitar a vida da bancada ruralista e do setor bancário e com isso seguir ocupando o governo.

* Via blog Jornal da ABI / Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV., transmitido pela Unitevê, Canal Universitário de Niterói, Universidade Federal Fluminense (UFF).



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COMO É BOM SABER TOCAR UM INSTRUMENTO


O Presidente da "Generalitat", Carles Puigdemont, compareceu ao parlamento da "Catalunya" (10), para se pronunciar sobre o Referendo de 1º de outubro. O plenário do parlamento foi dividido. À sua esquerda estavam assentados aqueles que foram favoráveis ao Referendo, pela independência da "Catalunya" e à sua direita, os que se posicionaram contra, com exceção das duas primeiras filas. No balcão destinado ao público, encontravam-se presentes os apoiadores do Referendo, inclusive o ex-Presidente Artur Mas, a quem Puigdemont sucedeu, inabilitado desde 9 de novembro de 2014, sob a acusação de promover um processo participativo, não vinculante e sem efeitos jurídicos, bem como as ex-Conselheiras Joana Ortega e Irene Rigau, hoje deputada, o ex-Conselheiro da Presidência Francisco Gomes. Como se não bastasse, todos foram multados de forma arbitrária e abusiva em cinco milhões de Euros pelo Tribunal de Contas Espanhol, ficando todos os seus bens ameaçados de embargos, fato que poderá afetar todos os seus familiares.


Seguindo a linha pacifica, mas incisiva, Puigdemont lembrou aos presentes, ao povo da "Catalunya" e ao mundo que a Espanha depende da Catalunya.

"(...). É a primeira vez na História das democracias européias que uma jornada eleitoral se desenvolve em meio a violentos ataques policiais contra os votantes que fazem fila para votar. Desde as oito da manhã até que se fecharam os colégios, a Polícia e a Guarda Civil golpearam pessoas indefesas e obrigaram serviços de emergência a atender mais de oitocentas pessoas. (...)" Ressaltou Puigdemont. "(...) O objetivo não era somente confiscar urnas e cédulas. Era provocar um pânico generalizado e que o povo vendo essas imagens de violência indiscriminada, ficasse em casa e renunciasse ao seu direito de votar. (...)" Concluiu, antes de lembrar que a proposta de independência de 2005, apesar de seguir a ordem constitucional, com 88% do parlamento e o voto popular, no Referendo legal e acordado, foi objeto de ação coordenada do Congresso dos Deputados com membros do Tribunal Constitucional que converteu o texto em um documento irreconhecível, o que é a Lei vigente na Catalunya, hoje.

"(...) Uma humilhação, porém isso não é tudo (...)", prosseguiu Puigdemont "(...) Desde a sentença do Tribunal Constitucional contra o estatuto votado pelo povo, o sistema político espanhol não moveu um dedo para tentar retornar e reparar o que se rompeu, se não para ativar um programa agressivo e sistemático de centralização. O governo nesses sete anos tem sido o pior dos últimos quarenta anos, no recorte das competências, através de decretos, leis, sentenças, desatenção e inversão de estruturas na Catalunya que são peças chaves ao desenvolvimento econômico do país e um menosprezo grave à cultura e à língua catalãs. (...)" Enfatizou. Puigdemont disse em seu discurso que a única forma de garantir a sobrevivência, não só do Governo, mas também dos valores sociais, é a Catalunya se constituir em um Estado, com base na opinião de milhões de pessoas. Referindo-se ao "(...) ex-Presidente Artur Mas, aqui presente hoje e às ex-conselheiras Joana Ortega e Irene Rigau, hoje também deputada, nossa e o ex-Conselheiro da Presidência Francisco Gomes, todos eles tem sido inabilitados por promover um processo participativo, não vinculante e sem efeitos jurídicos em nove de novembro de 2014, não somente inabilitados, mas também multados de forma arbitrária e abusiva. Se não depositam mais de cinco milhões de Euros para o Tribunal de Contas Espanhola, em poucos dias, todos os seus bens serão embargados e eles e seus familiares poderão ficar gravemente afetados. Além deles, uma parte importante da mesa deste parlamento e dezenas de cargos municipais tem sido questionados por expressar seu apoio ao direito a decidir e permitir debates em favor do Referendo. Me recordo que foram apresentados questionamentos à presidenta da mesa e membros do parlamento porque permitiram que esse parlamento pudesse debater. A última ordem repressiva contra as instituições catalãs foi a detenção e condução à dependências policiais de dezesseis cargos e servidores públicos catalãs que tiveram que se declarar expulsos (a revelia), sem serem informados da acusação que pesava contra eles. (...) Não temos nada contra a Espanha e os espanhóis. Ao contrário, queremos nos entender melhor. E esse é o desejo majoritário que existe na Catalunya. Porque hoje, desde há muitos anos, a relação não funciona. E nada foi feito para reverter uma situação que se converteu em insustentável. E o povo não pode ser obrigado contra a sua vontade a aceitar um 'status quo' que não votou e que não quer. Efetivamente a Constituição é um marco democrático, porem é igualmente certo que a democracia vai além das Constituição. (...)" Ponderou antes de declarar que a "(...) Catalunya seja um estado independente, em forma de República. (...)" Após a declaração, todo no auditório se levantaram, para aplaudi-lo, longamente, com exceção de meia dúzia de neoliberais. Em seguida disse que "(...) Isto é o que hoje fazemos com toda a solenidade e com respeito (...)", após o que propôs que os efeitos da Declaração de Independência fossem colocados em "epoché", para abrir caminho a uma rota de diálogo, sem a qual não será possível chegar a uma solução que satisfaça as duas partes. Puigdemont ressaltou que depois do Referendo foi colocada em marcha distintas negociações de diálogo, de negociações internacionais, estatais e também nacional. "(...) Algumas das quais são públicas, outras que toda via não, porem serão. Todas muito sérias e difíceis de imaginar. (...)" Encerrou pedindo a todos, para baixarem as tensões e se ocuparem com o valor fundamental: o diálogo. Para ele "(...) O conflito entre Catalunya e o Estado espanhol se pode resolver de forma serena, acordada e respeitando a vontade dos cidadãos. Puigdemont finalizou lembrando que a Catalunya é fiel a sua História. Que seu povo quer somente que a Catalunya se mantenha como a sua terra de acolhida e de esperança.

Cumpre ressaltar que Puigdemont se portou no parlamento como um estadista, equilibrado, moderado e consciente. Tendo exercido em nome do seu povo uma cobrança justa e de direito.


Dias antes, vimos Puigdemont, em uma platéia de um evento musical ser chamado ao palco (2016). Retirou o paletó, empunhou a guitarra e no mesmo tom, acompanhou o conjunto com a mesma alegria catalã de saber que está no caminho certo.
* Via e-mail / André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).



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O POVO DA CATALUNYA ABRIU A
PORTA DOS FUNDOS DA
HISTÓRIA PARA O IMPÉRIO SAIR
"COLÉRICO AQUI NÃO" 

Por ANDRÉ MOREAU –

(arte a partir de filmes postadas na Internet) 

“Seguimos um caminho marcado pela vontade do povo (...) que ama as línguas que fala”, lembrou o “Presidente de la Generalitat de Catalunya”, Carlos Puigdemont, em discurso, no qual se dirigiu ao povo digno da “Caltalunya” e respondeu ao rei de “España” Felipe VI que passou a defender publicamente, mas de forma tímida, a ação da Polícia Nacional e da Guarda Civil, mesmo depois de ter visto as cenas de violência brutal, praticadas no dia 1º de outubro contra cidadãos que exerciam o direito ao voto, ataques que feriram mais de oitocentos eleitores, parte deles, gravemente.


A resistência do povo da Catalunya, demonstrada no dia 1º de outubro, entrará para a História, a mesma que abriu a porta dos fundos para o império "democrata" espanhol. É com esse vigor que a força do povo ganha as ruas, demonstrando certeza de que falta pouco para a “Catalunya” conquistar por direito a sua independência do império.

Os trabalhares entraram no segundo dia de greve geral (4), paralisando escolas, o porto, os armazéns de distribuição de alimentos, as estradas, menos os hospitais e o comercio de alimentos necessários ao abastecimento interno e vêm se manifestando nas praças públicas, dando uma aula ao mundo sobre a autodeterminação dos cidadãos que votaram pela independência e por respeito aos que foram impedidos ou tiveram seus votos usurpados no brutal espetáculo de violência promovido pelo Presidente da “España” Mariano Rajoy.


Mesmo tendo conhecimento da autoritária posição do império que manchou com vergonha o apodrecido sistema da “España”, algumas editorias dos meios conservadores, continuaram tratando o Referendo como uma manifestação questionável, deixando de levar em conta os votos cassados pelas forças de repressão do rei Felipe VI. A absurda campanha midiática imperialista, tem por base os sessenta por cento de votos da Lei de Referendo e tenta convencer os incautos de que o pleito por Independência, fracassou, ou seja, falsifica a história ao estilo Chicago Boys, choca a opinião pública, para tirar de foco o motivo pelo qual milhares de votos não puderam ser apurados. Vale ressaltar que o Sr. Rajoy esteve com o presidente dos EUA e recebeu apoio militar além de colocar em prática o "Lowfer", bem conhecido no Brasil. Mentiras de setores do judiciário repetidas em diários e veículos de massas, visando satanizar a "pau" (paz) pretendida por Puigdemont, na luta pelos direitos do povo da Catalunya. 

As cenas de invasões brutais aos colégios onde os policiais cassaram urnas cheias e as repressões aos eleitores, dizem justamente o contrário: que o Referendo de Independência, decorrente da boa luta iniciada em 2009, foi vitorioso.

  
O povo da Catalunya abriu a porta dos fundos da História, para o império da “España” sair da Catalunya, de forma pacífica e diplomática. 

“(...) e seguem repetindo, porém em voz baixa: talvez consigam, mas não servirá de nada. E agora dizem que em 11 de outubro, não votaremos. Que crêem que passará em 11 de outubro? Claro que votaremos. Declarou Puigdemont.


A falta de diálogo de Rajoy reflete para todos que querem ver, na Europa ou no extrageiro, o “modus operandi” imposto pelo desequilibrado rei Felipe VI,  visando submeter seus "súditos" ao sistema “democrático” neoliberal ou seja, quando vê o império ameaçado pela modernização da democracia, manda a Polícia Nacional e a Guarda Civil, baixar o porrete em pessoas indefesas, inclusive bombeiros e “Mossos da Esquadra” (guardas da Catalunya) que estavam desarmados e com as mãos para o alto, em sinal de "pau".
* André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).


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A Democracia Sem Máscara

Por André Moreau*


Caminhando pelos corredores do Fórum do Rio de Janeiro, em meio ao acompanhamento de alguns processos, encontrei com um juiz conhecido através de um velho Magistrado que, ao ser questionado sobre o que ele achava dos treinamentos de guerra feitos quase que diariamente nas favelas, em horário escolar, me disse novamente o que um jovem juiz que estudou com o velho Magistrado, já havia me dito: todo ano somos convidados pelo FBI, para fazer treinamento de defesa pessoal, em Chicago. O não tão jovem Magistrado, ressaltou que toda despesa é patrocinada pelo Estado norte-americano. E quem se recusa a fazer o tal treinamento, enfatizou, fica mal junto a Magistratura. 

Lembrei ao meu interlocutor ter ouvido que nos treinamentos contém métodos de defesa contra o terrorismo, antes de fazer o último questionamento desse encontro relâmpago, na tentativa de ouvir o que já sabia: o que há por trás desses “sedutores” convites, além das pistolas presenteadas a cada um dos participantes, se é que podemos classificá-los assim, patrocinados por um Estado responsável pela onda de terrorismo que assola a América Latina e o Oriente Médio, com terror baseado em mentiras repetidas que lhes permitem levar qualquer presidente que ocupe a Casa Branca, democrata ou republicano, a promover guerras, a principal fonte de renda das indústrias bélicas e de comunicação estadunidense? Foi ai que o meu interlocutor preferiu o sorriso e o silêncio, ao se despedir.

Sai do Fórum, lembrando do nome de alguns dos líderes sociais e estudantis, assassinados por agentes das ditaduras implantadas na América Latina, ampliadas a partir do Plano Condor, organização terrorista oriunda da Escola das Américas, também financiada pelo Estado norte-americano, para desestabilizar governos do Continente. Apesar do número de seqüestrados, torturados, mortos e desaparecidos, em tais conspirações, elas nunca foram interrompidas ou devidamente investigadas. Afinal os destacados agentes públicos de segurança, do Ministério Público e os Magistrados são induzidos quando participam desses treinamentos anuais, de uma forma ou de outra, são convidados a fazerem parte de quadros que visam desestabilizar governos da América Latina, não alinhados às idéias de dominação estadunidenses. 

A conferência “Construindo Pontes para a Aplicação da Lei no Brasil”, ocorrida entre os dias 4 e 9 de outubro de 2009, na sede do Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, contou com a participação de promotores e juízes federais dos vinte e seis estados brasileiros, assim como cinqüenta policiais federais, foi um treinamento patrocinada pela Coordenação de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos EUA, objetivando a aplicação das leis brasileiras às técnicas estadunidenses contra o “terrorismo”, a partir de ação “bilateral”. A diferença que há entre o Projeto Pontes e a Escola das Américas, é que os alunos não são mais aqueles militares truculentos, treinados para capturar lideranças consideradas comunistas, sindicalistas ou representantes de movimentos populares que lutavam contra a ditadura empresarial militar implantada no Brasil em 1º de abril de 64 e sim para capturar ex-presidentes como Lula, para da mesma forma, com base em mentiras repetidas diariamente pelas editorias das Organizações Globo, mas agora em nome do combate a corrupção, justificar interrogatórios para posteriormente fomentar a desestabilização de outros governos populares da região.

Vazar delações de internos interrogados para “informantes não oficiais” das Organizações Globo, desrespeitando o que prevê o Instituto da Delação Premiada, vem se tornando uma prática “legal” ou pelo menos que populariza as ações do juiz Sergio Moro. A trama envolve procuradores do Ministério Público Federal, são embasadas por investigações feitas por delegados da Polícia Federal e contam com a participação de ministros do Supremo Tribunal Federal no acobertamento de tais violações praticadas nos interrogatórios e na abertura dos processos. Cumpre ressaltar os efeitos gerados no final de 2015, junto aos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, ávidos por espaços junto as Organizações Globo e de olho no que lhes ofereciam os serviçais dos EUA em forma de “propinas” que resolveram dar as costas de vez aos eleitor, sem pensar que também figurariam na nossa História e na memória do povo, como cúmplices do impeachment, sem mérito, da Presidenta Dilma Rousseff.


A aplicação dessa sofisticada variante golpista, também foi tentada na Venezuela pela “Madrinha dos guarimbeiros”, a Sra. Luisa Ortega Díaz, objetivando derrubar o Presidente Nicolás Maduro, mas ao contrário do que ocorreu no Brasil, a população venezuelana é vacinada contra golpes e logo após o resultado da Constituinte de 30 de julho e de ter sido desmascarada por Tarek William Saab, hoje Procurador Geral da República, responsável pela aferição dos vários crimes praticados pela “Madrinha dos guarimbeiros”, crimes de lesa pátria que geraram a guerra econômica, na tentativa de desestabilizar a Revolução Bolivariana, a Sra. Luisa Ortega Diaz, fugiu do país, para não ser presa. 

As reminiscências aqui reunidas se devem ao fato do golpista Michel Temer, juntamente com o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos e a vice-presidente da Argentina Gabriela Michetti, jantarem com o presidente Donald Trump (19), para receberem as ordens sobre o que fazer contra governos da República Democrática da Coréia do Norte e da República Bolivariana da Venezuela, considerados pelos “democratas” norte-americanos como ameaças, já que, falharam as ameaças e os boicotes estadunidenses.

* Via e-mail/André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).




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COREIA DO NORTE APRESENTA AO MUNDO NOVA BOMBA H

LUCAS RUBIO -
A Coreia Socialista desenvolveu uma nova e mais potente arma termonuclear e eletromagnética capaz de ser carregada dentro de míssil intercontinental e golpear os Estados Unidos.


Hoje (2), o Marechal KIM JONG UN, líder da República Popular Democrática da Coreia, visitou o Instituto de Armas Nucleares e lá foi recebido por funcionários do Departamento de Indústria Armamentista do Comitê Central do Partido do Trabalho da Coreia e cientistas nucleares. O objetivo da visita ao lugar foi analisar um novo armamento nuclear recentemente desenvolvido.

Nos últimos tempos, o Instituto de Armas Nucleares alcançou êxito ao estudar e fabricar uma nova arma nuclear mais avançada e que atendesse ao propósito estratégico do Partido em transformar o arsenal atômico da Coreia Socialista.

O novo artefato é uma bomba de hidrogênio, Bomba H, capaz de ser instalada na cabeça de um míssil intercontinental Hwasong.

O Marechal KIM JONG UN analisou, juntamente com os técnicos, o novo projeto de ogiva nuclear e disse que o resultado final é excelente, ressaltando que sente muito orgulho ao ver a nova arma termonuclear de estilo jucheano com super poder explosivo fabricada pelas forças da própria Coreia. Ele elogiou o esforço inesgotável dos cientistas coreanos em fortalecer as capacidades nucleares e expressou grande alegria pela lealdade dessa classe.

Ele também averiguou detalhadamente as informações técnicas da Bomba H e suas características estruturais e de funcionamento. Os cientistas e técnicos do ramo nuclear da RPDC melhoraram ainda mais o nível sofisticado da Bomba H, que o País já possuía desde o início do ano passado.

Esse novo armamento nuclear é capaz de controlar livremente seu poder de fogo, variando sua potência de destruição conforme as especificações de uso e o alvo a ser atingido; é uma ogiva termonuclear multifuncional que não só tem grande efetividade como arma de destruição como também pode gerar um ataque de Pulso Eletromagnético (EMP), o que aumenta o seu poderio amedrontador.

O Marechal também sublinhou que todos os elementos que compõem a arma H, incluindo a divisão de carga termonuclear, foram fabricadas com 100% de tecnologia e recursos nacionais coreanos e que todos os processos necessários para a fabricação das armas nucleares, desde a produção de substâncias nucleares até sua elaboração de precisas peças e sua montagem final se realizam com técnicas próprias; por isso, os coreanos são capazes de produzir essa nova arma em grande quantidade.


Os cientistas, soldados, oficiais, técnicos e funcionários do ramo da energia atômica da Coreia Juche, que se esforçaram com grande afinco para elevar o nível das armas nucleares nacionais, são fidedignos "combatentes nucleares" do povo coreano que levam adiante a linha do Desenvolvimento Paralelo, além de serem grandes patriotas e pessoas beneméritas, disse KIM JONG UN.

No final, o líder KIM JONG UN apresentou as tarefas programáticas para o domínio de investigação de armas nucleares e pediu ao Instituto de Armas Nucleares que desenvolva dinamicamente os trabalhos para concluir com êxito o estudo e desenvolvimento final de armas nucleares poderosas e aperfeiçoadas.




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OLIGARCAS DA SIP QUEREM TRANSFORMAR NEOFASCISTAS FUGITIVOS DA JUSTIÇA VENEZUELANA EM MITOS

Por ANDRÉ MOREAU -


A contra ofensiva dos membros da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), não por acaso foi deflagrada após a fuga da ex-Procuradora Geral Luisa Ortega Diaz, com o seu marido, Germán Ferrer da Venezuela para a Colômbia (18), vindos de Aruba. A elaboração da narrativa ocorre paralelamente ao atentado de Barcelona (17) fruto podre das guerras promovidas no Oriente Médio, sob a liderança dos EUA, financiador dos terroristas do estado islâmico. Depois da ameaça de invadir com forças militares a República Bolivariana da Venezuela (11), feita pelo representante do império, Donald Trump.

Foi diante desse quadro macabro que “agentes não oficiais” do canal BAND, empresa coirmã das Organizações Globo, tiveram que se prestar ao lamentável papel de aplaudir o dono da corda que pretende enforcá-los, sob o comando do direitista, ex-presidente Álvaro Uribe, sabendo que essas falsificações dos fatos visam operar um golpe de estado, para implantar a doutrina Monroe (1823) no Continente.

É com esse nível de narrativa incorporada pelas editorias das Organizações Globo, BAND, RECORD, SBT, dentre outras, além dos diários Folha de São Paulo e Estadão, com base em argumentos deploráveis que outro plano condor vem sendo instalado no Continente, como bem assinalou o ex-Presidente do “Ecuador” Rafael Correa, orquestrado por oligarcas que integram a SIP.

Enquanto o Brasil vem a passos largos sendo transformado em quintal dos EUA, no Congresso Nacional, o processo de lavagem cerebral de medo e terror, avança objetivando dominar a maior reserva de petróleo do planeta situada na Venezuela e em seguida desmontar a República Bolivariana da Venezezuela, o coração da Pátria Grande, para que os povos da América Latina desistam dessa história de terem autonomia, de serem livres, soberanos e unidos.

Mas ao contrário do povo brasileiro a nação venezuelana já havia sido vacinada contra tais ações golpistas. Por isso a guerra econômica acirrada pelos EUA a partir da morte do Comandante Hugo Chávez, vem sendo enfrentada com sabedoria diplomática, enquanto a Constituinte de 2017 incrementa a de 1999, com a mobilização de todos os cidadãos no aperfeiçoamento da democracia de paz, no lugar da guerra.

É triste assistir “informantes não oficiais” se debaterem contra os fatos, agora os que levaram a ex-Procuradora Luisa Ortega Diaz, a fugir com o seu marido da Venezuela, para a Colômbia, visando proteger o marido que seria preso por “crime de extorsão” configurado no financiamento dos “guarimbeiros” feito com dinheiro vindo de contas bancarias situadas em paraísos fiscais e para não ser processada por “crime de ódio”, com base no relaxamento das dezenas de investigações contra quadrilhas que promoviam assassinatos nas ruas da Venezuela, as “guarrimbas”.

Os profissionais isentos que trabalham no ramo sabem que o argumento da narrativa contra a democracia brasileira foi inflado por ações neofacistas contra a Mandatária Dilma Rousseff, enquanto Procuradores do Ministério Público Federal e alguns juizes, eram transformados em mitos do justiçamento, não por acaso, o mesmo “modus operandis” que vinha sendo tentado para desestabilizar a República Bolivariana da Venezuela, com base no “domínio do fato” da Lei de Roxin, a contra gosto do autor alemão que esteve no Brasil, para dizer que sua Lei só deveria ser usada em estados de guerra, não em democracias, mas mesmo assim ela virou jurisprudência no caso do mesalão - Supremo Tribunal Federal, em 10 de julho de 2014.

Ao ameaçar invadir a Venezuela, o presidente Donald Trump, revela todo o seu racismo e intolerância contra os povos livres da América Latina. É por isso que devemos repudiar as mentiras que pretendem transformar a República Bolivariana da Venezuela em quintal ou “pátio traseiro” dos EUA, como estão fazendo com o Brasil.

* Via e-mail. André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do IDEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).




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A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA DA VENEZUELA ENTRE O LIBERALISMO DE ESQUERDA E A ESQUERDA CIPAIA
Por Aurelio Fernandes

Aqueles que esperam ver uma revolução social ‘pura’ nunca viverão para vê-la. Essas pessoas prestam um fraco serviço à revolução ao não compreender o que é uma revolução”. (Lênin)

Quando Chávez surge no cenário internacional é visto com uma grande antipatia por amplos setores da esquerda que viam com desconfiança um militar “golpista”.

Com as vitórias eleitorais de Chávez e depois de Lula, o liberalismo de esquerda compõe análises comparativas entre os dois, utilizando as categorias de esquerda positiva e negativa. Nessas análises, Lula é apontado como uma liderança positiva, pois apostava na negociação e no consenso, e Chávez como uma liderança negativa, porque apostava na divergência e no confronto. Lado a lado, a esquerda cipaia utilizava a confusão conceitual do populismo para analisar em muitos ensaios e artigos o surgimento e as propostas bolivarianas de Chávez.

Anos se passaram e a Revolução Bolivariana, com todas as suas contradições e limites, consolidou-se como uma alternativa política para os venezuelanos e como um referencial político para os trabalhadores e trabalhadoras da Pátria Grande.

Chávez derrota um golpe da direita fascista e pró-imperialista em 2002 e vence o referendo revogatório de 2004, com 59% dos votos, apesar de todos os boicotes e lockouts do empresariado. Além de criar a TELESUR para enfrentar os grandes meios de comunicação de massa locais e internacionais vinculados ao imperialismo, a Revolução Bolivariana assume a vanguarda na derrota da ALCA, implementa a criação da ALBA e da UNASUR e lança a proposta de um Banco do Sul.

Em todos esses anos, a Revolução Bolivariana é duramente atacada pelo liberalismo de esquerda e pela esquerda cipaia em suas realizações e projetos. As missões, os conselhos comunais e as comunas são desqualificadas como meras políticas populistas. Um “populismo” bancado pelo rentismo petroleiro para manipular eleitoralmente os trabalhadores e trabalhadoras. Em nenhum momento, esses setores levam em consideração a reconstrução dos aparatos institucionais venezuelanos pela pressão da participação democrática e protagônica do proletariado venezuelano, mobilizado e organizado pelos bolivarianos e seus aliados para enfrentar os permanentes ataques da direita venezuelana aliada e do imperialismo. Tudo isso somado à política levada a cabo por governos aliados na região, como o brasileiro, que, a despeito de apoiarem os governos bolivarianos, apostavam na negociação com o imperialismo e viam a radicalidade de Chávez como um empecilho a essa política de “transação”.

Chávez é reeleito pela primeira vez em 2006, com mais de 62% dos votos, e afirma que a Venezuela Bolivariana estava “caminhando em direção a uma república socialista” (Guardian [Londres], 10 de janeiro de 2007). A Assembleia Nacional, então, aprova uma “lei habilitante”, concedendo ao presidente autoridade para emitir decretos.

Em dezembro de 2007, Chávez sofre um grande revés quando seu plano para emendar a constituição do país, aprofundando o caminho venezuelano para o socialismo, é derrotado em um referendo nacional. Mesmo assim, Chávez é reeleito pela segunda vez, em 2012, com 54% dos votos.

Depois da morte de Chávez em 2013, da vitória apertada de Maduro nas eleições presidenciais naquele mesmo ano – diferença de 1,7% - e com a vitória da oposição nas eleições legislativas de 2015, a oposição de direita aglutinada no MUD, acreditando na perspectiva de sua ascensão ao poder Executivo, radicaliza sua política de confronto. Porém, suas ações políticas terroristas e a guerra econômica, somadas sua vinculação política ao imperialismo estadunidense, deixaram claro para a população que o desabastecimento e a tentativa de levar a fome foi a forma encontrada pela direita para viabilizar um clima de caos e desestabilizar o governo Maduro.
A título de exemplo dessa política terrorista, no dia das eleições para a ANC, a direita realizou fechamento de ruas; seus manifestantes explodiram granadas no bairro rico de Altamira, reduto opositor, que deixaram 8 policiais com queimaduras no corpo. Pelo menos 21 efetivos das forças de segurança foram feridos por armas de fogo em diferentes situações e, segundo o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, 200 centros de votação foram atacados. Ao menos 10 pessoas morreram vítimas da violência, incluindo José Félix Pineda, candidato à ANC.

Apesar desse boicote violento da oposição de extrema-direita, mais de oito milhões de pessoas elegeram a assembleia que irá redigir a próxima constituição da Venezuela.

Oito milhões de eleitores é mais do que o total de votantes da MUD opositora, em 2015, ou que o número de votantes de Maduro, em 2013. Tudo leva a crer que essa politica violenta e terrorista da oposição fortaleceu o governo bolivariano e foi a causa da ampla legitimação popular do processo constituinte.
Tudo isso não significa nada para o liberalismo de esquerda e a esquerda cipaia que, somando-se a postura da direita venezuelana e dos governos influenciados pelos EUA, como os do Brasil, Argentina, Colômbia e Espanha, não reconhecem a eleição e a ANC. Funcionais ao imperialismo apontam duramente o que nomeiam de ditadura de Maduro e desqualificam a esquerda que apoia, mesmo que criticamente, a revolução bolivariana.

Em suas análises e posicionamentos, afirmam que: a ANC é ilegítima; Maduro mudou as regras das eleições para favorecer seus apoiadores; a representação setorial objetiva favorecer o bolivarianismo; houve fraude nas eleições constituintes; opositores são brutalmente perseguidos e reprimidos com brutalidade; existe censura a imprensa, e que a ditadura matou mais de 100 manifestantes nos últimos meses, sendo responsável por mergulhar o país em caos econômico e social. Alguns desses setores, os mais desarvorados, chegam ao ponto de afirmar que a denúncia de intervenção imperialista na Venezuela bolivariana é mera propaganda dessa ditadura, pois inexistiria propósito de Trump em derrubar Maduro.

O liberalismo de esquerda e a esquerda cipaia acreditam nessas afirmações como verdades absolutas. Resta demonstrar o quanto eles desconhecem a realidade venezuelana ou denunciar o serviço que prestam ao imperialismo em suas tentativas de recolonização de nossa Pátria Grande.

Um dos principais argumentos falaciosos contra a Assembleia Nacional Constituinte é de que Maduro não poderia tê-la convocado, sendo, assim, ilegítima. Entretanto, o artigo 348 da Constituição Venezuelana não deixa dúvidas a esse respeito, pois prevê, sim, sua convocação pelo Presidente da República (“Artigo 348 - A iniciativa de convocar a Assembleia Nacional Constituinte pode ser tomada pelo Presidente ou Presidenta no Conselho de Ministros; pela Assembleia Nacional, mediante acordo de dois terços de seus integrantes; pelos Conselhos Municipais em cabildo, mediante o voto de dois terços dos mesmos; ou por quinze por cento de eleitores e eleitoras inscritos no Registro Civil e Eleitoral”).

Outra manipulação é a afirmação de que Maduro alterou as regras eleitorais para favorecer os candidatos que apoiam suas políticas. Segundo a esquerda cipaia, os estados controlados pela oposição, como Zúlia, passaram a eleger menos deputados por habitante enquanto em estados controlados pelo bolivarianismo, como La Portuguesa, teria ocorrido o inverso.

Porém, na Venezuela as eleições para a ANC e a Assembleia Nacional (AN) são diferentes. Nas eleições para a AN, o número de deputados por estado depende do número de eleitores. Já nas eleições para a ANC, o número de deputados por estado depende do quantitativo de municípios e estados. Zúlia não perdeu deputados: elegeu um deputado pelo estado e um por cada município, da mesma forma em que todo o território da Venezuela.

Acreditar que isso beneficiou Maduro é pura manipulação. Nas eleições de 2015, a oposição venceu em 17 dos 24 estados e o critério territorial (um deputado por estado e um por município) é o mesmo em todo o país. Considerando que em 2015 a oposição venceu nos estados venezuelanos com mais municípios como Anzoátegui ou Táchira, o critério territorial beneficiaria unicamente a oposição e nunca, de nenhuma forma, o campo do bolivarianismo.

Outra denúncia do liberalismo de esquerda e da esquerda cipaia é que o voto setorial seria profundamente anti-democrático e até fascista. Os setores que elegem deputados são: estudantes (24), camponeses e pescadores (8), empresários (5), pessoas com deficiência (5), aposentados (28), conselhos comunais (24) e trabalhadores (79) chegando a 30% do total de constituintes eleitos. Nas eleições constituintes qualquer venezuelano ou venezuelana pôde se candidatar, independente de ser filiado ou não a partidos.

No Brasil, a maioria do Congresso Nacional é formada por empresários e ruralistas – respectivamente - 50% e 30% - que, somados no total da população, correspondem a míseros 4%. Os negros que correspondem a 53% da população têm 20% de participação na Câmara. As mulheres, 51% da população, expressam 10% da Câmara, o que foge a uma realidade representativa de toda a população. Não seria desejável que todos os setores da classe trabalhadora tivessem acesso ao parlamento brasileiro?

É exatamente o voto setorial que garante que entre os venezuelanos que escreverão a próxima Constituição haverá indígenas, pescadores, pessoas com deficiência, representantes das comunas, trabalhadores e trabalhadoras.  

Quanto à acusação de fraude, tal possibilidade é praticamente nula. Acompanhei as eleições venezuelanas de 2006 na condição de observador internacional e constatei que o processo eleitoral do CNE é muito mais avançado em termos tecnológicos do que o brasileiro. Toda urna é dotada de uma impressora, que fica no interior da urna eletrônica, que, após o voto, imprime-o, permitindo sua conferência pelo eleitor, que o deposita em uma urna de papelão.

Encerrada a votação, há auditoria, conferindo-se uma a cada sete urnas. Assim, a urna eletrônica emite relatório que será confrontado com os votos depositados na urna de papelão. Trata-se de sistema sofisticado, que desenvolveu mecanismos de segurança ao longo das 21 (vinte e uma) eleições ocorridas na Venezuela desde 1999; mecanismos desenvolvidos para assegurar aos partidos políticos, em permanente disputa, a lisura do processo eleitoral.

A censura aos meios de comunicação na Venezuela também é falaciosa. Cerca de 80% dos meios de comunicação pertencem a empresas privadas. As principais televisões privadas (RCTV, Televen, Venevisión e Globovisión) e os maiores jornais nacionais, também privados (El Nacional, Últimas Noticias e El Universal) tiveram liberdade para implementar uma campanha diária contra o governo, contra Maduro e contra a própria eleição constituinte. Gozam de uma liberdade tal que em vários momentos da Revolução Bolivariana defenderam abertamente o assassinato de Chávez e sua derrubada do governo pelo golpe de 2002. São instrumentos da direita e do imperialismo que reproduzem cotidiamente a linha editorial das grandes agencias internacionais vinculadas aos interesses do capital.

Em relação à acusação de que as forças de segurança do governo bolivariano assassinaram brutalmente 100 venezuelanos em quatro meses, 10 somente nas vésperas das eleições constituintes, é uma versão distorcida dos fatos. O atual líder oposicionista, Leopoldo López, e outros convocam seus partidários para permanecerem nas ruas com suas ações violentas até a derrubada do governo. Entre essas 100 pessoas estão as 27 queimadas vivas pela oposição, manifestantes oposicionistas atingidos pelo “fogo amigo” de suas armas de fogo artesanais, transeuntes agredidos pelos manifestantes da oposição e motociclistas degolados pelos arames esticados nas ruas sem nenhum tipo de aviso.

O único confronto entre policiais e opositores ocorreu no dia 17 de fevereiro de 2017, quando, ao final de um protesto, paramilitares da direita atacaram edifícios públicos no centro de Caracas, incendiando a sede da Procuradoria Geral da República e ferindo dezenas de pessoas.

Enquanto isso no Brasil, somente no Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2017, morreram cerca de 5500 pessoas, dentre os quais 100 policiais, assassinados ou mortos na “guerra as drogas” e suas consequências.

Quanto aos chamados "opositores" detidos, presos ou acusados, cabe indagar quem são e por que foram detidos. Na Venezuela, a lei proíbe a organização de golpes de Estado; e tentar subverter a ordem constitucional pela violência leva à prisão. Atirar bombas na polícia, lançar granadas de helicópteros roubados às forças armadas ou bombardear maternidades e hospitais é crime.

Leopoldo López, político de extrema-direita, oriundo de uma das famílias mais ricas da Venezuela, não foi preso por falar, discordar e se manifestar. López foi preso por organizar, em 2014, uma violenta tentativa de golpe de Estado que custou a vida de 43 pessoas, muitas delas assassinadas quando tentavam chegar ao trabalho, ao local de estudo ou voltavam para casa. Muitos motociclistas foram degolados pelos arames esticados nas ruas sem nenhum tipo de aviso...

Quanto ao “caos econômico e social” que o liberalismo de esquerda e a esquerda cipaia teimam em responsabilizar o governo de Maduro, é fruto direto da guerra econômica em curso na Venezuela. Faltam certos bens de consumo, roupas, produtos de higiene e limpeza e peças para automóveis porque os empresários escondem os produtos ou os contrabandeiam para a Colômbia. Porém, o acesso aos produtos essenciais como alimentos e medicamentos está garantido para o conjunto da população. Existem cerca de 23 mil pontos de venda estatais, espalhados por todo o país, sobretudo nos bairros pobres, com preços pelo menos 50% menores do que os valores de mercado devido aos subsídios oficiais.

São incompreensíveis os motivos que levam o liberalismo de esquerda - que tem setores que defendem o Estado genocida de Israel como democrático - e a esquerda cipaia a não utilizarem o mesmo nível de radicalidade com que atacam o bolivarianismo para denunciar as ações terroristas que nos levam a acreditar em uma artificial falta de segurança alimentar e intentam criar o caos na Venezuela; a queima de armazéns de alimentos e produtos de higiene pessoal que são distribuídos pelo governo; os depósitos clandestinos dos empresários nos quais os alimentos se estragam pela falta de distribuição; as 27 pessoas queimadas vivas, em sua maioria negros, por serem bolivarianos ou “parecidos” com bolivarianos; o desemprego causado pelos patrões que dispensam os trabalhadores e trabalhadoras que foram votar na ANC ou a perseguição violenta dos que votaram nas eleições constituintes por bandos fascistas da oposição.

Finalmente, o liberalismo de esquerda e a esquerda cipaia não reconhecem o papel do imperialismo na crise que existe hoje na Venezuela. Bolivar e Marti já denunciavam o papel pernicioso dos EUA na América Latina há duzentos anos. Os EUA organizaram, financiaram e apoiaram várias tentativas de golpes na Venezuela. Em 2002, Chávez foi afastado 48 horas do governo em um golpe apoiado abertamente pelos EUA. Em uma das pistas mais claras sobre a última intromissão de Washington na política da América Latina, o diretor da CIA, Mike Pompeo, disse que estava "esperançoso de que possa haver uma transição na Venezuela e que a CIA está fazendo o seu melhor para entender a dinâmica lá". O chefe da CIA sugeriu que a agência trabalha para derrubar o governo eleito da Venezuela e colabora com dois países da região para tal fim.

A aposta do imperialismo e seus aliados internos é criar uma situação de caos até o ponto em que se possa dizer que a Revolução Bolivariana está induzindo a Venezuela “à beira da guerra civil”, motivando uma intervenção militar. O liberalismo de esquerda e a esquerda cipaia são apenas mais dois dos variados instrumentos funcionais que contribuem com esse objetivo do imperialismo.

* Aurelio Fernandes é membro do Comitê de Solidariedade com a Revolução Bolivariana no Rio de Janeiro, graduado em Licenciatura em História pela UERJ, pós-graduado em História Social pela UFF e Mestre em Ensino de História pela UERJ.

[2] Esquerda porta-voz do imperialismo. Cipaios eram os soldados indianos que serviam no exército sob as ordens de oficiais britânicos quando a Índia era colônia da Inglaterra.




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A ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE E A NECESSÁRIA RUPTURA COM CAPITALISMO NA VENEZUELA BOLIVARIANA

Por AURELIO FERNANDES -

"Tan solo el pueblo conoce su bien y es dueño de su suerte; pero no un poderoso, ni un partido ni una fracción. Nadie sino la mayoría es soberana y dueña de su destino." (Simón Bolívar)

Desde a eleição de Chávez em 1998, quando se inicia a Revolução Bolivariana, ocorreram vinte e um (21) processos eleitorais[2].

Em 31 de julho de 2017, realizou-se na República Bolivariana da Venezuela a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte/ANC. Votaram um total de 8.089.320, ou seja, 41,5% dos eleitores, sendo eleitos 545 constituintes[3], escolhidos entre mais de seis mil candidatos que, não optaram pelo boicote à ANC, de todas as orientações partidárias ou independentes. Mais de um milhão de venezuelanos e venezuelanas participaram da organização de todo esse processo.

Considerando que as eleições não são obrigatórias; que a Venezuela está imersa há alguns anos em uma conjuntura de guerra econômica[4], violência fascista praticada pela oposição[5] e que o imperialismo destina milhões de dólares para influenciar a opinião pública venezuelana[6], as eleições para a ANC demonstraram a vitalidade do projeto histórico bolivariano de transição ao socialismo na Venezuela.

Isso se torna mais surpreendente quando se constata ter sido a maior votação obtida pelo bolivarianismo desde a eleição de Chávez há 18 anos, mesmo com as ameaças e sanções econômicas e políticas por parte do imperialismo estadunidense e seus aliados na Europa e na região[7], que pretendiam amedrontar os venezuelanos e venezuelanas.

Para compreender tal vitalidade, faz-se necessário retroceder no tempo e entender o papel do levante ocorrido em 1989 no processo de construção da consciência crítica do proletariado venezuelano.

Entre 27 de fevereiro e 06 de março de 1989, o exército e a polícia usaram quatro milhões de balas para reprimir o povo que, empobrecido e esfomeado, saiu insurrecionalmente às ruas para reclamar os seus direitos. Esse levante foi uma resposta às políticas antipopulares de austeridade financeira do governo socialdemocrata de Carlos Andrés Pérez, que aumentou a renda per capita do país, ampliando brutalmente, em contrapartida, o desemprego e aprofundando as desigualdades na distribuição da renda. Esse massacre ficou conhecido como El Caracazo[8].

O El Caracazo marca a crise e o declínio da Quarta República[9] e o despertar de um bolivarianismo radical nas classes populares, que desemboca em duas insurreições cívico-militares de jovens oficiais, sob o comando do coronel Hugo Chávez, sufocadas em 1992. Nesse contexto político e social constituiu-se, como instrumento desse bolivarianismo radical, a liderança de Chávez que, com 44 anos, vence as eleições presidenciais realizadas em 6 de dezembro de 1998, com 56% dos votos válidos, iniciando a implementação do bolivarianismo como caminho venezuelano para o socialismo.

A compreensão dessa experiência de fundação e o quanto esse momento histórico contribuiu para a clareza que o bolivarianismo sempre demonstra em suas políticas são fundamentais: a miséria econômica não pode ser derrotada sem que a miséria política seja superada.

Exatamente por essa clareza, os trabalhadores e trabalhadoras sempre foram convocados a protagonizar o processo político de enfrentamento com as classes dominantes e o imperialismo, em todos os seus aspectos, incluído nesse processo a importância estratégica da união cívico-militar[10].

O combate à miséria politica, apesar da guerra econômica em curso, tem apresentado resultados nos campos econômico e social. O índice de 0,767 (2015) posiciona a Venezuela em uma categoria de elevado desenvolvimento humano, na 71ª colocação dentre 188 países. Os dados demonstram que de 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0,634 para 0,767, ou seja, um aumento de 20,9%. Nesse período, a expectativa de vida subiu 4,6 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto per capita aumentou cerca de 5,4%.

Esse protagonismo popular e classista vem se afirmando como o fator que permite a vitalidade e a força da Revolução Bolivariana para enfrentar os obstáculos e desafios que se colocam ao projeto histórico de transição ao socialismo em curso na Venezuela, incluídos os erros e equívocos. Porém, mesmo estando atentos ao alerta de Lenin no sentido de que “aqueles que esperam ver uma revolução social ‘pura’ nunca viverão para vê-la”, essa força e vitalidade oriundas da participação e do protagonismo dos setores populares, por si só, não garantirão a continuidade do processo revolucionário e a superação dos seus limites.

Como destacado anteriormente, o combate à miséria política levado a cabo nos dezoito anos de Revolução Bolivariana tem contribuído para o desenvolvimento da consciência crítica do proletariado, que não está ligado somente às posturas teóricas ou propagandísticas das forças de definição socialista, vinculando-se, fundamentalmente, com a prática, a experiência de luta e com o exercício direto do poder político por parte dos trabalhadores e trabalhadoras venezuelanos. Exatamente esse exercício está desmontando o véu que oculta dos trabalhadores e trabalhadoras a necessidade de transformar profundamente as estruturas sociais que os libertem de todas as formas de dominação.

Necessidade de que a ANC aponte a ruptura com o estado capitalista e a democracia burguesa.

Mesmo o programa de libertação nacional - que corresponde ao primeiro momento do caminho ininterrupto ao socialismo - não pode ser aplicado plenamente dentro dos limites das relações de poder do capitalismo dependente venezuelano. Para avançar a Revolução Bolivariana rumo ao socialismo, foi necessário iniciar o processo de modificação das relações de poder por meio das comunas e conselhos comunais[11]; não só porque a luta de libertação nacional e o caminho para o socialismo são um único processo, mas também porque a quebra das relações de dependência impõe a ruptura das relações de poder na qual se articula e se apoia essa dependência.

Alcançar essas características não significa alcançar o socialismo, fruto de um processo longo e complexo no qual está em jogo a combinação de muitos elementos. É preciso assinalar duas questões fundamentais: em geral, a realização do socialismo significa romper com a democracia burguesa, avançando no sentido de uma democracia participativa e protagônica; além disso, em particular, não é possível romper com a democracia burguesa sem superar os limites que lhe impõe o poder do capital estrangeiro e dos grupos nacionais exploradores.

Portanto, para abrir caminho à transformação revolucionária rumo ao socialismo, o bolivarianismo iniciou um processo de superação da democracia burguesa, limitada pelo poder das minorias antinacionais e antipopulares, apontando para uma futura democracia participativa e protagônica, que tenha como base as comunas e os conselhos comunais.

Foram exatamente os primeiros passos da Revolução Bolivariana nesse sentido que acirraram a luta de classe nos últimos anos e a intervenção aberta e violenta do imperialismo estadunidense e seus aliados internos e externos.

As consequências desse acirramento demonstram a necessidade de duas reflexões para a luta bolivariana: em primeiro lugar, a inviabilidade de uma "fase intermediária", durante a qual, sem alterar as relações de poder político do capital, seriam produzidos avanços e transformações na economia e no campo social que permitiriam, de forma gradual, consolidar uma democracia participativa e protagônica, chegando-se à ruptura da dependência. Em outras palavras: esse processo de acirramento deixa claro que para que o programa de libertação nacional da Revolução Bolivariana possa ser aplicado não é suficiente a chegada ao governo ou uma mera troca de regime político. A aplicação de um programa voltado claramente ao rompimento da submissão do país com os interesses internacionais e com os setores dominantes nacionais só é possível se forem rompidos todos os instrumentos econômicos, políticos e ideológicos que articulam essa dependência.

Em segundo, é preciso abandonar a crença em um processo de desenvolvimento capitalista independente e sustentável garantidor de um estado de bem-estar social e conduzido por um pacto de classe com a "burguesia nacional”. O processo de integração internacional, no modelo capitalista, de um país dependente como a Venezuela é um dado absolutamente evidente, que não pode ser deixado de lado em uma análise séria.

No mundo de empresas transnacionais, que produzem, distribuem e extraem benefícios em escala mundial, as possibilidades de desenvolvimento independente e autossustentável dos capitalistas que operam em escala nacional carecem de significação. O horizonte atual das “burguesias nacionais" se limita, em todo caso, a buscar as melhores formas de integração possível dentro das relações de poder que comandam os interesses do capital internacional.

Por tudo isso, a reorganização da sociedade venezuelana, no sentido da libertação nacional rumo ao socialismo, sob as condições da atual conjuntura politica e do poder de estado no capitalismo dependente, tem sido um processo limitado, distorcido e provisório, que se apresenta cotidianamente como a antessala de um confronto iminente. A convocação da ANC surge a partir desse contexto, para que mais uma vez sejam definidos pelo protagonismo popular e classista os avanços necessários ao aprofundamento da Revolução Bolivariana no caminho do socialismo.

Inexiste espaço para ilusões. O interesse estratégico dos inimigos da Revolução Bolivariana é a manutenção do poder por meio de governos eleitos pelo voto ou por qualquer outro meio que possam utilizar. Apostam até mesmo em um processo de “transação”, do qual resultaria a descaracterização dos objetivos e compromissos da Revolução Bolivariana.

A realidade concreta indica duas possibilidades: ou o processo constituinte define soberamente modificações na Constituição Bolivariana de 1999 para iniciar uma transição socialista na Venezuela, ou presenciaremos uma derrota sem precedentes para nossa Pátria Grande, pois a República Bolivariana da Venezuela é a vanguarda objetiva no enfrentamento dos planos imperialistas dos estadunidenses e seus aliados europeus de recolonização de nosso continente.

* Via e-mail. Aurelio Fernandes é membro do Comitê de Solidariedade com a Revolução Bolivariana no Rio de Janeiro, graduado em Licenciatura em História pela UERJ, pós-graduado em História Social pela UFF e Mestre em Ensino de História pela UERJ.

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[2] Na Venezuela há uma democracia multipartidária, na qual qualquer força política pode concorrer aos processos eleitorais; o PSUV, o partido fundado por Chávez, perdeu as últimas eleições legislativas e existem vários departamentos e municípios governados por partidos de oposição.

[3] Desse total, 364 foram eleitos pelos municípios, 79 pelos trabalhadores, 28 por aposentados, 24 pelos Conselhos Comunais, 24 pelos estudantes, 08 por camponeses, 08 por indígenas, 05 por pessoas com deficiência e 05 por empresários. Cerca de 200 dos delegados constituintes são jovens estudantes e trabalhadores.

[4] A guerra econômica executada na Venezuela desde 2013 por parte da direita apoiada pelo governo dos EUA inclui desestabilização, estocamento, especulação e contrabando de extração, tendo como objetivo repetir as circunstâncias que possibilitaram o golpe contra Salvador Allende, no Chile, em 1973, após a direita promover a escassez e a carência da população.

[5] A Venezuela está sendo alvo de atos de ódio, impulsionados por grupos fascistas, dirigidos e instigados pela Mesa de Unidade Democrática opositora. Desde abril passado até fins de julho, 27 pessoas foram queimadas vivas. A maioria morreu. Os sobreviventes testemunharam o desprezo pela vida praticado pelos opositores fascistas. Os agredidos eram funcionários do governo, negros, pobres ou simplesmente acusados de serem chavistas ou simpatizantes do governo bolivariano. A ONU tipifica essas ações brutais como “crimes de ódio”. Tais atos demonstram a natureza fascista da oposição venezuelana, que utiliza todo o tipo de crimes para atingir seus objetivos. Até a embaixada dos EUA em Caracas alertou seus cidadãos sobre o caráter violento dessas manifestações, sugerindo que se mantivessem afastados dos locais onde ocorreram.

[6] https://gz.diarioliberdade.org/america-latina/item/139395-ongs-de-fachada-sao-financiadas-do-exterior-para-promover-intervencao-na-venezuela.html

[7] Artigo do Moon of Alabama, publicado em 28/07/2017, analisa como a mídia norte-americana sugere pistas para uma intervenção militar na Venezuela. A mesma estratégia de “mudança de regime” já foi aplicada em outros países, com o mesmo objetivo: o controle do petróleo e dos recursos naturais do país. https://jornalistaslivres.org/2017/07/contagem-regressiva-para-uma-guerra-dos-eua-contra-venezuela/  Documento do Comando Sul dos Estados Unidos intitulado “Venezuela Freedom 2 – Operation”, no qual se propõem 12 passos para desestabilizar e gerar um final abrupto ao governo do presidente Nicolás Maduro: http://www.patrialatina.com.br/operacao-venezuela-12-passos-para-um-golpe/

[8] http://www.telesurtv.net/telesuragenda/La-masacre-de-El-Caracazo-20150224-0032.html

[9] Entre 1958 e 1998, no período conhecido como Quarta República, vigorou na Venezuela o “Pacto de Punto Fijo”. Assinado em 31/10/1958, após a queda do Pérez Jimenez e antes das eleições marcadas para aquele ano, o referido pacto foi um acordo entre os partidos políticos venezuelanos Ação Democrática (AD), Comitê de Organização Política Eleitoral Independente (Copei) e União Republicana Democrática (URD) para sustentar a democracia recém-instaurada por meio da participação equitativa de todos os partidos no executivo, excluindo o Partido Comunista da Venezuela, que foi posteriormente perseguido.

[10] No dia 11/04/2002, a direita venezuelana - a mesma aglutinada hoje na opositora MUD, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense e dos grandes meios de comunicação nacionais e internacionais -, organizou um golpe de estado. Horas depois, o povo saiu às ruas, enquanto integrantes da Força Armada se rebelavam contra os golpistas. Multidões cercaram os quartéis em toda Venezuela, exigindo um posicionamento dos militares em defesa da Constituição Bolivariana; em Caracas, os trabalhadores e trabalhadoras das favelas desceram os morros e se dirigiram ao Palácio Presidencial de Miraflores, onde receberam o apoio da Guarda de Honra. Ante a exigência de ver Chávez, e sem um verdadeiro apoio militar, os golpistas foram derrotados. Com a derrota dos golpistas, consolidou-se na consciência critica do proletariado a necessidade - sempre defendida por Chávez -, da união cívico-militar. Retrata esse processo o filme “A Revolução nãos será televisionada”: https://www.youtube.com/watch?v=tRypWYgTKuE

[11] As comunas foram criadas para constituírem formas de autogestão produtiva e política pelos trabalhadores organizados. Possuem um aparato institucional próprio e empresas de propriedade comunal, mantidas sob o controle dos trabalhadores associados, sendo os excedentes completamente revertidos em prol da própria comunidade. São experiências ainda incipientes, que revelam imensa pertinência histórica ao instituírem formas de organização política e de propriedade dos meios de produção distintas das dominanteshttp://www.telesurtv.net/opinion/Existen-las-comunas-en-Venezuela-20170215-0027.html





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NEO FASCISTAS QUE IMPLANTAVAM TERROR NA VENEZUELA RESPONDERÃO PELOS SEUS ATOS


Por ANDRÉ MOREAU –

A ex- Procuradora Geral da República, Luisa Ortega Diaz, responderá juridicamente por ações de desestabilização da República Bolivariana da Venezuela, especificamente por estimular publicamente manifestações violentas contra instituições públicas e por manter impunes "guarimbeiros" denunciados.

Destituída da função de procuradora por traição a pátria, pelos membros da Assembléia Nacional Constituinte (ANC), por unanimidade, a Sra. Luisa Ortega Diaz, terá que explicar na justiça, porque usou a máquina pública para beneficiar a oposição em ações criminosas que colocaram em risco a segurança e a vida dos cidadãos venezuelanos. 

Dos mais de trinta crimes de ódio denunciados, ocorridos para desestabilizar a Revolução Bolivariana, apenas dois foram investigados por orientação da Sra. Luisa Ortega Diaz que depois de dezoito meses de sua posse, pediu a destituição de Magistrados objetivando favorecer mais ainda a oposição, em nítida violação da Lei Orgânica e da Constituição de 15 de dezembro de 1999.

Imediatamente após a decisão dos membros da ANC, editorias dos meios de comunicação golpistas, voltaram seus holofotes para Luisa Ortega Diaz que passou a acusar, sem provas, o Presidente Nicolás Maduro, de corrupção.

Impunidad del Ministerio Público favoreció crímenes de odio, sostuvo Fiscal de la República


Caracas, 07 de agosto de 2017.- La impunidad del Ministerio Público (MP), mientras estuvo a cargo de Luisa Ortega Díaz, favoreció los crímenes de odio, sostuvo este lunes el Fiscal General de la República Bolivariana de Venezuela, Tarek William Saab.

"¿Qué hizo el Ministerio Público para castigar de manera ejemplar los delitos de odio?", preguntó en una rueda de prensa realizada en la sede del MP, en Caracas, junto con el defensor del Pueblo (e), Alfredo Ruiz, y el Contralor General de la República, Manuel Galindo.

"De pronto, entre abril y parte de agosto, esto ha ocurrido y se ha propagado en Venezuela. La Defensoría tiene contabilizada seis muertos por delitos de odio y aproximadamente 30 heridos", precisó el funcionario.

"Frente a estos casos, el Ministerio Público actuó con impunidad para favorecer estos casos de crímenes de odio. Nunca pudimos escuchar que tipificaran así estos delitos terribles, sino más bien tenemos denuncias de familiares de víctimas que nos han dicho que el Ministerio Público nunca los atendió", rechazó Saab.

Lamentó que la "actitud que tuvo la ex fiscal atentó contra la paz de la República. No me cabe la menor duda. Desde la primera declaración del 31 de marzo del presente año hasta la más reciente que dio, durante los meses de abril, mayo, junio, julio, agosto".

El Fiscal General reiteró: "Estoy totalmente convencido. Cada declaración, incitada no sé por quién, no sólo le causaron un grave daño a la institucionalidad democrática, sino que colocaron en muy grave peligro la paz ciudadana, porque las declaraciones fueron acompañadas por una serie de acciones que se convirtieron en la omisión, en la inacción".

Recordó que cada vez que un agente del Estado ha cometido una violación a derechos humanos, la posición es cero impunidad.

Web: http://www.vtv.gob.ve/

Mas conforme informou o Defensor do Povo, novo Procurador Geral da República, Tarek Willian Saab: "A credibilidade do Ministério Público, será resgatada".

A frustrada tentativa da Sra. Diaz de fazer na Venezuela o que fizeram no Brasil, contra a Presidenta Dilma Rousseff, afastada por um processo de impeachment, sem mérito, golpe chancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das tramas entre membros do Tribunal de Contas da União (TCU), brasileiros orientados por agentes do Fundo Monetário Internacional a usar a denominação "pedaladas", marca a existência de outro plano condor, agora com base em ações jurídicas e parlamentares, respaldadas em narrativas de mentiras repetidas sob orientação das editorias dos veículos de comunicação alinhados ao projeto de dominação do Continente, do Estado norte-americano.

Voltando à Venezuela, agora enquanto a população vive momentos de restauração da ordem e da paz, os "guarimbeiros" protegidos pela Sra Luisa Ortega Diaz, estão sendo detidos no Metrô de Caracas com armas brancas, em flagrante, batendo carteiras, roubando celulares, documentos e dinheiro dos trabalhadores. Tratam-se de quadrilhas de "guarimbeiros" que não eram investigadas, porque serviam à oposição na promoção de terror, para desestabilizar o governo.

Em sua primeira intervenção, o então Defensor do Povo, hoje Procurador Geral da República, Tarek Willian Saab, disse que o Ministério Público estava dividido por "Chantagens" e assegurou que conta com apoio de todos os trabalhadores daquela casa "desde el más humilde portero hasta el más calificado fiscal".

* André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do DEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).




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ENTREGA DE ARMAS A KIEV É DITADA PELA 'NATUREZA MERCANTILISTA' DOS EUA? PUTIN PESCA, SE BRONZEIA E FAZ MERGULHO EM IMAGENS DA TV RUSSA [VÍDEO]

REDAÇÃO -
A Casa Branca está interessada em aumentar a capacidade militar de Kiev. Foi assim que o conselheiro do presidente norte-americano para a Segurança Nacional, Herbert McMaster, comentou os relatos de que o Pentágono teria aconselhado Trump a entregar complexos de mísseis Javelin à Ucrânia.



Em uma entrevista ao canal MSNBC, McMaster frisou que os EUA já estão prestando assistência a Kiev. De acordo com o general, não importa qual a forma concreta de ajuda e a Casa Branca está considerando várias variantes.

"A questão consiste em saber qual a forma que a Ucrânia necessita, sendo que esta deve corresponder aos nossos interesses e ao desejo comum de fazer com que a Rússia pare de levar a cabo novas ações para desestabilizar a situação", afirmou.

Segundo observou o militar americano, as ações de Washington devem se basear nas necessidades de Kiev de "impedir invasões ulteriores" do território ucraniano.

Pentágono está pronto para atuar - Mais cedo, o canal NBC News comunicou, citando altos oficiais anônimos, que o Departamento de Defesa dos EUA recomendou oficialmente à Casa Branca a entrega de modernos armamentos antitanque a Kiev. Trata-se dos complexos de mísseis Javelin, no valor total de cerca de US$ 50 milhões.

De acordo com o canal, atualmente as autoridades americanas estão escolhendo em entregar os sistemas diretamente ou envolver alguns mediadores, bem como avaliando se os especialistas americanos serão capazes de treinar os efetivos ucranianos para que estes possam usar os Javelin.

O almirante retirado, ex-comandante em chefe das forças da OTAN na Europa, James Stavridis, chamou os planos do Pentágono de um "passo correto" e vê nesta iniciativa uma influência direta do chefe da entidade militar americana, James Mattis.

Stavridis tem certeza de que as entregas destes complexos "aumentarão as capacidades de contenção da Ucrânia" e "farão os agressores russos pensarem antes de usar suas armas ofensivas".

Antes do NBC News, tais informações foram divulgadas pelo The Wall Street Journal. Suas fontes na esfera militar e diplomática frisavam que os planos do Pentágono teriam sido elaborados em parceria com o Departamento de Estado. Até se comunicava que esta iniciativa poderia não se limitar a complexos de mísseis e seriam possíveis também entregas dos armamentos de defesa antiaérea.

Acredita-se que todas estas medidas "limitarão os riscos de escalada" do conflito em Donbass, deixando Kiev de ser acusada de ações ofensivas. Caso os militares ucranianos utilizem os equipamentos de forma errada, Washington poderá retirá-los em qualquer momento, afirmou o WSJ.

Interesse de uma nação mercantilista - Já faz muito que se travam discussões sobre as entregas de armas americanas à Ucrânia. O Kremlin, por sua vez, chamou os relatos recentes de "considerações geopolíticas" e frisou que a postura de Moscou quanto a este assunto não mudará.

O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, tem várias vezes realçado que as entregas de armas a Kiev levariam a uma escalada de conflito no leste da Ucrânia, por isso todos os países, especialmente aqueles que esperam "tomar alguma parte do processo de paz" deveriam evitar provocações.

Os representantes da República Popular de Donetsk (RPD), por sua vez, afirmam que já faz muito que os países da Aliança Atlântica armam os efetivos ucranianos de forma ilegal, mostrando granadas de estilhaço usadas pelos militares ucranianos na região de Avdeevka.

De acordo com o vice-chefe do comando operativo da RPD, Eduard Basurin, estas granadas são produzidas na Bulgária, e, sendo que este país faz parte da OTAN, isto é a prova da ajuda militar ilegal do Ocidente prestada a Kiev.

A Duma de Estado russa, por seu turno, afirmou que, neste sentido, os EUA perseguem objetivos meramente comerciais, ou seja, tentam lucrar com o conflito ucraniano.

"Os americanos, bem como seu presidente, sempre têm sido uma nação mercantilista. Eles fazem tudo exclusivamente em interesse do seu país, mesmo caso isto prejudique os interesses dos outros países. É nada mais que uma tentativa de vender armas sob pretexto inventado de luta contra uma agressão externa", afirmou o primeiro representante adjunto do Comitê de Defesa da Duma de Estado, Aleksandr Sherin, em uma entrevista ao (RT).

O deputado tem certeza de que, caso as entregas sejam acordadas, junto com as armas chegarão à Ucrânia instrutores americanos. E estes instrutores, segundo ele, ganham bastante dinheiro, já que as despesas, na maioria das vezes, são assumidas pela parte receptora.

"Neste caso, com estas entregas, Kiev gastará o dinheiro que deveria alocar à política social", resumiu.
*via Sputnik

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Putin pesca, se bronzeia e faz mergulho em imagens da TV russa





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ENTREVISTA (2º PARTE) –

“A COREIA SOCIALISTA É UMA FACADA

NO CORAÇÃO DO IMPERIALISMO”

LUCAS RUBIO, COORDENADOR

DA POLÍTICA SONGUN-BRASIL [VÍDEO]

ILUSKA LOPES -

Praticando jornalismo de fato, fazendo contrapondo permanente a nefasta mídia hegemônica, hoje publicamos a segunda parte da entrevista com o coordenador do Centro de Estudos da Política Songun no Brasil (CEPS-BR), LUCAS RUBIO, também colaborador da TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical. Para os leitores que perderam a primeira parte da entrevista, veja aqui.


Disciplinada, esta sargento orienta o trânsito nas exemplarmente limpas e pacatas ruas coreanas. Estas belas comunistas com frequência atraem a atenção das câmaras ocidentais /Fotos: flickr RPDC.
Quando em terras brasileiras, pesquisamos sobre a Coreia Socialista em sites de busca, é um festival de mentiras, desinformação e preconceitos. Segundo Lucas Rubio, pesquisador da cultura e da doutrina militar da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), o país prioriza investimentos nas artes e cultura. “No período da colonização japonesa, os imperialistas tentaram remover a cultura e as tradições coreanas, no inicio da Revolução existiam muitos analfabetos, o regime socialista retomou a cultura coreana e a incentivou na população, tornando isso uma marca, a valorização das artes e culturas regionais nunca mais parou, seguem até hoje”.


Cultura

O editor Daniel Mazola lembrou que vivemos numa sociedade de consumo, que o capitalismo vende a ‘promessa de felicidade’ em quase todos os produtos da indústria cultural, claro que essa promessa é tão falsa quanto o sorriso de um carrasco ou da promessa de liberdade dada a todos recém-chegados nos campos de extermino nazistas na Segunda Guerra Mundial. Lucas disse que na Coreia Socialista: “a população tem grande nível cultural e acesso as artes, principalmente cinema, teatro e música. Lá as artes servem ao povo, algumas coisas que aqui no ocidente são chamadas de arte e que degradam as pessoas, as mulheres, ou a nação de alguma forma, não ocorrem na Coreia Socialista, que reflete nas artes um extremo respeito às mulheres e a nação (...). Após o expediente nas fábricas, que possuem salas de teatro e tocam músicas, os operários e camponeses tem acesso ao teatro ou cinema (...). Eles têm o costume de realizar festas gigantescas extremamente organizadas como o festival Arirang, que é realizado no maior estádio do mundo (capacidade 150 mil), é o Estádio 1º de Maio, fica na capital Pyongyang. O país possui um dos maiores estúdios de arte do mundo, que produz muitos filmes e desenhos animados. Muitos desses desenhos são vendidos para o Ocidente e acabam não levando a assinatura original. Podemos ver na Europa, vários desenhos de ótima qualidade que foram produzidos na Coreia Socialista e que as pessoas não sabem que vieram de lá”.



Esporte

Nosso colaborador explicou que o incentivo na área dos esportes também é muito forte: “nas escolas, empresas, indústrias e nas faculdades todos tem acesso, é muito grande o incentivo a pratica de esportes. O estado investe em total infraestrutura para que a população usufrua. A seleção feminina de futebol foi campeã por vários anos de campeonatos na Copa Asiática, eles gostam muito de futebol o que gera identificação com os brasileiros (...). Também gostam de vôlei (foto baixo), basquete, natação e são uma potência no tênis de mesa. Na RIO 2016, a norte Coreana Song Kim I foi medalhista de bronze”.


Mulheres

Lucas Rubio fez questão de frisar que o respeito às mulheres e as pessoas mais velhas na Coreia Socialista é essencial, eles não aceitam a degradação da mulher. “As condições são iguais para homens e mulheres, desde 1946 quando foi assinado a Lei de Igualdade pelo presidente KIM IL SUNG. Metade do Exercito Popular da Coreia é composto por mulheres, não existe paralelo no mundo. As mulheres ocupam cargos de comando nas indústrias, fábricas, empresas e também cargos na política, muito diferente daqui, onde poucas mulheres estão na vida pública e, no entanto a maioria da população é de mulheres”.


As mulheres da capital Pyongyang e jovens marinheiras na parada dos 65 anos do Partido dos Trabalhadores da Coréia
Habitação e Transporte

Segundo Lucas, “na Coreia Socialista a falta de habitação é inaceitável. O estado é o responsável, não existe propriedade privada, o setor da construção é um dos mais ativos e que mais se desenvolvem por lá, eles constroem prédios de apartamentos magníficos para os cidadãos, a aparência dos imóveis é de luxo, são distribuídos gratuitamente à população, respeitando alguns critérios (...), as pessoas ganham moradias que sejam bem próximas ao local de trabalho. Os estudantes que saem do campo para estudar em Pyongyang, tem garantido sua moradia, muito diferente daqui por exemplo, as grandes universidades não conseguem acomodar todos os seus alunos que vem de fora da cidade. O metrô em Pyongyang é uma coisa fora do comum, semelhante ao modelo russo, eles possuem grandes obras de artes, estátuas e lustres, justamente para aproximar a arte ao dia-a-dia das pessoas, seus trens são produzidos na Coreia Socialista”.

A capital Pyongyang, foto tirada durante a ultima parada militar
Quando o editor voltou a perguntar sobre assuntos militares, especialidade do entrevistado, ele falou: “Os norte coreanos desenvolveram uma tecnologia muito avançada no campo balístico, que a maiorias dos outros países não possui, como um míssil pequeno de longo alcance. Isso é uma facada no coração do imperialismo, uma nação pequena, tão independente e desenvolvida”.

Seguiremos trazendo informações exclusivas e diferenciadas, desmistificado conceitos e opiniões a respeito da Coreia Socialista. Visite a página flickr da RPDC e vejam milhares de fotos que confirmam a entrevista, essa é a verdadeira Coreia Socialista. Agora, confira na íntegra a segunda parte da entrevista com Lucas Rubio.








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A BANCA, A CORRUPÇÃO E A GUERRA

Por PEDRO AUGUSTO PINHO -

Militares norte coreanos.
Vivemos um mundo que muitos analistas e escritores denominam pós-industrial, outros da informação ou da inteligência ou ainda da globalização, implicitamente indicando uma época de liberdade e de paz.

Muito diferente é meu entendimento. Fomos conduzidos a uma armadilha pelo capital financeiro que acumulou conhecimentos de dominação ao longo dos dois últimos séculos e criou uma verdadeira universidade perpetradora de crimes contra a humanidade.

Um dos crimes será objeto de nossas reflexões neste artigo: a corrupção.

Penso que, qualquer que seja o modo de colocar a mão em seu bolso, provocará um dano incomparavelmente menor do que a colocar em seu cérebro. E é isso que a banca (sistema financeiro, nova ordem mundial ou que alcunha se use) vem fazendo desde o momento que, destruindo culturas, assassinando etnias, forjando falsas realidades e, com insustentáveis pretextos, guerreando todo mundo implantou seu sistema colonial.

Não se iludam, caros leitores, com eventuais progressos econômicos ou avanços tecnológicos que lhes mostrem aqui ou ali; perguntem primeiro quem mais se beneficia senão quem é o único beneficiado com este resultado. E surgirá a banca, os rentistas.

Vou buscar um exemplo difícil para quem me lê e está se informando pela grande mídia: a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) ou Coreia do Norte, retratada em todo ocidente na forma caricatural de uma ditadura familiar comunista, oprimindo um povo faminto para construir armas nucleares.

Comecemos pelo conceito básico sobre o qual se funda o pensamento e a sociedade coreana: o confucionismo.

No milênio que antecedeu a era cristã, surgiram quatro vertentes de pensamento que influenciariam a humanidade: o pré-socrático, do mundo grego, o monoteísmo hebraico, no Oriente Médio, o induísmo (budismo), no subcontinente indiano e o confucionismo. Este último com a fundamental diferença em relação a todos os demais: a origem não divinatória do homem. Confúcio propõe, na sua consolidação do pensamento chinês (Os Analectos), pela primeira vez, a concepção ética do homem, em sua integralidade e universalidade, ao invés de uma criação divina. Pode-se imaginar a consequência para o cotidiano da pessoa  e de seus relacionamentos o que significa esta diferença.

Permitam-me tratar de três questões que serão importantes para compreensão da vida na Coreia do Norte. Diz Confúcio: é raro um homem que é bom como filho e obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores (Analectos I.2). Também nesta obra encontramos: governar é estar na retidão (A XII.17) e, a terceira, aprender alguma coisa para poder vivê-la a todo momento, não é isso fonte de grande prazer? (A I.1).

Vejamos quais as consequências destas três proposições. Afirma uma das maiores autoridades sobre a História e vida coreana, Charles K. Armstrong: “A reverência à família, ao lider e à distinção social, por exemplo, não foi abolida na Coreia do Norte, mas transferida e reformulada” (The North Korean Revolution, 2003, em Visentini, Pereira e Melchionna, A Revolução Coreana, UNESP, 2015).

O sistema político hereditário, num modelo de círculos concêntricos, que está no pensamento confucionista, se encontra, na verdade, em muitas civilizações, como apontam o historiador indiano Sardar K. M. Panikkar, o ganense Godwin Dogbe e outros analistas da desestruturação de civilizações africanas e asiáticas pelo colonialismo europeu, em especial o inglês. A palavra traduzida por governar significa mais do que uma ação gerencial; zheng tem o sentido de organizar o mundo, originariamente restabelecer o equilíbrio. Logo o que se acusa de ditatorial hereditário está na própria estrutura do pensamento social e político dos norte-coreanos.

Diz Confúcio que o homem se faz ao caminhar, poderíamos até entender que a pedagogia dos saberes surge do confucionismo, mas, efetivamente, a educação com os pés no chão, com crítica e transformadora, é um traço que aproxima a RPDC de Cuba, daí a resiliência com que ambos enfrentaram os bloqueios e os transformaram em fator de maior unidade nacional.

Este aspecto do nacionalismo é extraordinariamente forte na Coreia. Além dos conteúdos filosóficos, houve a dura realidade da colonização japonesa em toda península. Podemos especular que o recente golpe na presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, com muitas identidades ao que foi aplicado em Dilma Rousseff e em outros dirigentes que ousavam construir um caminho à margem da banca, destinou-se a combater naquele país o mesmo pensamento nacionalista do Zuche norte-coreano.

Entender o Zuche é igualmente importante para compreender a RPDC. Charles Armstrong, na mesma citação anterior, alerta: “a nação tornou-se uma espécie de substituto para a classe operária como sujeito primordial da revolução, um movimento que pode ser chamado de nacionalismo proletário”.

A divisão da península coreana pelo Paralelo 38 foi mais um exemplo de atos arbitrários que o colonialismo adota à revelia da humanidade. Ao fazê-lo, no entanto, ao tempo que os Estados Unidos da América (EUA) colocavam um títere, retornando daquela nação imperial onde vivera 37 de seus 60 anos, Syngman Rhee, no poder ao Sul, o norte contou com a liderança de um herói da guerra contra os japoneses, não só na Península como na Manchúria, Kim Il Sung. Este não se submeteria à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a quem coubera o Norte. O Norte era, desde a ocupação japonesa, industrial, com exploração mineral e energia abundante. O sul era agrário, produtor de alimentos.

Kim Il Sung promoveu a reforma agrária com maior e melhor aproveitamento da terra e obtendo o apoio dos camponeses. Dispondo de recursos hidrelétricos desenvolveu o setor industrial com especial atenção à construção civil, têxteis e indústria pesada. Os planos plurianuais até a eclosão da guerra aumentaram de modo significativo a produção do Norte. A Guerra na Coreia foi uma guerra de extermínio. Os EUA usaram napalm e bombardeio massivo para destruir cidades, infraestruturas e a população norte-coreana. A Guerra da Coreia mereceria um artigo especial.

Mas dela resultou esta mistura de confucionismo, marxismo e, principalmente, nacionalismo que se denomina Zuche. Outro estudioso da Coreia, Bruce Cumings (North Korea, 2004, também em Visentini, Pereira e Melchionna) assim descreve: “A Coreia do Norte oferece o melhor exemplo de retiro consciente do sistema mundial capitalista no mundo pós-colonial em desenvolvimento, bem como uma tentativa séria de construção de uma economia independente, autônoma; como resultado, observamos, hoje, a economia industrial mais autárquica no mundo. A Coreia do Norte nunca permaneceu ociosa, sempre avançou”. É o mesmo Cumings quem define o sistema político norte-coreano como corporativista neoconfuciano, tendo o papel revolucionário da classe operária trazido para a nação. Da tradição de Confúcio vem o ideal da família, sendo a nação a grande família, e assim o Estado forte e centralizado se justifica no controle da sociedade. O desenvolvimento autárquico dá ao país menos suscetibilidade às pressões externas, e a existência de armas nucleares estadunidenses ao sul legitima o desenvolvimento da tecnologia nuclear do Norte. Um pequeno país que buscou garantir dentro de sua filosofia a máxima independência possível em relação ao exterior.

Vejamos agora o aspecto corrupto, inerente à banca. Um país autárquico, o que de certo modo é comum na Ásia Oriental Continental, onde a filosofia confucionista prevalece, não é um país belicoso. Por que razão, senão de sua própria segurança e mesmo existência, a RPDC desenvolveria armas e instalações se não fosse para sua defesa. A Coreia do Norte investiu na construção de numerosos túneis e abrigos para proteger sua população de novos bombardeios dos EUA. Nestes abrigos há hospitais, escolas e condições de sobrevivência a um enorme custo que não se fariam necessários se não estivesse a belicosidade da banca a ameaçá-los como o faz em todo mundo.

Mas isto não lhes chega ao conhecimento. A República Popular Democrática da Coreia é um exemplo que une a banca à corrupção e à guerra.

* Enviado para o e-mail da redação. Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado





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ENTREVISTA – “O SONHO SEGUE VIVO NA COREIA SOCIALISTA” LUCAS RUBIO, COORDENADOR DO CENTRO DE ESTUDOS DA POLÍTICA SONGUN-BRASIL [VÍDEO]

ILUSKA LOPES -

Depois da parada militar em Pyongyang no ultimo dia 15, milhares de civis lotaram a Praça Kim Il Sung em uma grande demonstração de amor a Pátria Socialista.


O entrevistado de hoje é também novo colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical, o convite surgiu durante o bate papo com o editor Daniel Mazola. Universitário, LUCAS RUBIO, 20 anos, cursa Letras (Português e Russo) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e representa o Centro de Estudos da Política Songun no Brasil (CEPS-BR). Com sede no Rio de Janeiro, o CEPS-BR visa estudar a doutrina militar da República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

Lucas Rubio (foto) começou a se interessar por política no inicio da adolescência, ficava impressionado ao assistir o noticiário televisivo divulgar bizarrices sobre o pequeno país asiático, absurdos como: “todos os civis estão apoiando o regime assassino e assistindo o desfile militar, pois do contrário não terão comida e morrerão de fome”. Foi assim que passou a ter grande interesse em conhecer a fundo o regime socialista da Coreia do Norte e entender como de fato a população vivia naquele pequeno país, com aproximadamente o tamanho do Estado de Roraima e 24 milhões de habitantes.

No atual cenário, Lucas explica que “a ida da esquadra do EUA foi um jogo teatral para intimidar a Coreia do Norte, o país não está disposto a sofrer intimidações, nem se dobrar a provocações. Na parada militar que ocorreu no dia 15 de abril em comemoração aos 105 anos de nascimento do patriarca KIM IL SUNG, avó do atual líder da nação, KIM JONG UN, a Coreia do Norte mostrou que tem sim um míssil intercontinental, e está muito preparada no programa militar, isso da à Coreia Socialista poder de negociação muito maior no jogo geopolítico”.

Parada militar em comemoração ao 105º aniversário de nascimento do fundador da Nação, KIM IL SUNG
A Revolução da Coreia Socialista nasce da luta contra o imperialismo japonês na década de 1920 e seguiu posteriormente contra os Estados Unidos. Lucas destacou: “Após a independência política em 1948, se consolidou a Política Songun para garantir a soberania e defesa do seu povo. O que possibilitou a sobrevivência do regime da Coreia Socialista, durante décadas, foi o investimento em pesquisa militar e armamento. O país sofre até hoje com embargos econômicos iguais aos sofridos pelo regime Cubano, mesmo assim mantêm a nação alimentada, com saúde e educação de primeira qualidade, totalmente gratuito, consciente e politizada. As palavras soberania e independência tem uma importância enorme para a Coreia Socialista, eles lutam para manter isso, a manutenção da nação é vital. A Coreia do Norte não está conduzindo um programa nuclear para bombardear o mundo, apenas para existir, se defender contra o imperialismo dos EUA. (...) Há mais de 70 anos os EUA provocam e tentam intimidar a Coreia Socialista, mesmo assim a Coreia do Norte sempre saiu vitoriosa nas tentativas de destruição do seu regime (suposta ditadura). A Coreia Socialista mais uma vez deu as cartas e ensinou os EUA como é a regra do jogo”.

Lucas Rubio lembrou que os EUA vivem de intimidações e chantagens para garantir a própria hegemonia política e econômica, que a Coreia do Norte é atacada pelos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e que sempre foram derrotados, enfatizou. No ultimo domingo publicamos o seguinte artigo do entrevistado: “A PARADA MILITAR DA COREIA SOCIALISTA [VÍDEO]”, o texto teve grande audiência e repercussão. É a versão contrária da reproduzida pelos barões da mídia, recomendo a todos (as)!

Na próxima semana publicaremos o final dessa entrevista. Agora confira a primeira parte:








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A PARADA MILITAR DA COREIA SOCIALISTA [VÍDEO]

Por LUCAS RUBIO -


Na madrugada de ontem (15), por volta das 10 da manhã em Pyongyang, a República Popular Democrática da Coreia realizou uma imensa demonstração de força, em vários sentidos. A parada militar em comemoração ao 105º aniversário de nascimento do fundador da Nação, KIM IL SUNG, deixou o mundo em alerta. E o desfile foi incrível! Até mesmo a mídia global, a mesma que adora desdenhar da Coreia, classificou o evento como "demonstração de grandeza sem precedentes" e "impressionante parada militar".

Realizar uma parada militar é mandar uma mensagem. Não é uma simples comemoração. Existe um grande simbolismo por trás de uma parada militar. E as circunstâncias em que ela acontece, bem como o que é dito e mostrado durante o evento, mostram essa mensagem clara para o mundo.

A situação na Península Coreana está muito tensa, como sabemos. As manobras dos imperialistas dos Estados Unidos para sufocar e destruir a Coreia Socialista estão mais claras do que nunca e se revelam covardes e desesperadas. Até mesmo uma frota com poderosos navios foram movidos para a costa da Coreia. Some esse fato com a recente implantação de sistemas anti-mísseis no sul da Coreia e com as declarações de guerra feitas abertamente pelos Estados Unidos.


Mas o interessante aqui é que mesmo em meio a essa situação, em que a mídia ocidental chegou a inventar que a população da capital Pyongyang estava sendo evacuada, o Marechal KIM JONG UN e seu povo decidiu realizar a parada militar. Poderíamos até mesmo fazer um paralelo com a situação soviética em 7 de novembro de 1941, em que as tropas fascistas estavam nas cercanias de Moscou e mesmo assim Stalin realizou o desfile em comemoração ao aniversário da Revolução Russa. Essa já é a primeira mensagem da parada: não importa o ambiente hostil que esteja pairando sobre eles, o povo coreano é forte e está determinado a fazer o que ele bem entender.

Os preparativos desse ano para a parada foram especiais. Algo raro de acontecer, aconteceu: mídias do mundo todo, inclusive a BBC e CNN, tiveram acesso com seus links ao vivo para transmitir o evento aos seus países via televisão ou internet. Muitos jornalistas estavam no lugar para cobrir o evento. Além disso, a Praça Kim Il Sung estava belamente decorada, com muitas bandeiras e até mesmo com edifícios novos na sua paisagem ao fundo. A banda começa a tocar para anunciar a chegada das tropas, que marcham para a formação de espera. Esse ano o tom da banda marcial estava mais alto e nitidamente mais 'forte' que nos anos anteriores.

Depois de uns minutos de espera, chega o Marechal Supremo KIM JONG UN, que, para nossa surpresa, estava vestindo um terno comum, sem seu traje mandarim tradicional. Alguns militares, como Choe Ryong Hae, vice-presidente da Comissão de Defesa Nacional e ocupante de importantes cargos, acompanharam KIM JONG UN no terno. Na hora do discurso, outra surpresa: o silêncio de KIM JONG UN. Quem discursou em seu lugar foi justamente Choe Ryong Hae, talvez para preservar a imagem do Marechal ou por algum outro motivo (cansaço, talvez? Lidar com toda essa situação geralmente é muito complicado e pode nos desmotivar num discurso longo). Aqui fica a mensagem verbal. Não tive ainda o acesso ao que disse o Ministro, mas pela entonação e por já conhecermos o histórico dos norte-coreanos, podemos ter certeza que foi uma mensagem bem certeira no coração do imperialismo. Afinal o dia era de festa nacional, de comemorar a vida do homem que dedicou toda sua existência ao bem do povo coreano e libertou a Pátria dos dois mais terríveis imperialismos da História: o japonês e o americano.


Durante a revista de tropas por altos oficiais do Exército Popular da Coreia, já conseguíamos ter a noção da imensa dimensão do desfile, bem como observar novos uniformes de alguns pelotões e os novos equipamentos estacionados nas ruas próximas à Praça Kim Il Sung, esperando para desfilar.

A parada começa. O estilo de marcha dos norte-coreanos é louvável. Outra mensagem simbólica: força, sincronia, perfeição e lealdade. Milhares de soldados mostraram que estão prontos para, a qualquer momento, começar a guerra santa de libertação da Pátria e defesa do socialismo. Foram apresentados novos uniformes de camuflagem de montanha, um pelotão de forças especiais com pintura de guerra nos rostos dos soldados, algo inédito nas paradas, além de uma divisão com roupa branca de atuação na neve. Quem fechou o desfile de marcha foram pelotões de universitários.


Na hora do desfile motorizado, muitas surpresas. Novas armas foram apresentadas pela primeira vez em desfile. Armas que desde 2016 vimos em testes e vídeos, mas que finalmente hoje podemos ver em glorioso ritmo de desfile. Puxando a parte das novidades, os novos veículos fabricados totalmente na Coreia. Foram inicialmente projetados para lançar apenas um míssil, mas os que puxavam o desfile foram adaptados para lançarem até 4 mísseis de curto alcance. Depois, exibidos de uma forma inédita, em caminhões, os poderosos mísseis Puksuksong-2, capazes de carregarem ogivas nucleares e serem lançadas por submarino ou então pelos novos veículos inventados no início desse ano. Após isso, alguns tanques que tiveram os chassis aproveitados para servirem de base lançadora, com mísseis renovados em cima. E depois deles, o que para mim são os mais interessantes, os novos veículos que são os lançadores dos Pukguksong-2 em terra. Lindos e fortes! E por fim, os mais temíveis e esperados: os imensos mísseis intercontinentais! Sim, eles existem e foram demonstrados hoje no desfile. Sendo assim, comprovadamente a Coreia do Norte tem capacidade de atingir os Estados Unidos com lançamentos através do seu próprio território. E essa é uma grande conquista na geopolítica local e global. Preciso comentar que tipo de mensagem fortíssima foi essa?

Por vários momentos, aviões sincronizados cruzavam o céu formando o número 105, em referência aos 105 anos de nascimento de KIM IL SUNG.


Depois da parada militar, milhares e milhares de civis lotaram a Praça Kim Il Sung em uma grande demonstração de amor à Liderança Suprema e de apoio total ao seu governo e Pátria socialista. Imensos carros alegóricos traziam imagens triunfantes de KIM IL SUNG, KIM JONG IL e outros elementos típicos da estética jucheana: trabalhadores, soldados, armas, equipamentos de trabalho, livros, alusões à conquista científica e espacial, bem como elementos da natureza do País, como flores nacionais. Conquistas sociais como igualdade entre homens e mulheres e o desejo de reunificação da Coreia também estavam presentes nesses belos carros.

No final, a plateia aplaudiu intensamente por vários minutos o Marechal KIM JONG UN, que acenava para o público e sorria em agradecimento pelo apoio. Durante todo o desfile ele esteve atentamente analisando os destacamentos militares e saudando a população que passava pela tribuna com grande alegria.


E as consequências da grandiosa festa foram imediatas: a mídia do mundo todo correu pra classificar e analisar os novos equipamentos e toda a mensagem semiótica por trás da parada. Estamos aqui falando de milímetros de movimentos que significam coisas. A roupa, o silêncio, o novo equipamento, tudo faz parte de uma guerra com e sem palavras contra o imperialismo. Jornais do mundo transmitiram surpresa ao ver o desfile extremamente organizado, disciplinado e grandioso. A própria Rede Globo transmitiu durante todo o dia cenas do desfile e admitiu a grandeza do ato.

Por fim, fica para a gente a admiração pelo povo coreano e o desejo de que eles alcancem a vitória, alavancando a vitória dos trabalhadores no mundo todo. O desfile de hoje foi uma prova de como aquele povo pequeno em número e em tamanho é capaz de fazer frente ao gigante devastador que é os Estados Unidos e fazer até mesmo o demente do Trump recuar.

GLÓRIAS AO ANIVERSÁRIO DE KIM IL SUNG!
VIVA A LUTA DO POVO COREANO!
VIDA LONGA AO SUPREMO MARECHAL KIM JONG UN! MANSE!!!

Assista o desfile completo:

* Lucas Rubio, 20 anos, estudante de Letras na UFRJ e representante do Centro de Estudos da Política Songun-Brasil. Reproduzido do Facebook do autor







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REDAÇÃO -


O fundador da organização que luta pela transparência das informações, conhecida como Wikileaks, divulgou um anúncio no dia 1 de dezembro de 2016, expondo mais de 500.000 arquivos diplomáticos arquivados desde 1979, que, de modo sucinto, revelam que a CIA (Central Intelligence Agency - Agência Central de Inteligência, o maior órgão de informações, espionagem e contra-espionagem dos EUA) foi responsável pela criação do grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS).

O período de divulgação desses dados coincidiu com o sexto aniversário da divulgação "Cablegate" do WikiLeaks, que expôs as maquinações do império dos EUA. A divulgação mais recente, conhecida como "Carter Cables", expõe 531.525 novos arquivos diplomáticos aos já volumosos registros da Public Library of US Diplomacy (PLUSD - Biblioteca Pública da Diplomacia dos EUA).

Num comunicado divulgado na exposição dos arquivos do "Carter Cables", Julian Assange mapeou os eventos desde 1979, começando por uma série de eventos que culminaram com o surgimento do Estado Islâmico.

"Se podemos indicar algum ano como o 'marco zero' de nossa era, esse ano é 1979", disse Assange. Assange mostra a realidade de que as raízes do terrorismo islâmico moderno começaram a se fixar por uma parceria entre a CIA e o governo da Arábia Saudita, investindo bilhões de dólares para criar uma força "mujahideen" para lutar contra a União Soviética no Afeganistão - e que, em última análise, favoreceu a criação da Al-Qaeda e do Estado Islâmico.

Assange não está sozinho nessas alegações. De acordo com uma pesquisa da Express, a maioria da população compreende que a política externa dos EUA criou o Estado Islâmico. Assange revela que o ataque do 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão estão diretamente ligadas ao surgimento do ISIS.

"No Oriente Médio, a Revolução Iraniana, a revolta islâmica na Arábia Saudita e os acordos do Campo Davi (entre Egito e Israel) levaram não somente à atual dinâmica de poder regional, como também mudaram decisivamente a relação entre petróleo, islamismo militante e questões mundiais.

"A revolta em Meca mudou permanentemente a Arábia Saudita para o wahhabismo, levando à difusão transnacional do fundamentalismo islâmico e à desestabilização do Afeganistão", disse Assange. "A invasão do Afeganistão pela URSS fez com que a CIA investisse bilhões de dólares em guerrilheiros mujahideen como parte da Operação Ciclone, fomentando o surgimento da Al-Qaeda e o eventual colapso da União Soviética".

"A difusão da islamização havia chegado ao Paquistão, desde 1979, onde ocorreram os episódios da queima da embaixada dos EUA e o assassinato do então primeiro ministro paquistanês, Zulfikar Ali Bhutto".

"A crise dos reféns iranianos acabou minando a presidência de Jimmy Carter, levando à eleição de Ronald Reagan".

"O surgimento da Al-Qaeda eventualmente levou ao atentado do 11 de Setembro de 2001 e outros ataques aos Estados Unidos, permitindo a invasão dos EUA contra o Afeganistão e o Iraque, causando uma década inteira de guerra que, no fim, resultou na base ideológica, financeira e geográfica para o ISIS", disse Julian Assange.

Em adição ao surgimento do islamismo militante global, as últimas divulgações incluem dados sobre a eleição de Margaret Thatcher como primeira ministra britânica. O incidente na ilha Three Mile também é mostrado como parte de eventos que ligam as conexões de Henry Kissinger com David Rockefeller, que buscava um local para resguardar o xá deposto do Irã.

"Em 1979, parecia que o sangue nunca iria parar", disse Assange. "Dúzias de países foram palcos de assassinatos, golpes, revoltas, bombardeios, sequestros de políticos e guerras de liberação". Com a divulgação dos chamados "Carter Cables", o WikiLeaks já publicou um total de 3.3milhões de arquivos diplomáticos dos EUA. Mantendo-se fiel ao seu lema, o site WikiLeaks continua a expor dados secretos dos governos.

Numa entrevista com Assange, ele aponta um e-mail enviado a Podesta, expondo os governos da Arábia Saudita e do Qatar como diretamente ligados ao ISIS. No e-mail, enviado em 17 de agosto de 2014, Hillary Clinton pediu que John Podesta ajudasse a "pressionar" os governos do Qatar e da Arábia Saudita a fornecer mais apoio ao ISIS, por aqueles que são considerados geralmente como aliados próximos dos EUA (algo que os pronunciamentos oficiais dos EUA continuam a negar publicamente).

O e-mail de Hillary Clinton para Podesta revela claramente a realidade da situação. "Precisamos usar nossa diplomacia e, mais ainda, nossa inteligência tradicional para pressionar os governos do Qatar e da Arábia Saudita, que estão fornecendo financiamento e logística clandestinos para o ISIS e outros grupos radicais sunitas na região", escreveu Clinton no e-mail. (via Ação Avante)

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EUA iniciam ofensiva sobre Mossul nos próximos dias

As forças do Iraque irão retomar sua ofensiva contra o Estado Islâmico dentro de Mossul nos próximos dias, nova fase da operação de dois meses que deixará os militares dos Estados Unidos mais perto da linha de frente da cidade, disse um comandante de batalha norte-americano.

A batalha por Mossul, que envolve 100 mil tropas iraquianas, membros de forças de segurança curdas e milicianos xiitas. É a maior operação terrestre no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

Parece provável que a próxima fase dará aos soldados norte-americanos sua maior atuação em combate desde que cumpriram a promessa de seu presidente, Barack Obama, de se retirarem do país em 2011.

Soldados iraquianos de elite retomaram um quarto de Mossul. O último grande bastião dos jihadistas no Iraque. Mas seu avanço tem sido lento e custoso. Neste mês eles entraram em uma “recomposição operacional” já planejada, a primeira pausa significativa da campanha.

Duas semanas atrás, uma unidade fortemente blindada de vários milhares de policiais federais foi transferida dos arredores do sul. Para reforçar a frente leste depois que unidades do Exército assessoradas pelos norte-americanos sofreram baixas pesadas durante um contra-ataque do Estado Islâmico.

Conselheiros dos EUA, parte de uma coalizão internacional que realizou milhares de ataques aéreos. E treinou dezenas de milhares de soldados iraquianos, irão trabalhar diretamente com estas forças e com uma força de elite do Ministério do Interior. 

Ataque

– Neste momento estamos, na verdade, nos aprontando para a próxima fase do ataque. Quando começaremos a penetração no interior do leste de Mossul – disse o tenente-coronel Stuart James, comandante de um batalhão de combate que assessora forças de segurança do Iraque na frente do extremo sul, em entrevista à agência inglesa de notícas Reuters no final de domingo.

– Então, neste momento, posicionando forças e posicionando homens e equipamentos no interior do leste de Mossul. Irá acontecer nos próximos dias.

A manobra irá levar as tropas dos EUA para dentro da cidade de Mossul propriamente dita e expô-las a maior risco. Embora James tenha dito que o nível de perigo ainda está caracterizado como “moderado”. Três efetivos norte-americanos foram mortos no norte do país nos últimos 15 meses.

James, que falava de um posto avançado austero localizado no leste de Mossul. Onde várias centenas de tropas de seu país estão a postos, disse que o ritmo da próxima fase no flanco leste irá depender da resistência do Estado Islâmico.(informações Reuters)



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COMANDANTE FIDEL CASTRO, PRESENTE !


EMANUEL CANCELLA -



Em 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros onze homens, vindos de barco de Miami, iniciaram a tomada de Havana, a capital cubana, e transformou em realidade o sonho de uma sociedade socialista. Ele mostrou ao mundo que outra sociedade é possível, enfrentando, por mais de meio século, o maior boicote econômico do planeta.

Se por um lado, Cuba esbarrou na economia por conta do forte bloqueio, por outro, tornou-se referência mundial nos esportes e na medicina. Inclusive acudindo pacientes estrangeiros em vários tratamentos, como no vitiligo e aos tetraplégicos. Cuba mandou médicos para ajudar vários países, inclusive o Brasil!

Os médicos cubanos vieram para o Brasil, para o programa ‘Mais Médicos’ fazer aquilo que os médicos brasileiros não fazem:atender nas periferias e aos pobres. E fizeram mais, já que os médicos cubanos destinaram a maior parte de seus salários para ajudar seu país, Cuba.

Vem de Cuba o exemplo “Milhões de crianças estão abandonadas nas ruas do mundo, nenhuma em Cuba”.

Fidel, filho de latifundiário, rompeu com sua própria irmã, que virou sua desafeta, e foi morar em Miami. A gota d’água do rompimento com a irmã foi o fato de Fidel ter iniciado a ‘Reforma Agrária’ em Cuba em terras da própria família.

Che Guevara largou o ministério de Cuba e foi estender a revolução socialista ao continente latino-americano. Foi morto pela polícia! Virou para os jovens de várias gerações um símbolo da luta pela liberdade em todo o planeta!

Os EUA conseguiram derrubar vários governos, de forma covarde, principalmente para se apossar do petróleo, inclusive no Brasil, colaborando no impeachment da presidente Dilma (3). E em Cuba não foi diferente, segundo Fidel, os EUA tentaram envenená-lo, através da CIA, por 600 vezes (2).

Fidel enfrentou o império e não caiu!  Alguém vai dizer que ele teve o apoio da União Soviética. Entretanto, a URSS se dissolveu e se transformou na Rússia que, apesar de manter-se como uma das potencias mundiais, deixou de lado o apoio material a Cuba. Mesmo sem o apoio russo, Fidel resistiu!

Hugo Chávez, na Venezuela, outro líder revolucionário, furou o bloqueio econômico ditado pelos americanos, fazendo vários convênios de apoio à Ilha,  que resultou no envio de médicos a Venezuela e principalmente o de fornecimento de petróleo a Cuba. O sucessor de Chávez, Nicolás Maduro, mantém o apoio à Ilha e sofre uma oposição ferrenha dos EUA. Tanto Chávez quanto Maduro foram vítimas de tentativas de golpes americanos, lá sem sucesso!

Miami, o estado americano que recebe a maioria dos golpistas latino-americanos em fuga, festejou a morte de Fidel Castro. Lá foi um dos poucos locais no mundo que comemorou a morte de Fidel.

O governo brasileiro de Luiz Inácio Da Silva financiou, através do BNDES, a construção do porto de Muriel na Ilha, que vai ser fundamental na retomada econômica de Cuba e importante fator de crescimento para o Brasil (1).

Quando vi o irmão de Fidel, Raul Castro, anunciar na TV a morte do grande líder, confesso que não me contive e chorei, mas em seguida sorri, pois Fidel morreu mas deixou para o mundo a alegria de ter provado que um outro mundo, mais humano, fraterno e solidário, é possível.

Hasta la Victoria Siempre!

Fonte:




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REDAÇÃO -


O comandante Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, morreu nesta madrugada, aos 90 anos. Comunistas, socialistas, democratas, progressistas, homens e mulheres de bem, cidadãos livres e revolucionários, o mundo libertário amanheceu de luto. Fidel foi um dos mais importantes, carismáticos e polêmicos líderes políticos mundiais, que, em 1959, liderou, ao lado do companheiro Che Guevara, a conquista do poder em Havana, a partir da Sierra Maestra, inspirando jovens do mundo todo, com os ideais revolucionários.

As aparições de Fidel publicamente estavam cada vez mais escassas. A última vez que ele apareceu foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

“O comandante chefe da revolução cubana morreu às 22h29 desta noite [de sexta-feira, 3h29 de sábado]”, anunciou Raúl Castro, que sucedeu ao irmão em 2006. O corpo de Fidel será cremado, “atendendo à sua vontade expressa”, anunciou Raúl Castro, e os pormenores sobre o funeral serão dados mais tarde.

A breve declaração de Raúl Castro terminou com a frase: “Hasta la victoria, siempre”.


Leia, abaixo, reportagem da Agência Sputinik:

Ex-presidente de Cuba morreu aos 90 anos de idade, diz o canal de televisão estatal cubano.

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, morreu, segundo a mídia local no sábado (26). ​Ex-presidente cubano morreu aos 90 anos de idade e seu corpo será cremado, a pedido do próprio Castro, comunicou a agência de notícias Prensa Latina, citando o atual presidente cubano, Raul Castro, irmão do ex-líder falecido.

Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana em 1959, derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos EUA. Ele celebrou o aniversário de 90 anos em 13 de agosto. Fidel Castro, uma das personalidades mais conhecidas do mundo, nasceu em 1926. Sua carreira política se iniciou em dezembro de 1976.

Durante três décadas, Castro foi presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de Cuba, assim como comandante-em-chefe das Forças Armadas Revolucionárias. Em 2006, devido ao seu frágil estado de saúde, Fidel Castro abandonou os cargos políticos, passando as suas funções para o seu irmão, Raúl Castro.

A luta revolucionária de Fidel começou em 11 de março de 1952, após o golpe militar do general Fulgencio Batista. Castro esteve nas primeiras fileiras da resistência, organizando os apoiantes para derrubar o ditador. A primeira ação do grupo de Castro foi atacar o Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953. Com o fracasso da ofensiva, Fidel foi capturado e condenado a 15 anos de prisão.

No entanto, sob a pressão do povo, foi liberado pela amnistia em 1955, sendo exilado para o México, onde continuou organizando a rebelião almejada não somente por ele, mas por muitos. Em dezembro de 1956, o grupo de revolucionários liderados por Castro desembarcou na província de Oriente, Cuba. O grupo cresceu, ganhou força e se tornou o Exército Rebelde. Em 1 de janeiro de 1959, Castro e seus aliados conseguiram derrubar o regime ditatorial de Batista.
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JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Perguntaram-me há pouco por que a União Soviética acabou. Fiquei embaraçado. Ninguém nunca me havia feito uma pergunta tão direta para um assunto tão complexo. Mas decidi responder. A União Soviética rendeu-se aos Estados Unidos para evitar uma guerra nuclear. Como consequência, os laços da União que se mantinham de forma artificial rapidamente se dissolveram. Uma a uma, cada república das 15 foi se separando da União, criando uma unidade frouxa, substituta, chamada Comunidade de Estados Independentes.

Não veio a segunda pergunta, isto é, por que a União Soviética, uma potência nuclear de primeira linha, se rendeu aos Estados Unidos. Isso eu tentei explicar num pequeno livro escrito na época dos acontecimentos, “O golpe social-democrata de Gorbachev”. O livro era muito bem fundamentado. Entretanto, tinha um erro fatal, responsável pelo fato de eu não tê-lo colocado em circulação. O erro é que, a despeito das aparências, Gorbachev não deu um golpe. Preferiu uma democra-oligarquia anárquica a uma ditadura social-democrata.

Revisitemos os fatos de memória. Um dos líderes dos neoconservadores americanos, George Bush pai, enquanto diretor da CIA, criou uma ONG com sede em Washington, em meados dos anos 70, denominada Comitee for the Present Danger. Essa entidade, atuando às claras, tinha como o principal de seus propósitos estatutários “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”. A ONG tinha, creio, 60 eminentes membros da direita americana. Ronald Reagan filiou-se em 1979, um ano antes de sua posse.

Uma vez empossado, Reagan levou para postos elevados do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado 29 integrantes do CPD. Uma vez no governo, dedicaram-se a por em prática a estratégia da “protected nuclear war”, isto é, a estratégia baseada na ideia de que os Estados Unidos poderiam travar uma guerra com a União Soviética protegendo o próprio território. Eu estive na Alemanha em 1985, para cobrir a reunião dos sete grandes, e estava por lá Richard Perle, o assessor de Segurança Nacional de Reagan e posteriormente demitido por corrupção, pregando essa estratégia para alemães estupefatos, que sabiam que seriam aniquilados no caso de uma guerra que se suponha capaz de proteger o território, sim, mas norte-americano.

Enquanto isso fosse uma peça retórica no jogo geopolítico de Reagan os soviéticos podiam descartar com balançar de ombros. Acontece que algumas medidas concretas dos americanos, todas vazadas através de grandes jornais do país, esquentaram a cena. Uma delas, dentre outras várias provocações, foi a redução para dois do nível de redundância de avaliação de possível agressão para um disparo automático em resposta dos mísseis nucleares do arsenal americano. Com isso, seria uma máquina, não o Presidente, que desencadearia uma guerra nuclear se houvesse uma detecção de ataque falso, e outra, também falsa.

O ambiente era esse em meados dos anos 80. Foi descrito com extremo realismo por um físico canadense, F. Knelman, no livro “America, God and the Bomb”. O título era uma metáfora das forças principais que elegeram Reagan: nacionalistas retrógrados, estrategistas belicistas e pastores eletrônicos. Enfim, extrema direita – algo que não assustou ninguém na época a exemplo da suposta direita que elegeu Trump.

Agora pensem bem. O que fazem nesse ambiente os estrategistas soviéticos? Eles não podem contar com tecnologia que confronte o programa Guerra nas Estrelas, supostamente destinado a garantir um primeiro ataque americano sem retaliação. Eles acompanham, naturalmente, cada passo da corrida americana para um primeiro ataque. Se o primeiro objetivo de um estrategista é descobrir o que passa na cabeça do estrategista adversário, não era difícil para um estrategista soviético concluir que os americanos se preparavam para atacar, já que seus estrategistas neoconservadores não faziam nenhum segredo disso. Nessa circunstância, a União Soviética só tinha duas opções: atacar primeiro ou capitular.

Gorbachev, no meu entender, tendo feito imensas concessões a Reagan em meados dos anos 80, sem receber praticamente nada em troca, se viu numa armadilha shakespeariana. Ou se expor ao risco da desvantagem tecnológica ou fazer uma abertura política (glasnost) que desencadearia a imensa onda de demandas sociais represadas que acabou por explodir o sistema soviético. Agora, superada a guerra fria com sua guerra ideológica, os estrategistas de Obama operaram em escala planetária uma série de iniciativas para levar os russos novamente à rendição, não se sabe com que propósito. Para um homem de negócios como Trump, isso é simplesmente insano. Que deixem a Rússia quieta e vamos fazer negócios, tende a dizer ele!




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TRUMP E PUTIN APONTAM NOVA ERA

DE PROSPERIDADE PARA O MUNDO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Se a análise política de fundo vale alguma coisa em confronto com a boçalidade dos comentaristas da tevê Globo e Veja, pode-se concluir que há grande probabilidade de o governo Trump trazer para o mundo uma era de prosperidade econômica sem paralelo. Não falo da política interna. Sinceramente, ela não me interessa. É que o suposto elemento de regressividade prometida nesse campo pelo novo presidente será contrabalançado, e até anulado, pelo fortíssimo movimento de defesa dos direitos civis norte-americano.

O aparente enigma vem do exterior, e ele já pode ser decifrado em vários aspectos. O principal deles está associado ao caráter profundo da política externa dos Estados Unidos. É uma política estruturada em duas vertentes. A primeira, econômica, visa essencialmente a abrir espaço para as empresas norte-americanas no mundo. A segunda, geopolítica, visa à confirmação recorrente do poderio militar do país, especialmente depois que apareceu diante dele um rival com poderio nuclear capaz de desafiá-lo, a União Soviética e agora a Rússia.

Tradicionalmente o comando da estratégia norte-americana cabia a geopolíticos, que tinham ascendência sobre os interesses econômicos. Houve exceções, é verdade, como a relacionada com a política imperialista do petróleo. Acontece que petróleo desfruta de duas naturezas, uma geopolítica, por ser um insumo fundamental em termos bélicos convencionais, e outra econômica, pela importância universal de sua cadeia produtiva. Em outras situações, o intervencionismo americano se deveu exclusivamente à geopolítica, como na América Central.

Agora, pela primeira vez na história americana, tem-se um empresário – não um empresário comum, mas um mega-empresário produtivo – no comando da estratégia nacional e imperial. O capital produtivo – sim, é o que ele representa, não Wall Street – não será representado pelos geopolíticos, mas atuará diretamente segundo seus interesses. Muito provavelmente não serão inventadas guerras de honra, como a segunda do Iraque, ou as múltiplas intervenções no exterior, como no caso da chamada Primavera Árabe.

O fato é que, exceto para o complexo industrial-miliar, guerra hoje em dia não dá muito dinheiro. A prova é o sucesso econômico espetacular da China com módicos investimentos militares, em comparação com Estados Unidos. Além do mais, sabe-se desde o plano militar megalômano de Reagan que investimentos bélicos, num mundo de altíssima tecnologia, gera poucos empregos. O material usado são chips, com uma dimensão material muito menor do que a da antiga indústria bélica baseada em canhões, tanques, aviões.

Trump, consciente ou não, vai aplicar seu pragmatismo no espaço que abre para seu país uma real perspectiva de crescimento: Rússia. A relação norte-americana com a China não promete muito mais do que já deu. A indústria dos Estados Unidos está profundamente penetrada em território chinês, e a ideia de fazer isso retroceder não se compatibiliza com a visão pragmática de Trump. Ademais, boa parte dos investimentos americanos na China são de norte-americano vinculados ao Partido Republicano. Mas por aí não dá crescimento.

Já a Rússia é uma terra virgem a ser conquistada. Tão logo sejam levantadas as estúpidas restrições econômicas que os “estrategistas” americano impuseram ao país, Putin, ele também um pragmático, abrirá as portas ao investimento dos Estados Unidos. Com os recursos naturais que tem e com a mão de obra especializada herdada da União Soviética, a Rússia é um território de conquista sem paralelo para o capital, revertendo sua tendência secular à queda. A meu ver, estará aí o grande espetáculo econômico do século XXI.

Não só isso. A Rússia é a Ásia profunda, que se complementa com a China, a Índia, o Japão. Uma vez retiradas as barreiras geopolíticas idiotas, essa mega-região poderá puxar o mundo para o crescimento, inclusive o Brasil, neste caso se não tiver o terrível azar de ter alguém tão inexpressivo na Presidência, como Temer, e alguém tão despreparado para o cargo de Ministro das Relações Exteriores, como José Serra. E o azar ainda maior de ter por trás deles algo tão desprezível como o sistema de comunicação da Globo e da Veja.

Putiin é um ás da estratégia. Tem dado um baile nos geopolíticos americanos na Geórgia, na Ucrânia (Criméia) e na Síria. Não perderá essa oportunidade de por a Rússia na trilha do crescimento. Há ali toda uma infra-estrutura do crescimento que está sendo preparada pela China, a partir da Rota da Seda, assim como uma formidável estrutura de financiamento que inclui Banco Asiático de Investimento, Fundo de Investimento da Rússia, Fundo da Rota da Seda, Cia de Financiamento do Desenvolvimento da Infraestrutura, Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS). Diante desse aparato, só continuaremos a aceitar condicionalidades especulativas do Banco Mundial e do FMI se cometermos crimes de lesa-pátria.



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PORQUE O SOCIALISMO?

Por ALBERT EINSTEIN -

Estudiosos norte-americano acabam de verificar de maneira empírica previsões que Albert Einstein tinha avançado um século atrás, em 1916, sobre a existência de ondas gravitacionais, curvas espaço-tempo geradas por violentos fenomenos do cosmos. Em sua homenagem, nós propomos reler a avaliação realizada em torno de uma outra questão analisada por ele: o socialismo. Eis o artigo escrito em 1949 pelo  maior cientista do século XX.


Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos economicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.

Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.

Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência, contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso, mas forem vitais e vigorosos – adoptados e transportados por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.

Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afectam a organização da sociedade.

Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: “Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?”

Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?

É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.

O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantess, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidae que finalmente emerge é largamente formada pelo ambinte em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indíviduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra “sociedade”.

É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.

O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.

Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo.

Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, apenas dedicando-se à sociedade.

A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar os outros dos frutos do seu trabalho colectivo – não pela força, mas, em geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem como bens de equipamento adicionais – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.

Para simplificar, no debate que se segue, chamo “trabalhadores” a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exactamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a mão-de-obra. Ao utilizar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. A questão essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que recebe, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas para a mão-de-obra em relação ao número de trabalhadores que concorrem aos empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto.

O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos.

Assim, a situação predominante numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois principais princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos como acham adequado; segundo, o contrato de trabalho é livre. Claro que não há tal coisa como uma sociedade capitalista pura neste sentido. É de notar, em particular, que os trabalhadores, através de longas e duras lutas políticas, conseguiram garantir uma forma algo melhorada do “contrato de trabalho livre” para determinadas categorias de trabalhadores. Mas tomada no seu conjunto, a economia actual não difere muito do capitalismo “puro”.

A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um “exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente.

Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira.

Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeque a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade.

No entanto, é necessário lembrar que uma economia planeada não é ainda o socialismo. Uma tal economia planeada pode ser acompanhada pela completa opressão do indivíduo. A concretização do socialismo exige a solução de problemas socio-políticos extremamente difíceis; como é possível, perante a centralização de longo alcance do poder económico e político, evitar a burocracia de se tornar toda-poderosa e vangloriosa? Como podem ser protegidos os direitos do indivíduo e com isso assegurar-se um contrapeso democrático ao poder da burocracia?

A clareza sobre os objectivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas actuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas surge sob um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.

*Texto escrito por Einstein para o lançamento da revista Monthly Review, cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949. Tradução de Anabela Magalhães. Fonte: Resistir.




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MORREM TRÊS JORNALISTAS QUE INVESTIGAVAM A PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO DOS EUA NO 11 DE SETEMBRO
Via Diário da Liberdade - 

Três jornalistas que trabalhavam em um documentário sobre o envolvimento do governo norte-americano na demolição das torres gêmeas morreram nos últimos dias. 

Trata-se do ex-repórter internacional da NBC Ned Colt, o correspondente da CBS News Bob Simon, e o jornalista do New York Times David Carr.
Bob Simon, de 73 anos, foi assassinado na quarta-feira na cidade de Nova York em um acidente automobilístico e na quinta-feira Ned Colt, de 58 anos, dizia-se que tinha morrido por um derrame cerebral massivo, seguido em poucas horas por David Carr, de 58 anos, quem colapsou e morreu em seu escritório na sala de redação do New York Times.

Os três jornalistas mais Brian Willias, quem teve que renunciar à NBC por mentir sobre uma notícia do Iraque, tinham formado uma companhia independente de notícias em vídeo no mês passado e apresentaram os documentos de segurança necessários que lhes permitiriam o acesso ao arquivo mais secreto do Kremlin, onde se encontrariam provas relacionadas com os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em relação a esses arquivos do 9/11 em poder do Kremlin, o presidente Putin tinha alertado que iria divulgá-los.

Os especialistas norte-americanos acham que, apesar do fato de as relações entre os EUA e a Rússia terem chegado no ponto mais grave desde a Guerra Fria, Putin entregou até Obama problemas menores. Os analistas acham que isto é só a "calma antes da tormenta".

Putin vai golpear e estaria preparando o lançamento de provas da participação do governo dos Estados Unidos e dos serviços de inteligência nos ataques do 11 de setembro.

O motivo para o engano e o assassinato de seus próprios cidadãos terá servido aos interesses petroleiros dos Estados Unidos no Médio Oriente e das suas empresas estatais.

A ponta de lança da empresa de notícias em vídeo independente que pretendia descobrir a verdade do 9/11 foi David Carr, quem no New York Times foi um valedor de Edward Snowden e após ter visto o documentário Citizenfour, tratou de ir dormir "mas não podia".

Carr estava seriamente desiludido com o New York Times pela elaboração da memória da guerra da Ucrânia "e não só por não dizer a verdade, mas também pelos emblemas nazistas nos capacetes de soldados leais ao regime da Ucrânia lutando contra os rebeldes".

Outro que trabalhava muito com Williams e Carr neste projeto do vídeo do 9/11, foi Ned Colt, quem após sair de NBC News continuava sendo um amigo de toda a vida de Williams e aperfeiçoou suas habilidades humanitárias enquanto trabalham no Comitê Internacional de Resgate. Por sua vez, Bob Simon considerava "extremamente lamentável" a manipulação dos meios de comunicação no período prévio à guerra dos Estados Unidos no Iraque. 
Após a destruição da imagem de Williams, e a estranha morte de Carr, Colt e Simon, o regime de Obama enviou um "mensagem clara" à elite norte-americana quanto à exposição dos seus segredos mais obscuros.

Pior ainda, as elites dos meios nos EUA agora fogem de medo e o regime de Obama ameaça agora os meios de comunicação alternativos com a possibilidade de ilegalizar todos os sites dissidentes.

Para isso tem uma escandalosa proposta legislativa de Ordem Fraternal da Policial Nacional para classificar qualquer crítica contra a policia nas redes sociais como um "crime de ódio". 
Saiba mais: 
Engenheiros revelam que 11 de Setembro foi orquestrado pelo Governo dos EUA. https://www.youtube.com/watch?v=laS_sia9U9Q 
Esta é uma versão resumida que explica em minúcia a farsa dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, com algumas partes dubladas e outras legendadas. https://www.youtube.com/watch?v=ZUGR0jbbi64 
As provas conclusivas da Farsa de 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=bkRL3heslG8 
O que a GLOBO nunca mostrou sobre o 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=W_8WJSl3f-8 
“Fahrenheit”,  a farsa do 11 de Setembro, COMPLETO.  https://www.youtube.com/watch?v=IGjLT9zGwxA


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ONU contraria entidades e movimentos sociais e renova a Minustah

Por Daniel Mazola* - Via ABI -
A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assinou um manifesto, ao lado de diversas entidades e movimentos sociais, contrário à renovação do mandato da “Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti” (MINU
Contrariando a reivindicação dos diversos movimentos sociais latino-americanos e caribenhos e do próprio Haiti, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu renovar o mandato da Missão na última quinta-feira, 10 de outubro. O anúncio foi realizado convocando os atores políticos locais a se comprometerem integralmente “ao processo democrático e os doadores internacionais a reforçar seus esforços de auxílio ao governo”.

Em resolução aprovada por unanimidade, a Missão na nação caribenha foi estendida por mais um ano e a intenção é que seja renovada em 2015 outra vez. Enquanto a presença militar no país foi reduzida de 5.145 para 2.370 soldados, o número de policiais aumentará de 2.377 para 2.601.

Os 15 membros do Conselho de Segurança reiteraram que as medidas de reforço das capacidades institucionais e operacionais da polícia nacional do Haiti ainda são cruciais. Foi destacado também que o governo haitiano possui responsabilidade primária sobre todo o processo de estabilização do país, tendo em vista principalmente o histórico de violações graves de grupos criminosos contra crianças, mulheres e meninas e a violência geral em comunidades.

Ainda há significativos desafios humanitários a serem enfrentados. Mais de 85 mil deslocados internos continuam a viver em campos, em condições de desnutrição e acesso desigual à água e ao saneamento básico.

Todas as manifestações do país continuam sendo muito reprimidas, com gás lacrimogêneo e tudo. A avaliação atual é que é desnecessária a presença dos militares, que eles atrapalham a autonomia e a independência do país. A Minustah é vista hoje como uma opressão externa, de países irmãos, coordenada pelo Brasil, em uma jogada do governo brasileiro para ter um assento no conselho de segurança da ONU. Como os Estados Unidos já estão muito queimados no Haiti, por vários processos de intervenção, o Brasil foi fazer esse papel, nada limpo, dos EUA.

Contrariando diversos ativistas políticos, entidades e movimentos sociais, ficou decidido também que a MINUSTAH vai dar suporte ao processo político do país, além de prover e coordenar assistência eleitoral ao governo. O atual mandato do Parlamento do Haiti termina em 12 de janeiro de 2015, o que vem levantando preocupações quanto a um possível “vácuo institucional”, caso não sejam realizadas eleições até o fim deste ano. Estamos de olho! 
Carta de rechazo a la renovación de la MINUSTAH 
ttp://www.abi.org.br/artigo-onu-contraria-entidades-e-movimentos-sociais-e-renova-a-minustah/