INTERNACIONAIS


MISTÉRIOS SOBRE O ESTADO ISLÂMICO SE AMPLIAM DEPOIS DAS REVELAÇÕES DE SNOWDEN


MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -

Ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Edward Snowden vive atualmente em Moscou / Divulgação.
O uso de uma arma das mais potentes do arsenal bélico norte-americano, que ganhou a denominação de mãe de todas as bombas, por ser apenas menos potente do que uma bomba nuclear ocupou espaços midiáticos dos mais variados em muitas partes do mundo. Mas uma recente denúncia do ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Edward Snowden, não teve a mesma divulgação. Snowden, vivendo em Moscou, revelou em sua conta no Twitter que os túneis destruídos no Afeganistão, mais precisamente na fronteira com o Paquistão, pela tal bomba ultra potente não nuclear foram construídos por Washington.

Quer dizer, as tais redes de túneis utilizados tempos atrás pela patota de Bin Laden para combater os soviéticos, que ajudavam o governo afegão da época, foram gastos com o dinheiro dos Estados Unidos. Snowden recordou inclusive um artigo do jornal The New York Times escrito em 2005 que abordava o tema.

As revelações de Snowden aumentam as dúvidas relacionadas com o Estado Islâmico. Snowden também revelou que os membros do Estado Islâmico ou Daesh supostamente atacados utilizavam as mesmas instalações que os agentes da CIA em sua luta no Afeganistão em 1980 contra a União Soviética.

Por estas e outras que podem não ter sido divulgadas e se encontram nas zonas das sombras, é tudo muito estranho em relação ao Estado Islâmico, inclusive se o governo estadunidense combate para valer a organização terrorista que atua na Síria e no Iraque provocando vítimas inocentes, como aconteceu nestes dias quando civis estavam sendo retirados de uma área conflagrada da Síria, tendo sido atingido um grande número de crianças.

É necessário, portanto que se investiguem mais a fundo os acontecimentos nas regiões conflagradas e que diariamente atingem vítimas inocentes.

Tem mais, o Estado Islâmico agora se utilizava dos tais túneis construídos pelos Estados Unidos, que gasta milhões de dólares atualmente para destruir o que foi construído pelos próprios Estados Unidos. Diante dessa revelação, vale uma pergunta: o uso dos túneis pelo Estado Islâmico (Daesh, em árabe) era consentido por Washington? O uso da super bomba não nuclear foi apenas uma jogada de marketing do complexo industrial militar? Os mortos, oficialmente pouco mais de 90, foram realmente de integrantes do grupo terrorista que, segundo denúncias, age em conformidade com os Estados Unidos? O total de mortos é o revelado ou pela potência da bomba o número foi superior, atingindo outros segmentos, não necessariamente terroristas?

Num ambiente de sombras como tem acontecido a cada dia aumentam as dúvidas sobre o que realmente está acontecendo, ainda mais agora depois que o atual presidente estadunidense, Donald Trump, decidiu verdadeiramente se posicionar de acordo com os interesses financeiros do complexo industrial militar.
Fonte: site Brasil de Fato






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A PARADA MILITAR DA COREIA SOCIALISTA [VÍDEO]


Por LUCAS RUBIO -



Na madrugada de ontem (15), por volta das 10 da manhã em Pyongyang, a República Popular Democrática da Coreia realizou uma imensa demonstração de força, em vários sentidos. A parada militar em comemoração ao 105º aniversário de nascimento do fundador da Nação, KIM IL SUNG, deixou o mundo em alerta. E o desfile foi incrível! Até mesmo a mídia global, a mesma que adora desdenhar da Coreia, classificou o evento como "demonstração de grandeza sem precedentes" e "impressionante parada militar".

Realizar uma parada militar é mandar uma mensagem. Não é uma simples comemoração. Existe um grande simbolismo por trás de uma parada militar. E as circunstâncias em que ela acontece, bem como o que é dito e mostrado durante o evento, mostram essa mensagem clara para o mundo.

A situação na Península Coreana está muito tensa, como sabemos. As manobras dos imperialistas dos Estados Unidos para sufocar e destruir a Coreia Socialista estão mais claras do que nunca e se revelam covardes e desesperadas. Até mesmo uma frota com poderosos navios foram movidos para a costa da Coreia. Some esse fato com a recente implantação de sistemas anti-mísseis no sul da Coreia e com as declarações de guerra feitas abertamente pelos Estados Unidos.

Mas o interessante aqui é que mesmo em meio a essa situação, em que a mídia ocidental chegou a inventar que a população da capital Pyongyang estava sendo evacuada, o Marechal KIM JONG UN e seu povo decidiu realizar a parada militar. Poderíamos até mesmo fazer um paralelo com a situação soviética em 7 de novembro de 1941, em que as tropas fascistas estavam nas cercanias de Moscou e mesmo assim Stalin realizou o desfile em comemoração ao aniversário da Revolução Russa. Essa já é a primeira mensagem da parada: não importa o ambiente hostil que esteja pairando sobre eles, o povo coreano é forte e está determinado a fazer o que ele bem entender.

Os preparativos desse ano para a parada foram especiais. Algo raro de acontecer, aconteceu: mídias do mundo todo, inclusive a BBC e CNN, tiveram acesso com seus links ao vivo para transmitir o evento aos seus países via televisão ou internet. Muitos jornalistas estavam no lugar para cobrir o evento. Além disso, a Praça Kim Il Sung estava belamente decorada, com muitas bandeiras e até mesmo com edifícios novos na sua paisagem ao fundo. A banda começa a tocar para anunciar a chegada das tropas, que marcham para a formação de espera. Esse ano o tom da banda marcial estava mais alto e nitidamente mais 'forte' que nos anos anteriores.

Depois de uns minutos de espera, chega o Marechal Supremo KIM JONG UN, que, para nossa surpresa, estava vestindo um terno comum, sem seu traje mandarim tradicional. Alguns militares, como Choe Ryong Hae, vice-presidente da Comissão de Defesa Nacional e ocupante de importantes cargos, acompanharam KIM JONG UN no terno. Na hora do discurso, outra surpresa: o silêncio de KIM JONG UN. Quem discursou em seu lugar foi justamente Choe Ryong Hae, talvez para preservar a imagem do Marechal ou por algum outro motivo (cansaço, talvez? Lidar com toda essa situação geralmente é muito complicado e pode nos desmotivar num discurso longo). Aqui fica a mensagem verbal. Não tive ainda o acesso ao que disse o Ministro, mas pela entonação e por já conhecermos o histórico dos norte-coreanos, podemos ter certeza que foi uma mensagem bem certeira no coração do imperialismo. Afinal o dia era de festa nacional, de comemorar a vida do homem que dedicou toda sua existência ao bem do povo coreano e libertou a Pátria dos dois mais terríveis imperialismos da História: o japonês e o americano.


Durante a revista de tropas por altos oficiais do Exército Popular da Coreia, já conseguíamos ter a noção da imensa dimensão do desfile, bem como observar novos uniformes de alguns pelotões e os novos equipamentos estacionados nas ruas próximas à Praça Kim Il Sung, esperando para desfilar.

A parada começa. O estilo de marcha dos norte-coreanos é louvável. Outra mensagem simbólica: força, sincronia, perfeição e lealdade. Milhares de soldados mostraram que estão prontos para, a qualquer momento, começar a guerra santa de libertação da Pátria e defesa do socialismo. Foram apresentados novos uniformes de camuflagem de montanha, um pelotão de forças especiais com pintura de guerra nos rostos dos soldados, algo inédito nas paradas, além de uma divisão com roupa branca de atuação na neve. Quem fechou o desfile de marcha foram pelotões de universitários.


Na hora do desfile motorizado, muitas surpresas. Novas armas foram apresentadas pela primeira vez em desfile. Armas que desde 2016 vimos em testes e vídeos, mas que finalmente hoje podemos ver em glorioso ritmo de desfile. Puxando a parte das novidades, os novos veículos fabricados totalmente na Coreia. Foram inicialmente projetados para lançar apenas um míssil, mas os que puxavam o desfile foram adaptados para lançarem até 4 mísseis de curto alcance. Depois, exibidos de uma forma inédita, em caminhões, os poderosos mísseis Puksuksong-2, capazes de carregarem ogivas nucleares e serem lançadas por submarino ou então pelos novos veículos inventados no início desse ano. Após isso, alguns tanques que tiveram os chassis aproveitados para servirem de base lançadora, com mísseis renovados em cima. E depois deles, o que para mim são os mais interessantes, os novos veículos que são os lançadores dos Pukguksong-2 em terra. Lindos e fortes! E por fim, os mais temíveis e esperados: os imensos mísseis intercontinentais! Sim, eles existem e foram demonstrados hoje no desfile. Sendo assim, comprovadamente a Coreia do Norte tem capacidade de atingir os Estados Unidos com lançamentos através do seu próprio território. E essa é uma grande conquista na geopolítica local e global. Preciso comentar que tipo de mensagem fortíssima foi essa?

Por vários momentos, aviões sincronizados cruzavam o céu formando o número 105, em referência aos 105 anos de nascimento de KIM IL SUNG.


Depois da parada militar, milhares e milhares de civis lotaram a Praça Kim Il Sung em uma grande demonstração de amor à Liderança Suprema e de apoio total ao seu governo e Pátria socialista. Imensos carros alegóricos traziam imagens triunfantes de KIM IL SUNG, KIM JONG IL e outros elementos típicos da estética jucheana: trabalhadores, soldados, armas, equipamentos de trabalho, livros, alusões à conquista científica e espacial, bem como elementos da natureza do País, como flores nacionais. Conquistas sociais como igualdade entre homens e mulheres e o desejo de reunificação da Coreia também estavam presentes nesses belos carros.

No final, a plateia aplaudiu intensamente por vários minutos o Marechal KIM JONG UN, que acenava para o público e sorria em agradecimento pelo apoio. Durante todo o desfile ele esteve atentamente analisando os destacamentos militares e saudando a população que passava pela tribuna com grande alegria.

E as consequências da grandiosa festa foram imediatas: a mídia do mundo todo correu pra classificar e analisar os novos equipamentos e toda a mensagem semiótica por trás da parada. Estamos aqui falando de milímetros de movimentos que significam coisas. A roupa, o silêncio, o novo equipamento, tudo faz parte de uma guerra com e sem palavras contra o imperialismo. Jornais do mundo transmitiram surpresa ao ver o desfile extremamente organizado, disciplinado e grandioso. A própria Rede Globo transmitiu durante todo o dia cenas do desfile e admitiu a grandeza do ato.

Por fim, fica para a gente a admiração pelo povo coreano e o desejo de que eles alcancem a vitória, alavancando a vitória dos trabalhadores no mundo todo. O desfile de hoje foi uma prova de como aquele povo pequeno em número e em tamanho é capaz de fazer frente ao gigante devastador que é os Estados Unidos e fazer até mesmo o demente do Trump recuar.

GLÓRIAS AO ANIVERSÁRIO DE KIM IL SUNG!
VIVA A LUTA DO POVO COREANO!
VIDA LONGA AO SUPREMO MARECHAL KIM JONG UN! MANSE!!!

Assista o desfile completo:

* Lucas Rubio, 20 anos, estudante de Letras na UFRJ e representante do Centro de Estudos da Política Songun-Brasil. Reproduzido do Facebook do autor






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1 - ESTADOS UNIDOS PREPARAM 'ATAQUE PREVENTIVO' CASO COREIA DO NORTE FAÇA TESTE NUCLEAR, DIZ EMISSORA, 2 - RÚSSIA DESMENTE FORNECIMENTO DE CAÇAS SU-24 À SÍRIA

REDAÇÃO -

Eventual ataque seria respondido de maneira a 'devastar impiedosamente' os Estados Unidos, disse a agência oficial norte-coreana KCNA, em comunicado.



O presidente dos EUA, Donald Trump, prepara um "ataque preventivo" com armas convencionais contra a Coreia do Norte, caso o Pentágono se convença de que Pyongyang está preparando um teste nuclear. A informação é da emissora de TV NBC, que cita fontes da inteligência norte-americana.


Um eventual ataque seria respondido de maneira a “devastar impiedosamente” os Estados Unidos, disse a agência oficial norte-coreana KCNA, em comunicado. "Nossa ação mais dura contra os Estados Unidos e suas forças navais será tomada de forma tão impiedosa, de modo que os agressores não sobreviverão", afirmou.

Um possível teste com armas atômicas do governo de Kim Jong-un poderia ocorrer no próximo fim de semana, durante as celebrações pelo 105º aniversário de nascimento de Kim Il-sung, o primeiro líder da nação. Por sua vez, o governo norte-coreano já declarou que responderá a "ações ofensivas" de Washington.

Tensão

Os EUA posicionaram um porta-aviões de propulsão nuclear e navios militares na península da Coreia, em mais um episódio da escalada na tensão entre os dois países, e têm adotado uma postura agressiva na política externa nos últimos dias, com bombardeios na Síria e no Afeganistão.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que o país está preocupado com a atual tensão na península coreana. "Existe a sensação de que o conflito pode começar a qualquer momento. Acho que todas as partes envolvidas devem manter alta a vigilância sobre essa situação", disse.

Pequim se diz favorável a qualquer tentativa de diálogo. Para Yi, em uma eventual guerra entre EUA e Coreia do Norte, "não haverá vencedores". "Pedimos para todas as partes pararem com as provocações e ameaças e não permitirem que a situação se torne irreparável ou fora de controle", pediu Wang em uma coletiva de imprensa com o chanceler francês, Jean-Marc Ayrault.

A imprensa chinesa informou nesta sexta que voos entre Pequim e Pyongyang operados pela Air China serão suspensos a partir de segunda-feira (17/04).

A Rússia, apesar dos seus próprios conflitos atuais com os EUA, também demonstrou preocupação com a situação e está acompanhando os fatos. "É com grande preocupação que seguimos a escalada de tensão na península coreana. Pedimos que todos os países dêem provas de moderação", disse o Kremlin, de acordo com a agência Tass.

Um dos maiores aliados dos EUA na Ásia, o Japão já começou a analisar as possibilidades de uma guerra. "Estudamos qualquer possibilidade de ação para responder à crise", disse o vice-chanceler Han Song-ryol.

Trump

A tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte existe há anos, mas se intensificou desde que Trump assumiu a Casa Branca, em janeiro. O republicano mantém uma gestão mais combativa que seu antecessor, Barack Obama, e ameaça atacar o país asiático caso o regime de Pyongyang continue com seus testes militares.

Nesta quinta (13/04), Trump ordenou o lançamento de uma bomba contra o Afeganistão para atingir o que seriam alvos terroristas do Estado Islâmico. O explosivo tinha quase 11 toneladas e é considerada a bomba mais potente do arsenal norte-americano, atrás apenas da nuclear. Especialistas viram no ataque uma tentativa de Washington demonstrar para seus inimigos poder militar. Na semana passada, Trump também bombardeou alvos na Síria.
viaOpera Mundi com Ansa

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Rússia desmente fornecimento de caças Su-24 à Síria

São falsas as informações sobre a entrega de caças russo Su-24 às Forças Armadas da Síria, segundo garantiu a porta-voz do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar da Rússia, Maria Vorobiova.

"As informações sobre fornecimento de aviões Su-24 à Síria em abril de 2017 não correspondem à realidade", disse ela à Sputnik ao comentar notícia do portal Arabian Aerospace.

De acordo com informações publicadas por esse site na última quinta-feira, a Síria estaria recebendo dez caças atualizados desse modelo, um dos mais utilizados pelos militares russos que ajudam no combate a militantes terroristas na república árabe. 




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ENTRE LOUCURA DE TRUMP

E A ESTRATÉGIA DE KISSINGER


JOSÉ CARLOS DE ASSIS -



Se Donald Trump é o louco que pensam, ele não é mais louco que Richard Nixon e Henry Kissinger. É possível que seja um idiota, mas isso também está para ser provado. O bombardeio de uma base na Síria, se tomarmos o precedente do fim da Guerra do Vietnã, pode ser um expediente estratégico para buscar a paz, e não o começo de uma nova guerra. De fato, se for seguida a pauta vietnamita estamos mais próximos da paz do que da guerra.

Como há muito tempo a Guerra do Vietnã acabou, resultando na vitória inquestionável dos vietnamitas, é bom recordar alguns detalhes para os mais jovens. Os últimos anos da guerra, de 1968 a 1973, foram consumidos por negociações secretas em Paris, conduzidas, do lago americano, por Henry Kissinger, e do lado norte-vietnamita, por Le Duc Tho. Como não estávamos na República de Curitiba, nada dessas negociações vazou, até sua conclusão.

Com os entendimentos ainda em andamento, os Estados Unidos, de surpresa, desfecharam um devastador bombardeio aéreo contra Hanói, a despeito da forte oposição à guerra, sobretudo nas universidades, em sua retaguarda doméstica. Havia um acordo tácito com russos e chineses segundo o qual os americanos não fariam bombardeios acima do paralelo 17, isto é, sobre território do Vietnã do Norte. Esse acordo foi rompido.

Até assinatura do tratado de paz esse bombardeio, cujas consequências devastadoras apareceram no filme “Corações e Mentes”, não seria entendido por ninguém, e gerou fúria sobretudo nos jovens contrários à guerra. Do ponto de vista estratégico em termos estritamente bélicos era inútil. Como os americanos sabiam – do contrário não entrariam em negociações de paz -, a guerra estava perdida. Por que, então, o grande bombardeio?

A resposta veio em janeiro de 1973 quando, sob o governo Nixon, a paz foi assinada. Entendeu-se então a razão do bombardeio. Era uma espécie de demonstração de força pela maior superpotência da terra para se apresentar com um mínimo de honra perante a própria opinião pública depois da derrota. Os Estados Unidos, com esse ato, queriam provar que ainda eram os mais fortes, mascarando o fato imediato da perda irrecorrível da guerra.

Não é impossível que Trump esteja repetindo, em parte como farsa, esse roteiro. É bom lembrar que não temos um presidente cercado por falcões, mas uma sociedade em grande parte constituída por falcões, fundamentalmente belicista. O Congresso é majoritariamente pela guerra, não importam suas consequências. É talvez, pois, uma manobra de Trump para fazer a paz, sobretudo com os russos, ao oferecer algumas concessões na retaguarda belicista.

O bombardeio à base aérea na Síria foi quase simbólico. Vidas valem muito individualmente, mas, numa situação virtual de guerra, seis baixas em comparação ao ataque de 59 mísseis são poucas. Os aviões destruídos, Mig 23, eram obsoletos. Os estragos na base foram limitados. Houvesse intenção de um bombardeio de destruição em massa e as consequências, supõe-se, seriam muito mais significativas.

Acima disso tudo, convém lembrar que, no fim da campanha presidencial, Trump conversou longamente com Henry Kissinger, o artífice da paz do Vietnã que se beneficiou politicamente do bombardeio de Hanói. Não me admiraria se dessa conversa resultasse a inspiração para o ataque simbólico à Síria para “amolecer” o ânimo dos russos, chineses e iranianos na sua disposição de trazer o presidente Assad para algum tipo de compromisso.

Uma forma alternativa de analisar essa situação é tentar explicar a motivação de Trump para dar a ordem de ataque. Uma vez descartada a falsa hipótese de vingança pelo ataque por armas químicas por parte da Síria contra o seu próprio povo, a explicação para o bombardeio fica no ar. Não há sentido estratégico nela, do ponto de vista militar. Resta uma provocação gratuita aos russos, pelo que Trump seria apenas um idiota perigoso.

Sites ligados ao governo de Putin tem insinuado que o ataque teve objetivos sobretudo internos, a saber, o de pacificar os falcões americanos quando à determinação presidencial de usar a força na Síria. Isso difere muito pouco da estratégia de Obama. Daqui a quatro dias, podemos aferir melhor o rumo desse processo quando se reunirem os ministros do Exterior dos Estados Unidos e da Rússia. Para a paz mundial, é melhor que eu esteja certo. Como dizem os italianos, si non é vero é bene trovato!





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POR QUE A ORIGEM DA TRAGÉDIA QUÍMICA NA SÍRIA AINDA É MISTÉRIO

Via DW -



Mais de 80 pessoas foram mortas, vítimas de substâncias químicas, em Khan Cheikhoun, na província de Idlib, na Síria. Essa é uma das poucas certezas existentes sobre a tragédia que motivou a intervenção militar lançada pelos Estados Unidos nesta sexta-feira (07/04).

Potências ocidentais, testemunhas, ONGs que atuam no terreno e rebeldes sírios culpam exclusivamente o ditador Bashar al-Assad pelo que teria sido um bombardeio químico. A acusação é rechaçada por Damasco e sua aliada Rússia.

“O regime sírio parece não ter um motivo convincente”, acredita Günther Meyer, diretor do Centro de Pesquisa para o Mundo Árabe na Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz. “Somente grupos de oposição armados poderiam lucrar com um ataque com armas químicas”, avalia. “Com as costas contra a parede, eles não têm quase nenhuma chance de se opor militarmente ao regime.”

“Tais empregos de armas químicas só favorecem os grupos anti-Assad”, acrescenta o especialista. Declarações e decisões recentes do presidente americano, como o ataque de retaliação dos EUA contra uma base militar síria nesta sexta-feira, podem ser um indício disso.

Em 2012, Barack Obama traçou uma “linha vermelha”: “Temos sido muito claros em relação ao regime de Assad, mas também com relação a outros partidos do conflito, que uma linha vermelha para nós é quando começarmos a ver um monte de armas químicas se movendo ou sendo utilizadas. Isso mudaria meu cálculo”, disse o então presidente americano. Meyer considera a declaração um convite para os adversários de Assad empregarem armas químicas, responsabilizando o regime Assad.

Ataque de 2013: lógica a favor de Assad

Em 2014, o jornalista investigativo Seymour Hersh relatou sobre a capacidade das forças oposicionistas de usarem armas químicas. Em artigo para o periódico britânico London Review of Books, Hersh citava documentos da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), a organização de espionagem própria do Pentágono.

Eles sugeriam que a Frente al-Nusra, então braço sírio da rede terrorista Al Qaeda, tinha acesso ao gás sarin, que afeta o sistema nervoso e é altamente tóxico. De acordo com Hershm, o ataque com armas químicas no subúrbio de Damasco, Ghouta, em agosto de 2013, que fora atribuído a Assad, foi realizado por rebeldes. Eles queriam que Washington presumisse que Assad havia cruzado a “linha vermelha” de Obama, atraindo os EUA para uma guerra.

O então diretor de Inteligência Nacional de Obama, James Clapper, conseguiu dissuadir o presidente de ordenar um ataque com mísseis de cruzeiro, segundo consta de um livro recém-publicado pelo especialista em Oriente Médio Michael Lüders. Presumivelmente, um fator decisivo foi uma análise das armas químicas usadas em Ghouta, conduzidas por um laboratório militar britânico, que descobriu que o gás era de uma composição diferente da substância que o Exército sírio possuía.

“O ataque ocorreu enquanto os inspetores de armas da ONU estavam no país a convite de Assad”, lembra Meyer. O líder sírio lhes pediu que investigassem um ataque de armas químicas de março de 2013 fora de Aleppo, que matou soldados sírios. “Não faz sentido o regime executar um ataque tendo os inspetores no país”, deduz o especialista.

“Arma atômica de pobre”

O ex-inspetor de armas Richard Lloyd e o professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) Theodore Postol também lançaram dúvidas sobre o papel de Assad no ataque de Ghouta. Eles informaram em 2014 que as armas químicas só poderiam ter sido disparadas de um território controlado pelos rebeldes, pois seu alcance máximo era de 2,5 quilômetros.

No momento do ataque Ghouta, o governo sírio tinha acesso a cerca de 600 toneladas de material necessário para fazer sarin e gás mostarda. “O estoque era para contrabalançar o arsenal nuclear de Israel”, sublinha Meyer. “Israel tem cerca de 200 armas nucleares, segundo estimativas”, ressalta. “As armas químicas são uma espécie de arma atômica de pobre.”

Em agosto de 2014, os EUA informaram que os arsenais químicos haviam sido destruídos – embora, em meio ao estado de confusão numa zona de guerra, seja impossível descartar que alguns estoques tenham sido preservados em algum lugar.

Pergunta ainda em aberto

Ninguém é capaz de dizer como a situação evoluiu desde a avaliação do DIA em 2013 sobre as armas da Frente al-Nusra. Em 2016, o grupo extremista anunciou sua separação da Al Qaeda e mudou o nome para Frente Fateh al-Sham (Conquista do Levante, em árabe).

“Hoje, a organização é o grupo rebelde mais importante na província síria de Idlib”, informa Günther Meyer. “Junto com outros extremistas jihadistas, se transformou no governante de fato de Idlib.”

Sem dúvida, Bashar al-Assad não tem tido escrúpulos na escolha dos meios para assegurar o próprio poder. Ainda assim, cabe se perguntar por que o ditador voltaria a contra si opinião pública mundial, justamente num momento em que esta começa a aceitá-lo como presidente da Síria. Seria bom encontrar uma resposta plausível para essa pergunta, antes de se deixar arrastar a ações precipitadas.






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REDAÇÃO -



Não há como voltar atrás. Essa foi a mensagem que deram os chanceleres dos países do Mercosul e da Aliança do Pacífico, no sinal de largada de um processo de integração de blocos que avança lento, mas sem possibilidades de arrependimento. O primeiro encontro foi na Chancelaria argentina em Buenos Aires, cidade que recebeu o Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina. A aproximação das principais economias do Atlântico e do Pacífico sul-americano, junto com o México, é um movimento defensivo contra um mundo que se tornou mais complicado para o comércio dos países emergentes. O protecionismo dos Estados Unidos convenceu essas economias da necessidade de potencializar o comércio inter-regional. Enquanto o México olha para o sul, as economias do Mercosul decidiram olhar para o oeste, onde encontravam até agora posições irreconciliáveis com as políticas de esquerda que caracterizaram seus governos até pouco mais de um ano.

"Esse é um marco importante na integração latino-americana, porque nos comprometemos a avançar em um momento no qual reina a incerteza em nível internacional e observamos tensões nacionalistas e até xenófobas. Por isso apostamos no multilateralismo e no comércio sustentado em regras”, disse em uma coletiva de imprensa Heraldo Muñoz, ministro de Relações Exteriores do Chile, país que ocupa a presidência pro-tempore da Aliança do Pacífico, bloco também integrado por Peru, Colômbia e México. Em nome do Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, falou a chanceler Susana Malcorra. Os chanceleres se esforçaram por transmitir que a reunião foi “intensa” e “frutífera”, com resultados concretos como nunca antes. “Assinamos um plano de seis pontos bem definidos, que falam da complementação e da aproximação entre os dois blocos. O objetivo claro é reforçar o compromisso com o livre comércio e o multilateralismo”, disse Malcorra.

Um acordo final unirá os dois blocos que sempre se olharam com receio. O primeiro porque considerava o Mercosul muito politizado e pouco eficiente na parte econômica. O segundo porque via a Aliança como muito alinhada aos Estados Unidos e excessivamente voltada ao comércio. A água e o azeite. O giro à direita na Argentina e no Brasil foi a pedra de toque de uma possível aliança. Os presidentes Mauricio Macri e Michel Temer logo decidiram abrir o Mercosul ao mundo. E Donald Trump realizou o milagre definitivo. México, e em menor medida Chile, viram de um dia para o outro seu comércio com os Estados Unidos em perigo e decidiram avançar a possibilidade de alinhar-se com um Mercosul agora mais amigável. Há consenso de que falta muito para avançar, se for comparada a porcentagem do comércio inter-regional em outras regiões do mundo: 69% na União Europeia, 55% na Ásia e 18% na América Latina.

“Poucas vezes na história os cenários se alinharam como está acontecendo hoje”, disse o secretário de Economia do México, lldefonso Guajardo Villarreal, durante uma apresentação no Fórum. “Há dois grandes países latino-americanos como Brasil e Argentina que não necessariamente estavam acompanhando o modelo de abertura da região. E que agora estejamos na mesma sintonia é algo que deve ser capitalizado. Devemos reagir, não podemos ficar imóveis em relação à incerteza que vem de Washington”, acrescentou. No Chile há coincidência com essa leitura do novo cenário americano. “É uma oportunidade para avançar para uma integração, nesse cenário é quase um imperativo e assumimos isso na Aliança do Pacífico como algo muito concreto”, disse Muñoz na mesa que dividiu com Guajardo Villarreal.

Automóveis sobre a mesa

O encontro desta sexta-feira em Buenos Aires foi o primeiro passo em um caminho longo que recém começa, sobretudo porque o desafio é resolver a relação de economias que muitas vezes são complementares. O caso da Argentina e do México tem um capítulo particular na produção de automóveis. Consultado sobre a possibilidade de que o mercado mexicano se abra para as exportações de cereais argentinos, Guajardo Villarreal, disse, com ironia, que esse tema estaria resolvido quando a Argentina colocasse “automóveis sobre a mesa”. Em todo caso, os blocos não falam de fusão nem nada parecido. “Nunca houve a possibilidade de uma fusão porque temos esquemas e uma história diferente. O objetivo é avançar em um plano concreto que permita abrir mercados e eliminar barreiras alfandegárias e não alfandegárias”, disse Muñoz.

Quem mais tem a ganhar em um acordo são Argentina e Brasil. As duas principais economias sul-americanas estão em crise e precisam reativar com urgência seu comércio com o exterior. A frase mais repetida na Argentina é que o Chile, por exemplo, tem acordos comerciais com 90% do PIB mundial, e o Mercosul com apenas 10%. “A oportunidade não está no mercado dentro do Mercosul, está em fazer uma abertura, como o Chile”, disse o ministro da Produção da Argentina, Francisco Cabrera. “O importante é que a Argentina e o Brasil se abram e liderem o processo de abertura”, coincidiu, sentado ao lado, em uma mesa de debate do Fórum, de seu par brasileiro, Marcos Pereira.

O ministro de Economia argentino, Nicolás Dujovne, também deixou claro a necessidade de que seu país se abra para o mundo. “Cada vez que nos reunimos com empresas argentinas que exportam, a queixa generalizada é ‘não posso competir com os chilenos, com os peruanos que entram em tal e tal mercado com uma tarifa alfandegária zero quando nós pagamos 10% ou 15%’. Isso faz parte do processo de integração da Argentina no mundo, no qual vamos em um processo lento, mas constante. Mas não há como esperar resultados imediatos dessas negociações que estamos iniciando”, falou. As discussões foram até agora políticas, à espera das questões comerciais mais escabrosas. Essa será a batalha de fundo.
Via El Pais

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Bombardeio dos EUA estava planejado antes de suposto ataque químico na Síria, diz Rússia

É claro para qualquer especialista que a decisão de atacar foi tomada em Washington antes dos eventos em Idlib, que foram simplesmente usados como um pretexto', diz porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia.

O governo russo disse nesta sexta-feira (07/04) ser “óbvio” que a decisão sobre o bombardeio norte-americano contra uma base aérea síria, realizado nesta madrugada, foi tomada antes do suposto ataque químico da última terça-feira (04/04), e que este foi apenas um pretexto para uma demonstração de força dos Estados Unidos.

É óbvio que o ataque com mísseis dos EUA estava preparado com bastante antecedência”, disse Maria Zakharova, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia. “É claro para qualquer especialista que a decisão de atacar foi tomada em Washington antes dos eventos em Idlib, que foram simplesmente usados como um pretexto para uma demonstração de força.”

Washington realizou na madrugada desta sexta-feira a primeira ação militar direta contra Damasco, com um bombardeio com 59 mísseis lançados de navios militares no mar Mediterrâneo contra a base de Shairat, a 25 quilômetros de Homs.

O governo norte-americano acredita que desta base saíram os aviões sírios que bombardearam a cidade de Khan Sheikhoun, na província de Idlib, na terça-feira (04/04), no que EUA, França e Reino Unido dizem ter sido um ataque químico deliberado de Assad contra civis, que deixou mais de 70 mortos e 200 feridos.

No entanto, tanto o governo sírio como a Rússia, seu principal aliado, negam essa versão e sustentam que o ataque tinha como alvo um depósito dos terroristas do Estado Islâmico e da Frente Al Nusra que abrigava armas químicas – que depois atingiram os civis.

Em resposta ao bombardeio desta madrugada, a Rússia suspendeu a coordenação militar que tinha com os Estados Unidos na Síria para evitar que as forças dos dois países que atuam na região se atingissem.

"A parte russa suspende a vigência do memorando que existe para evitar incidentes e garantir a segurança de voos durante as operações (militares) na Síria, assinado com os EUA", afirmou a porta-voz.

“Estamos diante de uma clara agressão contra a Síria. As ações tomadas hoje pelos EUA destroem ainda mais as relações russo-americanas”, disse Zakharova.

Os russos acusam Washington de tentar usar "uma demonstração de força, o confronto militar com um país que luta contra o terrorismo internacional, sem se preocupar em esclarecer" as circunstâncias do suposto ataque químico contra população civil síria.

"Sem dúvida, a ação militar dos EUA também é uma tentativa de desviar a atenção da situação em Mossul (Iraque), onde como resultado das ações, entre outras, da coalizão liderada pelos Estados Unidos, morreram centenas de civis inocentes e aumenta a catástrofe humanitária", acrescentou.
Via OperaMundi




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1 - ENTENDA A CRISE QUE CULMINOU COM INVASÃO E INCÊNDIO DO CONGRESSO DO PARAGUAI; 2 - SUPREMO TRIBUNAL VENEZUELANO RECUA DE DECISÃO DE ASSUMIR PODERES DE PARLAMENTO


REDAÇÃO -


Congresso em chamas, dezenas de feridos, e danos materiais substanciais. Esses foram os resultados de um dia de protestos intensos em Assunção, capital do Paraguai.

As manifestações tiveram início na sexta-feira, logo depois que 25 senadores aprovaram uma emenda constitucional que permitiria ao atual presidente do país, Horácio Cartes, concorrer à reeleição no ano que vem, possibilidade vedada atualmente pela Constituição paraguaia.

O projeto foi aprovado pelos senadores ao fim de uma votação convocada de surpresa e a portas fechadas.

Assim que ficaram sabendo da notícia, os paraguaios iniciaram protestos pacíficos, mas que rapidamente se tornaram violentos.

A polícia foi chamada e disparou balas de borracha contra os manifestantes. Também usou canhões de água e bombas de gás lacrimogênio.

A aprovação da emenda constitucional no Senado é o primeiro passo para que a reeleição seja permitida no Paraguai.

O projeto, porém, ainda terá de ser aprovado pela Câmara dos Deputados, na qual Cartes tem maioria. A votação estava programada para acontecer na manhã deste sábado, mas foi adiada devido aos protestos.

Mas por que a medida causou tanto descontentamento ─ e o que diz a lei?

Em agosto de 2016, o Parlamento Paraguaio já havia recusado uma proposta similar para permitir a reeleição.

Até alguns dias atrás, as normas do Congresso estabeleciam que seria necessário esperar um ano para tratar do assunto novamente.

No entanto, nesta semana, parlamentares aliados do governo conseguiram modificar o regulamento e encaminhar a iniciativa ao Senado, com vistas à sua aprovação.

Segundo a agência de notícias EFE, o projeto de emenda constitucional aprovado permitiria que os presidentes e vice-presidentes do país pudessem concorrer a um segundo mandato, de forma contínua ou alternada.

Em outras palavras: tanto o atual presidente do país, Horacio Cartes, quanto o ex-mandatário Fernando Lugo, que foi destituído em 2012, poderiam concorrer ao cargo novamente em 2018, para um mandato de cinco anos. (…)
Via BBC

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Supremo Tribunal venezuelano recua de decisão de assumir poderes de parlamento

O supremo tribunal venezuelano voltou atrás neste sábado (1) em duas sentenças com as quais assumiu as faculdades do Parlamento, dominado pela oposição, e que conferiam amplos poderes ao presidente Nicolás Maduro.

A decisão foi resultado de um acordo entre representantes dos poderes públicos – exceto o Legislativo – convocados por Maduro após a forte rejeição internacional gerada pelas sentenças proferidas esta semana. Acusado de servir ao governo, o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) “suprimiu” trechos de ambas as sentenças.

Por um lado, reverteu a decisão de assumir as funções da Assembleia. Por outro, anulou os poderes que havia concedido a Maduro para revisar as leis sobre crime organizado e terrorismo.

A corte havia justificado esses poderes citando o status de desacato em que declarou o Parlamento há mais de um ano, e ante a possibilidade de que estivessem sendo cometidos “crimes militares” no país.

Líderes dos poderes públicos, reunidos no chamado Conselho de Defesa, decidiram “revisar” as sentenças para “manter a estabilidade institucional e o equilíbrio de poderes”, segundo um comunicado.

O Conselho foi convocado pelo presidente Nicolás Maduro para solucionar as diferenças depois que a procuradora-geral, Luisa Ortega, ligada ao chavismo, denunciou, ontem, que as sentenças do TSJ representavam “uma ruptura da ordem constitucional”. (…)
Via RFI





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GUINADA DE 180 GRAUS DO SECRETÁRIO-GERAL DA OEA FAZ O JOGO DA DIREITA VENEZUELANA


MÁRIO AUGUSTO JAKOBSKIND -


Realmente não há mais a menor dúvida. A Organização dos Estados Americanos (OEA) sob a direção do uruguaio Luis Almagro voltou a ser um Ministério das Colônias, como na época da Guerra Fria. O Secretário-Geral Almagro, que ao assumir o cargo defendia posições progressistas, inclusive com o apoio do ex-presidente José Mujica, em pouco tempo de gestão mudou da água para o vinho, voltando-se desesperadamente contra a revolução bolivariana, agora sob o comando de Nicolás Maduro, seguidor do ideário de Hugo Chávez. Mujica, aliás, já manifestou seu posicionamento chamando a atenção de Almagro pelo que ele vem fazendo em matéria de posicionamentos que se chocam com o que defendia antes. Uma pergunta que não quer calar: o que levou Almagro em pouco tempo a dar uma guinada de 180 graus?

Almagro, sem qualquer tipo de arrependimento, passou a defender com grande ênfase a posição da direita venezuelana e quer de todas as formas expulsar a Venezuela da OEA, contando para isso com o apoio dos golpistas brasileiros, do governo argentino e de outros com posições idênticas as do Departamento de Estado norte-americano.

Como a oposição venezuelana não de hoje prega solenemente até uma intervenção externa em função de informes que na verdade têm por objetivo acabar com a revolução bolivariana, a iniciativa de Almagro reforça os defensores de ações externas contra um país independente e que o governo não aceita intervenções de qualquer tipo vindas de fora.

É preciso, portanto, que os movimentos populares se mobilizem divulgando mensagens de repúdio às iniciativas de Almagro. Não se pode aceitar que na América Latina se repita o papel de subserviência adotado pela mesma OEA nos anos 60, quando a entidade aprovou uma ação externa contra o resultado de uma eleição presidencial na República Dominicana e que contou com o apoio do então general de plantão, Humberto de Alencar Castelo Branco.

Na época, para vergonha dos brasileiros, o primeiro dos generais de plantão, Castelo Branco mandou tropas comandadas por outro general do staff golpista, de nome Meira Matos, para evitar a continuidade de um governo que tinha por objetivo promover reformas sociais para melhorar as condições de vida da população dominicana.

Hoje, o Brasil não tem a frente do governo um general de plantão, mas um civil defensor de interesses da oligarquia, que assumiu depois de um golpe parlamentar, midiático e judicial que esta fazendo o Brasil descer ladeira abaixo. Todo cuidado é pouco em matéria de apoio governamental de ações externas como as defendidas pelo uruguaio Luis Almagro na OEA e pela oposição venezuelana. E é preciso o máximo de atenção, sobretudo pelo fato de o Ministério do Exterior do governo golpista que se diz do Brasil estar sendo ocupado por um político como Aloysio Nunes Ferreira, que não esconde a subserviência aos interesses do Departamento de Estado norte-americano. Mais até, se é que é possível, do que o antecessor José Serra.

Na verdade é preciso adotar todas as providências para evitar a repetição como farsa de uma posição que venha mais uma vez envergonhar os brasileiros pensantes e questionadores. Até porque o silêncio nesta hora é por demais comprometedor.

* Publicado no site Brasil de Fato.




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1 - IDENTIFICADO O AUTOR DO ATAQUE EM LONDRES: KHALID MASOOD. EI ASSUME AUTORIA; 2 - RÚSSIA NÃO PARTICIPARÁ DAS NEGOCIAÇÕES SOBRE PROIBIÇÃO DE ARMAS NUCLEARES


REDAÇÃO -


A polícia revelou a identidade do autor do ataque em Londres desta quarta-feira. Trata-se de Khalid Masood, um homem de 52 anos nascido em Kent, no sudeste da Inglaterra, segundo o The Guardian.

O homem vivia na região de West Midlands e usava vários pseudônimos. Era conhecido pelas autoridades e já tinha cadastro por ter sido condenado algumas vezes por crimes como agressão, posse de armas e perturbação da ordem pública. A primeira condenação foi em 1983 e a última em 2003, porém nenhum delas ligada ao terrorismo.

Morreram dois civis, o policial esfaqueado e o perpetrador do ataque perto do Parlamento em Londres nesta quarta-feira (22). Foi o pior ataque do tipo no país desde 2005, quando 52 pessoas foram mortas por homens-bomba no sistema de transporte público de Londres.

A primeira-ministra britânica Theresa May tinha dito esta manhã que o homem que atacou Westminster, matando três pessoas e ferindo outras 29, era conhecido das autoridades, mais precisamente do MI5, os serviços secretos do país.

May esclareceu ainda que, além dos 12 britânicos, foram assistidos no hospital três franceses, dois romenos, quatro sul-coreanos, um alemão, um chinês, um irlandês, um italiano e dois gregos. Há ainda três polícias feridos, dois deles em situação grave.
via Diário de Notícias

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Rússia não participará das negociações sobre proibição de armas nucleares

Diplomata russo declarou que conferência sobre desarmamento total das armas nucleares hoje não faz sentido.

As cinco potências nucleares oficiais — China, EUA, França, Reino Unido — não participarão da conferência sobre a proibição total das armas nucleares, marcada para a próxima segunda-feira em Nova York. A informação é do chefe do Departamento de Não-Proliferação e Controle de Armas da  chancelaria russa, Mikhail Ulyanov.

"Segunda-feira começa a conferência sobre um mundo livre de armas nucleares, que não terá a participação das cinco potências nucleares oficiais", disse ele.

Ulyanov disse que a conferência, a ser realizada sob os auspícios das Nações Unidas, "não faz sentido".
"É uma abordagem romântica que não tem nada a ver com a realidade, porque atualmente a proibição total das armas nucleares não é possível nem útil", disse o diplomata.
Ele disse que as armas nucleares "são uma ferramenta de dissuasão" no mundo de hoje.

O diplomata também destacou que o desarmamento nuclear deve ser feito gradualmente, para evitar o "caos nas relações internacionais".
via Sputnik





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1 - 'ANTIDIPLOMACIA' TELEFÔNICA: O ESTILO POUCO ORTODOXO COM QUE TRUMP CONDUZ RELAÇÕES INTERNACIONAIS DOS EUA; 2 - EUA REVALIDAM MILHARES DE VISTOS APÓS DECISÃO JUDICIAL


REDAÇÃO -
O mundo pela primeira vez está vendo o lado diplomático de Donald Trump.



Antes, conheceu o apresentador de programa de TV, o homem de negócios e o candidato republicano à presidência dos EUA.

Seu estilo sempre foi atrevido e temperamental. Trump nunca hesitou em ser politicamente incorreto. Estes atributos fizeram do programa The Apprentice um sucesso de TV não apenas nos EUA, bem como o ajudaram a fechar negócios no mercado imobiliário em tempos de bonança - e a se manter "vivo" quando a crise financeira de 2008 eclodiu.

Mas há quem questione se o "jeito Trump" será eficaz na tarefa de impor autoridade no cenário mundial. Já é certo que representa uma mudança radical na maneira como outros presidentes americanos se comportaram no âmbito das relações internacionais, com interações cuidadosamente manejadas, raramente fugindo do protocolo.

Talvez seja melhor dizer que o mundo está vendo o Donald Trump "antidiplomático".

Diálogos tensos - Vários veículos de mídia no mundo relataram na quarta-feira o suposto conteúdo de conversas de Trump com o presidente do México, Enrique Peña Nieto e com o premiê australiano, Malcolm Turnbull, com base em informações de fontes que tiveram acesso à transcrição dos diálogos.

A Turnbull, Trump disse que um acordo firmado com a administração de Barack Obama para receber mais de mil refugiados atualmente em campos de detenção australianos era o "pior compromisso do mundo". Ele também descreveu a conversa com o líder australiano como a pior que teve com líderes internacionais.

Em um sinal foi o fato de que a conversa, prevista para durar uma hora, acabou encerrada em 25 minutos.

México - No telefonema a Peña Nieto, Trump teria reclamado da atuação das autoridades mexicanas contra o narcotráfico e o crime. Segundo a agência de notícias AP, o presidente americano teria ameaçado enviar tropas ao país vizinho - uma informação negada pelo governo mexicano.

Nas duas conversas, Trump teria se gabado do tamanho da multidão que assistiu nas ruas de Washingotn a sua posse, em 20 de janeiro. O assunto se tornou recorrente nos pronunciamentos de Trump depois da mídia em vários países afirmar que o evento recebeu audiência muito menor que a posse de Obama, em 2009.

Mas as os relatos divergem dos comunicados da Casa Branca, que falam apenas na "força das relações" entre os países e sua "proximidade".

Diplomacia "dura" - Um tuíte de Trump condenando o acordo de refugiados com a Austrália pareceu confirmar que a conversa com Turnbull foi menos harmoniosa que nos documentos oficiais.

E o presidente não tentou dissuadir ninguém.

"Se vocês ouvirem que estou tendo conversas duras, não se preocupem. Está na hora de sermos um pouco duros, meus amigos. Todos os países do mundo estão levando vantagem sobre nós. Isso não vai continuar".

Esse tipo de atitude mais abrasiva agrada às pessoas que apoiam Trump, mas preocupa quem prevê problemas internacionais para o país.

"Isso gera uma profunda incerteza em outros países sobre a confiabilidade dos Estados Unidos. Se Trump continuar se comportando de maneira errática, as consequências podem ser imprevisíveis", explica Zach Beauchamp, jornalista especializado em relações internacionais.

Nem todas as interações de Trump, porém, têm sido agressivas. A conversa com o premiê paquistanês, Muhammad Nawaz Sharif, foi marcada por elogios de Trump, segundo as transcrições.

"Os paquistaneses são pessoas inteligentes. Estou pronto para ajudá-los a encontrar soluções para seus problemas", disse o texto.

A arte de vender Em um livro publicado em 1987, A Arte de Vender, Trump explica os segredos para uma boa negociação. Um deles é "ser afável, mas se defender com tudo" caso alguém acredite que está sendo tratado de maneira injusta.

Outro é "nunca mostrar fraqueza".

"O pior que se pode fazer em uma negociação é se mostrar despreparado", escreveu Trump.

"Isso faz com que a outra parte sinta o cheiro de sangue, e você está morto".

Há quem diga que Trump parece estar aplicando essas máximas a suas relações diplomáticas. (via BBC Brasil)

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EUA revalidam milhares de vistos após decisão judicial

Mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rechaçado a decisão judicial que suspende seu decreto anti-imigração, o governo americano anunciou neste sábado (04/02) que já trabalha para cumprir a liminar, emitida por um juiz federal na noite de sexta-feira.

O Departamento de Segurança Interna informou ter suspendido todas as medidas que se ajustavam ao veto migratório de Trump e retomado o sistema padrão de verificação de passageiros. Isso inclui permitir a entrada nos EUA de refugiados e cidadãos de sete países de maioria muçulmana.

Já o Departamento de Estado anunciou que revalidou os vistos que foram cancelados após a ordem executiva. “Revertemos a revogação provisória dos vistos”, disse um oficial à agência de notícias Efe, destacando que serão aceitos todos os vistos válidos que não tenham sido fisicamente danificados. Na sexta-feira, o mesmo órgão declarou que quase 60 mil vistos haviam sido suspensos.

As medidas anunciadas neste sábado são consequência de uma liminar que, na noite de sexta-feira, suspendeu o decreto de Trump. A decisão é do juiz federal James Robart, de Seattle, em resposta a uma ação aberta pelos estados de Washington e Minnesota. A suspensão é temporária e rege até que Robart tome uma decisão definitiva sobre a legalidade da ordem presidencial.

Ainda na sexta-feira, a Casa Branca declarou que entraria “o mais rápido possível” com um recurso contra a decisão judicial. “A ordem do presidente tem como objetivo proteger o país, e ele tem a autoridade constitucional e a responsabilidade de fazê-lo”, disse o porta-voz Sean Spicer em nota.

Trump se pronunciou publicamente sobre a determinação de Robart apenas neste sábado, em mensagens postadas no Twitter. “A opinião deste suposto juiz, que essencialmente leva para longe de nosso país o cumprimento da lei, é ridícula e será derrubada!”, declarou o republicano.

“A que ponto chegou nosso país quando um juiz pode deter um veto de segurança interna, e qualquer pessoa, mesmo com más intenções, pode entrar nos EUA?”, publicou Trump mais tarde.

A ordem de Trump suspendia por 120 dias a entrada de refugiados e por tempo indefinido o acesso de todos os migrantes vindos da Síria. O decreto também impôs uma proibição de entrada nos EUA, durante 90 dias, a cidadãos de sete países: Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Síria, Somália e Sudão.

Neste sábado, companhias aéreas internacionais informaram que voltaram a permitir o embarque de passageiros desses países em voos com destino aos Estados Unidos. A Qatar Airlines foi a primeira delas, seguida pela Air France, Emirates, Iberia, British Airlines, United Airlines e Lufthansa. (via DW)






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SUPERFICIALIDADE E IGNORÂNCIA NAS ANÁLISES SOBRE TRUMP


JOSÉ CARLOS DE ASSIS -



Lendo o artigo de ontem de Marcelo Zero na internet, fico imaginando como mesmo pessoas inteligentes e razoavelmente informadas não conseguem entender o que Donald Trump representa para os Estados Unidos e para o mundo em termos de mudança de paradigmas. São os velhos parâmetros que continuam no controle mental de muitos dos comentaristas sobre o assunto. Não conseguem ver que Trump não é um acidente, mas um fenômeno necessário da trajetória política americana e mundial.

É irrelevante que Trump tenha rejeitado um tratado que nunca existiu e que nunca provavelmente existiria na prática. Sua rejeição está no campo estritamente simbólico, que vale para dentro e, contraditoriamente, também para fora. O que se coloca em questão não é o tratado em si mas a simbologia que representa para o resto do mundo, em particular para os países em desenvolvimento e os emergentes. Nas mãos dos neoliberais democratas, mesmo não ratificado, serviria de pressão permanente para a abertura comercial destes últimos.

Para nós, brasileiros, a rejeição é extremamente significativa. Muitos se esquecem de que é um diplomata brasileiro que está à frente da Organização Mundial do Comércio. Sua tarefa, contra os interesses reais do Brasil, é promover o livre comércio no mundo, a começar do nosso. Quanto foi indicado para a OMC, escrevi um artigo inflamado perguntando que diabos um brasileiro iria fazer nesse posto na medida em que os interesses nacionais do país colidem com as prédicas ideológicas do livre comércio.

Agora, acredito eu, com base apenas na retórica de Trump – independentemente do que vier a fazer na prática, diga-se de passagem – países como o Brasil poderão criar coragem e defender seus próprios interesses e não os interesses de Washington na questão do comércio. É claro que gente como José Serra e Michel Temer devem estar tontos com a situação pois seria para eles mais confortável defender os interesses dos Estados Unidos na condição de cabeça de império do que como uma nação voltada para seus próprios interesses.

A tentativa de minimização do gesto de Trump ignora a natureza das leis dialéticas pelas quais situações extremas geram contraditoriamente o seu oposto para criar uma nova síntese. Os Estados Unidos estão super-estendidos no mundo. São mais de 700 bases militares, são sete guerras em andamento em que estão envolvidos, são agentes globais do intervencionismo militar e político. Seu povo parece cansado disso. Trump ganhou porque soube interpretá-lo. É o oposto disso. Uma figura contraditória, capaz de gerar uma síntese.

O Papa Francisco fez uma importante advertência a respeito dele. Vamos esperar para ver o que vai fazer, recomendou. Nada de julgamentos precipitados. Ao contrário do que pensam, seu nacionalismo vai muito além da retórica. Ele não quer se meter nos problemas do mundo em todo o planeta. Num dos temas mais sensíveis, Israel, ele fez um comentário absolutamente pertinente. Só Israel e os palestinos poderão resolver os seus problemas, disse ele. A pretensão de que tudo se resolve em Washington mais do que fracassou.





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QUAIS INTERESSES MOTIVAM APROXIMAÇÃO?


Via Jornal GGN -

Após o relatório da Inteligência Nacional norte-americana confirmar que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou uma campanha para tentar influenciar o resultado da eleição de vitória a Donald Trump, nos Estados Unidos, a dúvida que se levanta é: o que Trump pode oferecer a Putin e Putin a Trump?

No contexto do material divulgado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos, o documento mostra que o objetivo de ajudar o republicano a derrotar a democrata Hillary Clinton não ultrapassou, por outro lado, a legalidade das urnas.

A atuação russa ocorreu por meio de hackers que, com a suposta autorização de Putin, invadiram os computadores do Partido Democrata e divulgaram as informações ao WikiLeaks de que a sigla favoreceu Hillary nas primárias, com o intuito de ferir a imagem dos democratas.

O caso levou o então presidente Barack Obama a expulsar 35 diplomatas russos acusados de participar da espionagem. Após a divulgação do relatório "não confidencial", nesta sexta-feira (06), Obama em tom irônico advertiu o seu sucessor que Vladimir Putin "não faz parte da equipe" de governo.

"O que é certo é que os russos tinham a intenção de interferir, e o fizeram", disse em entrevista a uma televisão norte-americana, neste sábado. "Devemos lembrar que [republicanos e democratas] estamos na mesmo time e que Vladimir Putin não faz parte da equipe", completou.

Mas diante dessas informações, analistas de todo o mundo tentam entender até que ponto os dois líderes poderiam se beneficiar de uma cooperação. Para responder a essa pergunta, o colunista Jorge Almeida Fernandes, no jornal português Público PT, trouxe algumas explicações.

Narrou que o vice-diretor do Centro de Estratégia e Estudos Internacionais Rússia e Eurásia, autor do livro Política Externa Russa: O Retorno das Políticas de Grande Poder (Ed. Rowman & Littlefield, 2009), Jeffrey Mankoff, disse que "Moscovo deseja diminuir as tensões com os Estados Unidos e obter o acordo de Washington sobre um novo mundo multipolar baseado em esferas de influência das grandes potências, em detrimento das normas e instituições liberais que dominaram a era pós-Guerra Fria".

Além disso, o historiador britânico Niall Ferguson escreveu para a Foreign Affairs o que Putin almeja: "Item n.º 1: o levantamento das sanções. Item n.º2: um fim da guerra na Síria em termos russos - que incluiria a preservação de Assad no poder, no mínimo após um ‘intervalo decente’. Item n.º 3: o reconhecimento de facto da anexação russa da Crimeia e algumas mudanças constitucionais destinadas a tornar impotente o governo de Kiev, concedendo à região oriental do Donbass um permanente direito de veto pró-russo."

Do outro lado, "Moscovo aposta no argumento de que nem na Ucrânia nem na Síria estão em jogo 'interesses vitais' americanos. E aposta noutro plano, pensando: um 'negócio' com o adversário tem precedência sobre a defesa de um aliado, tanto mais que a Ucrânia não faz parte da NATO. E, explorando o que Trump até agora disse em termos de política internacional, calculará que a Europa ficaria à margem de um entendimento entre os 'grandes'", raciocinou o português Jorge Almeida Fernandes.

De acordo com os analistas, os russos estariam dispostos a uma "grande negociação", uma vez que "quer não apenas um ‘novo [acordo de] Ialta’, mas também um acordo sobre o direito de a Rússia interpretar as regras globais e construir uma ordem baseada no equilíbrio dos interesses e poderes".

E, por fim, "é evidente que as ideias de Trump se inserem no triângulo Washington-Moscovo-Pequim. Diga-se que a linha dura de Trump em relação a Pequim não desagrada a Moscovo, que se lembrará de Kissinger. Dizia ele que, naquele triângulo, a América deveria estar mais próxima de Pequim e de Moscovo do que estas entre si", conclui o colunista.



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PUTIN DIZ QUE REAGIRÁ DE FORMA ADEQUADA A SANÇÕES DO EUA; COMO SUICÍDIO DE FUNCIONÁRIA EXAUSTA LEVOU À RENÚNCIA DO PRESIDENTE DE GIGANTE JAPONESA


REDAÇÃO -
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na noite desta quinta-feira que o presidente russo, Vladmir Putin, irá determinar uma resposta adequada às sanções anunciadas hoje (29) pelos EUA, acrescentando que a medida russa deixará Washington "desconfortável".


Mais cedo, o governo de Barack Obama anunciou a imposição de sanções a indivíduos e organizações da Rússia de alguma forma envolvidos em uma suposta tentativa de interferir, através de ataques cibernéticos, na eleição presidencial norte-americana, realizada em novembro.

Além disso, a Casa Branca também decidiu expulsar 35 diplomatas russos dos EUA, informando que eles terão no máximo 72 horas para deixar o país.(informações Sputnik)

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Como suicídio de funcionária exausta levou à renúncia do presidente de gigante japonesa

O presidente da principal agência de publicidade do Japão anunciou sua renúncia ao cargo após o suicídio de uma funcionária que se dizia física e mentalmente exausta por causa do excesso de trabalho.

Tadashi Ishii liderava a Dentsu, uma gigante nipônica de publicidade, e assumiu a responsabilidade pela morte da jovem. Ele afirmou que vai tornar a renúncia efetiva na próxima reunião da diretoria da empresa, em janeiro.

Matsuri Takahashi tinha 24 anos e trabalhava na companhia havia sete meses quando pulou da janela de um prédio onde morava – que era da própria Dentsu – na noite de Natal de 2015.

O caso veio à tona nesta semana, depois da decisão do Ministério do Trabalho japonês de processar a empresa pela morte dela.

O governo chegou a fazer uma investigação e uma varredura na Dentsu para obter informações sobre as práticas de trabalho. Foi determinado que a empresa descumpriu as leis trabalhistas e, portanto, tem responsabilidade legal pela morte da jovem.

Na última quarta-feira, a empresa admitiu que cerca de 100 trabalhadores ainda faziam cerca de 80 horas extras por mês.

As mortes por excesso de trabalho são um problema tão grande no Japão que já existe até um termo para descrevê-las: “karoshi”.

Antes de se matar, Takahashi deixou um bilhete para a mãe, no qual escreveu: “você é a melhor mãe do mundo, mas por que tudo tem que ser tão difícil?”.

Ishii admitiu que alguns funcionários da Dentsu trabalham mais de 80 horas extras por mês.

Semanas antes da morte, ela escreveu uma mensagem nas redes sociais em que dizia: “quero morrer”. Em outra, alertava: “estou física e mentalmente destroçada”.

Contratada em abril do ano passado, a jovem chegava a fazer cerca de 105 horas extras por mês.

Além disso, a família acusou a empresa de obrigá-la a registrar menos horas do que de fato trabalhava. Em muitos casos, o registro mostra que ela trabalhou 69,9 horas por mês, perto do máximo de 70 horas permitidas, mas a cifra era bem maior.

Takahashi havia acabado de se formar na prestigiosa Universidade de Tóquio e expunha as condições duras de trabalho na sua conta no Twitter, onde detalhava jornadas de até 20 horas diárias.

A carga horária disparou em outubro de 2015, quando ela só chegava em casa por volta de 5h, depois de ter trabalhado dia e noite. Além disso, ela não teve nenhum dia de folga em sete meses.

Ao anunciar sua demissão, o presidente da Dentsu afirmou que jamais deveriam ser permitidas essas quantidades excessivas de trabalho.

“Lamento profundamente não ter prevenido a morte da nossa jovem funcionária por excesso de trabalho e ofereço minhas sinceras desculpas”, disse Ishii.
Fonte:BBC

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JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


A virtual derrota para a Rússia no Leste da Ucrânia, a derrota também para a Rússia em Aleppo, o desastre estratégico representado pelo Brexit na Europa Ocidental e, sobretudo, a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas são parte de uma cadeia de desastres estratégicos que estão fulminando o esquema de poder global concebido no núcleo neoconservador-neoliberal dos Estados Unidos. Acima disse, paira uma ameaça moral sem paralelo: o Papa Francisco, condenando o capitalismo financeiro com audácia inaudita.

Não é impossível matar um Papa. Afinal, é um homem, e todos os homens são vulneráveis. O Grande Chefão de Francis Coppola mostrou como provavelmente o Papa João Paulo I foi assassinado pela Máfia. Contudo, ele representava um desafio local na Itália. Francisco é um desafio global. Diante de desafios globais a CIA mudou de tática. Não mata diretamente. Usa levantes populares que podem começar com uma campanha contra a corrupção, a favor dos Direitos Humanos ou pelo meio ambiente.

Os idiotas são arrastados para essas campanhas, justas mas manipuláveis, como cordeiros para o matadouro. No Brasil, o braço da CIA para derrubar Dilma Roussef e com ela um projeto de poder não submisso aos Estados Unidos foi uma sucessão de denúncias contra a corrupção por parte de um suspeito grupo de juiz e procuradores federais de Curitiba. Não que não tenha havido ou que não haja corrupção no Brasil. Mas o que a grande mídia, comprada e manipuladora, vende a seus leitores é que só há corrupção no Brasil.

Grande coincidência. Não há corrupção nem na Colômbia nem no Canadá, países alinhados de forma absoluta com os Estados Unidos. Mas há corrupção no Brasil porque, afinal, o Brasil tem no pré-sal uma das maiores reservas de petróleo no mundo e está articulado, infelizmente ainda de maneira frouxa, com os BRICS, liderados por dois países que os Estados Unidos de Obama e dos Clinton veem como inimigos. Essa equação, para a felicidade da espécie humana, deve mudar radicalmente com Trump na Casa Branca.

Entretanto, nada é mais ameaçador, hoje, para os assassinos do Pentágono e da CIA, racionalizados pelos neoliberais (em economia) e neoconservadores (em geopolítica), do que a força moral que se afirma de forma insistente por parte do Papa Francisco. A CIA não precisa de montar um complô clássico para matá-lo. Basta usar os longos braços dos cardeais Raymond Leo Burke, Salter Brandmuller, Carlos Caffara e Joaquim Meisner para cumprir a ameaça que, sem muita sutileza, fizeram numa carta tornada pública.

Camuflados sob o manto da proteção à família (aparentemente sua rebelião se justifica por serem contrários à comunhão para divorciados), e numa crítica à carta de Francisco “Amoris Laetitia” (Alegria do Amor), esses quatro cardeais, ou por serem extremamente ingênuos, ou por serem simplesmente bandidos, servos de Mamon, o dinheiro, atacaram Francisco em termos pessoais numa carta denominada “Dubbia” (dúvidas), com uma ameaça explícita: “há a possibilidade de corrigir o Pontífice Romano” “em um ato muito raro”.

Qual seria esse “ato raro”? Algo preparado pela CIA, no antigo molde das múltiplas tentativas de atentado contra Fidel Castro? Ou seria ao estilo mais moderno de sublevações sociais contra o Papa? Ou seria ainda uma campanha de desmoralização do Vaticano a partir, por exemplo, da TV Globo, que está aí disponível para qualquer parada? Caveat (cuidado!), Francisco. Talvez sua salvação, e a salvação do mundo o deus Mamon passem por uma aproximação maior sua com Putin, Li Keqiang e um futuro presidente do Brasil que se unam contra a ditadura do capital financeiro de Wall Street, da qual Trump se declarou inimigo.



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REDAÇÃO -

O fundador da organização que luta pela transparência das informações, conhecida como Wikileaks, divulgou um anúncio no dia 1 de dezembro de 2016, expondo mais de 500.000 arquivos diplomáticos arquivados desde 1979, que, de modo sucinto, revelam que a CIA (Central Intelligence Agency - Agência Central de Inteligência, o maior órgão de informações, espionagem e contra-espionagem dos EUA) foi responsável pela criação do grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS).

O período de divulgação desses dados coincidiu com o sexto aniversário da divulgação "Cablegate" do WikiLeaks, que expôs as maquinações do império dos EUA. A divulgação mais recente, conhecida como "Carter Cables", expõe 531.525 novos arquivos diplomáticos aos já volumosos registros da Public Library of US Diplomacy (PLUSD - Biblioteca Pública da Diplomacia dos EUA).

Num comunicado divulgado na exposição dos arquivos do "Carter Cables", Julian Assange mapeou os eventos desde 1979, começando por uma série de eventos que culminaram com o surgimento do Estado Islâmico.

"Se podemos indicar algum ano como o 'marco zero' de nossa era, esse ano é 1979", disse Assange. Assange mostra a realidade de que as raízes do terrorismo islâmico moderno começaram a se fixar por uma parceria entre a CIA e o governo da Arábia Saudita, investindo bilhões de dólares para criar uma força "mujahideen" para lutar contra a União Soviética no Afeganistão - e que, em última análise, favoreceu a criação da Al-Qaeda e do Estado Islâmico.

Assange não está sozinho nessas alegações. De acordo com uma pesquisa da Express, a maioria da população compreende que a política externa dos EUA criou o Estado Islâmico. Assange revela que o ataque do 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão estão diretamente ligadas ao surgimento do ISIS.

"No Oriente Médio, a Revolução Iraniana, a revolta islâmica na Arábia Saudita e os acordos do Campo Davi (entre Egito e Israel) levaram não somente à atual dinâmica de poder regional, como também mudaram decisivamente a relação entre petróleo, islamismo militante e questões mundiais.

"A revolta em Meca mudou permanentemente a Arábia Saudita para o wahhabismo, levando à difusão transnacional do fundamentalismo islâmico e à desestabilização do Afeganistão", disse Assange. "A invasão do Afeganistão pela URSS fez com que a CIA investisse bilhões de dólares em guerrilheiros mujahideen como parte da Operação Ciclone, fomentando o surgimento da Al-Qaeda e o eventual colapso da União Soviética".

"A difusão da islamização havia chegado ao Paquistão, desde 1979, onde ocorreram os episódios da queima da embaixada dos EUA e o assassinato do então primeiro ministro paquistanês, Zulfikar Ali Bhutto".

"A crise dos reféns iranianos acabou minando a presidência de Jimmy Carter, levando à eleição de Ronald Reagan".

"O surgimento da Al-Qaeda eventualmente levou ao atentado do 11 de Setembro de 2001 e outros ataques aos Estados Unidos, permitindo a invasão dos EUA contra o Afeganistão e o Iraque, causando uma década inteira de guerra que, no fim, resultou na base ideológica, financeira e geográfica para o ISIS", disse Julian Assange.

Em adição ao surgimento do islamismo militante global, as últimas divulgações incluem dados sobre a eleição de Margaret Thatcher como primeira ministra britânica. O incidente na ilha Three Mile também é mostrado como parte de eventos que ligam as conexões de Henry Kissinger com David Rockefeller, que buscava um local para resguardar o xá deposto do Irã.

"Em 1979, parecia que o sangue nunca iria parar", disse Assange. "Dúzias de países foram palcos de assassinatos, golpes, revoltas, bombardeios, sequestros de políticos e guerras de liberação". Com a divulgação dos chamados "Carter Cables", o WikiLeaks já publicou um total de 3.3milhões de arquivos diplomáticos dos EUA. Mantendo-se fiel ao seu lema, o site WikiLeaks continua a expor dados secretos dos governos.

Numa entrevista com Assange, ele aponta um e-mail enviado a Podesta, expondo os governos da Arábia Saudita e do Qatar como diretamente ligados ao ISIS. No e-mail, enviado em 17 de agosto de 2014, Hillary Clinton pediu que John Podesta ajudasse a "pressionar" os governos do Qatar e da Arábia Saudita a fornecer mais apoio ao ISIS, por aqueles que são considerados geralmente como aliados próximos dos EUA (algo que os pronunciamentos oficiais dos EUA continuam a negar publicamente).

O e-mail de Hillary Clinton para Podesta revela claramente a realidade da situação. "Precisamos usar nossa diplomacia e, mais ainda, nossa inteligência tradicional para pressionar os governos do Qatar e da Arábia Saudita, que estão fornecendo financiamento e logística clandestinos para o ISIS e outros grupos radicais sunitas na região", escreveu Clinton no e-mail. (via Ação Avante)

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EUA iniciam ofensiva sobre Mossul nos próximos dias

As forças do Iraque irão retomar sua ofensiva contra o Estado Islâmico dentro de Mossul nos próximos dias, nova fase da operação de dois meses que deixará os militares dos Estados Unidos mais perto da linha de frente da cidade, disse um comandante de batalha norte-americano.

A batalha por Mossul, que envolve 100 mil tropas iraquianas, membros de forças de segurança curdas e milicianos xiitas. É a maior operação terrestre no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

Parece provável que a próxima fase dará aos soldados norte-americanos sua maior atuação em combate desde que cumpriram a promessa de seu presidente, Barack Obama, de se retirarem do país em 2011.

Soldados iraquianos de elite retomaram um quarto de Mossul. O último grande bastião dos jihadistas no Iraque. Mas seu avanço tem sido lento e custoso. Neste mês eles entraram em uma “recomposição operacional” já planejada, a primeira pausa significativa da campanha.

Duas semanas atrás, uma unidade fortemente blindada de vários milhares de policiais federais foi transferida dos arredores do sul. Para reforçar a frente leste depois que unidades do Exército assessoradas pelos norte-americanos sofreram baixas pesadas durante um contra-ataque do Estado Islâmico.

Conselheiros dos EUA, parte de uma coalizão internacional que realizou milhares de ataques aéreos. E treinou dezenas de milhares de soldados iraquianos, irão trabalhar diretamente com estas forças e com uma força de elite do Ministério do Interior. 

Ataque

– Neste momento estamos, na verdade, nos aprontando para a próxima fase do ataque. Quando começaremos a penetração no interior do leste de Mossul – disse o tenente-coronel Stuart James, comandante de um batalhão de combate que assessora forças de segurança do Iraque na frente do extremo sul, em entrevista à agência inglesa de notícas Reuters no final de domingo.

– Então, neste momento, posicionando forças e posicionando homens e equipamentos no interior do leste de Mossul. Irá acontecer nos próximos dias.

A manobra irá levar as tropas dos EUA para dentro da cidade de Mossul propriamente dita e expô-las a maior risco. Embora James tenha dito que o nível de perigo ainda está caracterizado como “moderado”. Três efetivos norte-americanos foram mortos no norte do país nos últimos 15 meses.

James, que falava de um posto avançado austero localizado no leste de Mossul. Onde várias centenas de tropas de seu país estão a postos, disse que o ritmo da próxima fase no flanco leste irá depender da resistência do Estado Islâmico.(informações Reuters)




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FIDEL CASTRO, O QUIXOTE QUE DEU CERTO


Por ROBERTO AMARAL -

Fidel, com seus erros e seus méritos, abraçou o império da realidade objetiva e entrou para a história.


O ancião alquebrado que acaba de nos deixar venceu todos os adversários com os quais se defrontou, e sempre em condições extremamente desvantajosas, e nenhum deles era moinho de vento, pois todos inimigos ferocíssimos, riquíssimos, e o mais perigoso de todos, o império norte-americano, armado com modernos escudos, lanças e mesmo garras e dentes atômicos.

Fidel Castro, que o processo histórico transformaria no principal líder latino-americano do século XX, líder libertário da relevância de Ho Chi Minh e Nelson Mandela, foi, para os oprimidos de todos os continentes, para o grande universo dos subdesenvolvidos e particularmente para nós, latino-americanos, uma luz, uma esperança, animando vontades e ajudando a realizar sonhos de libertação nacional.

Aquele bastião de pé dizia que a luta continuava.

Com sua partida, encerra-se a saga dos heróis cervantinos da Revolução Cubana, Fidel, Camilo Cienfuegos – que não conheceu o poder – e Ernesto ‘Che’ Guevara, que desprezou o poder e o repouso do guerreiro: deixou saudade e saiu de cena admirado pelo que não conseguiu fazer; sua imagem é icone de amigos e adversários, multiplicada pelo sistema que não conseguiu abalar.

Fidel, com seus erros e seus méritos, foi o amálgama da tríade, pois era o sonho sem limites, era a mística revolucionária, mas era igualmente a práxis consciente de quem, sem renunciar ao sonho e mesmo à aventura, dá os braços ao império da realidade objetiva.

A partir de Cuba – ilha irrelevante do ponto de vista econômico, com seus 11 milhões de habitantes e 109.884 km2  de extensão (menor do que o Ceará) em face de gigantes como o Brasil e os EUA –, Fidel cumpriu, por décadas, com imensos sacrifícios para seu povo, o papel de esteio da luta anticolonialista e anti-imperialista, indispensável para a construção de um mundo socialmente menos injusto. Em quase toda a África os soldados cubanos estiveram lutando – Angola é o exemplo mais relevante – em defesa dos processos de libertação nacional.

Como poucos líderes revolucionários, Fidel sobreviveu à sua obra e morreu como vencedor, e, como todos os vitoriosos longevos pagaria alto preço no julgamento de seus contemporâneos. Ainda aguarda o crivo da história.

Venceu antes de tudo a ditadura luciferina de Fulgencio Batista, o criminoso desvairado, sem limites, encerrando décadas de assassinatos, torturas e toda sorte de barbárie. Venceu reiteradas vezes o poderosíssimo império americano, distante apenas 150 quilômetros de sua costa: venceu o general Dwight Eisenhower, o primeiro presidente a decretar embargo comercial contra Cuba (1960), venceu John F. Kennedy e a invasão da Baía dos Porcos (1961), venceu Richard Nixon e 634 tentativas de assassinato comandadas pela CIA (O Globo, 27/11/2016); venceu todos os presidentes americanos contemporâneos a ele – todos seus adversários e todos tentando a destruição do projeto cubano de regime socialista, bem como tentando sua eliminação física.

Cuba e Fidel, a partir de certo momento uma unidade, sobreviveram à queda do Muro de Berlim, à debacle da União Soviética e à transição da China para o capitalismo de Estado. Sobreviveram  à Guerra Fria e à chantagem do conflito atômico. Sobreviveram ao cerco das ditaduras latino-americanas instaladas em nosso continente pelos Estados Unidos nos anos 1960-1970.

Cuba, enfim, superou mais de 50 anos de cerco político-econômico (em 1962 os americanos decretam embargo econômico total à Ilha), diplomático e militar da maior potência do mundo, sobreviveu à crise do socialismo real e à globalização. Derrotou as oligarquias, os insurgentes, os sabotadores internos e externos.

Ao funeral de Fidel – liderança que os cubanos dividem com parcelas significativas das grandes massas de nossos países –, comparecerá um povo respeitado, soberano e solidário, orgulhoso de sua trajetória e consciente de seu papel na história. Este, seu legado.

Com a exceção da revolução de 1917, e ao lado certamente da Guerra do Vietnã, nenhum outro processo social terá influenciado tanto o mundo, e principalmente nosso continente, quanto a revolução cubana e nenhum líder exerceu tanto fascínio entre as multidões de jovens esperançosos quanto Fidel.

Nenhum líder permaneceu no pódio por tanto tempo, e não conheço outra identificação tão profunda, tão íntima entre o líder e sua gente, entre a história do líder e a história de seu país. E muito raramente um líder terá sido tão sujeito da história, artesão dos fatos, cinzelando as circunstâncias.

A Cuba de hoje resolveu problemas que ainda se agravam em países relativamente ricos, como o nosso: erradicou a miséria e o analfabetismo, universalizou o acesso à saúde de qualidade (apontado ao mundo pela OMS como exemplo a ser seguido) e à educação. A Cuba que Fidel Castro, Camilo Cienfuegos e Ernesto “Che” Guevara libertaram no réveillon de 1958-1959, porém, era, naquele então, apenas o maior prostíbulo do Caribe, balneário de gângsters controlado pela máfia e pelo tráfico, país sem economia própria, sem indústria, limitado à monocultura do açúcar.

Ícone da luta anti-imperialista, ícone da revolução em nosso continente, e de uma revolução socialista, símbolo da preeminência da vontade política sobrelevando às teorizações, Fidel Castro, líder de uma revolução impossível que no entanto se fez real, foi o grande nome de minha geração que em 1960 ingressava na universidade.

Cuba era a nossa Dulcineia, a ínsula que o sonho do cavaleiro nos prometia. Cuba era uma esperança, sua resistência, sua sobrevivência valiam como o certificado de que eram possíveis e viáveis todos os nossos sonhos de jovens socialistas que logo seriam chamados para o enfrentamento da ditadura militar instalada em 1964.

Visitei Cuba por diversas vezes, em tempo de bonança e em tempos de “período especial” – assim chamado aquele que se sucedeu ao suicídio da União Soviética. Visitei Cuba como dirigente político, quando, com Jamil Haddad, estava incumbido da tarefa de reorganizar o Partido Socialista Brasileiro, que consignava em seu programa o compromisso com a defesa da Revolução Cubana.

Foram muitas as delegações trocadas entre o PSB – então um partido de esquerda – e o Partido Comunista Cubano. Conheci e convivi com seus principais líderes. Em algumas oportunidades pude viajar por suas províncias, conversar com sua gente, visitar suas escolas e universidades, seus centros cívicos, conviver com seus estudantes e intelectuais, dialogar, debater, discutir. Testemunhei suas dificuldades e pude acompanhar a dedicação majoritária em torno do grande projeto.

As circunstâncias me ensejaram vários encontros – longas conversas, sem hora para começar e sem hora para terminar – com o “Comandante”, em Brasília, em São Paulo e principalmente em Havana. No primeiro desses encontros, Fidel disputou com o senador Jamil Haddad, então presidente do PSB, quem mais conhecia o programa siderúrgico brasileiro.

Visitei a Ilha outras vezes para participar de congressos e seminários diversos. Na última vez que estivemos juntos, eu integrava uma delegação de escritores e políticos brasileiros que comparecia ao um congresso latino-americano. Nosso bate-papo começou por volta das 22h e só terminou em torno das 4-5 horas da manhã. Nesse encontro, Fidel teve a oportunidade de discorrer, para uma plateia espantada, sobre o quadro político de cada um de nossos países. E ele, só ele assim, grande parte do tempo falando de pé.

Sem maiores ilusões quanto à supremacia da práxis, nos chamava a atenção para os dias vindouros, difíceis, dizia ele para nossa surpresa coletiva, a reclamar de todos, militantes de esquerda, muita reflexão, muita produção teórica. Muita recuperação das lições da História. Aquele homem, por excelência homem de ação e chefe de Estado nos ditava a lição de Engels: “Não poderemos prever o futuro senão quando tivermos compreendido o passado”. 

Permito-me reproduzir aqui algumas palavras do prefácio que tive a honra e o prazer de escrever para o belo livro de Cláudia Furiati (Fidel Castro – Uma biografia consentida):

“Montado no Rocinante que as circunstâncias lhe permitiram, à frente de pequeno exército de desvairados, vestido apenas na armadura de uma paixão desenfreada por sua Dulcineia, Fidel é um Quixote moderno, o cavaleiro da triste figura, apólogo da alma ocidental que deu certo, derrotando não moinhos de vento, mas dragões verdadeiros, os quis, porém, vencidos, renascem para a luta, e o líder cubano, tanto quanto o herói cervantino, não conhece a paz, mas sua Dulcineia permanece preservada. Não economizou sonhos, dores e meios”.





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COMANDANTE FIDEL CASTRO, PRESENTE !


EMANUEL CANCELLA -



Em 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros onze homens, vindos de barco de Miami, iniciaram a tomada de Havana, a capital cubana, e transformou em realidade o sonho de uma sociedade socialista. Ele mostrou ao mundo que outra sociedade é possível, enfrentando, por mais de meio século, o maior boicote econômico do planeta.

Se por um lado, Cuba esbarrou na economia por conta do forte bloqueio, por outro, tornou-se referência mundial nos esportes e na medicina. Inclusive acudindo pacientes estrangeiros em vários tratamentos, como no vitiligo e aos tetraplégicos. Cuba mandou médicos para ajudar vários países, inclusive o Brasil!

Os médicos cubanos vieram para o Brasil, para o programa ‘Mais Médicos’ fazer aquilo que os médicos brasileiros não fazem:atender nas periferias e aos pobres. E fizeram mais, já que os médicos cubanos destinaram a maior parte de seus salários para ajudar seu país, Cuba.

Vem de Cuba o exemplo “Milhões de crianças estão abandonadas nas ruas do mundo, nenhuma em Cuba”.

Fidel, filho de latifundiário, rompeu com sua própria irmã, que virou sua desafeta, e foi morar em Miami. A gota d’água do rompimento com a irmã foi o fato de Fidel ter iniciado a ‘Reforma Agrária’ em Cuba em terras da própria família.

Che Guevara largou o ministério de Cuba e foi estender a revolução socialista ao continente latino-americano. Foi morto pela polícia! Virou para os jovens de várias gerações um símbolo da luta pela liberdade em todo o planeta!

Os EUA conseguiram derrubar vários governos, de forma covarde, principalmente para se apossar do petróleo, inclusive no Brasil, colaborando no impeachment da presidente Dilma (3). E em Cuba não foi diferente, segundo Fidel, os EUA tentaram envenená-lo, através da CIA, por 600 vezes (2).

Fidel enfrentou o império e não caiu!  Alguém vai dizer que ele teve o apoio da União Soviética. Entretanto, a URSS se dissolveu e se transformou na Rússia que, apesar de manter-se como uma das potencias mundiais, deixou de lado o apoio material a Cuba. Mesmo sem o apoio russo, Fidel resistiu!

Hugo Chávez, na Venezuela, outro líder revolucionário, furou o bloqueio econômico ditado pelos americanos, fazendo vários convênios de apoio à Ilha,  que resultou no envio de médicos a Venezuela e principalmente o de fornecimento de petróleo a Cuba. O sucessor de Chávez, Nicolás Maduro, mantém o apoio à Ilha e sofre uma oposição ferrenha dos EUA. Tanto Chávez quanto Maduro foram vítimas de tentativas de golpes americanos, lá sem sucesso!

Miami, o estado americano que recebe a maioria dos golpistas latino-americanos em fuga, festejou a morte de Fidel Castro. Lá foi um dos poucos locais no mundo que comemorou a morte de Fidel.

O governo brasileiro de Luiz Inácio Da Silva financiou, através do BNDES, a construção do porto de Muriel na Ilha, que vai ser fundamental na retomada econômica de Cuba e importante fator de crescimento para o Brasil (1).

Quando vi o irmão de Fidel, Raul Castro, anunciar na TV a morte do grande líder, confesso que não me contive e chorei, mas em seguida sorri, pois Fidel morreu mas deixou para o mundo a alegria de ter provado que um outro mundo, mais humano, fraterno e solidário, é possível.

Hasta la Victoria Siempre!

Fonte:




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REDAÇÃO -


O comandante Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, morreu nesta madrugada, aos 90 anos. Comunistas, socialistas, democratas, progressistas, homens e mulheres de bem, cidadãos livres e revolucionários, o mundo libertário amanheceu de luto. Fidel foi um dos mais importantes, carismáticos e polêmicos líderes políticos mundiais, que, em 1959, liderou, ao lado do companheiro Che Guevara, a conquista do poder em Havana, a partir da Sierra Maestra, inspirando jovens do mundo todo, com os ideais revolucionários.

As aparições de Fidel publicamente estavam cada vez mais escassas. A última vez que ele apareceu foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

“O comandante chefe da revolução cubana morreu às 22h29 desta noite [de sexta-feira, 3h29 de sábado]”, anunciou Raúl Castro, que sucedeu ao irmão em 2006. O corpo de Fidel será cremado, “atendendo à sua vontade expressa”, anunciou Raúl Castro, e os pormenores sobre o funeral serão dados mais tarde.

A breve declaração de Raúl Castro terminou com a frase: “Hasta la victoria, siempre”.


Leia, abaixo, reportagem da Agência Sputinik:

Ex-presidente de Cuba morreu aos 90 anos de idade, diz o canal de televisão estatal cubano.

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, morreu, segundo a mídia local no sábado (26). ​Ex-presidente cubano morreu aos 90 anos de idade e seu corpo será cremado, a pedido do próprio Castro, comunicou a agência de notícias Prensa Latina, citando o atual presidente cubano, Raul Castro, irmão do ex-líder falecido.

Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana em 1959, derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos EUA. Ele celebrou o aniversário de 90 anos em 13 de agosto. Fidel Castro, uma das personalidades mais conhecidas do mundo, nasceu em 1926. Sua carreira política se iniciou em dezembro de 1976.

Durante três décadas, Castro foi presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de Cuba, assim como comandante-em-chefe das Forças Armadas Revolucionárias. Em 2006, devido ao seu frágil estado de saúde, Fidel Castro abandonou os cargos políticos, passando as suas funções para o seu irmão, Raúl Castro.

A luta revolucionária de Fidel começou em 11 de março de 1952, após o golpe militar do general Fulgencio Batista. Castro esteve nas primeiras fileiras da resistência, organizando os apoiantes para derrubar o ditador. A primeira ação do grupo de Castro foi atacar o Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953. Com o fracasso da ofensiva, Fidel foi capturado e condenado a 15 anos de prisão.

No entanto, sob a pressão do povo, foi liberado pela amnistia em 1955, sendo exilado para o México, onde continuou organizando a rebelião almejada não somente por ele, mas por muitos. Em dezembro de 1956, o grupo de revolucionários liderados por Castro desembarcou na província de Oriente, Cuba. O grupo cresceu, ganhou força e se tornou o Exército Rebelde. Em 1 de janeiro de 1959, Castro e seus aliados conseguiram derrubar o regime ditatorial de Batista.
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JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Perguntaram-me há pouco por que a União Soviética acabou. Fiquei embaraçado. Ninguém nunca me havia feito uma pergunta tão direta para um assunto tão complexo. Mas decidi responder. A União Soviética rendeu-se aos Estados Unidos para evitar uma guerra nuclear. Como consequência, os laços da União que se mantinham de forma artificial rapidamente se dissolveram. Uma a uma, cada república das 15 foi se separando da União, criando uma unidade frouxa, substituta, chamada Comunidade de Estados Independentes.

Não veio a segunda pergunta, isto é, por que a União Soviética, uma potência nuclear de primeira linha, se rendeu aos Estados Unidos. Isso eu tentei explicar num pequeno livro escrito na época dos acontecimentos, “O golpe social-democrata de Gorbachev”. O livro era muito bem fundamentado. Entretanto, tinha um erro fatal, responsável pelo fato de eu não tê-lo colocado em circulação. O erro é que, a despeito das aparências, Gorbachev não deu um golpe. Preferiu uma democra-oligarquia anárquica a uma ditadura social-democrata.

Revisitemos os fatos de memória. Um dos líderes dos neoconservadores americanos, George Bush pai, enquanto diretor da CIA, criou uma ONG com sede em Washington, em meados dos anos 70, denominada Comitee for the Present Danger. Essa entidade, atuando às claras, tinha como o principal de seus propósitos estatutários “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”. A ONG tinha, creio, 60 eminentes membros da direita americana. Ronald Reagan filiou-se em 1979, um ano antes de sua posse.

Uma vez empossado, Reagan levou para postos elevados do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado 29 integrantes do CPD. Uma vez no governo, dedicaram-se a por em prática a estratégia da “protected nuclear war”, isto é, a estratégia baseada na ideia de que os Estados Unidos poderiam travar uma guerra com a União Soviética protegendo o próprio território. Eu estive na Alemanha em 1985, para cobrir a reunião dos sete grandes, e estava por lá Richard Perle, o assessor de Segurança Nacional de Reagan e posteriormente demitido por corrupção, pregando essa estratégia para alemães estupefatos, que sabiam que seriam aniquilados no caso de uma guerra que se suponha capaz de proteger o território, sim, mas norte-americano.

Enquanto isso fosse uma peça retórica no jogo geopolítico de Reagan os soviéticos podiam descartar com balançar de ombros. Acontece que algumas medidas concretas dos americanos, todas vazadas através de grandes jornais do país, esquentaram a cena. Uma delas, dentre outras várias provocações, foi a redução para dois do nível de redundância de avaliação de possível agressão para um disparo automático em resposta dos mísseis nucleares do arsenal americano. Com isso, seria uma máquina, não o Presidente, que desencadearia uma guerra nuclear se houvesse uma detecção de ataque falso, e outra, também falsa.

O ambiente era esse em meados dos anos 80. Foi descrito com extremo realismo por um físico canadense, F. Knelman, no livro “America, God and the Bomb”. O título era uma metáfora das forças principais que elegeram Reagan: nacionalistas retrógrados, estrategistas belicistas e pastores eletrônicos. Enfim, extrema direita – algo que não assustou ninguém na época a exemplo da suposta direita que elegeu Trump.

Agora pensem bem. O que fazem nesse ambiente os estrategistas soviéticos? Eles não podem contar com tecnologia que confronte o programa Guerra nas Estrelas, supostamente destinado a garantir um primeiro ataque americano sem retaliação. Eles acompanham, naturalmente, cada passo da corrida americana para um primeiro ataque. Se o primeiro objetivo de um estrategista é descobrir o que passa na cabeça do estrategista adversário, não era difícil para um estrategista soviético concluir que os americanos se preparavam para atacar, já que seus estrategistas neoconservadores não faziam nenhum segredo disso. Nessa circunstância, a União Soviética só tinha duas opções: atacar primeiro ou capitular.

Gorbachev, no meu entender, tendo feito imensas concessões a Reagan em meados dos anos 80, sem receber praticamente nada em troca, se viu numa armadilha shakespeariana. Ou se expor ao risco da desvantagem tecnológica ou fazer uma abertura política (glasnost) que desencadearia a imensa onda de demandas sociais represadas que acabou por explodir o sistema soviético. Agora, superada a guerra fria com sua guerra ideológica, os estrategistas de Obama operaram em escala planetária uma série de iniciativas para levar os russos novamente à rendição, não se sabe com que propósito. Para um homem de negócios como Trump, isso é simplesmente insano. Que deixem a Rússia quieta e vamos fazer negócios, tende a dizer ele!




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TRUMP E PUTIN APONTAM NOVA ERA

DE PROSPERIDADE PARA O MUNDO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Se a análise política de fundo vale alguma coisa em confronto com a boçalidade dos comentaristas da tevê Globo e Veja, pode-se concluir que há grande probabilidade de o governo Trump trazer para o mundo uma era de prosperidade econômica sem paralelo. Não falo da política interna. Sinceramente, ela não me interessa. É que o suposto elemento de regressividade prometida nesse campo pelo novo presidente será contrabalançado, e até anulado, pelo fortíssimo movimento de defesa dos direitos civis norte-americano.

O aparente enigma vem do exterior, e ele já pode ser decifrado em vários aspectos. O principal deles está associado ao caráter profundo da política externa dos Estados Unidos. É uma política estruturada em duas vertentes. A primeira, econômica, visa essencialmente a abrir espaço para as empresas norte-americanas no mundo. A segunda, geopolítica, visa à confirmação recorrente do poderio militar do país, especialmente depois que apareceu diante dele um rival com poderio nuclear capaz de desafiá-lo, a União Soviética e agora a Rússia.

Tradicionalmente o comando da estratégia norte-americana cabia a geopolíticos, que tinham ascendência sobre os interesses econômicos. Houve exceções, é verdade, como a relacionada com a política imperialista do petróleo. Acontece que petróleo desfruta de duas naturezas, uma geopolítica, por ser um insumo fundamental em termos bélicos convencionais, e outra econômica, pela importância universal de sua cadeia produtiva. Em outras situações, o intervencionismo americano se deveu exclusivamente à geopolítica, como na América Central.

Agora, pela primeira vez na história americana, tem-se um empresário – não um empresário comum, mas um mega-empresário produtivo – no comando da estratégia nacional e imperial. O capital produtivo – sim, é o que ele representa, não Wall Street – não será representado pelos geopolíticos, mas atuará diretamente segundo seus interesses. Muito provavelmente não serão inventadas guerras de honra, como a segunda do Iraque, ou as múltiplas intervenções no exterior, como no caso da chamada Primavera Árabe.

O fato é que, exceto para o complexo industrial-miliar, guerra hoje em dia não dá muito dinheiro. A prova é o sucesso econômico espetacular da China com módicos investimentos militares, em comparação com Estados Unidos. Além do mais, sabe-se desde o plano militar megalômano de Reagan que investimentos bélicos, num mundo de altíssima tecnologia, gera poucos empregos. O material usado são chips, com uma dimensão material muito menor do que a da antiga indústria bélica baseada em canhões, tanques, aviões.

Trump, consciente ou não, vai aplicar seu pragmatismo no espaço que abre para seu país uma real perspectiva de crescimento: Rússia. A relação norte-americana com a China não promete muito mais do que já deu. A indústria dos Estados Unidos está profundamente penetrada em território chinês, e a ideia de fazer isso retroceder não se compatibiliza com a visão pragmática de Trump. Ademais, boa parte dos investimentos americanos na China são de norte-americano vinculados ao Partido Republicano. Mas por aí não dá crescimento.

Já a Rússia é uma terra virgem a ser conquistada. Tão logo sejam levantadas as estúpidas restrições econômicas que os “estrategistas” americano impuseram ao país, Putin, ele também um pragmático, abrirá as portas ao investimento dos Estados Unidos. Com os recursos naturais que tem e com a mão de obra especializada herdada da União Soviética, a Rússia é um território de conquista sem paralelo para o capital, revertendo sua tendência secular à queda. A meu ver, estará aí o grande espetáculo econômico do século XXI.

Não só isso. A Rússia é a Ásia profunda, que se complementa com a China, a Índia, o Japão. Uma vez retiradas as barreiras geopolíticas idiotas, essa mega-região poderá puxar o mundo para o crescimento, inclusive o Brasil, neste caso se não tiver o terrível azar de ter alguém tão inexpressivo na Presidência, como Temer, e alguém tão despreparado para o cargo de Ministro das Relações Exteriores, como José Serra. E o azar ainda maior de ter por trás deles algo tão desprezível como o sistema de comunicação da Globo e da Veja.

Putiin é um ás da estratégia. Tem dado um baile nos geopolíticos americanos na Geórgia, na Ucrânia (Criméia) e na Síria. Não perderá essa oportunidade de por a Rússia na trilha do crescimento. Há ali toda uma infra-estrutura do crescimento que está sendo preparada pela China, a partir da Rota da Seda, assim como uma formidável estrutura de financiamento que inclui Banco Asiático de Investimento, Fundo de Investimento da Rússia, Fundo da Rota da Seda, Cia de Financiamento do Desenvolvimento da Infraestrutura, Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS). Diante desse aparato, só continuaremos a aceitar condicionalidades especulativas do Banco Mundial e do FMI se cometermos crimes de lesa-pátria.



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PORQUE O SOCIALISMO?

Por ALBERT EINSTEIN -

Estudiosos norte-americano acabam de verificar de maneira empírica previsões que Albert Einstein tinha avançado um século atrás, em 1916, sobre a existência de ondas gravitacionais, curvas espaço-tempo geradas por violentos fenomenos do cosmos. Em sua homenagem, nós propomos reler a avaliação realizada em torno de uma outra questão analisada por ele: o socialismo. Eis o artigo escrito em 1949 pelo  maior cientista do século XX.


Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos economicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.

Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.

Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência, contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso, mas forem vitais e vigorosos – adoptados e transportados por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.

Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afectam a organização da sociedade.

Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: “Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?”

Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?

É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.

O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantess, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidae que finalmente emerge é largamente formada pelo ambinte em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indíviduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra “sociedade”.

É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.

O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.

Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo.

Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, apenas dedicando-se à sociedade.

A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar os outros dos frutos do seu trabalho colectivo – não pela força, mas, em geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem como bens de equipamento adicionais – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.

Para simplificar, no debate que se segue, chamo “trabalhadores” a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exactamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a mão-de-obra. Ao utilizar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. A questão essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que recebe, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas para a mão-de-obra em relação ao número de trabalhadores que concorrem aos empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto.

O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos.

Assim, a situação predominante numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois principais princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos como acham adequado; segundo, o contrato de trabalho é livre. Claro que não há tal coisa como uma sociedade capitalista pura neste sentido. É de notar, em particular, que os trabalhadores, através de longas e duras lutas políticas, conseguiram garantir uma forma algo melhorada do “contrato de trabalho livre” para determinadas categorias de trabalhadores. Mas tomada no seu conjunto, a economia actual não difere muito do capitalismo “puro”.

A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um “exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente.

Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira.

Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeque a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade.

No entanto, é necessário lembrar que uma economia planeada não é ainda o socialismo. Uma tal economia planeada pode ser acompanhada pela completa opressão do indivíduo. A concretização do socialismo exige a solução de problemas socio-políticos extremamente difíceis; como é possível, perante a centralização de longo alcance do poder económico e político, evitar a burocracia de se tornar toda-poderosa e vangloriosa? Como podem ser protegidos os direitos do indivíduo e com isso assegurar-se um contrapeso democrático ao poder da burocracia?

A clareza sobre os objectivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas actuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas surge sob um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.

*Texto escrito por Einstein para o lançamento da revista Monthly Review, cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949. Tradução de Anabela Magalhães. Fonte: Resistir.




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MORREM TRÊS JORNALISTAS QUE INVESTIGAVAM A PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO DOS EUA NO 11 DE SETEMBRO
Via Diário da Liberdade - 

Três jornalistas que trabalhavam em um documentário sobre o envolvimento do governo norte-americano na demolição das torres gêmeas morreram nos últimos dias. 

Trata-se do ex-repórter internacional da NBC Ned Colt, o correspondente da CBS News Bob Simon, e o jornalista do New York Times David Carr.
Bob Simon, de 73 anos, foi assassinado na quarta-feira na cidade de Nova York em um acidente automobilístico e na quinta-feira Ned Colt, de 58 anos, dizia-se que tinha morrido por um derrame cerebral massivo, seguido em poucas horas por David Carr, de 58 anos, quem colapsou e morreu em seu escritório na sala de redação do New York Times.

Os três jornalistas mais Brian Willias, quem teve que renunciar à NBC por mentir sobre uma notícia do Iraque, tinham formado uma companhia independente de notícias em vídeo no mês passado e apresentaram os documentos de segurança necessários que lhes permitiriam o acesso ao arquivo mais secreto do Kremlin, onde se encontrariam provas relacionadas com os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em relação a esses arquivos do 9/11 em poder do Kremlin, o presidente Putin tinha alertado que iria divulgá-los.

Os especialistas norte-americanos acham que, apesar do fato de as relações entre os EUA e a Rússia terem chegado no ponto mais grave desde a Guerra Fria, Putin entregou até Obama problemas menores. Os analistas acham que isto é só a "calma antes da tormenta".

Putin vai golpear e estaria preparando o lançamento de provas da participação do governo dos Estados Unidos e dos serviços de inteligência nos ataques do 11 de setembro.

O motivo para o engano e o assassinato de seus próprios cidadãos terá servido aos interesses petroleiros dos Estados Unidos no Médio Oriente e das suas empresas estatais.

A ponta de lança da empresa de notícias em vídeo independente que pretendia descobrir a verdade do 9/11 foi David Carr, quem no New York Times foi um valedor de Edward Snowden e após ter visto o documentário Citizenfour, tratou de ir dormir "mas não podia".

Carr estava seriamente desiludido com o New York Times pela elaboração da memória da guerra da Ucrânia "e não só por não dizer a verdade, mas também pelos emblemas nazistas nos capacetes de soldados leais ao regime da Ucrânia lutando contra os rebeldes".

Outro que trabalhava muito com Williams e Carr neste projeto do vídeo do 9/11, foi Ned Colt, quem após sair de NBC News continuava sendo um amigo de toda a vida de Williams e aperfeiçoou suas habilidades humanitárias enquanto trabalham no Comitê Internacional de Resgate. Por sua vez, Bob Simon considerava "extremamente lamentável" a manipulação dos meios de comunicação no período prévio à guerra dos Estados Unidos no Iraque. 
Após a destruição da imagem de Williams, e a estranha morte de Carr, Colt e Simon, o regime de Obama enviou um "mensagem clara" à elite norte-americana quanto à exposição dos seus segredos mais obscuros.

Pior ainda, as elites dos meios nos EUA agora fogem de medo e o regime de Obama ameaça agora os meios de comunicação alternativos com a possibilidade de ilegalizar todos os sites dissidentes.

Para isso tem uma escandalosa proposta legislativa de Ordem Fraternal da Policial Nacional para classificar qualquer crítica contra a policia nas redes sociais como um "crime de ódio". 
Saiba mais: 
Engenheiros revelam que 11 de Setembro foi orquestrado pelo Governo dos EUA. https://www.youtube.com/watch?v=laS_sia9U9Q 
Esta é uma versão resumida que explica em minúcia a farsa dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, com algumas partes dubladas e outras legendadas. https://www.youtube.com/watch?v=ZUGR0jbbi64 
As provas conclusivas da Farsa de 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=bkRL3heslG8 
O que a GLOBO nunca mostrou sobre o 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=W_8WJSl3f-8 
“Fahrenheit”,  a farsa do 11 de Setembro, COMPLETO.  https://www.youtube.com/watch?v=IGjLT9zGwxA


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ONU contraria entidades e movimentos sociais e renova a Minustah

Por Daniel Mazola* - Via ABI -
A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assinou um manifesto, ao lado de diversas entidades e movimentos sociais, contrário à renovação do mandato da “Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti” (MINU
Contrariando a reivindicação dos diversos movimentos sociais latino-americanos e caribenhos e do próprio Haiti, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu renovar o mandato da Missão na última quinta-feira, 10 de outubro. O anúncio foi realizado convocando os atores políticos locais a se comprometerem integralmente “ao processo democrático e os doadores internacionais a reforçar seus esforços de auxílio ao governo”.

Em resolução aprovada por unanimidade, a Missão na nação caribenha foi estendida por mais um ano e a intenção é que seja renovada em 2015 outra vez. Enquanto a presença militar no país foi reduzida de 5.145 para 2.370 soldados, o número de policiais aumentará de 2.377 para 2.601.

Os 15 membros do Conselho de Segurança reiteraram que as medidas de reforço das capacidades institucionais e operacionais da polícia nacional do Haiti ainda são cruciais. Foi destacado também que o governo haitiano possui responsabilidade primária sobre todo o processo de estabilização do país, tendo em vista principalmente o histórico de violações graves de grupos criminosos contra crianças, mulheres e meninas e a violência geral em comunidades.

Ainda há significativos desafios humanitários a serem enfrentados. Mais de 85 mil deslocados internos continuam a viver em campos, em condições de desnutrição e acesso desigual à água e ao saneamento básico.

Todas as manifestações do país continuam sendo muito reprimidas, com gás lacrimogêneo e tudo. A avaliação atual é que é desnecessária a presença dos militares, que eles atrapalham a autonomia e a independência do país. A Minustah é vista hoje como uma opressão externa, de países irmãos, coordenada pelo Brasil, em uma jogada do governo brasileiro para ter um assento no conselho de segurança da ONU. Como os Estados Unidos já estão muito queimados no Haiti, por vários processos de intervenção, o Brasil foi fazer esse papel, nada limpo, dos EUA.

Contrariando diversos ativistas políticos, entidades e movimentos sociais, ficou decidido também que a MINUSTAH vai dar suporte ao processo político do país, além de prover e coordenar assistência eleitoral ao governo. O atual mandato do Parlamento do Haiti termina em 12 de janeiro de 2015, o que vem levantando preocupações quanto a um possível “vácuo institucional”, caso não sejam realizadas eleições até o fim deste ano. Estamos de olho! 
Carta de rechazo a la renovación de la MINUSTAH 
ttp://www.abi.org.br/artigo-onu-contraria-entidades-e-movimentos-sociais-e-renova-a-minustah/