INTERNACIONAIS


A GUERRA CHEGOU

Por PEDRO AUGUSTO PINHO 

O grande pensador contemporâneo Noam Chomsky esclareceu que temos a ditadura, um governo de exceção, toda vez que o governo controla as pessoas pelos cassetetes ou quando manipula a consciência da população pela propaganda, pela criação de ilusões, e marginalizando o povo em geral, reduzindo-o a alguma forma de apatia.

Vivemos neste século XXI sob a tirania da banca, designação que dou ao sistema financeiro internacional, um conjunto de meia centena de famílias que detém mais de um terço dos fluxos financeiros internacionais, administram um sistema de organismos, ocultos e públicos, de gestão particular e de Estados Nacionais, para pesquisa, para propaganda e diversas finalidades que interferem diretamente na vida de mais da metade da população mundial.

Os objetivos de apropriação de bens e dos recursos naturais já estão muito adiantados. Poderia dizer que neste ano de 2018 poucos recursos e bens, efetivamente relevantes, não estão sob controle ou nas vésperas de o ser pela banca. Também muitos Estados Nacionais. As importantes exceções são a Federação Russa – sistematicamente agredida por organismos e instituições controladas pela banca – os chamados países bolivarianos (Venezuela e Bolívia) e as Repúblicas Populares da China, da Coreia do Norte e as Repúblicas do Irã e da Síria.

Veja o caro leitor como são tratados estes países pela imprensa internacional e por todos aqueles que estão, de alguma maneira, dominados pela banca. Fica fácil, assim, determinar onde está a banca e onde ela não conseguiu penetrar.

O objetivo a ser perseguido pela banca – e não faltam balões de ensaio e as mais incríveis e estapafúrdias formulações – é a redução da população mundial. Somos quase 8 bilhões de pessoas, pressionando pelo demografia os recursos escassos que a banca reservou para si. A banca pretende que sejamos entre 400 a 800 milhões, com já nos informam várias fontes e analistas.

As duas formas de redução populacional convencionais estão em plena execução: a guerra e a fome. Os sofisticados métodos de criação de epidemias ainda não estão suficientemente maduros para serem implementados. A disfunção da Aids ainda está muito recente e gastou-se muito para a conter.

Não é por mero acaso que a comunidade muçulmana, que tem elevada taxa de fecundidade, tem sido a mais atingida pela guerras da banca. E se propagam pela Ásia, o continente mais populoso.

A banca lança agora, tendo se apossado do governo brasileiro, o quinto país mais populoso do mundo, vizinho do que detém a maior reserva de petróleo no planeta (Venezuela), seu projeto antipopulacional na América do Sul.

No projeto da banca, com a colaboração dos escravistas e rentistas do Brasil, este plano já começou com o estabelecimento discreto de forças militares estadunidenses na Amazônia.

Em março do último ano, o comandante do Exército Sul dos Estados Unidos, o major-general Clarence K.K Chinn, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Militar. Na ocasião, visitou instalações do Comando Militar da Amazônia – uma demonstração clara de que a doutrina de defesa da Amazônia perdia força nas Forças Armadas brasileiras.

O local da operação não poderia ser mais explícito sobre suas reais intenções: a tríplice fronteira – Colômbia, Peru, Brasil. A Colômbia é, desde muitos anos, um país governado pelos interesses estadunidenses, hoje se confundindo com da banca, embora menos do que na Gestão Obama. O Peru se perfila entre os gerenciados pela banca, assim como o Brasil de Temer. E na mira desta trinca estão as reservas de petróleo venezuelanas.

Outra ponta deste plano é a criação do Ministério de Segurança Pública, já apelidado de MisSegura. Claro que não será para subir os morros cariocas nem invadir as periferias paulistana e paraense, as invasões baianas e favelas pernambucanas. O MisSegura será outro ministério armado, com controle das polícias estaduais, para enfrentar alguma reação do Exército à guerra civil da banca.

A recente intervenção militar no Rio de Janeiro tem, para este modesto escriba, alguns objetivos não explícitos. Primeiro, como já foi apresentado pela professora Jaqueline Muniz em entrevista, lançar descrédito sobre o Exército.

O trafico de droga é um dos domínios da banca e das três maiores fontes de receita internacional. No Brasil, ele é representado por figuras públicas e não pelo pé de chinelo favelado. 

O crime organizado de São Paulo atua em coabitação aparente com os governos tucanos, há mais de duas décadas no poder estadual. Como administrador vejo nesta expansão carioca, como já ocorrera no norte do País, uma racionalização gerencial do PCC – Primeiro Comando da Capital, paulista.

E, também, para as transferências de recursos públicos e ampliar a corrupção em favor dos interesses dos governantes e da banca.
Assim, matam-se vários coelhos com uma intervenção só. Organiza-se melhor o tráfico, aumenta-se o ganho da banca, desmoraliza-se a Força Armada e aumenta a ira popular. Esta vem sendo construída pela Globo e todas as emissoras associadas à banca desde 2013.

Com a farsa de venezuelanos “fugindo” para Roraima, o servil presidente, com elogio de um dos organismos internacionais pró-banca, foi lá fazer seu proselitismo, devidamente protegido do contato fotográfico com os “invasores”.

Arma-se, assim, a guerra civil para reduzir a população sulamericana e dar mais conforto à banca.

Aos que vem nestas linhas a teoria conspiratória, eu contraporia: e as práticas conspiratórias? Pois não vão me convencer que o Brasil foi às ruas por centavos nos ônibus, em junho de 2013, e não vai agora pela sua aposentadoria. Também que a Líbia, o país africano com maior índice de desenvolvimento humano, com presidente aclamado pelo povo, às vésperas de dar um grande tombo na cotação do dólar estadunidense sofresse o ataque das grandes potencias coloniais europeias e dos Estados Unidos da América (EUA) para lá promover a democracia, ou o Iraque fosse invadido pelas suas armas químicas.

Acordemos antes que o sono seja eterno.

* Via e-mail/Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado


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RAFAEL CORREA, EX-PRESIDENTE DO EQUADOR, FALA SOBRE A PARTICIPAÇÃO DA MÍDIA NOS GOLPES NA AMÉRICA LATINA

ANDRÉ MOREAU -


A traição do Presidente do Equador, Lenin Moreno, atraído pelo canto da sereia - os choques da teoria de Milton Friedman, que vem sendo implantada no Brasil, a partir de delações sem provas, fartamente divulgadas como verdades -, ao contrário de amedrontar, vem mobilizando o ex-Presidente Rafael Correa, na defesa da política de bem estar social, para o seu País e a América Latina.

As ações conservadoras financiadas por estrangeiros que sufocam as economias e não tem limites, são abordadas com profundidade por Correa que lembra a resistência do povo venezuelano, novamente ameaçado por agentes do Comando Sul dos EUA, de invasão armada.

Os trabalhadores brasileiros atingidos por demissões em massa, passaram para o estágio da miséria extrema. O congelamento de gastos sociais e o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho agravaram o quadro das perdas sociais. Faltou, no entanto, o desmonte total da Petrobrás e da Previdência Social, exigências dos oligarcas que comandam o retrocesso.

Os choques midiáticos reacionários que criaram as condições para a imposição do impeachment, sem mérito, em 2016, são operados em todos os países da América Latina sobre duas narrativas principais: a) de desmoralização do “fracassado modelo econômico de esquerda” e; b) anti-corrupção - visando evidenciar “a falta de moral dos governos progressistas”, junto ao judiciário, mesmo sem provas.

Os oligarcas que comandam o bloco da comunicação uniformizada, atentos às denúncias sobre a participação dos membros do judiciário - da justiça mais cara do mundo -, nas conspirações que vem atingindo a Constituição do Brasil desde a AP 470, o chamado “mensalão”, sabem que mantendo o maior país da América Latina desestabilizado, fica mais fácil atingir os vizinhos.

As mobilização que se anunciam contra a “reforma” da Previdência e a prisão do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preocuparam tanto os senhores da casa grande que eles resolveram repercutir, ao estilo “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, os “penduricalhos” recebidos por juízes e promotores, mas como instrumento de pressão, para cobrar maior agilidade dos servidores públicos - antes tratados como super heróis, o que despertou mais incautos da classe média que ajudaram a difundir a narrativa de ódio.

Obedientes ao plano em curso, todos os oligarcas que detém meios de comunicação passaram a repercutir o fato dos juizes, que teoricamente não poderiam ganhar mais do que o teto de 33,7 mil por mês, estarem recebendo “penduricalhos” que ultrapassam os 100 mil. Ontem (9/2), foi decretada nova prisão de Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, sócio e irmão do ex-Ministro José Dirceu.

O ex-Presidente Rafael Correa, é um homem experiente em matéria de ataques midiáticos que estuda o uso de tais ferramentas em mudanças geopolíticas. Ele sabe quem está por trás do golpe de estado que cassou a “Presidenta valente”, Dilma Rousseff e que com a reação das massas os caminhos dos golpistas podem se fechar, assim como foi feito na defesa da Revolução Bolivariana, na Venezuela.

O Equador de Correa enfrentou o que eles chamam de “tempestade perfeita”: queda das exportações; valorização do dólar; choques externos em 2015-2016 que provocaram a queda do barril de petróleo equatoriano para US$ 20 - cifra que não cobre os custos de produção e; terremotos. Paralelamente a queda da moeda colombiana em mais de 70%.

Os retrocessos impostos por Lenin Moreno, na presidência - desde 24 de maio de 2017, junto aos tribunais de arbitragem que obrigaram o governo a pagar mais de 1% do PIB às empresas Oxy e Chevron, seguem a linha da doutrina Lawfare, implantada no Brasil.

Os 2 milhões de pessoas que saíram da linha de pobreza extrema de acordo com texto do ex-presidente Correa, intitulado “Os Desafios Estratégicos da Esquerda Latino-Americana”, publicado na Revista “Le Monde Diplomatique” tem enfrentado uma série de dificuldades: “(...) seus negócios não vão bem, seus filhos tem dificuldade de encontrar trabalho e os salários não aumentam no mesmo ritmo do custo de vida - sentimento do qual se aproveita a mídia, que prefere a manipulação a informação. Uma parte dos meios de comunicação apresenta essa recessão continental como o resultado de nossas opções políticas, e não como um fenômeno ligado às próprias estruturas de nossa economia. Outros sugerem, ao contrário, que poderíamos ter empreendido transformações mais profundas e que dessa forma não teríamos assinado nossa própria condenação. Enquanto reprovam os governos de direita por não terem feito nada, fustigam-nos por não termos feito tudo (...)”

Ao detalhar o “modus operandi” que passou a atingir o Equador, presidido por Moreno, o ex-Presidente Rafael Correa, amplia o quadro das ameaças naturalizadas pelos meios de comunicação conservadores, em diferentes países da região.

“O segundo eixo da crítica aos governos progressistas se dá no plano moral. O tema da corrupção fornece a ferramenta eficaz para fragilizar os processos nacionais populares. Evidentemente o Brasil aparece como exemplo, mas um fenômeno similar se observa atualmente no Equador.

Tudo começa com uma acusação mais espetaculosa do que fundamentada. Depois aparecem os bombardeios midiáticos, que privam a vítima escolhida de seus apoios políticos. A culpabilidade presumida do dirigente perseguido passa então para o segundo plano entre os juízes, suscetíveis à pressão da direita e da mídia: não se trata mais de, para eles, condenar com base em provas que eles teriam identificado, e sim de identificar provas que possam condená-lo.

Quem pode se opor a luta contra a corrupção?

Esse combate é uma de nossas primeiras vitórias no Equador: ao longo dos dez últimos anos, erradicamos a corrupção institucionalizada que havíamos herdado. Mas para a direita, a ‘luta contra a corrupção’ representa hábitos novos de uma mesma preocupação: seja contra o narcotráfico nos anos 1990, seja no caso da guerra contra o comunismo nos anos 1970, trata-se sempre de, na realidade, organizar uma ofensiva política.

Falam em ausência de regulação, permissividade, corrupção sistematizada. Mas que controles autorizam contas secretas em paraísos fiscais, por exemplo? No Equador, os controles são estritos: é preciso declarar a origem de qualquer depósito superior a US$ 10 mil - obrigação que os paraísos fiscais não impõem... O Equador é o primeiro país do mundo a instaurar uma lei proibindo funcionários públicos de estabelecer qualquer tipo de interação privada com os paraísos fiscais.

Para a imprensa, não há dúvida: a corrupção nasce no coração do Estado, do sistema público. Mas a realidade mostra que ela provêm em grande medida do setor privado, como demonstra o escândalo da Odebrecht e este fato, há até pouco tempo, as empresa alemãs tinham isenção fiscal sobre os depósitos ilícitos destinados ao nosso país.

Sem dúvida, a esquerda também sofre o contragolpe paradoxal de suas conquistas. Segundo a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepalc), cerca de 94 milhões de pessoas saíram da pobreza para integrar a classe média durante a última década, em grande parte graças às políticas dos governos de esquerda.

Contudo, entre os 37,5 milhões de pessoas que o Partido dos Trabalhadores (PT) tirou da pobreza, poucos se mobilizaram para apoiar a presidenta Dilma Rousseff quando esta estava ameaçada de destituição. É possível conhecer a prosperidade objetiva e ainda assim se sentir em um estado de pobreza subjetiva: apesar das melhorias no nível de vida, as pessoas continuaram se sentindo pobres, não em relação ao que possuem (ou em relação ao que possuíam antes), mas em relação ao que aspiram.

Não raro, as exigências da nova classe média se revelam não apenas distintas das dos pobres: muitas vezes são antagônicas, alimentadas pelo canto da sereia da direita, pelos meios de comunicação e por estilos de vida imaginados em Nova York. A esquerda sempre lutou contra a corrente, pelo menos no mundo ocidental. Lutará ela contra a natureza humana?

O problema se complica se também forem levados em conta os esforços da direita para forjar uma cultura hegemônica - no sentido gramsciano -, de modo que os desejos da maioria servem aos interesses da direita. Um exemplo dramático: a rejeição da lei sobre sucessão e herança que tentamos instaurar no Equador. Enquanto apenas três em cada mil equatorianos recebem herança e a incidência do novo imposto se daria apenas pelos montantes mais importantes (menos de 0,5% das sucessões, ou 172 pessoas por ano, em uma população de 16 milhões), muitos pobres e grande parte da classe média, se manifestaram contra um dispositivo do qual eles poderiam se beneficiar.

Nossas democracias deveriam ser rebatizadas como “democracias midiatizadas”. A imprensa às vezes desempenha um papel mais importante que os partidos políticos durante os processos eleitorais: convertida em principal força de oposição enquanto a esquerda governa, ela encarna o poder dos conservadores e do setor privado. A imprensa transformou o estado de direito em estado de opinião.

A esquerda também enfrentou o esgotamento do exercício de poder, mesmo que sua passagem tenha sido coroada de sucessos. Nenhum governo pode satisfazer a todos, ainda mais quando a dívida social é tão aguda como no caso do Equador. Recuperar a voz dos mais humildes, dar oportunidade aos mais pobres, direitos aos trabalhadores, dignidade aos camponeses, tirar poder dos bancos, da mídia e dos velhos partidos: tudo isso custou poderosos inimigos, que nos acusaram de “polarizar” o país. Eles esquecem que alcançar metade do que realizamos teria custado uma guerra civil há algumas décadas.

A esquerda que se contenta em representar uma pequena minoria dos eleitores ignora o que implica governar: responder as tempestades econômicas, submeter-se a traições dos que sucumbem à tentação do poder ou do capital etc. Não há dúvida de que um revolucionário não tem o direito de perder a batalha moral. Um governo honesto não é aquele que desconhece casos de corrupção, e sim aquele que luta para erradicá-la. Parte dos militantes sofre ao não perceber essa diferença e se deixa afetar pela desmoralização que satisfaz os adversários.

É preciso sempre demonstrar autocrítica. Mas também precisamos ter confiança em nós mesmos. Os governos progressistas sofrem ataques constantes das elites e dos meios de comunicação, que se baseiam no menor dos equívocos para nos enfraquecer. Por essa razão, o principal desafio estratégico da esquerda latino-americana consiste talvez em se lembrar das contradições e dos erros que fazem parte do processo político: eles não podem conseguir que baixemos a guarda. (Rafael Correa é ex-Presidente da República do Equador, 2007-2017).

Para encerrar somente duas observações: a) o que dizer diante da declaração da Ministra do STF Rosa Weber, ao condenar José Dirceu na AP 470: “Não tenho prova cabal contra Dirceu - mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite” e; b) é preciso prender o irmão de José Dirceu, agora, medida que funciona como outro choque, para que a população não fique surpresa com a prisão de todos os condenados em segundo grau, sem provas, em uma nítida violação ao Art. 57 da Constituição da República Federativa do Brasil.
* André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos - ABI - Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.


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Stalingrado, A Cidade de Aço

Por João Claudio Platenik Pitillo
Doutorando em História Social – UNIRIO
Pesquisador NUCLEAS – UERJ

Especialista em Segunda Guerra Mundial

Stalingrado uma cidade de cerca de 600.000 habitantes as margens do rio Volga1 que em 1942 era símbolo da industrialização soviética e dos planos quinquenais. Tornou-se para os nazistas a porta de entrada do Cáucaso, região rica em gás, minério e petróleo, materiais essências para a máquina de guerra nazista. O domínio do Cáucaso também permitira aos nazistas cercarem Moscou e ligarem-se à Turquia, intimando a mesma à se juntar as tropas do Eixo na luta contra a URSS.

A Batalha de Stalingrado desenrolou-se de 17 de julho de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, mobilizou mais de 2.000.000 de homens e fazia parte da “Operação Azul”, nome dado pelo Comando nazista às operações na região. A referida Batalha teve início na Curva do Don2 em direção à Stalingrado, a ponta de lança do ataque nazista era o Grupo de Exércitos Sul (que se desdobrou em Grupo de Exércitos A e B), que vinham de uma campanha vitoriosa na Ucrânia. Eles reunião os Exércitos 6o e 17o e o 1o e 4o Panzer.

Os soviéticos combateram as tropas fascistas em um primeiro momento na cidade de Ordjonikidz3, barrando a sua tentativa de avançar mais à leste, com isso o comando nazista deslocou o que tinha de melhor de seus Exércitos para a cidade de Stalingrado, onde as defesas soviéticas eram insipientes. O Exército Vermelho não possuía aviões suficientes e na região de Stalingrado o domínio dos céus era dos nazistas.

Na primeira quinzena de agosto, o 6o Exército nazista forçou a passagem em direção ao sul de Stalingrado, sendo apoiado pelo Exército Panzer do general Hoth. Por volta de 14 de agosto, quase todo o miolo da Curva do Don estava nas mãos dos fascistas, restavam poucas cabeças de pontes soviéticas resistindo.

Na segunda quinzena, os combates chegaram ao clímax na região divisória entre os rios Don e Volga Os nazistas conseguiram atravessar o Volga mais ao norte formando um saliente de cerca de 8 quilômetros, com o apoio de 600 aviões. Sem pânico, os soviéticos recuaram para evitar o cerco e estabilizaram a Frente ao norte, depois de 40.000 mortes civis. 4

Em setembro a situação piorou drasticamente, com o isolamento do 62o Exército Soviético5, que recebeu um novo comandante, o coronel Vasili I. Tchuikov6. O mesmo encontrou as defesas soviéticas em colapso, já com os combates penetrando o perímetro urbano e com as tropas fascistas controlando todos os acessos à cidade. Dessa maneira os fascistas passaram a controlar 90% da cidade no início de novembro de 1943.

No dia 19 de novembro a URSS desencadeou a “Operação Urano”, que visava retomar a cidade de Stalingrado e cercar as forças fascistas pelo sul e norte a partir das estepes, para isso contava com um contingente que foi formado e transportado para Frente de batalha sem que os invasores percebessem, no mais absoluto sigilo.

No dia 24 as forças soviéticas que avançavam pelo norte e sul formaram uma pinça e logo envolveram as tropas nazistas. O bolsão foi formado na cidade de Kalach a 50 km de Stalingrado, mais de 300.000 fascistas foram cercados. Todo o 6o Exército Alemão7, o maior do mundo até aquele momento e em sua companhia o também poderoso 4o Exército Panzer foram imobilizados. Os soviéticos ainda estabeleceram outras faixas de tropas para evitar que alguém fugisse do cerco ou que alguma força pudesse romper o mesmo.

A tentativa de romper o cerco soviético foi tentada algumas vezes, com tudo, não se mostrou eficiente, as forças soviéticas eram mais vigorosas e possuíam melhores equipamentos contra o frio. No dia 16 de dezembro de 1942 os soviéticos desencadearam a “Operação Saturno”, que visava dividir e esmagar o 6o Exército alemão que estava imóvel dentro do bolsão, com êxito os soviéticos empurraram as forças nazistas em direção ao rio Don, onde perderam a mobilidade. Com a retomada dos céus sobre Stalingrado, a Força Aérea Vermelha e a artilharia do Exército Vermelho neutralizaram boa parte do material rodante dos alemães que já estavam ficando sem combustível, impedindo assim fugas e contra-ataques.

A resistência nazista durou pouco, em 2 de fevereiro de 1943 o 6o Exército rendeu-se com seus 22 generais e quase 100.000 homens restantes, que estavam famintos, doentes e desolados. A empáfia nazista no Cáucaso chegou ao fim com a icônica imagem do marechal-de-campo Von Paulus humilhado diante dos soviéticos. A Batalha de Stalingrado foi uma demonstração ao mundo de que a guerra estava mudando de condutor.

Nos 200 dias de batalha em Stalingrado a resistência soviética correu o mundo, a referida cidade ficou conhecida mundialmente como o ponto inicial da vitória soviética, motivou outros povos e serviu de exemplo para a luta contra o fascismo. Ao total o Eixo teve cerca de 850.000 baixas e os soviéticos 1.130.000, mais a população de Stalingrado com cerca 750.000 baixas entre seus habitantes. Como na Batalha de Moscou em 1941, os grandes trunfos soviéticos foram os T-34 e as tropas asiáticas, sendo elas empregas de forma rápida e silenciosa.

As Operações Urano e Saturno dizimaram 5 Exércitos alemães, além de 32 divisões e 3 brigadas, derrotou tropas italianas, romenas, espanholas, húngaras e várias outras nacionalidades que ocupadas pelos nazistas, cederam contingentes contra à URSS. A Batalha de Stalingrado foi um marco para a história no que tange a resistência do povo soviético e a habilidade de seus defensores.
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1 Tem 3688 km de extensão, nasce no planalto de Valdai e deságua no Mar Cáspio.
2 Rio que nasce perto da cidade de Tula e deságua no Mar de Azov, tem 1950 km. 
3 Situada na base das cordilheiras do Cáucaso.
4 WERTH, Alexander. A Rússia na Guerra, volumes 1, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966. P. 480. 
5 Depois de reforçado, foi elevado a categoria de 8o Exército de Guardas. 
6 Marechal da URSS duas vezes condecorado como herói. 
7 Ele era o dobro dos demais Exércitos alemães.


A ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE E A NECESSÁRIA RUPTURA COM CAPITALISMO NA VENEZUELA BOLIVARIANA

Por AURELIO FERNANDES -

"Tan solo el pueblo conoce su bien y es dueño de su suerte; pero no un poderoso, ni un partido ni una fracción. Nadie sino la mayoría es soberana y dueña de su destino." (Simón Bolívar)


Desde a eleição de Chávez em 1998, quando se inicia a Revolução Bolivariana, ocorreram vinte e um (21) processos eleitorais[2].

Em 31 de julho de 2017, realizou-se na República Bolivariana da Venezuela a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte/ANC. Votaram um total de 8.089.320, ou seja, 41,5% dos eleitores, sendo eleitos 545 constituintes[3], escolhidos entre mais de seis mil candidatos que, não optaram pelo boicote à ANC, de todas as orientações partidárias ou independentes. Mais de um milhão de venezuelanos e venezuelanas participaram da organização de todo esse processo.

Considerando que as eleições não são obrigatórias; que a Venezuela está imersa há alguns anos em uma conjuntura de guerra econômica[4], violência fascista praticada pela oposição[5] e que o imperialismo destina milhões de dólares para influenciar a opinião pública venezuelana[6], as eleições para a ANC demonstraram a vitalidade do projeto histórico bolivariano de transição ao socialismo na Venezuela.

Isso se torna mais surpreendente quando se constata ter sido a maior votação obtida pelo bolivarianismo desde a eleição de Chávez há 18 anos, mesmo com as ameaças e sanções econômicas e políticas por parte do imperialismo estadunidense e seus aliados na Europa e na região[7], que pretendiam amedrontar os venezuelanos e venezuelanas.

Para compreender tal vitalidade, faz-se necessário retroceder no tempo e entender o papel do levante ocorrido em 1989 no processo de construção da consciência crítica do proletariado venezuelano.

Entre 27 de fevereiro e 06 de março de 1989, o exército e a polícia usaram quatro milhões de balas para reprimir o povo que, empobrecido e esfomeado, saiu insurrecionalmente às ruas para reclamar os seus direitos. Esse levante foi uma resposta às políticas antipopulares de austeridade financeira do governo socialdemocrata de Carlos Andrés Pérez, que aumentou a renda per capita do país, ampliando brutalmente, em contrapartida, o desemprego e aprofundando as desigualdades na distribuição da renda. Esse massacre ficou conhecido como El Caracazo[8].

O El Caracazo marca a crise e o declínio da Quarta República[9] e o despertar de um bolivarianismo radical nas classes populares, que desemboca em duas insurreições cívico-militares de jovens oficiais, sob o comando do coronel Hugo Chávez, sufocadas em 1992. Nesse contexto político e social constituiu-se, como instrumento desse bolivarianismo radical, a liderança de Chávez que, com 44 anos, vence as eleições presidenciais realizadas em 6 de dezembro de 1998, com 56% dos votos válidos, iniciando a implementação do bolivarianismo como caminho venezuelano para o socialismo.

A compreensão dessa experiência de fundação e o quanto esse momento histórico contribuiu para a clareza que o bolivarianismo sempre demonstra em suas políticas são fundamentais: a miséria econômica não pode ser derrotada sem que a miséria política seja superada.

Exatamente por essa clareza, os trabalhadores e trabalhadoras sempre foram convocados a protagonizar o processo político de enfrentamento com as classes dominantes e o imperialismo, em todos os seus aspectos, incluído nesse processo a importância estratégica da união cívico-militar[10].

O combate à miséria politica, apesar da guerra econômica em curso, tem apresentado resultados nos campos econômico e social. O índice de 0,767 (2015) posiciona a Venezuela em uma categoria de elevado desenvolvimento humano, na 71ª colocação dentre 188 países. Os dados demonstram que de 1990 a 2015, o IDH da Venezuela aumentou de 0,634 para 0,767, ou seja, um aumento de 20,9%. Nesse período, a expectativa de vida subiu 4,6 anos e os anos de escolaridade média geral aumentaram 3,8 anos. O rendimento nacional bruto per capita aumentou cerca de 5,4%.

Esse protagonismo popular e classista vem se afirmando como o fator que permite a vitalidade e a força da Revolução Bolivariana para enfrentar os obstáculos e desafios que se colocam ao projeto histórico de transição ao socialismo em curso na Venezuela, incluídos os erros e equívocos. Porém, mesmo estando atentos ao alerta de Lenin no sentido de que “aqueles que esperam ver uma revolução social ‘pura’ nunca viverão para vê-la”, essa força e vitalidade oriundas da participação e do protagonismo dos setores populares, por si só, não garantirão a continuidade do processo revolucionário e a superação dos seus limites.

Como destacado anteriormente, o combate à miséria política levado a cabo nos dezoito anos de Revolução Bolivariana tem contribuído para o desenvolvimento da consciência crítica do proletariado, que não está ligado somente às posturas teóricas ou propagandísticas das forças de definição socialista, vinculando-se, fundamentalmente, com a prática, a experiência de luta e com o exercício direto do poder político por parte dos trabalhadores e trabalhadoras venezuelanos. Exatamente esse exercício está desmontando o véu que oculta dos trabalhadores e trabalhadoras a necessidade de transformar profundamente as estruturas sociais que os libertem de todas as formas de dominação.

Necessidade de que a ANC aponte a ruptura com o estado capitalista e a democracia burguesa.

Mesmo o programa de libertação nacional - que corresponde ao primeiro momento do caminho ininterrupto ao socialismo - não pode ser aplicado plenamente dentro dos limites das relações de poder do capitalismo dependente venezuelano. Para avançar a Revolução Bolivariana rumo ao socialismo, foi necessário iniciar o processo de modificação das relações de poder por meio das comunas e conselhos comunais[11]; não só porque a luta de libertação nacional e o caminho para o socialismo são um único processo, mas também porque a quebra das relações de dependência impõe a ruptura das relações de poder na qual se articula e se apoia essa dependência.

Alcançar essas características não significa alcançar o socialismo, fruto de um processo longo e complexo no qual está em jogo a combinação de muitos elementos. É preciso assinalar duas questões fundamentais: em geral, a realização do socialismo significa romper com a democracia burguesa, avançando no sentido de uma democracia participativa e protagônica; além disso, em particular, não é possível romper com a democracia burguesa sem superar os limites que lhe impõe o poder do capital estrangeiro e dos grupos nacionais exploradores.

Portanto, para abrir caminho à transformação revolucionária rumo ao socialismo, o bolivarianismo iniciou um processo de superação da democracia burguesa, limitada pelo poder das minorias antinacionais e antipopulares, apontando para uma futura democracia participativa e protagônica, que tenha como base as comunas e os conselhos comunais.

Foram exatamente os primeiros passos da Revolução Bolivariana nesse sentido que acirraram a luta de classe nos últimos anos e a intervenção aberta e violenta do imperialismo estadunidense e seus aliados internos e externos.

As consequências desse acirramento demonstram a necessidade de duas reflexões para a luta bolivariana: em primeiro lugar, a inviabilidade de uma "fase intermediária", durante a qual, sem alterar as relações de poder político do capital, seriam produzidos avanços e transformações na economia e no campo social que permitiriam, de forma gradual, consolidar uma democracia participativa e protagônica, chegando-se à ruptura da dependência. Em outras palavras: esse processo de acirramento deixa claro que para que o programa de libertação nacional da Revolução Bolivariana possa ser aplicado não é suficiente a chegada ao governo ou uma mera troca de regime político. A aplicação de um programa voltado claramente ao rompimento da submissão do país com os interesses internacionais e com os setores dominantes nacionais só é possível se forem rompidos todos os instrumentos econômicos, políticos e ideológicos que articulam essa dependência.

Em segundo, é preciso abandonar a crença em um processo de desenvolvimento capitalista independente e sustentável garantidor de um estado de bem-estar social e conduzido por um pacto de classe com a "burguesia nacional”. O processo de integração internacional, no modelo capitalista, de um país dependente como a Venezuela é um dado absolutamente evidente, que não pode ser deixado de lado em uma análise séria.

No mundo de empresas transnacionais, que produzem, distribuem e extraem benefícios em escala mundial, as possibilidades de desenvolvimento independente e autossustentável dos capitalistas que operam em escala nacional carecem de significação. O horizonte atual das “burguesias nacionais" se limita, em todo caso, a buscar as melhores formas de integração possível dentro das relações de poder que comandam os interesses do capital internacional.

Por tudo isso, a reorganização da sociedade venezuelana, no sentido da libertação nacional rumo ao socialismo, sob as condições da atual conjuntura politica e do poder de estado no capitalismo dependente, tem sido um processo limitado, distorcido e provisório, que se apresenta cotidianamente como a antessala de um confronto iminente. A convocação da ANC surge a partir desse contexto, para que mais uma vez sejam definidos pelo protagonismo popular e classista os avanços necessários ao aprofundamento da Revolução Bolivariana no caminho do socialismo.

Inexiste espaço para ilusões. O interesse estratégico dos inimigos da Revolução Bolivariana é a manutenção do poder por meio de governos eleitos pelo voto ou por qualquer outro meio que possam utilizar. Apostam até mesmo em um processo de “transação”, do qual resultaria a descaracterização dos objetivos e compromissos da Revolução Bolivariana.

A realidade concreta indica duas possibilidades: ou o processo constituinte define soberamente modificações na Constituição Bolivariana de 1999 para iniciar uma transição socialista na Venezuela, ou presenciaremos uma derrota sem precedentes para nossa Pátria Grande, pois a República Bolivariana da Venezuela é a vanguarda objetiva no enfrentamento dos planos imperialistas dos estadunidenses e seus aliados europeus de recolonização de nosso continente.

* Via e-mail. Aurelio Fernandes é membro do Comitê de Solidariedade com a Revolução Bolivariana no Rio de Janeiro, graduado em Licenciatura em História pela UERJ, pós-graduado em História Social pela UFF e Mestre em Ensino de História pela UERJ.

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[2] Na Venezuela há uma democracia multipartidária, na qual qualquer força política pode concorrer aos processos eleitorais; o PSUV, o partido fundado por Chávez, perdeu as últimas eleições legislativas e existem vários departamentos e municípios governados por partidos de oposição.

[3] Desse total, 364 foram eleitos pelos municípios, 79 pelos trabalhadores, 28 por aposentados, 24 pelos Conselhos Comunais, 24 pelos estudantes, 08 por camponeses, 08 por indígenas, 05 por pessoas com deficiência e 05 por empresários. Cerca de 200 dos delegados constituintes são jovens estudantes e trabalhadores.

[4] A guerra econômica executada na Venezuela desde 2013 por parte da direita apoiada pelo governo dos EUA inclui desestabilização, estocamento, especulação e contrabando de extração, tendo como objetivo repetir as circunstâncias que possibilitaram o golpe contra Salvador Allende, no Chile, em 1973, após a direita promover a escassez e a carência da população.

[5] A Venezuela está sendo alvo de atos de ódio, impulsionados por grupos fascistas, dirigidos e instigados pela Mesa de Unidade Democrática opositora. Desde abril passado até fins de julho, 27 pessoas foram queimadas vivas. A maioria morreu. Os sobreviventes testemunharam o desprezo pela vida praticado pelos opositores fascistas. Os agredidos eram funcionários do governo, negros, pobres ou simplesmente acusados de serem chavistas ou simpatizantes do governo bolivariano. A ONU tipifica essas ações brutais como “crimes de ódio”. Tais atos demonstram a natureza fascista da oposição venezuelana, que utiliza todo o tipo de crimes para atingir seus objetivos. Até a embaixada dos EUA em Caracas alertou seus cidadãos sobre o caráter violento dessas manifestações, sugerindo que se mantivessem afastados dos locais onde ocorreram.

[6] https://gz.diarioliberdade.org/america-latina/item/139395-ongs-de-fachada-sao-financiadas-do-exterior-para-promover-intervencao-na-venezuela.html

[7] Artigo do Moon of Alabama, publicado em 28/07/2017, analisa como a mídia norte-americana sugere pistas para uma intervenção militar na Venezuela. A mesma estratégia de “mudança de regime” já foi aplicada em outros países, com o mesmo objetivo: o controle do petróleo e dos recursos naturais do país. https://jornalistaslivres.org/2017/07/contagem-regressiva-para-uma-guerra-dos-eua-contra-venezuela/  Documento do Comando Sul dos Estados Unidos intitulado “Venezuela Freedom 2 – Operation”, no qual se propõem 12 passos para desestabilizar e gerar um final abrupto ao governo do presidente Nicolás Maduro: http://www.patrialatina.com.br/operacao-venezuela-12-passos-para-um-golpe/

[8] http://www.telesurtv.net/telesuragenda/La-masacre-de-El-Caracazo-20150224-0032.html

[9] Entre 1958 e 1998, no período conhecido como Quarta República, vigorou na Venezuela o “Pacto de Punto Fijo”. Assinado em 31/10/1958, após a queda do Pérez Jimenez e antes das eleições marcadas para aquele ano, o referido pacto foi um acordo entre os partidos políticos venezuelanos Ação Democrática (AD), Comitê de Organização Política Eleitoral Independente (Copei) e União Republicana Democrática (URD) para sustentar a democracia recém-instaurada por meio da participação equitativa de todos os partidos no executivo, excluindo o Partido Comunista da Venezuela, que foi posteriormente perseguido.

[10] No dia 11/04/2002, a direita venezuelana - a mesma aglutinada hoje na opositora MUD, com o apoio explícito do imperialismo estadunidense e dos grandes meios de comunicação nacionais e internacionais -, organizou um golpe de estado. Horas depois, o povo saiu às ruas, enquanto integrantes da Força Armada se rebelavam contra os golpistas. Multidões cercaram os quartéis em toda Venezuela, exigindo um posicionamento dos militares em defesa da Constituição Bolivariana; em Caracas, os trabalhadores e trabalhadoras das favelas desceram os morros e se dirigiram ao Palácio Presidencial de Miraflores, onde receberam o apoio da Guarda de Honra. Ante a exigência de ver Chávez, e sem um verdadeiro apoio militar, os golpistas foram derrotados. Com a derrota dos golpistas, consolidou-se na consciência critica do proletariado a necessidade - sempre defendida por Chávez -, da união cívico-militar. Retrata esse processo o filme “A Revolução nãos será televisionada”: https://www.youtube.com/watch?v=tRypWYgTKuE

[11] As comunas foram criadas para constituírem formas de autogestão produtiva e política pelos trabalhadores organizados. Possuem um aparato institucional próprio e empresas de propriedade comunal, mantidas sob o controle dos trabalhadores associados, sendo os excedentes completamente revertidos em prol da própria comunidade. São experiências ainda incipientes, que revelam imensa pertinência histórica ao instituírem formas de organização política e de propriedade dos meios de produção distintas das dominanteshttp://www.telesurtv.net/opinion/Existen-las-comunas-en-Venezuela-20170215-0027.html





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NEO FASCISTAS QUE IMPLANTAVAM TERROR NA VENEZUELA RESPONDERÃO PELOS SEUS ATOS


Por ANDRÉ MOREAU –

A ex- Procuradora Geral da República, Luisa Ortega Diaz, responderá juridicamente por ações de desestabilização da República Bolivariana da Venezuela, especificamente por estimular publicamente manifestações violentas contra instituições públicas e por manter impunes "guarimbeiros" denunciados.

Destituída da função de procuradora por traição a pátria, pelos membros da Assembléia Nacional Constituinte (ANC), por unanimidade, a Sra. Luisa Ortega Diaz, terá que explicar na justiça, porque usou a máquina pública para beneficiar a oposição em ações criminosas que colocaram em risco a segurança e a vida dos cidadãos venezuelanos. 

Dos mais de trinta crimes de ódio denunciados, ocorridos para desestabilizar a Revolução Bolivariana, apenas dois foram investigados por orientação da Sra. Luisa Ortega Diaz que depois de dezoito meses de sua posse, pediu a destituição de Magistrados objetivando favorecer mais ainda a oposição, em nítida violação da Lei Orgânica e da Constituição de 15 de dezembro de 1999.

Imediatamente após a decisão dos membros da ANC, editorias dos meios de comunicação golpistas, voltaram seus holofotes para Luisa Ortega Diaz que passou a acusar, sem provas, o Presidente Nicolás Maduro, de corrupção.

Impunidad del Ministerio Público favoreció crímenes de odio, sostuvo Fiscal de la República


Caracas, 07 de agosto de 2017.- La impunidad del Ministerio Público (MP), mientras estuvo a cargo de Luisa Ortega Díaz, favoreció los crímenes de odio, sostuvo este lunes el Fiscal General de la República Bolivariana de Venezuela, Tarek William Saab.

"¿Qué hizo el Ministerio Público para castigar de manera ejemplar los delitos de odio?", preguntó en una rueda de prensa realizada en la sede del MP, en Caracas, junto con el defensor del Pueblo (e), Alfredo Ruiz, y el Contralor General de la República, Manuel Galindo.

"De pronto, entre abril y parte de agosto, esto ha ocurrido y se ha propagado en Venezuela. La Defensoría tiene contabilizada seis muertos por delitos de odio y aproximadamente 30 heridos", precisó el funcionario.

"Frente a estos casos, el Ministerio Público actuó con impunidad para favorecer estos casos de crímenes de odio. Nunca pudimos escuchar que tipificaran así estos delitos terribles, sino más bien tenemos denuncias de familiares de víctimas que nos han dicho que el Ministerio Público nunca los atendió", rechazó Saab.

Lamentó que la "actitud que tuvo la ex fiscal atentó contra la paz de la República. No me cabe la menor duda. Desde la primera declaración del 31 de marzo del presente año hasta la más reciente que dio, durante los meses de abril, mayo, junio, julio, agosto".

El Fiscal General reiteró: "Estoy totalmente convencido. Cada declaración, incitada no sé por quién, no sólo le causaron un grave daño a la institucionalidad democrática, sino que colocaron en muy grave peligro la paz ciudadana, porque las declaraciones fueron acompañadas por una serie de acciones que se convirtieron en la omisión, en la inacción".

Recordó que cada vez que un agente del Estado ha cometido una violación a derechos humanos, la posición es cero impunidad.

Web: http://www.vtv.gob.ve/

Mas conforme informou o Defensor do Povo, novo Procurador Geral da República, Tarek Willian Saab: "A credibilidade do Ministério Público, será resgatada".

A frustrada tentativa da Sra. Diaz de fazer na Venezuela o que fizeram no Brasil, contra a Presidenta Dilma Rousseff, afastada por um processo de impeachment, sem mérito, golpe chancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das tramas entre membros do Tribunal de Contas da União (TCU), brasileiros orientados por agentes do Fundo Monetário Internacional a usar a denominação "pedaladas", marca a existência de outro plano condor, agora com base em ações jurídicas e parlamentares, respaldadas em narrativas de mentiras repetidas sob orientação das editorias dos veículos de comunicação alinhados ao projeto de dominação do Continente, do Estado norte-americano.

Voltando à Venezuela, agora enquanto a população vive momentos de restauração da ordem e da paz, os "guarimbeiros" protegidos pela Sra Luisa Ortega Diaz, estão sendo detidos no Metrô de Caracas com armas brancas, em flagrante, batendo carteiras, roubando celulares, documentos e dinheiro dos trabalhadores. Tratam-se de quadrilhas de "guarimbeiros" que não eram investigadas, porque serviam à oposição na promoção de terror, para desestabilizar o governo.

Em sua primeira intervenção, o então Defensor do Povo, hoje Procurador Geral da República, Tarek Willian Saab, disse que o Ministério Público estava dividido por "Chantagens" e assegurou que conta com apoio de todos os trabalhadores daquela casa "desde el más humilde portero hasta el más calificado fiscal".

* André Moreau, é Coordenador-Geral da Pastoral IDEA, Professor, Jornalista, Diretor do DEA, Canal Universitário de Niterói, Unitevê, Universidade Federal Fluminense (UFF).




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ENTREGA DE ARMAS A KIEV É DITADA PELA 'NATUREZA MERCANTILISTA' DOS EUA? PUTIN PESCA, SE BRONZEIA E FAZ MERGULHO EM IMAGENS DA TV RUSSA [VÍDEO]

REDAÇÃO -
A Casa Branca está interessada em aumentar a capacidade militar de Kiev. Foi assim que o conselheiro do presidente norte-americano para a Segurança Nacional, Herbert McMaster, comentou os relatos de que o Pentágono teria aconselhado Trump a entregar complexos de mísseis Javelin à Ucrânia.



Em uma entrevista ao canal MSNBC, McMaster frisou que os EUA já estão prestando assistência a Kiev. De acordo com o general, não importa qual a forma concreta de ajuda e a Casa Branca está considerando várias variantes.

"A questão consiste em saber qual a forma que a Ucrânia necessita, sendo que esta deve corresponder aos nossos interesses e ao desejo comum de fazer com que a Rússia pare de levar a cabo novas ações para desestabilizar a situação", afirmou.

Segundo observou o militar americano, as ações de Washington devem se basear nas necessidades de Kiev de "impedir invasões ulteriores" do território ucraniano.

Pentágono está pronto para atuar - Mais cedo, o canal NBC News comunicou, citando altos oficiais anônimos, que o Departamento de Defesa dos EUA recomendou oficialmente à Casa Branca a entrega de modernos armamentos antitanque a Kiev. Trata-se dos complexos de mísseis Javelin, no valor total de cerca de US$ 50 milhões.

De acordo com o canal, atualmente as autoridades americanas estão escolhendo em entregar os sistemas diretamente ou envolver alguns mediadores, bem como avaliando se os especialistas americanos serão capazes de treinar os efetivos ucranianos para que estes possam usar os Javelin.

O almirante retirado, ex-comandante em chefe das forças da OTAN na Europa, James Stavridis, chamou os planos do Pentágono de um "passo correto" e vê nesta iniciativa uma influência direta do chefe da entidade militar americana, James Mattis.

Stavridis tem certeza de que as entregas destes complexos "aumentarão as capacidades de contenção da Ucrânia" e "farão os agressores russos pensarem antes de usar suas armas ofensivas".

Antes do NBC News, tais informações foram divulgadas pelo The Wall Street Journal. Suas fontes na esfera militar e diplomática frisavam que os planos do Pentágono teriam sido elaborados em parceria com o Departamento de Estado. Até se comunicava que esta iniciativa poderia não se limitar a complexos de mísseis e seriam possíveis também entregas dos armamentos de defesa antiaérea.

Acredita-se que todas estas medidas "limitarão os riscos de escalada" do conflito em Donbass, deixando Kiev de ser acusada de ações ofensivas. Caso os militares ucranianos utilizem os equipamentos de forma errada, Washington poderá retirá-los em qualquer momento, afirmou o WSJ.

Interesse de uma nação mercantilista - Já faz muito que se travam discussões sobre as entregas de armas americanas à Ucrânia. O Kremlin, por sua vez, chamou os relatos recentes de "considerações geopolíticas" e frisou que a postura de Moscou quanto a este assunto não mudará.

O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, tem várias vezes realçado que as entregas de armas a Kiev levariam a uma escalada de conflito no leste da Ucrânia, por isso todos os países, especialmente aqueles que esperam "tomar alguma parte do processo de paz" deveriam evitar provocações.

Os representantes da República Popular de Donetsk (RPD), por sua vez, afirmam que já faz muito que os países da Aliança Atlântica armam os efetivos ucranianos de forma ilegal, mostrando granadas de estilhaço usadas pelos militares ucranianos na região de Avdeevka.

De acordo com o vice-chefe do comando operativo da RPD, Eduard Basurin, estas granadas são produzidas na Bulgária, e, sendo que este país faz parte da OTAN, isto é a prova da ajuda militar ilegal do Ocidente prestada a Kiev.

A Duma de Estado russa, por seu turno, afirmou que, neste sentido, os EUA perseguem objetivos meramente comerciais, ou seja, tentam lucrar com o conflito ucraniano.

"Os americanos, bem como seu presidente, sempre têm sido uma nação mercantilista. Eles fazem tudo exclusivamente em interesse do seu país, mesmo caso isto prejudique os interesses dos outros países. É nada mais que uma tentativa de vender armas sob pretexto inventado de luta contra uma agressão externa", afirmou o primeiro representante adjunto do Comitê de Defesa da Duma de Estado, Aleksandr Sherin, em uma entrevista ao (RT).

O deputado tem certeza de que, caso as entregas sejam acordadas, junto com as armas chegarão à Ucrânia instrutores americanos. E estes instrutores, segundo ele, ganham bastante dinheiro, já que as despesas, na maioria das vezes, são assumidas pela parte receptora.

"Neste caso, com estas entregas, Kiev gastará o dinheiro que deveria alocar à política social", resumiu.
*via Sputnik

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Putin pesca, se bronzeia e faz mergulho em imagens da TV russa





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ENTREVISTA (2º PARTE) –

“A COREIA SOCIALISTA É UMA FACADA

NO CORAÇÃO DO IMPERIALISMO”

LUCAS RUBIO, COORDENADOR

DA POLÍTICA SONGUN-BRASIL [VÍDEO]

ILUSKA LOPES -

Praticando jornalismo de fato, fazendo contrapondo permanente a nefasta mídia hegemônica, hoje publicamos a segunda parte da entrevista com o coordenador do Centro de Estudos da Política Songun no Brasil (CEPS-BR), LUCAS RUBIO, também colaborador da TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical. Para os leitores que perderam a primeira parte da entrevista, veja aqui.


Disciplinada, esta sargento orienta o trânsito nas exemplarmente limpas e pacatas ruas coreanas. Estas belas comunistas com frequência atraem a atenção das câmaras ocidentais /Fotos: flickr RPDC.
Quando em terras brasileiras, pesquisamos sobre a Coreia Socialista em sites de busca, é um festival de mentiras, desinformação e preconceitos. Segundo Lucas Rubio, pesquisador da cultura e da doutrina militar da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), o país prioriza investimentos nas artes e cultura. “No período da colonização japonesa, os imperialistas tentaram remover a cultura e as tradições coreanas, no inicio da Revolução existiam muitos analfabetos, o regime socialista retomou a cultura coreana e a incentivou na população, tornando isso uma marca, a valorização das artes e culturas regionais nunca mais parou, seguem até hoje”.


Cultura

O editor Daniel Mazola lembrou que vivemos numa sociedade de consumo, que o capitalismo vende a ‘promessa de felicidade’ em quase todos os produtos da indústria cultural, claro que essa promessa é tão falsa quanto o sorriso de um carrasco ou da promessa de liberdade dada a todos recém-chegados nos campos de extermino nazistas na Segunda Guerra Mundial. Lucas disse que na Coreia Socialista: “a população tem grande nível cultural e acesso as artes, principalmente cinema, teatro e música. Lá as artes servem ao povo, algumas coisas que aqui no ocidente são chamadas de arte e que degradam as pessoas, as mulheres, ou a nação de alguma forma, não ocorrem na Coreia Socialista, que reflete nas artes um extremo respeito às mulheres e a nação (...). Após o expediente nas fábricas, que possuem salas de teatro e tocam músicas, os operários e camponeses tem acesso ao teatro ou cinema (...). Eles têm o costume de realizar festas gigantescas extremamente organizadas como o festival Arirang, que é realizado no maior estádio do mundo (capacidade 150 mil), é o Estádio 1º de Maio, fica na capital Pyongyang. O país possui um dos maiores estúdios de arte do mundo, que produz muitos filmes e desenhos animados. Muitos desses desenhos são vendidos para o Ocidente e acabam não levando a assinatura original. Podemos ver na Europa, vários desenhos de ótima qualidade que foram produzidos na Coreia Socialista e que as pessoas não sabem que vieram de lá”.



Esporte

Nosso colaborador explicou que o incentivo na área dos esportes também é muito forte: “nas escolas, empresas, indústrias e nas faculdades todos tem acesso, é muito grande o incentivo a pratica de esportes. O estado investe em total infraestrutura para que a população usufrua. A seleção feminina de futebol foi campeã por vários anos de campeonatos na Copa Asiática, eles gostam muito de futebol o que gera identificação com os brasileiros (...). Também gostam de vôlei (foto baixo), basquete, natação e são uma potência no tênis de mesa. Na RIO 2016, a norte Coreana Song Kim I foi medalhista de bronze”.


Mulheres

Lucas Rubio fez questão de frisar que o respeito às mulheres e as pessoas mais velhas na Coreia Socialista é essencial, eles não aceitam a degradação da mulher. “As condições são iguais para homens e mulheres, desde 1946 quando foi assinado a Lei de Igualdade pelo presidente KIM IL SUNG. Metade do Exercito Popular da Coreia é composto por mulheres, não existe paralelo no mundo. As mulheres ocupam cargos de comando nas indústrias, fábricas, empresas e também cargos na política, muito diferente daqui, onde poucas mulheres estão na vida pública e, no entanto a maioria da população é de mulheres”.


As mulheres da capital Pyongyang e jovens marinheiras na parada dos 65 anos do Partido dos Trabalhadores da Coréia
Habitação e Transporte

Segundo Lucas, “na Coreia Socialista a falta de habitação é inaceitável. O estado é o responsável, não existe propriedade privada, o setor da construção é um dos mais ativos e que mais se desenvolvem por lá, eles constroem prédios de apartamentos magníficos para os cidadãos, a aparência dos imóveis é de luxo, são distribuídos gratuitamente à população, respeitando alguns critérios (...), as pessoas ganham moradias que sejam bem próximas ao local de trabalho. Os estudantes que saem do campo para estudar em Pyongyang, tem garantido sua moradia, muito diferente daqui por exemplo, as grandes universidades não conseguem acomodar todos os seus alunos que vem de fora da cidade. O metrô em Pyongyang é uma coisa fora do comum, semelhante ao modelo russo, eles possuem grandes obras de artes, estátuas e lustres, justamente para aproximar a arte ao dia-a-dia das pessoas, seus trens são produzidos na Coreia Socialista”.

A capital Pyongyang, foto tirada durante a ultima parada militar
Quando o editor voltou a perguntar sobre assuntos militares, especialidade do entrevistado, ele falou: “Os norte coreanos desenvolveram uma tecnologia muito avançada no campo balístico, que a maiorias dos outros países não possui, como um míssil pequeno de longo alcance. Isso é uma facada no coração do imperialismo, uma nação pequena, tão independente e desenvolvida”.

Seguiremos trazendo informações exclusivas e diferenciadas, desmistificado conceitos e opiniões a respeito da Coreia Socialista. Visite a página flickr da RPDC e vejam milhares de fotos que confirmam a entrevista, essa é a verdadeira Coreia Socialista. Agora, confira na íntegra a segunda parte da entrevista com Lucas Rubio.








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A BANCA, A CORRUPÇÃO E A GUERRA

Por PEDRO AUGUSTO PINHO -

Militares norte coreanos.
Vivemos um mundo que muitos analistas e escritores denominam pós-industrial, outros da informação ou da inteligência ou ainda da globalização, implicitamente indicando uma época de liberdade e de paz.

Muito diferente é meu entendimento. Fomos conduzidos a uma armadilha pelo capital financeiro que acumulou conhecimentos de dominação ao longo dos dois últimos séculos e criou uma verdadeira universidade perpetradora de crimes contra a humanidade.

Um dos crimes será objeto de nossas reflexões neste artigo: a corrupção.

Penso que, qualquer que seja o modo de colocar a mão em seu bolso, provocará um dano incomparavelmente menor do que a colocar em seu cérebro. E é isso que a banca (sistema financeiro, nova ordem mundial ou que alcunha se use) vem fazendo desde o momento que, destruindo culturas, assassinando etnias, forjando falsas realidades e, com insustentáveis pretextos, guerreando todo mundo implantou seu sistema colonial.

Não se iludam, caros leitores, com eventuais progressos econômicos ou avanços tecnológicos que lhes mostrem aqui ou ali; perguntem primeiro quem mais se beneficia senão quem é o único beneficiado com este resultado. E surgirá a banca, os rentistas.

Vou buscar um exemplo difícil para quem me lê e está se informando pela grande mídia: a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) ou Coreia do Norte, retratada em todo ocidente na forma caricatural de uma ditadura familiar comunista, oprimindo um povo faminto para construir armas nucleares.

Comecemos pelo conceito básico sobre o qual se funda o pensamento e a sociedade coreana: o confucionismo.

No milênio que antecedeu a era cristã, surgiram quatro vertentes de pensamento que influenciariam a humanidade: o pré-socrático, do mundo grego, o monoteísmo hebraico, no Oriente Médio, o induísmo (budismo), no subcontinente indiano e o confucionismo. Este último com a fundamental diferença em relação a todos os demais: a origem não divinatória do homem. Confúcio propõe, na sua consolidação do pensamento chinês (Os Analectos), pela primeira vez, a concepção ética do homem, em sua integralidade e universalidade, ao invés de uma criação divina. Pode-se imaginar a consequência para o cotidiano da pessoa  e de seus relacionamentos o que significa esta diferença.

Permitam-me tratar de três questões que serão importantes para compreensão da vida na Coreia do Norte. Diz Confúcio: é raro um homem que é bom como filho e obediente como jovem ter a inclinação de transgredir contra seus superiores (Analectos I.2). Também nesta obra encontramos: governar é estar na retidão (A XII.17) e, a terceira, aprender alguma coisa para poder vivê-la a todo momento, não é isso fonte de grande prazer? (A I.1).

Vejamos quais as consequências destas três proposições. Afirma uma das maiores autoridades sobre a História e vida coreana, Charles K. Armstrong: “A reverência à família, ao lider e à distinção social, por exemplo, não foi abolida na Coreia do Norte, mas transferida e reformulada” (The North Korean Revolution, 2003, em Visentini, Pereira e Melchionna, A Revolução Coreana, UNESP, 2015).

O sistema político hereditário, num modelo de círculos concêntricos, que está no pensamento confucionista, se encontra, na verdade, em muitas civilizações, como apontam o historiador indiano Sardar K. M. Panikkar, o ganense Godwin Dogbe e outros analistas da desestruturação de civilizações africanas e asiáticas pelo colonialismo europeu, em especial o inglês. A palavra traduzida por governar significa mais do que uma ação gerencial; zheng tem o sentido de organizar o mundo, originariamente restabelecer o equilíbrio. Logo o que se acusa de ditatorial hereditário está na própria estrutura do pensamento social e político dos norte-coreanos.

Diz Confúcio que o homem se faz ao caminhar, poderíamos até entender que a pedagogia dos saberes surge do confucionismo, mas, efetivamente, a educação com os pés no chão, com crítica e transformadora, é um traço que aproxima a RPDC de Cuba, daí a resiliência com que ambos enfrentaram os bloqueios e os transformaram em fator de maior unidade nacional.

Este aspecto do nacionalismo é extraordinariamente forte na Coreia. Além dos conteúdos filosóficos, houve a dura realidade da colonização japonesa em toda península. Podemos especular que o recente golpe na presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, com muitas identidades ao que foi aplicado em Dilma Rousseff e em outros dirigentes que ousavam construir um caminho à margem da banca, destinou-se a combater naquele país o mesmo pensamento nacionalista do Zuche norte-coreano.

Entender o Zuche é igualmente importante para compreender a RPDC. Charles Armstrong, na mesma citação anterior, alerta: “a nação tornou-se uma espécie de substituto para a classe operária como sujeito primordial da revolução, um movimento que pode ser chamado de nacionalismo proletário”.

A divisão da península coreana pelo Paralelo 38 foi mais um exemplo de atos arbitrários que o colonialismo adota à revelia da humanidade. Ao fazê-lo, no entanto, ao tempo que os Estados Unidos da América (EUA) colocavam um títere, retornando daquela nação imperial onde vivera 37 de seus 60 anos, Syngman Rhee, no poder ao Sul, o norte contou com a liderança de um herói da guerra contra os japoneses, não só na Península como na Manchúria, Kim Il Sung. Este não se submeteria à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) a quem coubera o Norte. O Norte era, desde a ocupação japonesa, industrial, com exploração mineral e energia abundante. O sul era agrário, produtor de alimentos.

Kim Il Sung promoveu a reforma agrária com maior e melhor aproveitamento da terra e obtendo o apoio dos camponeses. Dispondo de recursos hidrelétricos desenvolveu o setor industrial com especial atenção à construção civil, têxteis e indústria pesada. Os planos plurianuais até a eclosão da guerra aumentaram de modo significativo a produção do Norte. A Guerra na Coreia foi uma guerra de extermínio. Os EUA usaram napalm e bombardeio massivo para destruir cidades, infraestruturas e a população norte-coreana. A Guerra da Coreia mereceria um artigo especial.

Mas dela resultou esta mistura de confucionismo, marxismo e, principalmente, nacionalismo que se denomina Zuche. Outro estudioso da Coreia, Bruce Cumings (North Korea, 2004, também em Visentini, Pereira e Melchionna) assim descreve: “A Coreia do Norte oferece o melhor exemplo de retiro consciente do sistema mundial capitalista no mundo pós-colonial em desenvolvimento, bem como uma tentativa séria de construção de uma economia independente, autônoma; como resultado, observamos, hoje, a economia industrial mais autárquica no mundo. A Coreia do Norte nunca permaneceu ociosa, sempre avançou”. É o mesmo Cumings quem define o sistema político norte-coreano como corporativista neoconfuciano, tendo o papel revolucionário da classe operária trazido para a nação. Da tradição de Confúcio vem o ideal da família, sendo a nação a grande família, e assim o Estado forte e centralizado se justifica no controle da sociedade. O desenvolvimento autárquico dá ao país menos suscetibilidade às pressões externas, e a existência de armas nucleares estadunidenses ao sul legitima o desenvolvimento da tecnologia nuclear do Norte. Um pequeno país que buscou garantir dentro de sua filosofia a máxima independência possível em relação ao exterior.

Vejamos agora o aspecto corrupto, inerente à banca. Um país autárquico, o que de certo modo é comum na Ásia Oriental Continental, onde a filosofia confucionista prevalece, não é um país belicoso. Por que razão, senão de sua própria segurança e mesmo existência, a RPDC desenvolveria armas e instalações se não fosse para sua defesa. A Coreia do Norte investiu na construção de numerosos túneis e abrigos para proteger sua população de novos bombardeios dos EUA. Nestes abrigos há hospitais, escolas e condições de sobrevivência a um enorme custo que não se fariam necessários se não estivesse a belicosidade da banca a ameaçá-los como o faz em todo mundo.

Mas isto não lhes chega ao conhecimento. A República Popular Democrática da Coreia é um exemplo que une a banca à corrupção e à guerra.

* Enviado para o e-mail da redação. Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado





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ENTREVISTA – “O SONHO SEGUE VIVO NA COREIA SOCIALISTA” LUCAS RUBIO, COORDENADOR DO CENTRO DE ESTUDOS DA POLÍTICA SONGUN-BRASIL [VÍDEO]

ILUSKA LOPES -

Depois da parada militar em Pyongyang no ultimo dia 15, milhares de civis lotaram a Praça Kim Il Sung em uma grande demonstração de amor a Pátria Socialista.


O entrevistado de hoje é também novo colaborador do site TRIBUNA DA IMPRENSA Sindical, o convite surgiu durante o bate papo com o editor Daniel Mazola. Universitário, LUCAS RUBIO, 20 anos, cursa Letras (Português e Russo) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e representa o Centro de Estudos da Política Songun no Brasil (CEPS-BR). Com sede no Rio de Janeiro, o CEPS-BR visa estudar a doutrina militar da República Popular Democrática da Coreia (RPDC).

Lucas Rubio (foto) começou a se interessar por política no inicio da adolescência, ficava impressionado ao assistir o noticiário televisivo divulgar bizarrices sobre o pequeno país asiático, absurdos como: “todos os civis estão apoiando o regime assassino e assistindo o desfile militar, pois do contrário não terão comida e morrerão de fome”. Foi assim que passou a ter grande interesse em conhecer a fundo o regime socialista da Coreia do Norte e entender como de fato a população vivia naquele pequeno país, com aproximadamente o tamanho do Estado de Roraima e 24 milhões de habitantes.

No atual cenário, Lucas explica que “a ida da esquadra do EUA foi um jogo teatral para intimidar a Coreia do Norte, o país não está disposto a sofrer intimidações, nem se dobrar a provocações. Na parada militar que ocorreu no dia 15 de abril em comemoração aos 105 anos de nascimento do patriarca KIM IL SUNG, avó do atual líder da nação, KIM JONG UN, a Coreia do Norte mostrou que tem sim um míssil intercontinental, e está muito preparada no programa militar, isso da à Coreia Socialista poder de negociação muito maior no jogo geopolítico”.

Parada militar em comemoração ao 105º aniversário de nascimento do fundador da Nação, KIM IL SUNG
A Revolução da Coreia Socialista nasce da luta contra o imperialismo japonês na década de 1920 e seguiu posteriormente contra os Estados Unidos. Lucas destacou: “Após a independência política em 1948, se consolidou a Política Songun para garantir a soberania e defesa do seu povo. O que possibilitou a sobrevivência do regime da Coreia Socialista, durante décadas, foi o investimento em pesquisa militar e armamento. O país sofre até hoje com embargos econômicos iguais aos sofridos pelo regime Cubano, mesmo assim mantêm a nação alimentada, com saúde e educação de primeira qualidade, totalmente gratuito, consciente e politizada. As palavras soberania e independência tem uma importância enorme para a Coreia Socialista, eles lutam para manter isso, a manutenção da nação é vital. A Coreia do Norte não está conduzindo um programa nuclear para bombardear o mundo, apenas para existir, se defender contra o imperialismo dos EUA. (...) Há mais de 70 anos os EUA provocam e tentam intimidar a Coreia Socialista, mesmo assim a Coreia do Norte sempre saiu vitoriosa nas tentativas de destruição do seu regime (suposta ditadura). A Coreia Socialista mais uma vez deu as cartas e ensinou os EUA como é a regra do jogo”.

Lucas Rubio lembrou que os EUA vivem de intimidações e chantagens para garantir a própria hegemonia política e econômica, que a Coreia do Norte é atacada pelos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e que sempre foram derrotados, enfatizou. No ultimo domingo publicamos o seguinte artigo do entrevistado: “A PARADA MILITAR DA COREIA SOCIALISTA [VÍDEO]”, o texto teve grande audiência e repercussão. É a versão contrária da reproduzida pelos barões da mídia, recomendo a todos (as)!

Na próxima semana publicaremos o final dessa entrevista. Agora confira a primeira parte:








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A PARADA MILITAR DA COREIA SOCIALISTA [VÍDEO]

Por LUCAS RUBIO -


Na madrugada de ontem (15), por volta das 10 da manhã em Pyongyang, a República Popular Democrática da Coreia realizou uma imensa demonstração de força, em vários sentidos. A parada militar em comemoração ao 105º aniversário de nascimento do fundador da Nação, KIM IL SUNG, deixou o mundo em alerta. E o desfile foi incrível! Até mesmo a mídia global, a mesma que adora desdenhar da Coreia, classificou o evento como "demonstração de grandeza sem precedentes" e "impressionante parada militar".

Realizar uma parada militar é mandar uma mensagem. Não é uma simples comemoração. Existe um grande simbolismo por trás de uma parada militar. E as circunstâncias em que ela acontece, bem como o que é dito e mostrado durante o evento, mostram essa mensagem clara para o mundo.

A situação na Península Coreana está muito tensa, como sabemos. As manobras dos imperialistas dos Estados Unidos para sufocar e destruir a Coreia Socialista estão mais claras do que nunca e se revelam covardes e desesperadas. Até mesmo uma frota com poderosos navios foram movidos para a costa da Coreia. Some esse fato com a recente implantação de sistemas anti-mísseis no sul da Coreia e com as declarações de guerra feitas abertamente pelos Estados Unidos.


Mas o interessante aqui é que mesmo em meio a essa situação, em que a mídia ocidental chegou a inventar que a população da capital Pyongyang estava sendo evacuada, o Marechal KIM JONG UN e seu povo decidiu realizar a parada militar. Poderíamos até mesmo fazer um paralelo com a situação soviética em 7 de novembro de 1941, em que as tropas fascistas estavam nas cercanias de Moscou e mesmo assim Stalin realizou o desfile em comemoração ao aniversário da Revolução Russa. Essa já é a primeira mensagem da parada: não importa o ambiente hostil que esteja pairando sobre eles, o povo coreano é forte e está determinado a fazer o que ele bem entender.

Os preparativos desse ano para a parada foram especiais. Algo raro de acontecer, aconteceu: mídias do mundo todo, inclusive a BBC e CNN, tiveram acesso com seus links ao vivo para transmitir o evento aos seus países via televisão ou internet. Muitos jornalistas estavam no lugar para cobrir o evento. Além disso, a Praça Kim Il Sung estava belamente decorada, com muitas bandeiras e até mesmo com edifícios novos na sua paisagem ao fundo. A banda começa a tocar para anunciar a chegada das tropas, que marcham para a formação de espera. Esse ano o tom da banda marcial estava mais alto e nitidamente mais 'forte' que nos anos anteriores.

Depois de uns minutos de espera, chega o Marechal Supremo KIM JONG UN, que, para nossa surpresa, estava vestindo um terno comum, sem seu traje mandarim tradicional. Alguns militares, como Choe Ryong Hae, vice-presidente da Comissão de Defesa Nacional e ocupante de importantes cargos, acompanharam KIM JONG UN no terno. Na hora do discurso, outra surpresa: o silêncio de KIM JONG UN. Quem discursou em seu lugar foi justamente Choe Ryong Hae, talvez para preservar a imagem do Marechal ou por algum outro motivo (cansaço, talvez? Lidar com toda essa situação geralmente é muito complicado e pode nos desmotivar num discurso longo). Aqui fica a mensagem verbal. Não tive ainda o acesso ao que disse o Ministro, mas pela entonação e por já conhecermos o histórico dos norte-coreanos, podemos ter certeza que foi uma mensagem bem certeira no coração do imperialismo. Afinal o dia era de festa nacional, de comemorar a vida do homem que dedicou toda sua existência ao bem do povo coreano e libertou a Pátria dos dois mais terríveis imperialismos da História: o japonês e o americano.


Durante a revista de tropas por altos oficiais do Exército Popular da Coreia, já conseguíamos ter a noção da imensa dimensão do desfile, bem como observar novos uniformes de alguns pelotões e os novos equipamentos estacionados nas ruas próximas à Praça Kim Il Sung, esperando para desfilar.

A parada começa. O estilo de marcha dos norte-coreanos é louvável. Outra mensagem simbólica: força, sincronia, perfeição e lealdade. Milhares de soldados mostraram que estão prontos para, a qualquer momento, começar a guerra santa de libertação da Pátria e defesa do socialismo. Foram apresentados novos uniformes de camuflagem de montanha, um pelotão de forças especiais com pintura de guerra nos rostos dos soldados, algo inédito nas paradas, além de uma divisão com roupa branca de atuação na neve. Quem fechou o desfile de marcha foram pelotões de universitários.


Na hora do desfile motorizado, muitas surpresas. Novas armas foram apresentadas pela primeira vez em desfile. Armas que desde 2016 vimos em testes e vídeos, mas que finalmente hoje podemos ver em glorioso ritmo de desfile. Puxando a parte das novidades, os novos veículos fabricados totalmente na Coreia. Foram inicialmente projetados para lançar apenas um míssil, mas os que puxavam o desfile foram adaptados para lançarem até 4 mísseis de curto alcance. Depois, exibidos de uma forma inédita, em caminhões, os poderosos mísseis Puksuksong-2, capazes de carregarem ogivas nucleares e serem lançadas por submarino ou então pelos novos veículos inventados no início desse ano. Após isso, alguns tanques que tiveram os chassis aproveitados para servirem de base lançadora, com mísseis renovados em cima. E depois deles, o que para mim são os mais interessantes, os novos veículos que são os lançadores dos Pukguksong-2 em terra. Lindos e fortes! E por fim, os mais temíveis e esperados: os imensos mísseis intercontinentais! Sim, eles existem e foram demonstrados hoje no desfile. Sendo assim, comprovadamente a Coreia do Norte tem capacidade de atingir os Estados Unidos com lançamentos através do seu próprio território. E essa é uma grande conquista na geopolítica local e global. Preciso comentar que tipo de mensagem fortíssima foi essa?

Por vários momentos, aviões sincronizados cruzavam o céu formando o número 105, em referência aos 105 anos de nascimento de KIM IL SUNG.


Depois da parada militar, milhares e milhares de civis lotaram a Praça Kim Il Sung em uma grande demonstração de amor à Liderança Suprema e de apoio total ao seu governo e Pátria socialista. Imensos carros alegóricos traziam imagens triunfantes de KIM IL SUNG, KIM JONG IL e outros elementos típicos da estética jucheana: trabalhadores, soldados, armas, equipamentos de trabalho, livros, alusões à conquista científica e espacial, bem como elementos da natureza do País, como flores nacionais. Conquistas sociais como igualdade entre homens e mulheres e o desejo de reunificação da Coreia também estavam presentes nesses belos carros.

No final, a plateia aplaudiu intensamente por vários minutos o Marechal KIM JONG UN, que acenava para o público e sorria em agradecimento pelo apoio. Durante todo o desfile ele esteve atentamente analisando os destacamentos militares e saudando a população que passava pela tribuna com grande alegria.


E as consequências da grandiosa festa foram imediatas: a mídia do mundo todo correu pra classificar e analisar os novos equipamentos e toda a mensagem semiótica por trás da parada. Estamos aqui falando de milímetros de movimentos que significam coisas. A roupa, o silêncio, o novo equipamento, tudo faz parte de uma guerra com e sem palavras contra o imperialismo. Jornais do mundo transmitiram surpresa ao ver o desfile extremamente organizado, disciplinado e grandioso. A própria Rede Globo transmitiu durante todo o dia cenas do desfile e admitiu a grandeza do ato.

Por fim, fica para a gente a admiração pelo povo coreano e o desejo de que eles alcancem a vitória, alavancando a vitória dos trabalhadores no mundo todo. O desfile de hoje foi uma prova de como aquele povo pequeno em número e em tamanho é capaz de fazer frente ao gigante devastador que é os Estados Unidos e fazer até mesmo o demente do Trump recuar.

GLÓRIAS AO ANIVERSÁRIO DE KIM IL SUNG!
VIVA A LUTA DO POVO COREANO!
VIDA LONGA AO SUPREMO MARECHAL KIM JONG UN! MANSE!!!

Assista o desfile completo:

* Lucas Rubio, 20 anos, estudante de Letras na UFRJ e representante do Centro de Estudos da Política Songun-Brasil. Reproduzido do Facebook do autor







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REDAÇÃO -


O fundador da organização que luta pela transparência das informações, conhecida como Wikileaks, divulgou um anúncio no dia 1 de dezembro de 2016, expondo mais de 500.000 arquivos diplomáticos arquivados desde 1979, que, de modo sucinto, revelam que a CIA (Central Intelligence Agency - Agência Central de Inteligência, o maior órgão de informações, espionagem e contra-espionagem dos EUA) foi responsável pela criação do grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS).

O período de divulgação desses dados coincidiu com o sexto aniversário da divulgação "Cablegate" do WikiLeaks, que expôs as maquinações do império dos EUA. A divulgação mais recente, conhecida como "Carter Cables", expõe 531.525 novos arquivos diplomáticos aos já volumosos registros da Public Library of US Diplomacy (PLUSD - Biblioteca Pública da Diplomacia dos EUA).

Num comunicado divulgado na exposição dos arquivos do "Carter Cables", Julian Assange mapeou os eventos desde 1979, começando por uma série de eventos que culminaram com o surgimento do Estado Islâmico.

"Se podemos indicar algum ano como o 'marco zero' de nossa era, esse ano é 1979", disse Assange. Assange mostra a realidade de que as raízes do terrorismo islâmico moderno começaram a se fixar por uma parceria entre a CIA e o governo da Arábia Saudita, investindo bilhões de dólares para criar uma força "mujahideen" para lutar contra a União Soviética no Afeganistão - e que, em última análise, favoreceu a criação da Al-Qaeda e do Estado Islâmico.

Assange não está sozinho nessas alegações. De acordo com uma pesquisa da Express, a maioria da população compreende que a política externa dos EUA criou o Estado Islâmico. Assange revela que o ataque do 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão estão diretamente ligadas ao surgimento do ISIS.

"No Oriente Médio, a Revolução Iraniana, a revolta islâmica na Arábia Saudita e os acordos do Campo Davi (entre Egito e Israel) levaram não somente à atual dinâmica de poder regional, como também mudaram decisivamente a relação entre petróleo, islamismo militante e questões mundiais.

"A revolta em Meca mudou permanentemente a Arábia Saudita para o wahhabismo, levando à difusão transnacional do fundamentalismo islâmico e à desestabilização do Afeganistão", disse Assange. "A invasão do Afeganistão pela URSS fez com que a CIA investisse bilhões de dólares em guerrilheiros mujahideen como parte da Operação Ciclone, fomentando o surgimento da Al-Qaeda e o eventual colapso da União Soviética".

"A difusão da islamização havia chegado ao Paquistão, desde 1979, onde ocorreram os episódios da queima da embaixada dos EUA e o assassinato do então primeiro ministro paquistanês, Zulfikar Ali Bhutto".

"A crise dos reféns iranianos acabou minando a presidência de Jimmy Carter, levando à eleição de Ronald Reagan".

"O surgimento da Al-Qaeda eventualmente levou ao atentado do 11 de Setembro de 2001 e outros ataques aos Estados Unidos, permitindo a invasão dos EUA contra o Afeganistão e o Iraque, causando uma década inteira de guerra que, no fim, resultou na base ideológica, financeira e geográfica para o ISIS", disse Julian Assange.

Em adição ao surgimento do islamismo militante global, as últimas divulgações incluem dados sobre a eleição de Margaret Thatcher como primeira ministra britânica. O incidente na ilha Three Mile também é mostrado como parte de eventos que ligam as conexões de Henry Kissinger com David Rockefeller, que buscava um local para resguardar o xá deposto do Irã.

"Em 1979, parecia que o sangue nunca iria parar", disse Assange. "Dúzias de países foram palcos de assassinatos, golpes, revoltas, bombardeios, sequestros de políticos e guerras de liberação". Com a divulgação dos chamados "Carter Cables", o WikiLeaks já publicou um total de 3.3milhões de arquivos diplomáticos dos EUA. Mantendo-se fiel ao seu lema, o site WikiLeaks continua a expor dados secretos dos governos.

Numa entrevista com Assange, ele aponta um e-mail enviado a Podesta, expondo os governos da Arábia Saudita e do Qatar como diretamente ligados ao ISIS. No e-mail, enviado em 17 de agosto de 2014, Hillary Clinton pediu que John Podesta ajudasse a "pressionar" os governos do Qatar e da Arábia Saudita a fornecer mais apoio ao ISIS, por aqueles que são considerados geralmente como aliados próximos dos EUA (algo que os pronunciamentos oficiais dos EUA continuam a negar publicamente).

O e-mail de Hillary Clinton para Podesta revela claramente a realidade da situação. "Precisamos usar nossa diplomacia e, mais ainda, nossa inteligência tradicional para pressionar os governos do Qatar e da Arábia Saudita, que estão fornecendo financiamento e logística clandestinos para o ISIS e outros grupos radicais sunitas na região", escreveu Clinton no e-mail. (via Ação Avante)

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EUA iniciam ofensiva sobre Mossul nos próximos dias

As forças do Iraque irão retomar sua ofensiva contra o Estado Islâmico dentro de Mossul nos próximos dias, nova fase da operação de dois meses que deixará os militares dos Estados Unidos mais perto da linha de frente da cidade, disse um comandante de batalha norte-americano.

A batalha por Mossul, que envolve 100 mil tropas iraquianas, membros de forças de segurança curdas e milicianos xiitas. É a maior operação terrestre no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em 2003.

Parece provável que a próxima fase dará aos soldados norte-americanos sua maior atuação em combate desde que cumpriram a promessa de seu presidente, Barack Obama, de se retirarem do país em 2011.

Soldados iraquianos de elite retomaram um quarto de Mossul. O último grande bastião dos jihadistas no Iraque. Mas seu avanço tem sido lento e custoso. Neste mês eles entraram em uma “recomposição operacional” já planejada, a primeira pausa significativa da campanha.

Duas semanas atrás, uma unidade fortemente blindada de vários milhares de policiais federais foi transferida dos arredores do sul. Para reforçar a frente leste depois que unidades do Exército assessoradas pelos norte-americanos sofreram baixas pesadas durante um contra-ataque do Estado Islâmico.

Conselheiros dos EUA, parte de uma coalizão internacional que realizou milhares de ataques aéreos. E treinou dezenas de milhares de soldados iraquianos, irão trabalhar diretamente com estas forças e com uma força de elite do Ministério do Interior. 

Ataque

– Neste momento estamos, na verdade, nos aprontando para a próxima fase do ataque. Quando começaremos a penetração no interior do leste de Mossul – disse o tenente-coronel Stuart James, comandante de um batalhão de combate que assessora forças de segurança do Iraque na frente do extremo sul, em entrevista à agência inglesa de notícas Reuters no final de domingo.

– Então, neste momento, posicionando forças e posicionando homens e equipamentos no interior do leste de Mossul. Irá acontecer nos próximos dias.

A manobra irá levar as tropas dos EUA para dentro da cidade de Mossul propriamente dita e expô-las a maior risco. Embora James tenha dito que o nível de perigo ainda está caracterizado como “moderado”. Três efetivos norte-americanos foram mortos no norte do país nos últimos 15 meses.

James, que falava de um posto avançado austero localizado no leste de Mossul. Onde várias centenas de tropas de seu país estão a postos, disse que o ritmo da próxima fase no flanco leste irá depender da resistência do Estado Islâmico.(informações Reuters)



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COMANDANTE FIDEL CASTRO, PRESENTE !


EMANUEL CANCELLA -



Em 1959, Fidel Castro, Che Guevara e outros onze homens, vindos de barco de Miami, iniciaram a tomada de Havana, a capital cubana, e transformou em realidade o sonho de uma sociedade socialista. Ele mostrou ao mundo que outra sociedade é possível, enfrentando, por mais de meio século, o maior boicote econômico do planeta.

Se por um lado, Cuba esbarrou na economia por conta do forte bloqueio, por outro, tornou-se referência mundial nos esportes e na medicina. Inclusive acudindo pacientes estrangeiros em vários tratamentos, como no vitiligo e aos tetraplégicos. Cuba mandou médicos para ajudar vários países, inclusive o Brasil!

Os médicos cubanos vieram para o Brasil, para o programa ‘Mais Médicos’ fazer aquilo que os médicos brasileiros não fazem:atender nas periferias e aos pobres. E fizeram mais, já que os médicos cubanos destinaram a maior parte de seus salários para ajudar seu país, Cuba.

Vem de Cuba o exemplo “Milhões de crianças estão abandonadas nas ruas do mundo, nenhuma em Cuba”.

Fidel, filho de latifundiário, rompeu com sua própria irmã, que virou sua desafeta, e foi morar em Miami. A gota d’água do rompimento com a irmã foi o fato de Fidel ter iniciado a ‘Reforma Agrária’ em Cuba em terras da própria família.

Che Guevara largou o ministério de Cuba e foi estender a revolução socialista ao continente latino-americano. Foi morto pela polícia! Virou para os jovens de várias gerações um símbolo da luta pela liberdade em todo o planeta!

Os EUA conseguiram derrubar vários governos, de forma covarde, principalmente para se apossar do petróleo, inclusive no Brasil, colaborando no impeachment da presidente Dilma (3). E em Cuba não foi diferente, segundo Fidel, os EUA tentaram envenená-lo, através da CIA, por 600 vezes (2).

Fidel enfrentou o império e não caiu!  Alguém vai dizer que ele teve o apoio da União Soviética. Entretanto, a URSS se dissolveu e se transformou na Rússia que, apesar de manter-se como uma das potencias mundiais, deixou de lado o apoio material a Cuba. Mesmo sem o apoio russo, Fidel resistiu!

Hugo Chávez, na Venezuela, outro líder revolucionário, furou o bloqueio econômico ditado pelos americanos, fazendo vários convênios de apoio à Ilha,  que resultou no envio de médicos a Venezuela e principalmente o de fornecimento de petróleo a Cuba. O sucessor de Chávez, Nicolás Maduro, mantém o apoio à Ilha e sofre uma oposição ferrenha dos EUA. Tanto Chávez quanto Maduro foram vítimas de tentativas de golpes americanos, lá sem sucesso!

Miami, o estado americano que recebe a maioria dos golpistas latino-americanos em fuga, festejou a morte de Fidel Castro. Lá foi um dos poucos locais no mundo que comemorou a morte de Fidel.

O governo brasileiro de Luiz Inácio Da Silva financiou, através do BNDES, a construção do porto de Muriel na Ilha, que vai ser fundamental na retomada econômica de Cuba e importante fator de crescimento para o Brasil (1).

Quando vi o irmão de Fidel, Raul Castro, anunciar na TV a morte do grande líder, confesso que não me contive e chorei, mas em seguida sorri, pois Fidel morreu mas deixou para o mundo a alegria de ter provado que um outro mundo, mais humano, fraterno e solidário, é possível.

Hasta la Victoria Siempre!

Fonte:




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REDAÇÃO -


O comandante Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, morreu nesta madrugada, aos 90 anos. Comunistas, socialistas, democratas, progressistas, homens e mulheres de bem, cidadãos livres e revolucionários, o mundo libertário amanheceu de luto. Fidel foi um dos mais importantes, carismáticos e polêmicos líderes políticos mundiais, que, em 1959, liderou, ao lado do companheiro Che Guevara, a conquista do poder em Havana, a partir da Sierra Maestra, inspirando jovens do mundo todo, com os ideais revolucionários.

As aparições de Fidel publicamente estavam cada vez mais escassas. A última vez que ele apareceu foi em 15 de novembro, quando recebeu o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

“O comandante chefe da revolução cubana morreu às 22h29 desta noite [de sexta-feira, 3h29 de sábado]”, anunciou Raúl Castro, que sucedeu ao irmão em 2006. O corpo de Fidel será cremado, “atendendo à sua vontade expressa”, anunciou Raúl Castro, e os pormenores sobre o funeral serão dados mais tarde.

A breve declaração de Raúl Castro terminou com a frase: “Hasta la victoria, siempre”.


Leia, abaixo, reportagem da Agência Sputinik:

Ex-presidente de Cuba morreu aos 90 anos de idade, diz o canal de televisão estatal cubano.

O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, morreu, segundo a mídia local no sábado (26). ​Ex-presidente cubano morreu aos 90 anos de idade e seu corpo será cremado, a pedido do próprio Castro, comunicou a agência de notícias Prensa Latina, citando o atual presidente cubano, Raul Castro, irmão do ex-líder falecido.

Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana em 1959, derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos EUA. Ele celebrou o aniversário de 90 anos em 13 de agosto. Fidel Castro, uma das personalidades mais conhecidas do mundo, nasceu em 1926. Sua carreira política se iniciou em dezembro de 1976.

Durante três décadas, Castro foi presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros de Cuba, assim como comandante-em-chefe das Forças Armadas Revolucionárias. Em 2006, devido ao seu frágil estado de saúde, Fidel Castro abandonou os cargos políticos, passando as suas funções para o seu irmão, Raúl Castro.

A luta revolucionária de Fidel começou em 11 de março de 1952, após o golpe militar do general Fulgencio Batista. Castro esteve nas primeiras fileiras da resistência, organizando os apoiantes para derrubar o ditador. A primeira ação do grupo de Castro foi atacar o Quartel Moncada, em 26 de julho de 1953. Com o fracasso da ofensiva, Fidel foi capturado e condenado a 15 anos de prisão.

No entanto, sob a pressão do povo, foi liberado pela amnistia em 1955, sendo exilado para o México, onde continuou organizando a rebelião almejada não somente por ele, mas por muitos. Em dezembro de 1956, o grupo de revolucionários liderados por Castro desembarcou na província de Oriente, Cuba. O grupo cresceu, ganhou força e se tornou o Exército Rebelde. Em 1 de janeiro de 1959, Castro e seus aliados conseguiram derrubar o regime ditatorial de Batista.
Leia mais:




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JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Perguntaram-me há pouco por que a União Soviética acabou. Fiquei embaraçado. Ninguém nunca me havia feito uma pergunta tão direta para um assunto tão complexo. Mas decidi responder. A União Soviética rendeu-se aos Estados Unidos para evitar uma guerra nuclear. Como consequência, os laços da União que se mantinham de forma artificial rapidamente se dissolveram. Uma a uma, cada república das 15 foi se separando da União, criando uma unidade frouxa, substituta, chamada Comunidade de Estados Independentes.

Não veio a segunda pergunta, isto é, por que a União Soviética, uma potência nuclear de primeira linha, se rendeu aos Estados Unidos. Isso eu tentei explicar num pequeno livro escrito na época dos acontecimentos, “O golpe social-democrata de Gorbachev”. O livro era muito bem fundamentado. Entretanto, tinha um erro fatal, responsável pelo fato de eu não tê-lo colocado em circulação. O erro é que, a despeito das aparências, Gorbachev não deu um golpe. Preferiu uma democra-oligarquia anárquica a uma ditadura social-democrata.

Revisitemos os fatos de memória. Um dos líderes dos neoconservadores americanos, George Bush pai, enquanto diretor da CIA, criou uma ONG com sede em Washington, em meados dos anos 70, denominada Comitee for the Present Danger. Essa entidade, atuando às claras, tinha como o principal de seus propósitos estatutários “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”. A ONG tinha, creio, 60 eminentes membros da direita americana. Ronald Reagan filiou-se em 1979, um ano antes de sua posse.

Uma vez empossado, Reagan levou para postos elevados do Departamento de Defesa e do Departamento de Estado 29 integrantes do CPD. Uma vez no governo, dedicaram-se a por em prática a estratégia da “protected nuclear war”, isto é, a estratégia baseada na ideia de que os Estados Unidos poderiam travar uma guerra com a União Soviética protegendo o próprio território. Eu estive na Alemanha em 1985, para cobrir a reunião dos sete grandes, e estava por lá Richard Perle, o assessor de Segurança Nacional de Reagan e posteriormente demitido por corrupção, pregando essa estratégia para alemães estupefatos, que sabiam que seriam aniquilados no caso de uma guerra que se suponha capaz de proteger o território, sim, mas norte-americano.

Enquanto isso fosse uma peça retórica no jogo geopolítico de Reagan os soviéticos podiam descartar com balançar de ombros. Acontece que algumas medidas concretas dos americanos, todas vazadas através de grandes jornais do país, esquentaram a cena. Uma delas, dentre outras várias provocações, foi a redução para dois do nível de redundância de avaliação de possível agressão para um disparo automático em resposta dos mísseis nucleares do arsenal americano. Com isso, seria uma máquina, não o Presidente, que desencadearia uma guerra nuclear se houvesse uma detecção de ataque falso, e outra, também falsa.

O ambiente era esse em meados dos anos 80. Foi descrito com extremo realismo por um físico canadense, F. Knelman, no livro “America, God and the Bomb”. O título era uma metáfora das forças principais que elegeram Reagan: nacionalistas retrógrados, estrategistas belicistas e pastores eletrônicos. Enfim, extrema direita – algo que não assustou ninguém na época a exemplo da suposta direita que elegeu Trump.

Agora pensem bem. O que fazem nesse ambiente os estrategistas soviéticos? Eles não podem contar com tecnologia que confronte o programa Guerra nas Estrelas, supostamente destinado a garantir um primeiro ataque americano sem retaliação. Eles acompanham, naturalmente, cada passo da corrida americana para um primeiro ataque. Se o primeiro objetivo de um estrategista é descobrir o que passa na cabeça do estrategista adversário, não era difícil para um estrategista soviético concluir que os americanos se preparavam para atacar, já que seus estrategistas neoconservadores não faziam nenhum segredo disso. Nessa circunstância, a União Soviética só tinha duas opções: atacar primeiro ou capitular.

Gorbachev, no meu entender, tendo feito imensas concessões a Reagan em meados dos anos 80, sem receber praticamente nada em troca, se viu numa armadilha shakespeariana. Ou se expor ao risco da desvantagem tecnológica ou fazer uma abertura política (glasnost) que desencadearia a imensa onda de demandas sociais represadas que acabou por explodir o sistema soviético. Agora, superada a guerra fria com sua guerra ideológica, os estrategistas de Obama operaram em escala planetária uma série de iniciativas para levar os russos novamente à rendição, não se sabe com que propósito. Para um homem de negócios como Trump, isso é simplesmente insano. Que deixem a Rússia quieta e vamos fazer negócios, tende a dizer ele!




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TRUMP E PUTIN APONTAM NOVA ERA

DE PROSPERIDADE PARA O MUNDO

JOSÉ CARLOS DE ASSIS -


Se a análise política de fundo vale alguma coisa em confronto com a boçalidade dos comentaristas da tevê Globo e Veja, pode-se concluir que há grande probabilidade de o governo Trump trazer para o mundo uma era de prosperidade econômica sem paralelo. Não falo da política interna. Sinceramente, ela não me interessa. É que o suposto elemento de regressividade prometida nesse campo pelo novo presidente será contrabalançado, e até anulado, pelo fortíssimo movimento de defesa dos direitos civis norte-americano.

O aparente enigma vem do exterior, e ele já pode ser decifrado em vários aspectos. O principal deles está associado ao caráter profundo da política externa dos Estados Unidos. É uma política estruturada em duas vertentes. A primeira, econômica, visa essencialmente a abrir espaço para as empresas norte-americanas no mundo. A segunda, geopolítica, visa à confirmação recorrente do poderio militar do país, especialmente depois que apareceu diante dele um rival com poderio nuclear capaz de desafiá-lo, a União Soviética e agora a Rússia.

Tradicionalmente o comando da estratégia norte-americana cabia a geopolíticos, que tinham ascendência sobre os interesses econômicos. Houve exceções, é verdade, como a relacionada com a política imperialista do petróleo. Acontece que petróleo desfruta de duas naturezas, uma geopolítica, por ser um insumo fundamental em termos bélicos convencionais, e outra econômica, pela importância universal de sua cadeia produtiva. Em outras situações, o intervencionismo americano se deveu exclusivamente à geopolítica, como na América Central.

Agora, pela primeira vez na história americana, tem-se um empresário – não um empresário comum, mas um mega-empresário produtivo – no comando da estratégia nacional e imperial. O capital produtivo – sim, é o que ele representa, não Wall Street – não será representado pelos geopolíticos, mas atuará diretamente segundo seus interesses. Muito provavelmente não serão inventadas guerras de honra, como a segunda do Iraque, ou as múltiplas intervenções no exterior, como no caso da chamada Primavera Árabe.

O fato é que, exceto para o complexo industrial-miliar, guerra hoje em dia não dá muito dinheiro. A prova é o sucesso econômico espetacular da China com módicos investimentos militares, em comparação com Estados Unidos. Além do mais, sabe-se desde o plano militar megalômano de Reagan que investimentos bélicos, num mundo de altíssima tecnologia, gera poucos empregos. O material usado são chips, com uma dimensão material muito menor do que a da antiga indústria bélica baseada em canhões, tanques, aviões.

Trump, consciente ou não, vai aplicar seu pragmatismo no espaço que abre para seu país uma real perspectiva de crescimento: Rússia. A relação norte-americana com a China não promete muito mais do que já deu. A indústria dos Estados Unidos está profundamente penetrada em território chinês, e a ideia de fazer isso retroceder não se compatibiliza com a visão pragmática de Trump. Ademais, boa parte dos investimentos americanos na China são de norte-americano vinculados ao Partido Republicano. Mas por aí não dá crescimento.

Já a Rússia é uma terra virgem a ser conquistada. Tão logo sejam levantadas as estúpidas restrições econômicas que os “estrategistas” americano impuseram ao país, Putin, ele também um pragmático, abrirá as portas ao investimento dos Estados Unidos. Com os recursos naturais que tem e com a mão de obra especializada herdada da União Soviética, a Rússia é um território de conquista sem paralelo para o capital, revertendo sua tendência secular à queda. A meu ver, estará aí o grande espetáculo econômico do século XXI.

Não só isso. A Rússia é a Ásia profunda, que se complementa com a China, a Índia, o Japão. Uma vez retiradas as barreiras geopolíticas idiotas, essa mega-região poderá puxar o mundo para o crescimento, inclusive o Brasil, neste caso se não tiver o terrível azar de ter alguém tão inexpressivo na Presidência, como Temer, e alguém tão despreparado para o cargo de Ministro das Relações Exteriores, como José Serra. E o azar ainda maior de ter por trás deles algo tão desprezível como o sistema de comunicação da Globo e da Veja.

Putiin é um ás da estratégia. Tem dado um baile nos geopolíticos americanos na Geórgia, na Ucrânia (Criméia) e na Síria. Não perderá essa oportunidade de por a Rússia na trilha do crescimento. Há ali toda uma infra-estrutura do crescimento que está sendo preparada pela China, a partir da Rota da Seda, assim como uma formidável estrutura de financiamento que inclui Banco Asiático de Investimento, Fundo de Investimento da Rússia, Fundo da Rota da Seda, Cia de Financiamento do Desenvolvimento da Infraestrutura, Novo Banco de Desenvolvimento (BRICS). Diante desse aparato, só continuaremos a aceitar condicionalidades especulativas do Banco Mundial e do FMI se cometermos crimes de lesa-pátria.



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PORQUE O SOCIALISMO?

Por ALBERT EINSTEIN -

Estudiosos norte-americano acabam de verificar de maneira empírica previsões que Albert Einstein tinha avançado um século atrás, em 1916, sobre a existência de ondas gravitacionais, curvas espaço-tempo geradas por violentos fenomenos do cosmos. Em sua homenagem, nós propomos reler a avaliação realizada em torno de uma outra questão analisada por ele: o socialismo. Eis o artigo escrito em 1949 pelo  maior cientista do século XX.


Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos economicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.

Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de forma a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são frequentemente afectados por muitos factores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente económicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.

Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de facto o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os factos económicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objectivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência económica no seu actual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

Segundo, o socialismo é dirigido para um fim sócio-ético. A ciência, contudo, não pode criar fins e, muito menos, incuti-los nos seres humanos; quando muito, a ciência pode fornecer os meios para atingir determinados fins. Mas os próprios fins são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e – se estes ideais não nascerem já votados ao insucesso, mas forem vitais e vigorosos – adoptados e transportados por aqueles muitos seres humanos que, semi-inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade.

Por estas razões, devemos precaver-nos para não sobrestimarmos a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos assumir que os peritos são os únicos que têm o direito a expressarem-se sobre questões que afectam a organização da sociedade.

Inúmeras vozes afirmam desde há algum tempo que a sociedade humana está a passar por uma crise, que a sua estabilidade foi gravemente abalada. É característico desta situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar o meu pensamento, permitam-me que exponha aqui uma experiência pessoal. Falei recentemente com um homem inteligente e cordial sobre a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião, colocaria em sério risco a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supra-nacional ofereceria protecção contra esse perigo. Imediatamente o meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: “Porque se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?”

Tenho a certeza de que há tão pouco tempo como um século atrás ninguém teria feito uma afirmação deste tipo de forma tão leve. É a afirmação de um homem que tentou em vão atingir um equilíbrio interior e que perdeu mais ou menos a esperança de ser bem sucedido. É a expressão de uma solidão e isolamento dolorosos de que sofre tanta gente hoje em dia. Qual é a causa? Haverá uma saída?

É fácil levantar estas questões, mas é difícil responder-lhes com um certo grau de segurança. No entanto, devo tentar o melhor que posso, embora esteja consciente do facto de que os nossos sentimentos e esforços são muitas vezes contraditórios e obscuros e que não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples.

O homem é, simultaneamente, um ser solitário e um ser social. Enquanto ser solitário, tenta proteger a sua própria existência e a daqueles que lhe são próximos, satisfazer os seus desejos pessoais, e desenvolver as suas capacidades inatas. Enquanto ser social, procura ganhar o reconhecimento e afeição dos seus semelhantess, partilhar os seus prazeres, confortá-los nas suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços diversos e frequentemente conflituosos respondem pelo carácter especial de um ser humano, e a sua combinação específica determina até que ponto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e pode contribuir para o bem-estar da sociedade. É perfeitamente possível que a força relativa destes dois impulsos seja, no essencial, fixada por herança. Mas a personalidae que finalmente emerge é largamente formada pelo ambinte em que um indivíduo acaba por se descobrir a si próprio durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que cresce, pela tradição dessa sociedade, e pelo apreço por determinados tipos de comportamento. O conceito abstracto de “sociedade” significa para o ser humano individual o conjunto das suas relações directas e indirectas com os seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indíviduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho, mas depende tanto da sociedade – na sua existência física, intelectual e emocional – que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora da estrutura da sociedade. É a “sociedade” que lhe fornece comida, roupa, casa, instrumentos de trabalho, língua, formas de pensamento, e a maior parte do conteúdo do pensamento; a sua vida foi tornada possível através do trabalho e da concretização dos muitos milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra “sociedade”.

É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um facto da natureza que não pode ser abolido – tal como no caso das formigas e das abelhas. No entanto, enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos, o padrão social e as interrelações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições, instituições e organizações; na literatura; nas obras científicas e de engenharia; nas obras de arte. Isto explica a forma como, num determinado sentido, o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta, e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.

O homem adquire à nascença, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa ou inalterável, incluindo os desejos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante a sua vida, adquire uma constituição cultural que adopta da sociedade através da comunicação e através de muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com a passagem do tempo, está sujeita à mudança e que determina, em larga medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna ensina-nos, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode divergir grandemente, dependendo dos padrões culturais dominantes e dos tipos de organização que predominam na sociedade. É nisto que aqueles que lutam por melhorar a sorte do homem podem fundamentar as suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a exterminarem-se uns aos outros ou a ficarem à mercê de um destino cruel e auto-infligido.

Se nos interrogarmos sobre como deveria mudar a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem para tornar a vida humana o mais satisfatória possível, devemos estar permanentemente conscientes do facto de que há determinadas condições que não podemos alterar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem, para todos os objectivos práticos, não está sujeita à mudança. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que vieram para ficar. Em populações com fixação relativamente densa e com bens indispensáveis à sua existência continuada, é absolutamente necessário haver uma extrema divisão do trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado. Já lá vai o tempo – que, olhando para trás, parece ser idílico – em que os indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente auto-suficientes. É apenas um pequeno exagero dizer-se que a humanidade constitui, mesmo actualmente, uma comunidade planetária de produção e consumo.

Cheguei agora ao ponto em que vou indicar sucintamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Diz respeito à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência relativamente à sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protectora, mas mesmo como uma ameaça aos seus direitos naturais, ou ainda à sua existência económica. Além disso, a sua posição na sociedade é tal que os impulsos egotistas da sua composição estão constantemente a ser acentuados, enquanto os seus impulsos sociais, que são por natureza mais fracos, se deterioram progressivamente. Todos os seres humanos, seja qual for a sua posição na sociedade, sofrem este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiros do seu próprio egotismo, sentem-se inseguros, sós, e privados do gozo naïve, simples e não sofisticado da vida. O homem pode encontrar sentido na vida, curta e perigosa como é, apenas dedicando-se à sociedade.

A anarquia económica da sociedade capitalista como existe actualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal. Vemos perante nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para despojar os outros dos frutos do seu trabalho colectivo – não pela força, mas, em geral, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante compreender que os meios de produção – ou seja, toda a capacidade produtiva que é necessária para produzir bens de consumo bem como bens de equipamento adicionais – podem ser legalmente, e na sua maior parte são, propriedade privada de indivíduos.

Para simplificar, no debate que se segue, chamo “trabalhadores” a todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção – embora isto não corresponda exactamente à utilização habitual do termo. O detentor dos meios de produção está em posição de comprar a mão-de-obra. Ao utilizar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que se tornam propriedade do capitalista. A questão essencial deste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o que recebe, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é “livre”, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas para a mão-de-obra em relação ao número de trabalhadores que concorrem aos empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto.

O capital privado tende a concentrar-se em poucas mãos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho encorajam a formação de unidades de produção maiores à custa de outras mais pequenas. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado cujo enorme poder não pode ser eficazmente controlado mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isto é verdade, uma vez que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das secções sub-privilegidas da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados controlam inevitavelmente, directa ou indirectamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). É assim extremamente difícil e mesmo, na maior parte dos casos, completamente impossível, para o cidadão individual, chegar a conclusões objectivas e utilizar inteligentemente os seus direitos políticos.

Assim, a situação predominante numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se por dois principais princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são privados e os detentores utilizam-nos como acham adequado; segundo, o contrato de trabalho é livre. Claro que não há tal coisa como uma sociedade capitalista pura neste sentido. É de notar, em particular, que os trabalhadores, através de longas e duras lutas políticas, conseguiram garantir uma forma algo melhorada do “contrato de trabalho livre” para determinadas categorias de trabalhadores. Mas tomada no seu conjunto, a economia actual não difere muito do capitalismo “puro”.

A produção é feita para o lucro e não para o uso. Não há nenhuma disposição em que todos os que possam e queiram trabalhar estejam sempre em posição de encontrar emprego; existe quase sempre um “exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o seu emprego. Uma vez que os desempregados e os trabalhadores mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita e tem como consequência a miséria. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego e não no alívio do fardo da carga de trabalho para todos. O motivo lucro, em conjunto com a concorrência entre capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência sem limites conduz a um enorme desperdício do trabalho e a esse enfraquecimento consciência social dos indivíduos que mencionei anteriormente.

Considero este enfraquecimento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. É incutida uma atitude exageradamente competitiva no aluno, que é formado para venerar o sucesso de aquisição como preparação para a sua futura carreira.

Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através da constituição de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planeada. Uma economia planeada, que adeque a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade.

No entanto, é necessário lembrar que uma economia planeada não é ainda o socialismo. Uma tal economia planeada pode ser acompanhada pela completa opressão do indivíduo. A concretização do socialismo exige a solução de problemas socio-políticos extremamente difíceis; como é possível, perante a centralização de longo alcance do poder económico e político, evitar a burocracia de se tornar toda-poderosa e vangloriosa? Como podem ser protegidos os direitos do indivíduo e com isso assegurar-se um contrapeso democrático ao poder da burocracia?

A clareza sobre os objectivos e problemas do socialismo é da maior importância na nossa época de transição. Visto que, nas actuais circunstâncias, a discussão livre e sem entraves destes problemas surge sob um tabu poderoso, considero a fundação desta revista como um serviço público importante.

*Texto escrito por Einstein para o lançamento da revista Monthly Review, cujo primeiro número foi publicado em Maio de 1949. Tradução de Anabela Magalhães. Fonte: Resistir.




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MORREM TRÊS JORNALISTAS QUE INVESTIGAVAM A PARTICIPAÇÃO DO GOVERNO DOS EUA NO 11 DE SETEMBRO
Via Diário da Liberdade - 

Três jornalistas que trabalhavam em um documentário sobre o envolvimento do governo norte-americano na demolição das torres gêmeas morreram nos últimos dias. 

Trata-se do ex-repórter internacional da NBC Ned Colt, o correspondente da CBS News Bob Simon, e o jornalista do New York Times David Carr.
Bob Simon, de 73 anos, foi assassinado na quarta-feira na cidade de Nova York em um acidente automobilístico e na quinta-feira Ned Colt, de 58 anos, dizia-se que tinha morrido por um derrame cerebral massivo, seguido em poucas horas por David Carr, de 58 anos, quem colapsou e morreu em seu escritório na sala de redação do New York Times.

Os três jornalistas mais Brian Willias, quem teve que renunciar à NBC por mentir sobre uma notícia do Iraque, tinham formado uma companhia independente de notícias em vídeo no mês passado e apresentaram os documentos de segurança necessários que lhes permitiriam o acesso ao arquivo mais secreto do Kremlin, onde se encontrariam provas relacionadas com os atentados de 11 de setembro de 2001.

Em relação a esses arquivos do 9/11 em poder do Kremlin, o presidente Putin tinha alertado que iria divulgá-los.

Os especialistas norte-americanos acham que, apesar do fato de as relações entre os EUA e a Rússia terem chegado no ponto mais grave desde a Guerra Fria, Putin entregou até Obama problemas menores. Os analistas acham que isto é só a "calma antes da tormenta".

Putin vai golpear e estaria preparando o lançamento de provas da participação do governo dos Estados Unidos e dos serviços de inteligência nos ataques do 11 de setembro.

O motivo para o engano e o assassinato de seus próprios cidadãos terá servido aos interesses petroleiros dos Estados Unidos no Médio Oriente e das suas empresas estatais.

A ponta de lança da empresa de notícias em vídeo independente que pretendia descobrir a verdade do 9/11 foi David Carr, quem no New York Times foi um valedor de Edward Snowden e após ter visto o documentário Citizenfour, tratou de ir dormir "mas não podia".

Carr estava seriamente desiludido com o New York Times pela elaboração da memória da guerra da Ucrânia "e não só por não dizer a verdade, mas também pelos emblemas nazistas nos capacetes de soldados leais ao regime da Ucrânia lutando contra os rebeldes".

Outro que trabalhava muito com Williams e Carr neste projeto do vídeo do 9/11, foi Ned Colt, quem após sair de NBC News continuava sendo um amigo de toda a vida de Williams e aperfeiçoou suas habilidades humanitárias enquanto trabalham no Comitê Internacional de Resgate. Por sua vez, Bob Simon considerava "extremamente lamentável" a manipulação dos meios de comunicação no período prévio à guerra dos Estados Unidos no Iraque. 
Após a destruição da imagem de Williams, e a estranha morte de Carr, Colt e Simon, o regime de Obama enviou um "mensagem clara" à elite norte-americana quanto à exposição dos seus segredos mais obscuros.

Pior ainda, as elites dos meios nos EUA agora fogem de medo e o regime de Obama ameaça agora os meios de comunicação alternativos com a possibilidade de ilegalizar todos os sites dissidentes.

Para isso tem uma escandalosa proposta legislativa de Ordem Fraternal da Policial Nacional para classificar qualquer crítica contra a policia nas redes sociais como um "crime de ódio". 
Saiba mais: 
Engenheiros revelam que 11 de Setembro foi orquestrado pelo Governo dos EUA. https://www.youtube.com/watch?v=laS_sia9U9Q 
Esta é uma versão resumida que explica em minúcia a farsa dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, com algumas partes dubladas e outras legendadas. https://www.youtube.com/watch?v=ZUGR0jbbi64 
As provas conclusivas da Farsa de 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=bkRL3heslG8 
O que a GLOBO nunca mostrou sobre o 11 de Setembro.  https://www.youtube.com/watch?v=W_8WJSl3f-8 
“Fahrenheit”,  a farsa do 11 de Setembro, COMPLETO.  https://www.youtube.com/watch?v=IGjLT9zGwxA


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ONU contraria entidades e movimentos sociais e renova a Minustah

Por Daniel Mazola* - Via ABI -
A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assinou um manifesto, ao lado de diversas entidades e movimentos sociais, contrário à renovação do mandato da “Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti” (MINU
Contrariando a reivindicação dos diversos movimentos sociais latino-americanos e caribenhos e do próprio Haiti, o Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu renovar o mandato da Missão na última quinta-feira, 10 de outubro. O anúncio foi realizado convocando os atores políticos locais a se comprometerem integralmente “ao processo democrático e os doadores internacionais a reforçar seus esforços de auxílio ao governo”.

Em resolução aprovada por unanimidade, a Missão na nação caribenha foi estendida por mais um ano e a intenção é que seja renovada em 2015 outra vez. Enquanto a presença militar no país foi reduzida de 5.145 para 2.370 soldados, o número de policiais aumentará de 2.377 para 2.601.

Os 15 membros do Conselho de Segurança reiteraram que as medidas de reforço das capacidades institucionais e operacionais da polícia nacional do Haiti ainda são cruciais. Foi destacado também que o governo haitiano possui responsabilidade primária sobre todo o processo de estabilização do país, tendo em vista principalmente o histórico de violações graves de grupos criminosos contra crianças, mulheres e meninas e a violência geral em comunidades.

Ainda há significativos desafios humanitários a serem enfrentados. Mais de 85 mil deslocados internos continuam a viver em campos, em condições de desnutrição e acesso desigual à água e ao saneamento básico.

Todas as manifestações do país continuam sendo muito reprimidas, com gás lacrimogêneo e tudo. A avaliação atual é que é desnecessária a presença dos militares, que eles atrapalham a autonomia e a independência do país. A Minustah é vista hoje como uma opressão externa, de países irmãos, coordenada pelo Brasil, em uma jogada do governo brasileiro para ter um assento no conselho de segurança da ONU. Como os Estados Unidos já estão muito queimados no Haiti, por vários processos de intervenção, o Brasil foi fazer esse papel, nada limpo, dos EUA.

Contrariando diversos ativistas políticos, entidades e movimentos sociais, ficou decidido também que a MINUSTAH vai dar suporte ao processo político do país, além de prover e coordenar assistência eleitoral ao governo. O atual mandato do Parlamento do Haiti termina em 12 de janeiro de 2015, o que vem levantando preocupações quanto a um possível “vácuo institucional”, caso não sejam realizadas eleições até o fim deste ano. Estamos de olho! 
Carta de rechazo a la renovación de la MINUSTAH 
ttp://www.abi.org.br/artigo-onu-contraria-entidades-e-movimentos-sociais-e-renova-a-minustah/