CONTEÚDO LIVRE


A Mentira e a Escravidão,

os Males do Brasil São


Por Pedro Augusto Pinho 

A enorme dificuldade em defender o consórcio dos interesses, reunidos para conquistar o Governo do Brasil, e a absoluta ausência de planos, projetos, programas que possibilitem solucionar os verdadeiros problemas nacionais, obrigam esta diversificada aglomeração, o "Governo Bolsonaro", a se apegar nos discursos eleitoreiros e a construir fantasmas, perseguir inimigos que nem existem.

Vamos tratar de  verdadeiros e grandes problemas nacionais. Não me valerei dos antagonistas à sociedade ocidental ou capitalista, nem às ideologias do passado, mas trarei, de início, o arguto analista, de boa família, que em 1883 fez o diagnóstico, ainda válido, de nosso maior mal: a escravidão. Refiro-me a Joaquim Nabuco.

Usarei a edição de 2011, da Editora Universidade de Brasília, que mantém as características formais da primeira versão, impressa na Inglaterra, da obra de Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (1849-1910), “O Abolicionismo”.

No Prefácio desta obra, escreve Nabuco: “o Abolicionismo devia ter precedência às demais reformas. De fato, todas as outras dependem dessa, que é propriamente a substituição dos alicerces de nossa pátria”.

Encima o Capítulo I, "O que é o Abolicionismo? A Obra do Presente e a do Futuro", a citação de Evaristo da Veiga (1799-1837), autor da letra do nosso Hino à Independência:

“Uma pátria respeitada, não tanto pela grandeza do seu território como pela união de seus filhos; não tanto pelas leis escritas, como pela convicção da honestidade e justiça do seu governo; não tanto pelas instituição deste ou daquele molde, como pela prova real de que estas instituições favorecem ou, quando menos, não contrariam a liberdade e desenvolvimento da nação”.

Nabuco analisa este epígrafe tanto na farsa do universo formal como na internalização da violência nas relações sociais, “exercitando dentro das porteiras de suas fazendas, sobre centenas de entes rebaixados da dignidade de pessoa, um poder sem nenhuma lei que o regule, nenhuma opinião que o fiscaliza, discricionário, suspeitoso, irresponsável: o que mais é preciso para qualificar segundo uma frase conhecida, essa audácia com que os nossos partidos assumem os grandes nomes que usam - de estelionato político”.

Quanto a farsa legislativa e jurídica, Fabrício Maciel, analisando esta obra de Nabuco, ressalta que “as medidas reais do trono construíram uma mentira nacional, um artifício fraudulento para enganar o mundo, os brasileiros e o que é mais triste ainda, os próprios escravos” (O Brasil-Nação como ideologia, Annablume, SP, 2007).

Se algum dos meus caros leitores pensar que trato de temas superados, recordaria as reações contra o direito dos empregados domésticos serem tratados como quaisquer trabalhadores, a virulenta oposição às cotas raciais, no País onde negros e mestiços constituem mais da metade da população mas não tem a mesma representatividade nas escolas, nas funções públicas e, muito menos ainda, nos poderes formais da Nação.

E como reação aos pequenos avanços ocorridos neste século, são apresentadas as novas formas de escravidão: as uberizações, as pejotizações, a reforma da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o crescente trabalho informal, fonte de extorsões e chantagens por policiais, fiscais e milicianos, principalmente quando se trata dos afrodescendentes. Defrontamo-nos com revogados direitos trabalhistas e ameaçados direitos, já bastante reduzidos, às aposentadorias e pensões.
A escravidão, desde a nossa Independência formal, em via de completar 200 anos, foi e é o maior entrave para construção do Estado Nacional Brasileiro. Não se constrói um País livre povoado por escravos.

Algumas vezes, estudando aspectos históricos dos Estados Unidos da América (EUA) me pergunto: como se desenvolveriam os EUA, se os Confederados tivessem vencido a Guerra da Secessão ou Guerra Civil Estadunidense? Seriam outro enorme Brasil ou se dividiriam num EUA, ao norte, e num Brasil, ao sul?

E, por favor, não me venham com arcaicas e inadequadas argumentações da escravidão na antiguidade, em outros continentes, porque não saberiam responder sobre elas. Prendem-se apenas a um nome. A escravidão no mundo capitalista, pós medieval, tem características inexistentes nas sociedades anteriores ou das que permaneceram naquele estágio civilizatório em plena época moderna.
Sem cidadania, que é incompatível com a escravidão, não se pode tratar - e tanto Nabuco quanto José Bonifácio de Andrade e Silva (Projetos para o Brasil, Companhia das Letras, SP, 2005) sabiam disso - da construção do Estado Nacional.

Como tantas vezes verificamos, as sociedades - e não só a brasileira - desenvolvem um modelo institucional distinto das práticas consagradas na vida cotidiana. Fred W. Riggs (1917-2008), administrador estadunidense, apresentou a teoria da sociedade prismática (Administração nos Países em Desenvolvimento, FGV, RJ, 1968). As sociedades partiriam dos mais estreitos laços entre seus membros para chegarem às relações impessoais, anônimas, dos códigos identificadores. Neste caminho, haveria um momento onde as prescrições sociais não seriam acatadas. O exemplo clássico desta situação intermediária é a tabuleta "Proibido Pisar Na Grama" junto à trilha construída pelos passos dos transeuntes habituais, bem no meio do canteiro.

Nabuco chama a atenção para a pátria que, para cada um de nós, é uma realidade diferente.  

"O Abolicionismo, porém, não se contenta em ser o advogado ex-officio da porção da raça negra ainda escravizada; não reduz a sua missão a promover e conseguir - no mais breve prazo possível - o resgate dos escravos e dos ingênuos. Essa obra de reparação, vergonha ou arrependimento, como a queiram chamar - da emancipação dos atuais escravos e seus filhos é apenas a tarefa imediata do Abolicionismo. Além dessa há outra maior, a do futuro: a de apagar todos os efeitos de um regime que, há três séculos, é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores".

E, quase meio século depois de "O Abolicionismo", quem é considerado um fundador da industrialização brasileira, Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948) escreve:

"A face importante da questão (abolicionista) era, porém, o valor do capital representado pela escravaria. Em 1888, deveria esse investimento atingir cerca de 700 mil contos de réis. Em muitas propriedades agrícolas, o valor dos escravos superava o das terras e sua benfeitorias". Adiante: "uma justa indenização àqueles que, apoiados na lei, haviam invertido seus capitais em escravos" (seria necessária) (Evolução Industrial do Brasil e outros estudos, Brasiliana, v.349, Editora Nacional e Editora da USP, SP, 1973).

Volto a Nabuco, na síntese de Fabrício Maciel (obra citada):

"O laço moral dos cidadãos afrouxou-se, quebrando assim o laço moral dos homens. Os princípios, também como as ideias, foram violados por uma aplicação exclusiva, que importava o privilégio de uma raça: as leis, que nada mais são do que o encadeamento lógico dos princípios, foram totalmente esquecidas, e nesse tipo de sociedade, sem ideias, sem princípios, sem leis, o maior desequilíbrio manifestou-se entre as várias camadas, e a ordem, a segurança, a riqueza, a produção e as atividades públicas ficaram ancoradas em alicerces de areia, numa inclinação altamente perigosa".

As mentiras começam a se formar em interpretações parciais, quando não inteiramente fraudulentas dos fatos, quer políticos, sociais, econômicos, culturais, religiosos etc.

Se não me visse amparado pela obra deste profundo analista de nossa sociedade, o mestre Jessé Souza, não teria a coragem de contestar a afirmativa de Gilberto de Mello Freyre (1900-1987) que a nação brasileira se formou na sociedade patriarcal.

Freyre considera a família, desde o século XVI, como o maior fator da unidade, da "força social que se desdobra em política", estruturante para a formação social brasileira.

Desconhecendo assim que esta família patriarcal da Casa Grande só pode existir para atender ao modelo agrário exportador dos Impérios Europeus. Que nas óbvias diferenças de clima, terra, produtos, se propagou por todas as Américas. Que está presente na mineração e na produção agrícola da América Espanhola, nos campos da Luisiana e do sul estadunidense.

A ideia de que o microcosmo familiar explica as instituições nacionais constitui fonte de erros como o de comparar a gestão econômica da Nação com a da casa de cada um, da fraqueza e vícios pessoais serem razão da corrupção pública e haver igualdade de oportunidades na sociedade das gritantes diferenças como a brasileira.

Gilberto Freyre (Casa-Grande & Senzala, Imprensa Oficial, Recife, 1966/1970, 2 volumes) atribui à oligarquia e ao nepotismo o "mando político" aqui desenvolvido.

O pensamento conservador de Gilberto Freyre se desenvolve com novos detalhes em obras como "Os donos do poder", de Raimundo Faoro, e "Raízes do Brasil", de Sérgio Buarque de Holanda.

Por que nem oposição existe hoje no Brasil? De um modo ou de outro, porque todos se submeteram a uma compreensão da realidade que apaga a profunda e nefasta escravidão multissecular, que tenta desenhar uma sociedade inexistente, que, na feliz expressão de Jessé Souza, não se vê no espelho.

Para fechar estas reflexões sobre a escravidão, farei um comentário sobre o livro que me foi sugerido pelo brilhante intelectual, nacionalista, Coronel Gelio Fregapani: “Os Donos da Terra”, de Mauro F. P. Porto, Bibliex, RJ, 2014. Construído sobre documentos que chegaram ao autor, escrito na forma de um romance histórico do sul do Brasil, nos séculos XVII/XVIII, ressalta três aspectos: o uso de escravos como modo natural de enriquecimento, a importância da territorialidade e o sentimento nativista, berço do nacionalismo. E se nota a diferença entre a escravidão dos índios e dos negros. Estes últimos tratados como objetos, sem que nenhum sentimento lhes fosse atribuído.

Repito Nabuco: a luta contra escravidão antecede todas as demais. Precisamos estar atentos ao que escreve o historiador Ronaldo Vainfas ao comparar a escravidão nos EUA e no Brasil: lá a Ku Klux Klan quase virou um partido (Racismo à moda americana, in "A Era da Escravidão", organizado por Luciano Figueiredo, Editora Sabin, RJ, 2009).

Faz 481 anos que chegaram os primeiros escravos africanos no Brasil, uma vergonha permanente para todos nós.

Nossa sociedade escravista, com ódio e medo dos pretos, se afunda nas farsas que constrói para se justificar, na indolência do rentismo que não deixa construir o estado industrial, e, ao fim, em um arremedo de Estado que desaparece como País soberano diante dos Impérios, sejam nacionais ou ideológicos.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado/Fonte: Monitor Mercantil





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ESTRATÉGIAS NORTE AMERICANAS


Por PAULO METRI -


A hegemonia dos Estados Unidos da América (EUA) em relação aos demais países, nas últimas três décadas, foi construída por ações que começaram em passado distante. Ênfase na soberania para a formação desta hegemonia é encontrada, inclusive, em afirmações dos próprios pais fundadores.

Como esta posição é conquistada através de iniciativas em diversas áreas, como a econômica, a educacional, a tecnológica, a política, a diplomática e a militar, além de firme posição política de busca da liderança, e como as iniciativas soberanas da Rússia e da China estão em ascensão, poderá ocorrer que a hegemonia estadunidense será ameaçada no futuro. Aliás, a hegemonia dos EUA foi conquistada com o deslocamento da hegemonia inglesa, que prevaleceu até a segunda grande guerra.

A Doutrina Monroe, lançada pelo presidente norte americano James Monroe em 1823, pregava que o continente americano não deveria aceitar mais nenhum tipo de intromissão europeia sobre quaisquer pretextos. Foi um ato contra o colonialismo, resumido na frase: “A América para os americanos”.

A Doutrina Carter, formulada pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, durante o governo Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, é descrita da seguinte forma pelo próprio Conselheiro: “Que a nossa posição seja absolutamente clara: Uma tentativa de qualquer força externa para controlar a região do Golfo Pérsico será interpretada como um assalto aos interesses vitais dos Estados Unidos da América, e tal assalto será repelido através de qualquer meio disponível, inclusive a força militar”. [1]

Um dos principais objetivos da estratégia militar do governo dos EUA, em 1991/1992, segundo o General Colin Powell, Secretário de Estado do governo George W. Bush era: “evitar o surgimento de potências regionais ou globais, que possam rivalizar com os EUA e se colocar contra a existência de uma ordem mundial unipolar, conquistada pela supremacia militar dos EUA.” [2]

Esta tese é ratificada e complementada pela cientista social Ana Esther Ceceña do Instituto de Investigaciones Económicas do México, que afirma, após pesquisar em documentos do Department of Defense (DoD) americano: “os interesses vitais dos Estados Unidos, em torno dos quais se organiza toda sua atividade militar, compreendem:

1. Proteger a soberania, o território e a população dos Estados Unidos;
2. Evitar a emergência de hegemones ou coalizões regionais hostis;
3. Assegurar o acesso incondicional aos mercados decisivos, ao fornecimento de energia e aos recursos estratégicos;
4. Dissuadir e, se necessário, derrotar qualquer agressão contra os Estados Unidos ou seus aliados;
5. Garantir a liberdade dos mares, vias de tráfego aéreo e espacial e a segurança das linhas vitais de comunicação.” [3]

Existem os objetivos regionais da estratégia militar dos EUA: “Impedir a formação de qualquer força militar europeia fora da OTAN; impedir uma nova militarização do Japão e da Rússia; restringir a capacidade das forças militares na América Latina à sua autodefesa, à contenção do narcotráfico, à assistência a catástrofes e à manutenção da paz internacional.” [2] Além destes objetivos regionais, existem também os seguintes: “Controlar o acesso a fontes de recursos estratégicos, especialmente os energéticos, e suas rotas comerciais, principalmente as marítimas, com a finalidade de negar o acesso a rivais, revelados ou potenciais, e manter seu ‘poder de barganha’ sobre os aliados, ao assumir o papel de garantidor do seu abastecimento.” [2]

Desta forma, os Estados Unidos têm, como já foi dito, um projeto de poder mundial, que visa satisfazer os seus grupos econômicos, a sua sociedade e ao capitalismo internacional, com efeitos previsíveis nos demais países. Busca, entretanto, não afrontar aliados, nem a opinião pública mundial.

Não procuro provar a essencialidade do petróleo, pois este fato é, hoje, incontestável. Porém, quero citar Daniel Yergin, especialista em energia e autor consagrado, que escreveu sobre esta questão de forma quase poética: “E, entre todas as fontes de energia, o petróleo vem se mostrando a maior e a mais problemática devido ao seu papel central, ao seu caráter estratégico, à sua distribuição geográfica, ao padrão recorrente de crise em seu fornecimento – e à inevitável e irresistível tentação de tomar posse de suas recompensas (...)Ele tem abastecido, ainda, as lutas globais por supremacia política e econômica. Muito sangue tem sido derramado em seu nome. A feroz e, muitas vezes, violenta busca pelo petróleo – e pela riqueza e poder inerentes a ele – irão continuar com certeza enquanto ele ocupar essa posição central. [4]

A partir destes fatos, são bem compreendidas as ações do governo norte americano, quer seja uma administração democrata ou uma republicana. A estratégia citada anteriormente: Assegurar o acesso incondicional (...) ao fornecimento de energia (...)” explica as invasões do Iraque, da Líbia e outras, inclusive a recente tentativa de invadir a Venezuela. Assim, o Pré-Sal brasileiro coloca o nosso país na lista dos “fornecedores prioritários” dos Estados Unidos.

Os objetivos da estratégia militar dos Estados Unidos são claramente explicitados pelo General de Divisão Smedley Butler do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, altamente condecorado e autor do livro “Guerra é uma extorsão”, onde descreve o complexo militar-industrial existente nos EUA. Em 1933, Butler proferiu o discurso “Intervencionismo”, do qual seguem trechos (sem mudar o sentido das afirmações): “Guerra é exatamente uma extorsão. (...) Somente um pequeno grupo que está dentro sabe o que significa. Ela é conduzida para o benefício de muito poucos à custa das massas. (...) Eu não iria para a guerra de novo, como eu fui, para proteger algum investimento nojento dos banqueiros. (...) Eu passei trinta e três anos e quatro meses no serviço militar ativo. (...) E durante este período, eu passei a maior parte do meu tempo sendo um homem músculo de alta classe para o Grande Negócio, para Wall Street e para os banqueiros. Resumidamente, eu era um extorsionário, um gangster para o capitalismo. (...) O registro de extorsões é grande. (...) Olhando para trás neste ponto, eu sinto que eu poderia ter dado a Al Capone umas poucas sugestões. O melhor que ele pôde fazer foi operar as suas extorsões em três distritos. Eu operei em três continentes.” [5]

Padula descreve posições geopolíticas dos Estados Unidos, propostas por alguns estrategistas, e os principais conteúdos de documentos estratégicos oficiais deste país, de diferentes épocas. [1] Busco identificar os argumentos que embasam os objetivos estadunidenses depois deste país galgar a posição de hegemon, com o debacle da União Soviética. Para tal, análises são necessárias.

Os Estados Unidos continuam com forte influência em entidades multilaterais, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização Mundial do Comércio e a própria ONU. Possuem a moeda que lhes permite o endividamento sem limite. Têm o controle da OTAN, que hoje pode atuar em qualquer lugar do planeta. Suas Forças Armadas são as mais letais e as mais bem equipadas. Seu sistema de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação responde aos desafios de aumento de competitividade da sua economia para continuar atuando no mundo globalizado e de aumento da satisfação da sua sociedade.

Capitais ancorados basicamente nos Estados Unidos possuem influência em grupos midiáticos de diversos países. Todas as agências de notícias do mundo ocidental recebem influências do capital internacional. O poder da manipulação das informações é tão dominador quanto o das Forças Armadas.  Os Estados Unidos, ou o capital que nele reside, têm recursos suficientes para corromper, através dos órgãos de inteligência, políticos, juízes, servidores públicos, enfim, lideranças dos países a serem dominados. Suas empresas privadas atuam no mundo afora como recolhedoras de lucros dos mercados alheios e como dilapidadoras dos recursos naturais dos outros países.

Assim, as Forças Armadas dos Estados Unidos elegeram combater, neste novo mundo em que eles lideram isoladamente, o narcotráfico, a proliferação de armas nucleares, a degradação ambiental, o terrorismo, ditaduras, Estados violadores de direitos humanos e Estados fracos que permitem a ocorrência dos crimes citados. Não discordo do elenco de dramas existentes. Tenho dúvida que eles sejam as verdadeiras razões para diversas agressões. Além disso, existem contradições nestes objetivos, porque, por exemplo, há uma ditadura na Arábia Saudita, que nunca é lembrada. Com este conjunto de dramas a combater, é permitido aos Estados Unidos desembarcar suas Forças Armadas em qualquer ponto do planeta. Se existir alguma dificuldade para a justificativa, uma fake news, como “a produção de armas de destruição em massa”, pode ser providenciada.

Os Estados Unidos atingiram a perfeição no processo de dominação, porque não precisam mais invadir militarmente um país. Basta financiar nacionais dos países a serem espoliados, que passam a ser seus prepostos, vendilhões da pátria e traidores dos seus irmãos. Fornecer a eles apoio diplomático, mercadológico e midiático. Comprar políticos, juízes e demais lideranças da sociedade, que, ao fim e ao cabo, o butim ocorrerá.

[1] Padula, Raphael, capítulo “A geopolítica estadunidense e a Eurásia” do livro “Sobre a guerra”, organizado pelo Professor José Luís Fiori, Editora Vozes, página 343, 2018.
[2] Padula, Raphael, palestra “A Geopolítica do Petróleo e a Conjuntura Internacional”, proferida no Clube de Engenharia, 2018.
[3] Ceceña, Ana Esther, artigo “Estratégias de dominação e mapas de construção da hegemonia mundial”, II Fórum Social Mundial (FSM), 2002.
[4] Yergin, Daniel, livro “O petróleo, uma história de ganância, dinheiro e poder”, 2010.
[5] Jornal Hora do Povo, 12/01/2007, http://www.horadopovo.com.br/2007/janeiro/12-01-07/pag5a.htm

Paulo Metri é Conselheiro do Clube de Engenharia




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A DESCOBERTA DOS HOLANDA

DARLAN DE HOLANDA -

Ainda sob os efeitos do porre de felicidade, começo a reescrever a minha história. Uma história inacreditável e inesperada nessa quadra da minha vida. Há anos a Universidade Estácio de Sá editou uma série de livros sobre personalidades brasileiras. Tive a sorte de ser presenteado com uma biografia na série Juízes, em companhia de colegas queridos como Denise Frossard e Alyrio Cavalieri. A história então publicada revelava a vida de um sertanejo do agreste da Paraíba que aos dois anos de idade, por desejo e vontade de sua mãe Maria e de sua Tia Anita, juntamente com três irmãos virou retirantes nordestinos rumo à então Capital da Republica.

Essa saga tem como personagem principal minha mãe, uma mulher arretada e muito à frente de seu tempo, que no inicio dos anos 50 rebelou-se contra o companheiro alcoólatra e violento, e como uma mãe cuidadosa assumiu a criação de quatro filhos homens, mudando-se para o Rio de Janeiro. Diante deste ato heróico, jamais questionei minha mãe sobre as razões do afastamento de meu pai, satisfeito com as explicações superficialmente dadas. O que valia era a sua proteção amorosa e cuidadosa.

É claro que muitas foram as dificuldades para criar quatro homens, manter os estudos e a educação numa cidade como o Rio de Janeiro. Mas minha mãe e minha tia jamais desistiram de nos dar o suficiente emoldurado por uma educação muito amorosa e presente. Ambas trabalharam nos Correios e complementavam a renda familiar costurando. Fui criado sem pai e com duas mães. Aos dez anos pedi e fui autorizado a ter um encontro com meu pai em minha cidade natal, Cajazeiras. A viagem de volta foi outra aventura digna de um capítulo.

Por falta de recursos financeiros, minha mãe pediu a um amigo caminhoneiro, que ia para Fortaleza que me levasse até a cidade de Crato, e lá me pusesse num ônibus para Cajazeiras, onde me encontraria com ela que tinha ido de ônibus. Na feira de Crato conheci uma frutinha chamada siriguela.  Comprei um saco e fui me alimentando no ônibus com destino a Cajazeiras. Por haver exagerado, o ônibus teve que parar várias vezes para que eu deixasse no mato marcas da diarreia que o excesso ou a falta de higiene no consumo das frutas causou.

Finalmente, cheguei em Cajazeiras e consegui marcar um encontro com meu pai. Um homem que jamais havia visto, pelo menos na minha lembrança, já que havia saído de lá ainda bebê, mas ansioso para iniciar uma relação filho/pai. Nosso encontro durou meia hora e nada dissemos um ao outro, afora os lamentos de ambos. Foi uma frustração muito grande porque não compartilhamos qualquer emoção. Essa lacuna percorreu toda a minha vida, e certamente, influenciou a minha escolha para ser Juiz das Crianças e dos Adolescentes, como uma forma de procurar ser uma proteção para aqueles que como eu não tiveram pais presentes e garantir-lhes o direito à convivência familiar e comunitária.

Também por dificuldades econômicas fui matriculado num Colégio Interno em Jacarepaguá, na Taquara, chamado Padre Antônio Vieira. Juntamente com meu irmão mais novo Wtigard, estudamos por um ano nesse estabelecimento do Serviço de Assistência aos Menores. Mais tarde, já casado, fui morar num Condomínio em frente essa escola, já então transformada em Clinica para tratamento de usuários de drogas.

Entendo, agora, que também fui um predestinado quando fui acolhido pela comunidade de Padres Agostinianos no Leblon, que apreciando minha atuação como coroinha na Igreja Santa Mônica, uma santa mãe que passou a vida inteira rezando para resgatar seu filho Agostinho para Deus, ofereceram-me uma bolsa para estudar no Colégio Santo Agostinho, na época, e ainda hoje, um dos mais conceituados colégios do Rio de Janeiro. Senti-me “adotado” por 24 frades que então compunham essa comunidade religiosa.

Minha integração foi tão grande que passei quatro anos em formação no Seminário Agostiniano de Ribeirão Preto. Queria ser frade agostiniano. Contudo após quatro anos, fui convencido que não tinha vocação e voltei para o Rio de Janeiro, onde cursei o clássico em escolas públicas, sendo aprovado no vestibular de Direito para a então Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ. No velho casarão histórico do Catete, cursei os cinco anos à noite, sempre trabalhando durante o dia. Concluído o curso de Direito passei a trabalhar em diversos escritórios de advogados que além de me acolherem, muito me ensinaram no campo do direito e do trabalho no judiciário.

Após cinco anos de prática forense, por sugestão de meu querido professor Humberto Manes, fiz concurso para Juiz de Direito  e, para minha surpresa, já que o mesmo era constituído de uma seleção, reconhecida como difícil, de provas, títulos e conhecimentos, sujeita a histórico e tradicional nepotismo, fui aprovado, e assumi minha primeira Comarca em Silva Jardim. Como é comum, diante dos critérios usuais, minha promoções foram sempre concedidas por antiguidade. Nessa nova fase profissional, tive excelentes experiências nas Varas Criminais, Varas de Família, Varas Regionais de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, Vara de Execuções Penais e, minha grande paixão, a Vara da Infância e da Juventude Cível e do Infrator, onde permaneci por quinze anos até ser promovido para o Tribunal de Justiça.

Parte grande dessa história já foi contada e minha vida seguia seu rumo com normalidade, tendo construído uma família maravilhosa com uma filha e três filhos, cada um deles com suas características, mas todos com uma riqueza de caráter e humanismo que me comovem. Presentearam-me com cinco netas e um neto, todos alegres, saudáveis e inteligentes, e a vida continuava como estava escrito.

Até que... Um milagre aconteceu. Pensam que não acontece? Eu vivi para receber essa graça, e, estou ainda inebriado de tanta graça e tanto amor. Acreditei que nada mais poderia acontecer no curso de minha vida, já caminhando para a curva descendente. Perdi meu irmão mais novo há dois anos e convivo com os remanescentes, Rudimaci e Iata Anderson, os quais amo muito. De repente, recebo em meu lar uma carta contendo uma reportagem sobre um homem ilustre e sua fotografia. A remetente apenas informava: “esse é seu pai biológico”. Respondi à remetente, indagando a razão de tal noticia, completamente por mim desconhecida. Não houve resposta. Arquivei o assunto, acostumado que estou a receber todo tipo de provocação de alguns que gostam de mim e outros que não gostam.

Há dois anos, fui agraciado com uma homenagem dupla do Estado da Paraíba: a Medalha Epitácio Pessoa e da Câmara Municipal de Cajazeiras.  No discurso de saudação, a Vereadora Lea Silva me emociona, afirmando que falava não apenas como parlamentar, mas como parente muito próxima. Pensei: esse discurso não é para mim. Nunca havia visto essa senhora. Como ela pode afirmar que é minha parente? Após a cerimônia, indaguei qual seria o tipo de parentesco. Respondeu exibindo uma fotografia e perguntando se eu conhecia o senhor da foto. Disse que não, e ela foi direta. Esse é seu pai biológico. Era a segunda pista que eu recebia! Ainda não convencido, questionei-a sobre os fatos. Como num capítulo de novela, fomos interrompidos, pois começaria uma cerimônia para a qual nos dirigimos e a conversa parou alí.

Meu coração ficara inquieto, sobretudo porque outra pessoa me disse que havia duas pessoas que se diziam meus irmãos, Nilmar e Marcelo, e que gostariam de ter um encontro comigo. Achando tudo muito estranho, me abri para todos os que quisessem me falar sobre esse assunto e nos encontramos na casa de uma antiga amiga de minha mãe, Maria José, que nos recebeu em sua casa para um café com tapioca. Os “irmãos” compareceram com suas esposas, tomamos café e comemos tapíoca, mas nada foi dito sobre o tema paternidade. Curioso, desconfiado e ansioso, voltei para o Rio de Janeiro. No entanto, meu coração não aquietava.

Estava em Nova York, na casa de meu filho Carlo, quando minha filha Fernanda me conta que ao ser operada, o anestesista Karlos de Holanda afirmara que era primo dela e que o avô dele seria irmão de meu pai Domício de Holanda. Curiosa, minha filha fez todas as perguntas que só a curiosidade de uma mulher inteligente é capaz. O fio da meada foi se desfazendo e tomei conhecimento que haviam sido acrescidos aos meus três irmãos mais sete, sendo uma mulher, minha primeira e única irmã.

Abri o peito e fomos ao encontro dessa tão sonhada nova família. Marcamos, eu e Heloisa, minha amada esposa, para o inicio de janeiro, nossa ida a João Pessoa, antes nos preparando como num retiro em Porto de Galinhas. Ansiosos com o encontro, encurtamos o retiro e antecipamos o encontro. Dia 8 de janeiro de 2019, chegaram no hotel os primeiros membros da Família Holanda. Como na história de meu “parente” Chico Buarque de Holanda que também tardiamente descobriu que tinha um irmão alemão, abracei o primeiro dos sete, Rafael, um ser extraordinário, de coração extremamente bom, que escreve divinamente bem sobre assuntos sempre de enorme relevância para os corações. Médico e humanista que me emocionou durante todo tempo em que estivemos juntos, apresentou-me sua querida família.


Viviane, sua amada esposa, uma figura iluminada, que está sempre presente com sua forte personalidade distribuindo sorriso e amor por onde passa, tem uma mãe que é energia pura, D. June. As filhas me emocionaram vinte e quatro horas por dia com tanta atenção e a presença constante de Gabrielle com seu mimo de filha Lorena, muito inteligente e falante, sempre com uma lição para nos passar, adultos que somos e nem sempre com a humildade de aprender com as crianças, mas que não há como não se dobrar às frases ditas por Lorena! O pai Alan, caramba..., falar o que desse meu professor permanente que me levou no colo para todos os lugares de Pernambuco à Paraíba? Não me deixava pisar no chão sem sua presença protetora e orientadora como mestre em minha nova tese. Como um mestre de cerimônias, ia me apresentando à família e documentando todos os encontros.

Julianne, que beleza de mulher, advogada cuidadosa e atenciosa. Uma atleta da vida e de Cristo. Sua presença ilumina todos os ambientes. Estou exagerando, leitor? - Você não imagina como fiquei contagiado com esse abraço dos Holandas. E não sabe como fui amado nesses dias de tanta ternura! e Juju não me largou com seus afetos e atenção. Um capítulo à parte foi o Leo. Um abraço de quebrar as costelas disse tudo o que silenciosamente ele é capaz. Como precisamos olhar com atenção e amor para os diferentes que nos apontam o quanto precisamos deles, para sentir nossa humanidade e grandeza como criaturas de Deus que somos.

Esses foram os primeiros passos e abraços, e já me haviam abastecido com energia para o resto da vida. Muitas emoções ainda me esperavam nesses quatro dias. O encontro como minha irmã Gláucia foi arrepiante. Eu tenho uma irmã linda, cativante, emocionante e recebi dela o mais tenro abraço de uma mulher. Foi um momento mágico de emoção mútua como alguém que descobre a vida e se faz feliz plenamente. Seu marido Ricardo, calado, mas comunicativo e um ótimo coadjuvante nesse festivo encontro familiar. Os filhos, Ricardo Cesar, o “Zico” e Ana Cecília, cativantes e super carinhosos. Faltou conhecer Eduardo.

Ao entrar na Casa do Pai, deparei com uma foto impactante. Os 50 anos de casados de Domício e Dona Adoriva! Essa foto colocou por terra qualquer dúvida que acaso ainda existisse. No retrato eu estava estampado ao lado de Dona Adoriva. Vi então que tudo era maravilhoso e podia dar por encerrado, como na criação do mundo e descansar. Não era um sonho, era tudo uma realidade com anos de atraso! Mas, uma frustração invadiu meu coração: porque não encontrei antes esse Homem? Porque não tive direito a esse abraço? Essa presença? Esse exemplo? Esse afeto? Porque me foi negado esse encontro em vida? Deus é o Senhor do Tempo e dos Encontros. E nada poderia atrapalhar esse, que o destino me descortinava nesse momento tão mágico.

Descansar do que, se muito ainda me esperava? E veio o abraço de Luciano. Olhei para esse irmão e me vi estampado nele, não no seu brilhantismo como médico dos homens e das almas, mas na aparência física. Mais uma confirmação do milagre. E Luciano não veio sozinho; sua esposa, Walenska, era o complemento que justificava a felicidade daquela família com frutos tão promissores como Targininho e Radmila. Sendo chamado de tio por eles me senti incluído e acolhido. Mais tarde conheci Dr. Targino e sua energizante esposa, Dona Marluce, sempre alegre e com um sorriso acolhedor.

Chegou a hora de abraçar um irmão tímido e sorridente, Wagner, cujo abraço me fez chorar. Foi companheiro o tempo todo, conversando, perguntando e respondendo, deixando-me à vontade no ambiente familiar, juntamente com Ione, que assim como Walenska e Gláucia deixaram Heloísa, minha esposa, completamente à vontade e incluída nesse manto familiar. Eram tantos sobrinhos a me acariciar, que certamente serei injusto ao não mencionar alguns. Desculpem! Mas lembro que esse casal querido têm o Gabriel e a Fernanda, esta ultima sempre presente com um belo sorriso e seu carinho constante.

Domicinho e Cândida marcaram suas presenças com um discreto carinho. Mas confesso que fiquei fã de Domicinho com quem pouco conversei, mas senti muita afinidade político-social. Deu-me até vontade de deixar a barba crescer pelo mesmo motivo e finalidade. Afinal sou nordestino, e sei bem o que é ser vítima do preconceito de gênero, de cor e de origem. Ser nordestino em alguns lugares é um risco porque somos, antes de tudo, fortes e há quem não nos queiram fortes e vitoriosos. Peterson e Makson foram mencionados e desejo muito conhecê-los.

Deixei por último os primeiros que conheci, não como irmãos ainda, embora já sentisse neles o cheiro dos Holanda, pelo jeito carinhoso de chegar perto. Discretos, não me anunciaram a boa nova. Estiveram comigo antes que nosso Pai tivesse nos deixado e poderiam ter proporcionado esse tão desejado encontro. Mas nada a reclamar. Tudo tem seu tempo. Nilmar e Marcelo estiveram antes de tudo acontecer e silenciaram. Essa é uma pergunta da qual não obtive resposta, mas a emoção de encontrá-los e abraçá-los como irmãos ficou acima de todos os percalços. Foi muito bom abraçá-los já como irmãos. Valeu um porre após 11 anos de abstinência, Marcelo.

As companheiras de vida Mercês (a detentora de todos os segredos) e Fátima me deixaram muito feliz com a confirmação da realização desses sonhos. Hoje ganhei uma família nova cheia de irmãos, cunhados e cunhadas, sobrinhos como Luciana, Ricardo, Raquel e Renata, Patrícia e Luciano que me fazem muito feliz.

Não posso esquecer minha prima tão querida Claudia Holanda, que saiu de Campina Grande com seu esposo Alexandre e suas lindas filhas Maria Clara e Maria Vitória, para reafirmar que havia lido minha biografia para meu pai  antes mencionada, e que ele vibrava com a leitura ao saber dos caminhos por mim percorrido. Claudia é uma prima muito querida e sensível, que trabalha com a causa social e me emocionou muito pelo papel que ocupou ao ler para Domício noticias minhas, que segundo afirmou o deixavam muito feliz.

E agora, como será o amanhã? Exultando de alegria me pergunto a toda hora o que fiz para merecer tanta felicidade? O que devo fazer para retribuir tanta sorte e tanto amor? Encontrei-me não apenas na aparência física de meu Pai, mas, sobretudo nos valores humanísticos que passou para os filhos. Meu pai, segundo fui informado, era um homem bom. Ajudava todo mundo. Não era egoísta. Ao contrário, não se apegava a nada material e ajudava aos mais necessitados. Era o homem que eu queria ser. Quem sabe o serei, se é que esses valores estão no DNA, e também nos exemplos que ele deixou. Para alguém, como eu, que nunca teve uma referência de Pai, saber que ele nunca me esqueceu, me procurou algumas vezes e me apresentou aos irmãos como filho, não tem preço e vale esse resgate amoroso com o qual estou sendo contemplado.

Viver daqui pra frente com esse orgulho de ter um pai com essas características não vale o tempo perdido, mas me encoraja a seguir seu exemplo de pai e ser para meus filhos e netos um pouco do tanto que aprendi a admirar em meu pai Domício de Holanda e em meus irmãos. Resta ainda viver procurando merecer tanto amor recebido em cachoeira, já que esperei 69 anos para conhecer essa maravilhosa família.

Siro Darlan, Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.





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