CONTEÚDO LIVRE


DENÚNCIAS E DESMONTE DO BRASIL

PEDRO AUGUSTO PINHO -


Diante de um crime, seja na vida real ou no romance policial, a pergunta que se impõem é sempre: a quem interessa? quem ganha com ele? E como aparecem? como vazamento? ação de hacker? jornalismo investigativo? Há evidências de que a Operação Lava Jato foi montada pelo juiz Sergio Moro, hoje Ministro da Justiça, e pelo Ministério Público Federal, em Curitiba, para condenar inocentes à prisão.

Mas terá se limitado a isso? Ou é mais uma batalha da guerra híbrida que está destruindo o Brasil desde o governo do General Figueiredo, aguçada com a descoberta de uma Arábia Saudita de petróleo, em 2007, nas costas do Brasil?

Lembremos que a Operação Lava Jato teve início com os mesmos atores da Operação Banestado, sobre a qual foi colocado um enorme, abrangente tampão além fronteiras. Moro, Youssef, Dario Messer são alguns dos personagens que trabalharam nas duas encenações.

Mas existe o interesse, mal escondido, dos Estados Unidos da América (EUA), não de seu povo ingênuo e desinformado, mas de seus bilionários, nas finanças e na mídia, e de órgãos públicos, com ações privadas, como o Departamento de Estado (SD), Agência Central de Inteligência (CIA), Agência de Segurança Nacional (NSA), e privados, com dinheiros públicos, como Council on Foreign Relations (CFR), National Endowment for Democracy (NED), Alliance for Securing Democracy (ASD) etc.

Para não fugir da razão maior deste artigo - o Brasil - mas como exemplo dos interesses do capital financeiro, que abrevio banca, em tudo que ocorre atualmente no mundo, peguei dois megagrupos de comunicação, processamento da informação e atividades que objetivam criar cortinas para ações que não podem ser desvendadas, e levantá-las quando se trata de expor quem não mais serve a seus interesses (será o caso Moro?) ou está em oposição a seus desejos.

Vejamos as composições acionárias da Graham Holdings Company (GHC) e da Amazon.com Inc (AMZN), em participação percentual, apenas para os maiores acionistas institucionais, que representam, respectivamente, 73,38% e 34,95% do capital social. São fundos financeiros, quase sempre em paraísos fiscais.

ACIONISTAS                                 GHC               AMZN
Vanguard (consolidado) ............................ 16,89%   ......... 10,91%
Southeastern Asset Management ............  11,79%  ..........    -----
Longleaf Partners ......................................   9,84%  ..........    -----
BlackRock ..................................................   9,09%  ..........  5,21%
Dimensional Fund Advisors .......................   7,51%  ..........    -------
Fidelity Management ..................................     -----   ...........  4,96%
Fiduciary Management ..............................   4,95%  ...........   -----
Price (T.Rowe) Associates ........................     ------   ...........  3,87%
AQR Capital Management .........................   3,08% ...........   -------
Wallace Capital Management ....................   2,83%  ..........    -------
DFA U.S. SmallCap Value Series ..............   2,64%  ...........   --------
State Street ................................................   2,63% ...........   3,36%
Norges Bank Investment ............................   2,13%  ..........    --------
Invesco Ltd  ................................................     -----    ..........    1,84%
Geode Capital  ............................................    ------  ...........    1,09%
Northern, M. Stanley, B. Gifford e Growth ....   -----   ..........     3,71% 

Já sabemos de abundantes eventos e estudos, ensaios e artigos técnicos e jornalísticos que para a banca não há direita nem esquerda, existem governos e instituições que agem a favor ou contra seus interesses. Os que atuam contra a banca são ora assinalados pela mídia como comunistas, ora, quando a situação é oposta, como fascistas. O que tem em comum estes comunistas e fascistas é o nacionalismo. Quem esteja defendendo seu País, o Estado Nacional e sua soberania será etiquetado como comunista ou fascistas, sem que haja para isso rigor histórico, filosófico ou político.

O maior grupamento que se constituiu contra a banca foram os BRICS - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Do lado da banca, além do domínio do sistema financeiro, teve a ajuda dos EUA, especialmente do que se convencionou chamar "deep state", as organizações que não são escolhidas pelo voto nem se alteram pelas eleições, e do Reino Unido, por suas aristocracias de origem e dos "gentries".

Brasil e Índia, apesar da enorme distância cultural, tem algo em comum. A elite entreguista, a formação de uma classe que jamais se sentiu nacional em seu país. Sempre se viu "um europeu nos trópicos", mesmo que no Himalaia ou em nossas serras sulistas. Este olhar estrangeiro tem Fernando Henrique Cardoso e Jair Bolsonaro, mas não tiveram Getúlio Vargas e Ernesto Geisel.

O projeto onde, nas minhas limitadas condições, insiro a ação do Glenn Greenwald, The Intercept, é o mais importante para banca e mais danoso para o Brasil: o fim do Estado Nacional Brasileiro.

O objetivo da Lava Jato - destruir a competitiva engenharia brasileira, a construção naval, o desenvolvimento da energia nuclear e a Petrobrás - já foi alcançado. O que resta fazer, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, confessado agente da banca, está em condições ou já está executando. O agente Moro pode ser descartado.

Mas a banca é muito mais competente. Aproveita este pontapé para influenciar nas divergências internas do que venho denominando Condomínio Bolsonaro. Afinal, dominando serviços de informações público e privados, legais e ilegais, a banca detém sólidos dossiês para os embates que certamente se travarão.

Quando se depara com alguém de vida até então imaculada, como nos parece o General Hamilton Mourão, vice-presidente, irá, com grande probabilidade, colocar cola na cadeira do Presidente, cujos malfeitos familiares não estiveram/estão (?) no âmbito da Lava Jato.

O objetivo da banca e do que sobrou do Império estadunidense é impedir que o Brasil (também a Índia) se torne Estado Nacional Soberano, pois, nesta condição e em pouquíssimo tempo, como já vimos em dois governos militares (1969-1979), estará entre as maiores e mais fortes nações Para isso só nos tem faltado governo independente, que rompa as amarras com a "elite do atraso" (obrigado Jessé Souza) e a humilhante subserviência aos estrangeiros.

Também não precisa temer parcerias, a não ser que o complexo de vira-lata fale mais alto.

No Duplo Expresso, de 11/06/2019 (https://duploexpresso.com/?p=105547), Romulus Maya, coordenador, e o antropologo, professor Piero Leirner, com o jornalista internacional e analista Pepe Escobar desenvolveram a hipótese de interessar esta divulgação para também atingir a Rússia, do grupo dos BRICS, cuja próxima reunião será no Brasil.

Esta análise fecha com as camuflagens que acompanham a guerra híbrida, as máscaras da banca, como me refiro. O fortalecimento dos BRICS, repito, é totalmente contrário à banca. Os militares brasileiros, em sua maioria, eu creio, desejam servir ao Brasil Potência e não ao  Brasil Colônia. Nos BRICS está o mais amplo e forte apoio tecnológico e financeiro que o Brasil poderá dispor para seu desenvolvimento. Intrigar, fazer fofoca de cozinha envolvendo um empregado de fundos - The Intercept - não nos surpreende.
E quem, além de Pierre Omidyar, detém ações da eBay? Vanguard, State Street, BlackRock, Wellington .......

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado



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A DESCOBERTA DOS HOLANDA

DARLAN DE HOLANDA -

Ainda sob os efeitos do porre de felicidade, começo a reescrever a minha história. Uma história inacreditável e inesperada nessa quadra da minha vida. Há anos a Universidade Estácio de Sá editou uma série de livros sobre personalidades brasileiras. Tive a sorte de ser presenteado com uma biografia na série Juízes, em companhia de colegas queridos como Denise Frossard e Alyrio Cavalieri. A história então publicada revelava a vida de um sertanejo do agreste da Paraíba que aos dois anos de idade, por desejo e vontade de sua mãe Maria e de sua Tia Anita, juntamente com três irmãos virou retirantes nordestinos rumo à então Capital da Republica.

Essa saga tem como personagem principal minha mãe, uma mulher arretada e muito à frente de seu tempo, que no inicio dos anos 50 rebelou-se contra o companheiro alcoólatra e violento, e como uma mãe cuidadosa assumiu a criação de quatro filhos homens, mudando-se para o Rio de Janeiro. Diante deste ato heróico, jamais questionei minha mãe sobre as razões do afastamento de meu pai, satisfeito com as explicações superficialmente dadas. O que valia era a sua proteção amorosa e cuidadosa.

É claro que muitas foram as dificuldades para criar quatro homens, manter os estudos e a educação numa cidade como o Rio de Janeiro. Mas minha mãe e minha tia jamais desistiram de nos dar o suficiente emoldurado por uma educação muito amorosa e presente. Ambas trabalharam nos Correios e complementavam a renda familiar costurando. Fui criado sem pai e com duas mães. Aos dez anos pedi e fui autorizado a ter um encontro com meu pai em minha cidade natal, Cajazeiras. A viagem de volta foi outra aventura digna de um capítulo.

Por falta de recursos financeiros, minha mãe pediu a um amigo caminhoneiro, que ia para Fortaleza que me levasse até a cidade de Crato, e lá me pusesse num ônibus para Cajazeiras, onde me encontraria com ela que tinha ido de ônibus. Na feira de Crato conheci uma frutinha chamada siriguela.  Comprei um saco e fui me alimentando no ônibus com destino a Cajazeiras. Por haver exagerado, o ônibus teve que parar várias vezes para que eu deixasse no mato marcas da diarreia que o excesso ou a falta de higiene no consumo das frutas causou.

Finalmente, cheguei em Cajazeiras e consegui marcar um encontro com meu pai. Um homem que jamais havia visto, pelo menos na minha lembrança, já que havia saído de lá ainda bebê, mas ansioso para iniciar uma relação filho/pai. Nosso encontro durou meia hora e nada dissemos um ao outro, afora os lamentos de ambos. Foi uma frustração muito grande porque não compartilhamos qualquer emoção. Essa lacuna percorreu toda a minha vida, e certamente, influenciou a minha escolha para ser Juiz das Crianças e dos Adolescentes, como uma forma de procurar ser uma proteção para aqueles que como eu não tiveram pais presentes e garantir-lhes o direito à convivência familiar e comunitária.

Também por dificuldades econômicas fui matriculado num Colégio Interno em Jacarepaguá, na Taquara, chamado Padre Antônio Vieira. Juntamente com meu irmão mais novo Wtigard, estudamos por um ano nesse estabelecimento do Serviço de Assistência aos Menores. Mais tarde, já casado, fui morar num Condomínio em frente essa escola, já então transformada em Clinica para tratamento de usuários de drogas.

Entendo, agora, que também fui um predestinado quando fui acolhido pela comunidade de Padres Agostinianos no Leblon, que apreciando minha atuação como coroinha na Igreja Santa Mônica, uma santa mãe que passou a vida inteira rezando para resgatar seu filho Agostinho para Deus, ofereceram-me uma bolsa para estudar no Colégio Santo Agostinho, na época, e ainda hoje, um dos mais conceituados colégios do Rio de Janeiro. Senti-me “adotado” por 24 frades que então compunham essa comunidade religiosa.

Minha integração foi tão grande que passei quatro anos em formação no Seminário Agostiniano de Ribeirão Preto. Queria ser frade agostiniano. Contudo após quatro anos, fui convencido que não tinha vocação e voltei para o Rio de Janeiro, onde cursei o clássico em escolas públicas, sendo aprovado no vestibular de Direito para a então Universidade do Estado da Guanabara, hoje UERJ. No velho casarão histórico do Catete, cursei os cinco anos à noite, sempre trabalhando durante o dia. Concluído o curso de Direito passei a trabalhar em diversos escritórios de advogados que além de me acolherem, muito me ensinaram no campo do direito e do trabalho no judiciário.

Após cinco anos de prática forense, por sugestão de meu querido professor Humberto Manes, fiz concurso para Juiz de Direito  e, para minha surpresa, já que o mesmo era constituído de uma seleção, reconhecida como difícil, de provas, títulos e conhecimentos, sujeita a histórico e tradicional nepotismo, fui aprovado, e assumi minha primeira Comarca em Silva Jardim. Como é comum, diante dos critérios usuais, minha promoções foram sempre concedidas por antiguidade. Nessa nova fase profissional, tive excelentes experiências nas Varas Criminais, Varas de Família, Varas Regionais de Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, Vara de Execuções Penais e, minha grande paixão, a Vara da Infância e da Juventude Cível e do Infrator, onde permaneci por quinze anos até ser promovido para o Tribunal de Justiça.

Parte grande dessa história já foi contada e minha vida seguia seu rumo com normalidade, tendo construído uma família maravilhosa com uma filha e três filhos, cada um deles com suas características, mas todos com uma riqueza de caráter e humanismo que me comovem. Presentearam-me com cinco netas e um neto, todos alegres, saudáveis e inteligentes, e a vida continuava como estava escrito.

Até que... Um milagre aconteceu. Pensam que não acontece? Eu vivi para receber essa graça, e, estou ainda inebriado de tanta graça e tanto amor. Acreditei que nada mais poderia acontecer no curso de minha vida, já caminhando para a curva descendente. Perdi meu irmão mais novo há dois anos e convivo com os remanescentes, Rudimaci e Iata Anderson, os quais amo muito. De repente, recebo em meu lar uma carta contendo uma reportagem sobre um homem ilustre e sua fotografia. A remetente apenas informava: “esse é seu pai biológico”. Respondi à remetente, indagando a razão de tal noticia, completamente por mim desconhecida. Não houve resposta. Arquivei o assunto, acostumado que estou a receber todo tipo de provocação de alguns que gostam de mim e outros que não gostam.

Há dois anos, fui agraciado com uma homenagem dupla do Estado da Paraíba: a Medalha Epitácio Pessoa e da Câmara Municipal de Cajazeiras.  No discurso de saudação, a Vereadora Lea Silva me emociona, afirmando que falava não apenas como parlamentar, mas como parente muito próxima. Pensei: esse discurso não é para mim. Nunca havia visto essa senhora. Como ela pode afirmar que é minha parente? Após a cerimônia, indaguei qual seria o tipo de parentesco. Respondeu exibindo uma fotografia e perguntando se eu conhecia o senhor da foto. Disse que não, e ela foi direta. Esse é seu pai biológico. Era a segunda pista que eu recebia! Ainda não convencido, questionei-a sobre os fatos. Como num capítulo de novela, fomos interrompidos, pois começaria uma cerimônia para a qual nos dirigimos e a conversa parou alí.

Meu coração ficara inquieto, sobretudo porque outra pessoa me disse que havia duas pessoas que se diziam meus irmãos, Nilmar e Marcelo, e que gostariam de ter um encontro comigo. Achando tudo muito estranho, me abri para todos os que quisessem me falar sobre esse assunto e nos encontramos na casa de uma antiga amiga de minha mãe, Maria José, que nos recebeu em sua casa para um café com tapioca. Os “irmãos” compareceram com suas esposas, tomamos café e comemos tapíoca, mas nada foi dito sobre o tema paternidade. Curioso, desconfiado e ansioso, voltei para o Rio de Janeiro. No entanto, meu coração não aquietava.

Estava em Nova York, na casa de meu filho Carlo, quando minha filha Fernanda me conta que ao ser operada, o anestesista Karlos de Holanda afirmara que era primo dela e que o avô dele seria irmão de meu pai Domício de Holanda. Curiosa, minha filha fez todas as perguntas que só a curiosidade de uma mulher inteligente é capaz. O fio da meada foi se desfazendo e tomei conhecimento que haviam sido acrescidos aos meus três irmãos mais sete, sendo uma mulher, minha primeira e única irmã.

Abri o peito e fomos ao encontro dessa tão sonhada nova família. Marcamos, eu e Heloisa, minha amada esposa, para o inicio de janeiro, nossa ida a João Pessoa, antes nos preparando como num retiro em Porto de Galinhas. Ansiosos com o encontro, encurtamos o retiro e antecipamos o encontro. Dia 8 de janeiro de 2019, chegaram no hotel os primeiros membros da Família Holanda. Como na história de meu “parente” Chico Buarque de Holanda que também tardiamente descobriu que tinha um irmão alemão, abracei o primeiro dos sete, Rafael, um ser extraordinário, de coração extremamente bom, que escreve divinamente bem sobre assuntos sempre de enorme relevância para os corações. Médico e humanista que me emocionou durante todo tempo em que estivemos juntos, apresentou-me sua querida família.


Viviane, sua amada esposa, uma figura iluminada, que está sempre presente com sua forte personalidade distribuindo sorriso e amor por onde passa, tem uma mãe que é energia pura, D. June. As filhas me emocionaram vinte e quatro horas por dia com tanta atenção e a presença constante de Gabrielle com seu mimo de filha Lorena, muito inteligente e falante, sempre com uma lição para nos passar, adultos que somos e nem sempre com a humildade de aprender com as crianças, mas que não há como não se dobrar às frases ditas por Lorena! O pai Alan, caramba..., falar o que desse meu professor permanente que me levou no colo para todos os lugares de Pernambuco à Paraíba? Não me deixava pisar no chão sem sua presença protetora e orientadora como mestre em minha nova tese. Como um mestre de cerimônias, ia me apresentando à família e documentando todos os encontros.

Julianne, que beleza de mulher, advogada cuidadosa e atenciosa. Uma atleta da vida e de Cristo. Sua presença ilumina todos os ambientes. Estou exagerando, leitor? - Você não imagina como fiquei contagiado com esse abraço dos Holandas. E não sabe como fui amado nesses dias de tanta ternura! e Juju não me largou com seus afetos e atenção. Um capítulo à parte foi o Leo. Um abraço de quebrar as costelas disse tudo o que silenciosamente ele é capaz. Como precisamos olhar com atenção e amor para os diferentes que nos apontam o quanto precisamos deles, para sentir nossa humanidade e grandeza como criaturas de Deus que somos.

Esses foram os primeiros passos e abraços, e já me haviam abastecido com energia para o resto da vida. Muitas emoções ainda me esperavam nesses quatro dias. O encontro como minha irmã Gláucia foi arrepiante. Eu tenho uma irmã linda, cativante, emocionante e recebi dela o mais tenro abraço de uma mulher. Foi um momento mágico de emoção mútua como alguém que descobre a vida e se faz feliz plenamente. Seu marido Ricardo, calado, mas comunicativo e um ótimo coadjuvante nesse festivo encontro familiar. Os filhos, Ricardo Cesar, o “Zico” e Ana Cecília, cativantes e super carinhosos. Faltou conhecer Eduardo.

Ao entrar na Casa do Pai, deparei com uma foto impactante. Os 50 anos de casados de Domício e Dona Adoriva! Essa foto colocou por terra qualquer dúvida que acaso ainda existisse. No retrato eu estava estampado ao lado de Dona Adoriva. Vi então que tudo era maravilhoso e podia dar por encerrado, como na criação do mundo e descansar. Não era um sonho, era tudo uma realidade com anos de atraso! Mas, uma frustração invadiu meu coração: porque não encontrei antes esse Homem? Porque não tive direito a esse abraço? Essa presença? Esse exemplo? Esse afeto? Porque me foi negado esse encontro em vida? Deus é o Senhor do Tempo e dos Encontros. E nada poderia atrapalhar esse, que o destino me descortinava nesse momento tão mágico.

Descansar do que, se muito ainda me esperava? E veio o abraço de Luciano. Olhei para esse irmão e me vi estampado nele, não no seu brilhantismo como médico dos homens e das almas, mas na aparência física. Mais uma confirmação do milagre. E Luciano não veio sozinho; sua esposa, Walenska, era o complemento que justificava a felicidade daquela família com frutos tão promissores como Targininho e Radmila. Sendo chamado de tio por eles me senti incluído e acolhido. Mais tarde conheci Dr. Targino e sua energizante esposa, Dona Marluce, sempre alegre e com um sorriso acolhedor.

Chegou a hora de abraçar um irmão tímido e sorridente, Wagner, cujo abraço me fez chorar. Foi companheiro o tempo todo, conversando, perguntando e respondendo, deixando-me à vontade no ambiente familiar, juntamente com Ione, que assim como Walenska e Gláucia deixaram Heloísa, minha esposa, completamente à vontade e incluída nesse manto familiar. Eram tantos sobrinhos a me acariciar, que certamente serei injusto ao não mencionar alguns. Desculpem! Mas lembro que esse casal querido têm o Gabriel e a Fernanda, esta ultima sempre presente com um belo sorriso e seu carinho constante.

Domicinho e Cândida marcaram suas presenças com um discreto carinho. Mas confesso que fiquei fã de Domicinho com quem pouco conversei, mas senti muita afinidade político-social. Deu-me até vontade de deixar a barba crescer pelo mesmo motivo e finalidade. Afinal sou nordestino, e sei bem o que é ser vítima do preconceito de gênero, de cor e de origem. Ser nordestino em alguns lugares é um risco porque somos, antes de tudo, fortes e há quem não nos queiram fortes e vitoriosos. Peterson e Makson foram mencionados e desejo muito conhecê-los.

Deixei por último os primeiros que conheci, não como irmãos ainda, embora já sentisse neles o cheiro dos Holanda, pelo jeito carinhoso de chegar perto. Discretos, não me anunciaram a boa nova. Estiveram comigo antes que nosso Pai tivesse nos deixado e poderiam ter proporcionado esse tão desejado encontro. Mas nada a reclamar. Tudo tem seu tempo. Nilmar e Marcelo estiveram antes de tudo acontecer e silenciaram. Essa é uma pergunta da qual não obtive resposta, mas a emoção de encontrá-los e abraçá-los como irmãos ficou acima de todos os percalços. Foi muito bom abraçá-los já como irmãos. Valeu um porre após 11 anos de abstinência, Marcelo.

As companheiras de vida Mercês (a detentora de todos os segredos) e Fátima me deixaram muito feliz com a confirmação da realização desses sonhos. Hoje ganhei uma família nova cheia de irmãos, cunhados e cunhadas, sobrinhos como Luciana, Ricardo, Raquel e Renata, Patrícia e Luciano que me fazem muito feliz.

Não posso esquecer minha prima tão querida Claudia Holanda, que saiu de Campina Grande com seu esposo Alexandre e suas lindas filhas Maria Clara e Maria Vitória, para reafirmar que havia lido minha biografia para meu pai  antes mencionada, e que ele vibrava com a leitura ao saber dos caminhos por mim percorrido. Claudia é uma prima muito querida e sensível, que trabalha com a causa social e me emocionou muito pelo papel que ocupou ao ler para Domício noticias minhas, que segundo afirmou o deixavam muito feliz.

E agora, como será o amanhã? Exultando de alegria me pergunto a toda hora o que fiz para merecer tanta felicidade? O que devo fazer para retribuir tanta sorte e tanto amor? Encontrei-me não apenas na aparência física de meu Pai, mas, sobretudo nos valores humanísticos que passou para os filhos. Meu pai, segundo fui informado, era um homem bom. Ajudava todo mundo. Não era egoísta. Ao contrário, não se apegava a nada material e ajudava aos mais necessitados. Era o homem que eu queria ser. Quem sabe o serei, se é que esses valores estão no DNA, e também nos exemplos que ele deixou. Para alguém, como eu, que nunca teve uma referência de Pai, saber que ele nunca me esqueceu, me procurou algumas vezes e me apresentou aos irmãos como filho, não tem preço e vale esse resgate amoroso com o qual estou sendo contemplado.

Viver daqui pra frente com esse orgulho de ter um pai com essas características não vale o tempo perdido, mas me encoraja a seguir seu exemplo de pai e ser para meus filhos e netos um pouco do tanto que aprendi a admirar em meu pai Domício de Holanda e em meus irmãos. Resta ainda viver procurando merecer tanto amor recebido em cachoeira, já que esperei 69 anos para conhecer essa maravilhosa família.

Siro Darlan, Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.





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