26.12.15

FAZENDEIROS ATACAM TRIBO INDÍGENA COM AGENTE QUÍMICO

Via Correio do Brasil -
O ataque teria ocorrido neste sábado “sobre o córrego d’água e sobre o resquício de mata ainda não derrubado pelo agronegócio”, afirma líder indígena.

Uma nova denúncia, desta vez filmada por um líder indígena, mostra ação de supostos fazendeiros da região de Caarapó, no Mato Grosso do Sul, pela expulsão das famílias que permanecem no acampamento Tey’i Jusu, da etnia Kaiowá. De acordo com a filmagem “fazendeiros da região despejam agrotóxico sobre as famílias”.
“Debaixo do veneno, crianças, velhos, pessoas da etnia indígena Kaiowa que tentam viver sua cultura e plantar seu alimento em paz sobre seu território ancestral”.
O ataque teria ocorrido neste sábado “sobre o córrego d’água e sobre o resquício de mata ainda não derrubado pelo agronegócio”. Ao longo de 2014, denúncias foram encaminhadas para a Sexta Câmara de Justiça do Mato Grosso do Sul, “contendo vídeos que flagraram uma aeronave idêntica despejando veneno sobre estas famílias”, afirmou a testemunha. Este seria o quinto ataque químico “contra a mesma comunidade, em menos de um ano”, afirmou.
Luta antiga
Há décadas, o povo Guarani Kaiowá resiste aos ataques de fazendeiros ao seu território, no Estado do Mato Grosso do Sul. A luta, no entanto, tornou-se mais aguerrida nos últimos quatro anos. Desde 2012, ano de intensa mobilização dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, a causa indígena conseguiu uma visibilidade e alianças talvez jamais vistas na história deste país.
Uma enorme repercussão e solidariedade se espalhou pela internet (Somos todos Guarani Kaiowá) e se desdobrou, desde então, em outras dezenas de campanha. Milhares de pessoas acrescentaram a seus nome o nome desse povo. Um abaixo assinado, na época, reuniu mais de 300 mil assinaturas de apoio aos direitos desse povo. Em mais de uma centena de cidades realizaram manifestações e atos públicos de apoio a esses povos. Podemos dizer que o Brasil e o mundo foram um pouco mais Guarani-Kaiowá, solidarizando-se e apoiando a dura luta pela vida e pelos seus territórios.
Ainda assim, os ataques de fazendeiros da região ocorrem, sem que haja a intervenção policial efetiva no conflito.