17.12.15

GLOBO FICA FORA DO AR. É A CRISE?

Por ALTAMIRO BORGES - Via blog do autor -

A sempre atenta Keila Jimenez, do site R7 – pertencente à rival Record –, postou uma apimentada notícia nesta terça-feira (15): “Várias regiões do país ficaram sem o sinal da TV Globo na madrugada de domingo para segunda. Em algumas regiões do Nordeste, a emissora chegou a ficar cerca de 5 horas fora do ar. Ao ligar no canal, ao invés da programação da Globo, o espectador via somente o logotipo da emissora estampado na tela, sem mensagem alguma. Em algumas regiões, a emissora ficou completamente sem sinal. Alguns espectadores foram para as redes sociais reclamarem. A turma da ‘teoria da conspiração’ achou que se tratava de uma ‘censura governamental’ ou algum ‘golpe’ que estava sendo armado no país. Procurada, a Globo disse que foi uma parada programada para manutenção mensal, um procedimento que é realizado há muitos anos”.

De fato, o apagão foi puramente técnico. Não houve “censura” nem “golpe” – apesar dos desejos incontidos dos filhos de Roberto Marinho. O império global segue impávido com seu jornalismo partidarizado e sua programação enfadonha. Mas isto não significa que a situação da TV Globo é tranquila, sem riscos de “apagões” mais sérios. Sua audiência registrou quedas recordes neste ano, o que deixa os anunciantes mais contidos. A crise financeira tem causado vítimas, com várias ondas de demissões e de redução dos salários. Nesta semana mesmo, a emissora se desfez de mais um correspondente internacional, o veterano André Luiz de Azevedo, que anunciou ao vivo, no programa “Hora 1”, que estava deixando o seu posto em Portugal.
 

Em outra notinha, Keila Jimenez não perdeu a chance para dar mais uma fustigada. “André faz parte do time de correspondentes com altos salários na Globo que estão voltando ao canal. Internamente, alguns falam em renovação dos correspondentes internacionais na emissora. Outros dizem que se trata de uma contenção de despesas. A emissora estaria trocando correspondentes com altos salários por outros com salários menores. Nessa leva já veio Renato Machado, que se despediu do ‘Bom Dia Brasil’, direto de Londres, na semana passada. Muitos desses jornalistas que estão voltando podem ser dispensados. Nos bastidores da Globo dizem que a próxima a perder a vaga internacional deve ser Ilze Scamparini, que há décadas é correspondente da emissora na Itália... Helter Duarte, de Nova York, e Roberto Kovalick, de Londres, também podem ser chamados de volta mais adiante”.

Este cenário de dificuldades – que ainda não resulta em um “apagão” mais sério – pode se agravar no próximo ano. Várias mutações tecnológicas indicam que a TV Globo – mas não só ela – deve perder ainda mais audiência e anunciantes. Nesta segunda-feira (14), o blog Outro Canal, hospedado no UOL, informou que “os serviços de vídeo sob demanda na internet, como Netflix, Net Now e Telecine Play, mais que dobraram entre as classes ABC no Brasil. É o que aponta a pesquisa encomendada pelo YouTube com 1.500 entrevistados, feita em seis capitais entre julho e agosto de 2015: 65% pagam por algum ‘streaming’, ante 30% em 2014. Entre os pesquisados, 72% acreditam que o YouTube é ou pode ser um substituto para a televisão e usam a internet para ver conteúdo que não está na TV (77%) ou para recuperar algo que perderam (48%)”. Esse crescimento vertiginoso é fatal para as TVs abertas!
 

A situação não é menos traumática para as tevês por assinatura. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a indústria da TV paga teve forte queda em outubro. Ela fechou o mês com 19,3 milhões de assinantes no ano, o que representa 255 mil a menos do que o número registrado há 12 meses. É a primeira vez que o crescimento do setor é negativo na comparação anual. Somente em outubro, a maior operadora do país, a América Móvil, perdeu 45 mil clientes; a Sky perdeu 58 mil assinantes; e OiTV perdeu 1,8 mil, para 1,168 milhão. A redução tem a ver com a crise econômica – que inclusive é amplificada pela própria mídia –, mas também com a explosão da internet no país, que não atinge apenas a decadente TV aberta.