4.12.15

O FUTURO SE DESMANCHOU

Por LÚCIO FLÁVIO PINTO - Via blog do autor -


O governo federal iniciou o exercício de 2015 com o compromisso, estabelecido em lei, de economizar 55,3 bilhões de reais para pagar os juros – apenas os juros – da dívida pública. Só a da União chega a R$ 3,8 trilhões. Anteontem, o Congresso Nacional autorizou o executivo a fechar as contas do ano com déficit – recorde na história do Brasil – de R$ 120 bilhões.

É um número chocante. Põe fim à fantasia criada por Lula, mantida e agravada por Dilma, de um Brasil próspero à custa de endividamento público e privado sem limites, e de canais de vazamento do dinheiro do erário que transformaram a administração estatal num queijo, cheio de buracos podres, como os que a Operação Lava-Jato identificou e combate.

A sanidade fiscal chegou ao fim. No seu lugar, entram em agitação máxima todos os malefícios de um governo que perdeu a capacidade exigida de uma dona de casa, de equilibrar as despesas com as receitas e gerar superávit para enfrentar os problemas acumulados, o lixo escondido debaixo do tapete no consulado de Lula – e para eleger Dilma sua sucessora.

A estabilidade da moeda está sob grave ameaça, ameaça que vem, sobretudo, pelo desequilíbrio fiscal (com rombo de R$ 33 bilhões até outubro) e os efeitos perversos da falta de credibilidade do governo, através do monstro da inflação. O Brasil do Real pode ruir se a gestão estatal continuar a ser incapaz de reverter o quadro de deterioração geral da economia. E de acabar com sua demente irresponsabilidade.

Uma amostra grátis do que espera o Brasil foi exibida nos últimos dias com a débâcle do setor público em função do corte extraordinário que o governo precisou fazer nas suas despesas, de R$ 10,7 bilhões, para não incorrer nas penas da Lei de Responsabilidade Fiscal, incluindo a caracterização do crime de responsabilidade da presidência da república, que lhe custaria o mandato.

Com a aprovação do ajuste fiscal no Congresso, essa ameaça desapareceu. O governo vai achar que poderá retomar a irresponsabilidade fiscal, na esperança de que o ajuste venha por inércia ou por alguma predestinação de origem divina? Seria uma loucura. Mas quantas já não ficaram para trás?

O grave momento que o Brasil passa a viver é ainda mais onerado pela irresponsabilidade das elites políticas e empresariais, que fazem seus bailes na ilha Fiscal indiferentes ao soar do relógio da história e ao olhar atônito dos bestializados, mais uma vez.