21.1.16

AS CARAVANAS INVISÍVEIS

CARLOS CHAGAS -


Há um denominador comum unindo a presidente Dilma, o ex-presidente Lula, o vice Michel Temer, o senador Aécio Neves, o senador José Serra,  o senador Renan Calheiros, o ex-governador Ciro Gomes, o governador Geraldo Alckmin, a ex-ministra Marina Silva e mais um  monte de políticos    por enquanto imobilizados. Não se fala de que, à exceção de Madame, julgam-se todos possíveis candidatos à sucessão de 2018 ou até antes. Estão unidos numa preliminar que antecede a disputa pelo palácio do Planalto.  Os referidos personagens, desde o ano passado, enganam a sociedade ao anunciar a disposição de não perder mais tempo e de começar a percorrer o país em defesa de seus projetos pessoais e de suas candidaturas.

Quantas vezes o Lula sugeriu a Dilma e disse   que ele mesmo também iniciaria monumental vilegiatura pelos  Estados, na reafirmação de sua liderança e de seu partido?  A mesma coisa com os demais, de Aécio em diante.  Não se passa um dia sem que um deles divulgue o início de ampla temporada de viagens para conquistar o eleitorado e caminhar para a vitória.

Só que  nenhum deu a partida. A presidente inaugura algumas obras mas está longe de sacudir a nação, como prometeu em sucessivas entrevistas. Prefere o isolamento de seus palácios,  certamente para prevenir-se de vaias e panelaços. Seu antecessor proclama a sempre adiada marcha para a  popularidade,  dele e do PT. Só que  quando se dispõe a comunicar-se,  prefere auditórios restritos e selecionados.  Nenhum dos outros citados faz diferente, menos pelo tempo que ainda falta para as eleições presidenciais,  mais pelo temor da rejeição  antecipada.

A verdade é que a opinião pública, tanto quanto a opinião publicada, desconhecem as supostas lideranças políticas nacionais.  Estas não lhes dizem nada, deixam de despertar curiosidade, quanto mais entusiasmo. Dá no mesmo se imaginam representar governo ou oposição, pois no máximo exprimem  o vazio, para omitir  rejeição.

Sendo assim, melhor apregoar as caravanas invisíveis do que arriscar-se  a frustrações. Como as crises econômica e política tendem a aumentar, multiplicando o desemprego, os impostos e o custo de vida, com a inflação ao lado, o mínimo a esperar é que se encolham cada vez mais os que tem obrigação de mostrar-se.