7.1.16

POETAS E POESIAS DE ONTEM E HOJE

CELLY ADELINA -

Folhas caídas

Fato é que falta, 
O sentido se esmera na ausência tua,
meu ideário.
Restos de caminho,
Atalhos que ousam pulsar.
Vou guardar,
Mas, já não será vida,
Fará parte da memória,
Das cores amareladas,
Do lembrar fortuito.
Numa certa manhã,
Não será mais o primeiro raio,
Nem o motivo.
Ao entardecer,
Talvez não lembre das mentiras,
Nem doa tanto a traição,
quiça fique só a saudade, feito sonho,
Que vai se desmanchando e
Permanecendo longe... 
mesmo que rasgando sempre e
Integralmente a'lma.

***

Biliar

Viver a resignação
Ausência e dor profundas,
Até tornar n’alma a
Existir o  excelso,
Enquanto o corpo implora
Afagos e lábios.
Uivar a dor
Ao fundo extremo
Da saudade
Da ébria certeza
Do inexistente em ti.
Do nunca existido
Cruéis mentiras
Hoje sabidas, amargas  verdades
Que cortam
Arrancam
Dilaceram
O peito,
Até o vômito biliar
Não há nada
Em mim
Sim, um gemido
Um espírito em evolução
Carregando o desejo
Da carne,
Da tua carne
Degustada em outro leito.

***

Lavrar

As folhas se encolhem, voam.
Ficam dançando, incertos ritmos.
Tempos que compreendem, na eternidade.
Escapam-lhe das veias as gotas e a poeira,
Nela viajam os poetas, entre loucos e os sem par.
Uma palavra, feito caco de uma taça, há tanto quebrada.
Nem o chão, os panos e mãos que se lhe quiseram retirar... O puderam.
Ficou, entre vãos, como cola entre ladrilhos,
Entre a madeira e o vidro,
Gruda e forma outra unidade.
Dormitando, ou no cosmo, em gravidade,
flutuando à espreita de nascer...
E já era crescido, já era forte, já era inevitável.
Inevitavelmente apaixonado
Ia rasteiro, passando, apenas,
Esperando a hora de voar
De encontrar o amor.
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