19.2.16

BRASIL E PORTUGAL. LIÇÕES HISTÓRICAS QUE NÃO DEVEM SER ESQUECIDAS

Por GILBERTO CLEMENTINO -

Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo” (Confúcio)

“Não tenha medo de subir na árvore e esforçar-se para alcançar o galho: é lá que está a fruta”. Exatamente! Como diz minha amiga Marlene Webber. E olha que dentro desse espírito acompanhei um amigo e sua esposa ao Encontro Internacional de Juristas, em Lisboa, bela capital de Portugal. O Encontro se estendeu à cidade de Sintra onde a delegação composta por advogados, professores, escritores, palestrantes, promotores, policiais, foi recebida na prefeitura local e em solenidade foram entregues certificados aos homenageados.

O que isso significa em relação a Brasil e Portugal? Tudo! Logo que cheguei escrevi um texto sobre o Encontro Internacional de Juristas e preparava a revisão para mandar ao Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo, onde pretendia vê-lo publicado. Ora pois, não é que adquirindo um computador novo deixei o texto original no computador velho.

Pior é que havia me esmerado em retratar o melhor possível aquele encontro com mestres do gabarito de José Armando da Costa e Léo da Silva Alves, além de Mário Frota, especialista em Direito Econômico, que me recordou em tamanho e vozeirão, mas sem as maldades, o “senhor Richfield” (aquele da Família Dinossauro). Tudo resolvido. Escreveremos outro e aqui vamos, embora seja fácil recuperar arquivos e salvá-los em outra máquina. Por hora, vamos em frente…

Quando o professor e palestrante Sandro Lúcio Dezan esteve em minha casa e disse que seria homenageado em Encontro Internacional de Juristas, fui tomado de alegria pela honraria que o Centro de Estudos Europeu lhe conferia e, maior ainda, quando ouvi dele que estava convidado a acompanhá-lo juntamente com sua esposa Myrthes, para participar do evento. Sandro é um brasileiro dedicado, estudioso, servidor público federal exemplar e que tem futuro brilhante, recebendo com justiça essa grande deferência.

Estar diante dos renomados José Armando da CostaLéo da Silva Alves e Mário Frota, representou experiência singular. E insisto, de longe imaginava estar, especificamente, com José Armando da Costa e dele receber dois magníficos livros autografados, verdadeiras relíquias, que estou lendo e guardarei como troféus. Trata-se de escritor consagrado e consultado por juristas de todo o Brasil, notadamente Supremo Tribunal Federal e citado em obras que abordam temas dos mais variados.

Em terras portuguesas, depois de anos sem pisar na Europa, senti uma emoção tremenda, o que se revelou desde a entrada em voo da empresa TAP, cujo avião não era dos mais modernos. Bom, a emoção era tremenda, mas por algum tempo poderia fazer até trocadilho dizendo que fiquei emocionado e tremendo. Apenas pilhéria! Cruzar o Atlântico rumo a Portugal iria merecer uma taça daquele vinho (ótimo) servido nas alturas, o que segundo especialistas redobra efeitos. Tudo bem!

A economia lusitana passa por momentos difíceis. A questão de adesão à Zona do Euro trouxe benefícios, mas contrario sensu, trouxe a necessidade de políticas mais duras e austeras de controle sobre a inflação, por exemplo, o que afeta diretamente a vida de portugueses e imigrantes. Que pena! Mas é assim mesmo. O que não tem e nem se pode esperar em política internacional é comportamento ético em economia. Ninguém dá nada de graça a ninguém e, portanto, nem se deve esperar que caia do céu. Logo, observar igrejas sendo fechadas por dificuldade de manutenção, castelos e monumentos com redução de verbas, pessoas desempregadas, tentativas de suprimir o 13° salário dos trabalhadores, redução de valores de pensões, etc., é uma realidade cruel.

Com todo respeito, a briga por postos de trabalho tem causado enorme tensão entre todos que labutam em terras lusitanas, notadamente brasileiros e portugueses. Um amigo, tentando amenizar a situação manda uma piada que se presta a esses tempos bicudos:“João é brasileiro e mora em Portugal. Ele se candidata a um emprego numa empresa portuguesa. Manoel é o único candidato português para a mesma vaga. Eles são chamados para responderem um questionário que deverá selecionar um dos dois. Os dois preenchem o formulário e o devolvem. Ambos erraram uma pergunta e responderam corretamente as outras. O gerente chama Manoel e diz: – Obrigado pelo seu interesse, mas decidimos ficar com o outro candidato. – Mas o senhor não pode! – responde Manoel – Ambos tivemos nove perguntas corretas. Estamos em Portugal. Eu sou português. O senhor deve me dar preferência! O gerente responde: – Nossa decisão foi tomada não pelas respostas corretas, mas sim pela que vocês erraram. Manoel questiona: – O senhor poderia me dizer porque uma resposta incorreta é melhor do que outra? – Simples – responde o gerente – O Sr. João respondeu ‘eu não sei’ na pergunta 5, e o senhor respondeu ‘eu também não.”

Brincadeira à parte, voltemos ao importante Encontro Internacional de Juristas. Ali estavam brasileiros de quase a totalidade das unidades da federação, levando a Portugal a energia, a alegria, a esperança, a perseverança, de um povo irmão, que ontem abrigara a Coroa Portuguesa e que hoje desponta como economia emergente, por vocação única de seu próprio povo e não mérito de classe dirigente.

A lição da crise na Europa e, principalmente, em Portugal deve servir de alerta ao Brasil, que contando com muitas vertentes favoráveis pode perder o bonde da história se não adotar políticas que venham reduzir as sangrias aos cofres públicos perpetradas pelos políticos e empresários do “eu também não”, o que pode levar a perda de uma vaga para potência futura, que pretendemos conquistar e cuja vocação estamos predestinados, no dizer do professor Darcy Ribeiro.

Nas palavras de Fernando Pessoa, poeta e escritor português, nascido em Lisboa: “Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”