25.2.16

GOVERNO DO DESEMPREGO

ROBERTO MONTEIRO PINHO -


Divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 19 de fevereiro (sexta-feira) a taxa de desemprego no trimestre de setembro a novembro de 2015 atingiu 9,0%.

Neste universo de desempregados, revela um número desalentador. A população desocupada, de aproximadamente 9,1 milhões de pessoas, cresceu 3,7% – ou cerca de 323 mil pessoas – em relação ao trimestre de junho a agosto. Enquanto na comparação do mesmo trimestre do ano anterior, a taxa subiu 41,5% (mais 2,7 milhões de pessoas).

Mais desempregados, menos oferta de emprego, e o governo da presidente Dilma Rousseff vai fazendo seu estrago. Dilacerando a Nação, atirando as famílias de trabalhadores desempregados no poço da miséria e fome. Um país sem credibilidade, não capta investimentos, e por sua vez não produz postos de trabalho. Aqueles que apostaram na inflação alta estão faturando no mercado financeiro, quem ficou de fora, amarga o fato de que o crédito está cada vez mais inacessível.

O quadro social brasileiro é grave. De acordo com o IBGE, a média de vida de um cidadão brasileiro é de 72,7 anos. Expectativa ou esperança de vida corresponde à quantidade de anos em média que uma determinada população vive. Esse item é um importante indicador social que serve para avaliar a qualidade de vida de uma população de um determinado lugar.

O Estado do Rio Grande do Sul tem o maior índice (75 anos), enquanto no norte e nordeste os estados oscilam entre 6% (Maranhão) ao Pará com 72 anos. Mas como assegurar essa qualidade de vida, num quadro estranho a estabilidade dos níveis de emprego.

O anúncio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão de que o decreto de programação orçamentária e financeira contém a determinação para o bloqueio de R$ 23,4 bilhões em gastos públicos não contempla a autorização para novos concursos públicos, é uma incógnita, e por isso mal anunciado, o judiciário, um dos atingidos, fez a grave ameaça de que vai exigir os concursos.

O manejo da situação drástica que o país se encontra, com a economia ruindo, a moral do governo em baixa, o Congresso desencontrado do executivo e a maior Corte a STF, surpreendendo os brasileiros com decisões inusitadas e jamais esperadas, a exemplo da decretação jurídica da garantia do sigilo bancário, reflete a máxima de Rui Barbosa, quando falou que (...) a pior ditadura é a do judiciário”, nos remete ao sombrio futuro.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem defendendo a adoção de ações políticas para que o país saia da crise econômica. O que já foi manifesto do ex-presidente FHC. O petista afirmou a mídia eletrônica que não adianta ficar “fazendo discurso” para o mercado financeiro. Para o ex-presidente, o governo precisa ter “obsessão” com a retomada do crescimento econômico, o que é uma “tarefa política”. Ele também reagiu às tentativas de incriminá-lo, e ao que considera perseguição, ao governo Dilma e ao PT.

“O que eu acho é que quando a gente tem crise à gente não fica discutindo crise, temos que discutir saída da crise. Ocorre que o ex-presidente em nenhum momento apresentou alguma sugestão para que isso aconteça, apenas usou o foco da crise, para se auto promover, o que faz muito bem.

Se ele e Dilma não sabem de nada, mas sabem que existe crise, conforme afirmou, a comunidade já respondeu “vocês não nos representam”.

Seria saudável que essas figuras que já beiram a mediocridade e enchem a paciência do povo, que operassem o desmanche. Inclusive do seu esvaziado partido o PT, que tem atrelado o braço da CUT, uma central de trabalhadores das estatais e serviços públicos, subservientes, tal quais as Federações o são com os capitalistas da direita brasileira.

Quando abro aqui o texto para sair falar da crise, me vejo, num pântano, onde por mais que ande em suas águas adormecidas, o limo é visto por toda parte. E fico com a sensação de que o povo brasileiro é mais resistente do que aparenta, tal qual a vegetação que ali sobrevive, porque se alimenta dessa água pantanosa.

Por todos os ângulos o país está debilitado, com um judiciário estranho a sua essência de justiça, tal qual o legislativo. Um Poder constituído, para servir a si mesmo.