29.2.16

O BRASIL PODERIA SER DIFERENTE (I)

CARLOS CHAGAS -


Ao longo de nossa história, não foram pouco os governantes que deixaram de resistir em defesa de seus direitos, pela lei, pelo costume ou até pelo apoio popular. Poderiam ter ficado onde estavam sem maiores convulsões institucionais, mas por motivos variados preferiram dar no pé.

Bastaria D. Pedro I ter mobilizado os portugueses sediados no Brasil, que pela lei eram todos, mandando prender os cabeças do movimento pela Independência. As Esquadras Inglesa e Portuguesa ficariam com ele. Preferiu cruzar o Atlântico em defesa do trono de sua filha, D. Mariazinha, em Portugal.

Pedro II era o personagem mais querido do país, só depois de morto poderia deixar o Brasil pelo fato de virmos a ser governados pelo Conde E´Eu, marido da Princesa e futura Imperatriz Isabel.

Proclamada por um golpe militar, a República foi entregue ao marechal Deodoro da Fonseca, eleito constitucionalmente presidente, que não precisava ter renunciado. Bastaria ter mantido a Constituição sem a prerrogativa de dissolver a Câmara os Deputados, que não podia. Se o vice-presidente Floriano Peixoto não tivesse conspirado para ocupar o poder, mas sustentado as instituições, Deodoro morreria na presidência.

REVOLUÇÃO DE 1930

A chamada República Velha duraria até 1930, até a verdadeira Revolução, mas Getúlio Vargas, presidente provisório, não precisaria esperar até 1934 para tornar-se presidente definitivo. Muito menos tornar-se ditador em 1937 para evitar a eleições previstas para 1938.

Derrubado pelos militares, em 1945, foi substituído pelo presidente do Supremo Tribunal Federal e ainda em 1945 passou o poder ao general Eurico Dutra, escolhido em eleições diretas. Cinco anos depois o povo elege Getúlio Vargas, mas em 1954, ameaçado por outro golpe militar, Vargas dá um tiro no peito, frustrando uma intentona castrense e assistindo empossar-se o vice-presidente Café Filho.

JK ASSUME

Em 1955, pretextando um ataque de coração, Café se licencia entregando a presidência   ao presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, engajado num golpe para impedir a posse do recém-eleito Juscelino Kubitschek, pelo voto direto. O ministro da Guerra, general Teixeira Lot, legalista, depõe Carlos Luz, empossa o presidente do Senado Nereu Ramos, que meses depois, em janeiro de 1956, passa a faixa presidencial a Kubitschek.

Cinco anos depois, em 1960, é eleito Jânio Quadros, mas em agosto de 1961, renuncia, deixando o pais à beira da guerra civil. O vice presidente, João Goulart, é contestado por parte dos militares. Do Rio Grande do Sul levanta-se o governador Leonel Brizola, desenvolve-se a luta pela legalidade, afinal vitoriosa.

Jango assume num sistema parlamentarista, com poderes diminuídos, readquire-os em 1963 e tenta imprimir reformas de base entre nós. Em 1964 é deposto pelas forças armadas, seguindo-se juntas militares e generais-presidentes: general Artur da Costa e Silva, almirante Augusto Rademaker, brigadeiro Francisco de Assis Correia de Mello; 1964, marechal Humberto Castelo Branco, 1964 -1967, marechal Arthur da Costa e Silva, 1967 – 1969, general Aurélio de Lyra Tavares, almirante Augusto Radmaker, brigadeiro Marcio Mello, 1969, general Garrastazu Médici, 1969 – 1973, general Ernesto Geisel 1973 – 1979, general João Figueiredo, 1979 – 1985.

(continua)